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sábado, 28 de julho de 2018

Análise: Presidente chinês indica direção para cooperação do BRICS na segunda "década dourada"

 Beijing, 26 jul (Xinhua) -- O presidente chinês, Xi Jinping, destacou importantes pontos para liderar a cooperação do BRICS na segunda "década dourada" do bloco ao participar da Cúpula de Johannesburgo do BRICS na África do Sul, de 25 a 27 de julho.
Ao discursar no Fórum de Negócios do BRICS na cúpula, Xi pediu que os países do BRICS se mantenham a par da tendência dos tempos para alcançar o desenvolvimento comum, enfatizando a cooperação de benefício mútuo, inovação, crescimento inclusivo e multilateralismo.
Chen Fengying, pesquisadora no Instituto Chinês para Relações Internacionais Contemporâneas, disse que "uma mensagem clara é que o BRICS deve dar maior atenção à 4ª revolução industrial, que é crucial para cada economia do BRICS e a África no geral".
A nova revolução em ciência, tecnologia e indústria está ganhando dinâmica, com características de inteligência artificial, big data, informações quânticas e biotecnologia. O líder chinês pediu que os mercados emergentes e os países em desenvolvimento aproveitem a oportunidade e alcancem grande desenvolvimento.
"A China deu um passo à frente na transformação industrial, mas o espaço para a cooperação é enorme", disse Chen.
Xu Xiujun, diretor executivo da Base de Estudo do BRICS, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse que as últimas três revoluções industriais foram todas lideradas pelos países desenvolvidos, porém, esta vez, países em desenvolvimento, particularmente o BRICS, não se omitirão.
Para ter sucesso, Xu disse que os países do BRICS devem cooperar em manufatura inovadora, enquanto aprofundam os laços em comércio, finanças, tecnologia, saúde, entre outras áreas.
Outro ponto chave é apoio ao multilateralismo e economia mundial aberta. A cúpula é realizada sob o contexto de crescente unilateralismo e protecionismo em algumas partes do mundo.
Xi pediu que os países do BRICS promovam firmemente uma economia mundial aberta, sejam resolutos na recusa ao unilateralismo e protecionismo, impulsionem a liberalização e facilitação de comércio e investimento, e conduzam juntos a economia mundial à maior abertura, abrangência, crescimento equilibrado e resultados de benefício mútuo para todos.
A cúpula fornece aos países do BRICS uma oportunidade para falar com uma voz clara e alta para apoiar o multilateralismo e promover a cooperação, disse Chen.
A terceira mensagem, de acordo com os especialistas, é continuar a melhorar a governança mundial para um ambiente possibilitador e estável para os mercados emergentes e os países em desenvolvimento, que contribuem com 80% do crescimento econômico mundial.
Xi disse que a ascensão coletiva dos mercados emergentes e países em desenvolvimento é inevitável. "Devemos garantir que as opiniões dos mercados emergentes e países em desenvolvimento sejam atendidas, que seus interesses e demandas sejam levados em consideração e que haja oportunidades suficientes para seu desenvolvimento."
O BRICS reúne as cinco principais economias emergentes do mundo -- Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O BRIC, seu predecessor, foi criado em 2001. O conceito se transformou em um marco de cooperação formal em 2006. O acrônimo mudou para BRICS depois que a África do Sul juntou-se ao grupo, em 2010.
O mecanismo de cooperação do BRICS se tornou uma plataforma cada dia mais importante para a cooperação no mundo em desenvolvimento.
A cooperação BRICS Plus, criada no ano passado na Cúpula de Xiamen, é prosseguida na cúpula de Johannesburgo, com líderes dos países em desenvolvimento fora do BRICS sendo convidados a participar do diálogo.
Xu disse que, ao prosseguir o BRICS Plus, o bloco está se tornando uma plataforma para fortalecer os laços entre todos os mercados emergentes e países em desenvolvimento.
"Isso é exatamente onde uma plataforma como o BRICS pode desempenhar um melhor papel", disse Chen. "Ao se desenvolver bem, pode tomar a liderança na cooperação Sul-Sul para beneficiar mais países."