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domingo, 27 de maio de 2012

Milhão de refugiados africanos tentam chegar a Israel

Milhão de refugiados africanos tentam chegar a Israel

As autoridades de Israel estão seriamente preocupadas com a crescente onda de imigração do continente africano. O ministro de Segurança Interna, Yitzhak Aaronovitch, declarou que um milhão de refugiados do Sudão e Eritréia estão tentando atingir a Israel. Uma parte deles já está perto da fronteira, os restos estão em Cairo.
O jornal Israel Hayom informa que o ministro do Interior de Israel, Eli Yishai, mandou arrestar imediatamente e prisar por um período de três anos todos os novos imigrantes que atravessam a fronteira ilegalmente. A ordem entra em vigor na próxima semana. O ministro do Interior acrescentou que qualquer funcionário público, que promove a contração de imigrantes, será multado. Além disso, o governo de Israel está preparando uma depatriação de vários milhares de imigrantes para o Sudão do Sul.

Fonte: ruvr.ru

Os que sabiam do assassinato de Kennedy







O magnicídio foi um golpe de Estado

Gabriel Molina Franchossi

O crime de Dallas, no qual ainda se pretende envolver Cuba, foi realmente a consumação do golpe de Estado que tramavam altos chefes militares da CIA e outros ultraconservadores.

Este magnicídio não só afetou os Estados Unidos, mas sim, em surpreendente medida, também atingiu Cuba e o mundo todo. Após quase 50 anos do assassinato de J.F. Kennedy, quando a dramática relação se torna cada dia mais presente no panorama mundial contemporâneo, a CIA pretende adiar, por outro quarto de século, a revelação de alguns documentos que ainda esconde, acerca do crime de 22 de novembro de 1963. Parte dessa estratégia pode ser lida no livro The Castro’s secrets (Os segredos de Castro), de Brian Latell, oficial da CIA para a América Latina, de 1990 a 1994, e que depois de participar de operações da agência contra a Ilha, desde os anos 60, tenta disfarçar o mais escandaloso complô do século 20.

Um dia depois do magnicídio, o presidente Fidel Castro foi, possivelmente, o primeiro em denunciar o assassinato como um complô, num comparecimento na tevê cubana: "Nós podemos dizer que há elementos dentro dos Estados Unidos que defendem uma política ultrarreacionária em todos os campos, tanto no da política internacional como no da nacional. E esses são os elementos chamados a beneficiar-se dos sucessos que tiveram lugar ontem nos Estados Unidos".

O líder cubano leu um dos primeiros telexes: "Dallas, 22 de novembro, (UPI). — A polícia deteve hoje Lee H.Oswald, identificado como o presidente do ‘Comitê do Jogo Limpo com Cuba’, como principal suspeito no assassinato do presidente Kennedy. Quatro dias depois do assassinato, em 27 de novembro, analisou a teoria de Oswald como atirador único, e suas alegadas simpatias "castristas", que nesse momento ninguém questionava. Citou Hubert Hammerer, campeão olímpico de tiro, que declarou inverossímil que um atirador equipado com uma carabina de repetição, com tele-objetivo, possa acertar no alvo três vezes seguidas, no espaço de cinco segundos, quando dispara contra um alvo que se desloca a uma distância de 180 metros, a uma velocidade de 15 quilômetros por hora". Com base em suas experiências na Serra Maestra, com fuzis de mira telescópica, como o que disseram utilizou Oswald, Fidel acrescentou: "Uma vez que se dispara o alvo se perde — por efeito do disparo — e é necessário voltar a encontrá-lo rapidamente (...) com esse tipo de arma é realmente muito difícil fazer três disparos consecutivos. Mas, sobretudo, muito difícil acertar no alvo. Quase impossível" (1).

Fidel analisou que Kennedey era empurrado ao caminho da guerra pelos círculos mais reacionários, com fortes campanhas, leis e resoluções no Congresso, forçando o governo, pelo que eles qualificaram, em 1961, como o colapso da Baía dos Porcos, até colocar o mundo à beira de uma guerra nuclear, a Crise de outubro ou Crise dos Mísseis. O primeiro-ministro de Cuba, na época, também se referiu à atitude de Kennedy sobre os direitos civis, como a segregação e a discriminação racial, e a política de coexistência pacífica que avançava com Jruschov. Estas ações desatavam insuspeitas forças contra o presidente e faziam pensar que o assassinato era obra de alguns dos elementos inconformados com sua política, particularmente sua política respeito a Cuba , que não consideravam suficientemente agressiva, pois se resistia a autorizar uma intervenção militar direta.

O líder cubano se referiu a evidências de que se Oswald "tivesse sido o verdadeiro assassino, estaria claro que os autores intelectuais do assassinato estiveram preparando a coartada com muito cuidado. Enviaram este indivíduo a solicitar visto de Cuba no México. Imaginem...que o presidente dos EUA acabasse sendo assassinado por esse indivíduo, que acabava de retornar da União Soviética, passando por Cuba. Era a coartada ideal (...) para fazer crer à opinião pública norte-americana a suspeita de que tinha sido um comunista ou um agente de Cuba e da União Soviética, como diriam eles" (2).

Em 1978, demonstrou-se que Fidel tinha razão. O Comitê Seleto do Congresso dos Estados Unidos que investigou o assassinato, concluiu: "O Comitê considera a possibilidade de que um impostor visitasse a embaixada soviética ou o consulado de Cuba, durante um ou mais contatos, nos quais Oswald foi identificado pela CIA, em outubro de 1963" (3) O documento do Comitê chega à conclusão de que não tinha nada a ver com Oswald, porque enquanto este era pequeno e magro, o indivíduo da fotografia era "forte, atlético, 6 pés de estatura e careca" (4).

A suspeita começara, em parte, quando o FBI mostrou à mãe de Oswald a suposta fotografia de seu filho. Ela declarou que não era de Lee, mas sim de Jack Ruby, o autor de sua morte. De fato, não havia nenhuma semelhança — acrescentava o relatório do Comitê — o homem da fotografia não era nem Oswald nem Ruby. O FBI também o negou. Num memorando ao serviço secreto consignava: "Estes agentes especiais (do FBI) opinam que o indivíduo da fotografia não é Lee Harvey Oswald".

Fidel tinha suficientes razões para alarmar-se com as insinuações e acusações, típica estratégia da CIA. Ainda agora, Latell tenta afastar as suspeitas sobre os verdadeiros responsáveis pelo crime, tenta fazer renascer o infundado da companhia contra Cuba e de negar que houve um complô entre aqueles que "defendem uma política ultra-reacionária". A teoria do atirador solitário é esgrimida não só no caso de Oswald em 1963, mas também no de Sirhan H. Sirhan, suposto assassino de Robert Kennedy, em 1968, no mesmo momento que foi eleito candidato contra Richard Nixon, suspeito do magnicídio. A verdade tem-se revelado, pouco a pouco, a partir desse momento. Os últimos detalhes foram conhecidos em 2005, através do livro do pesquisador David Talbot Brothers, The hidden history of the Kennedy years (Irmãos. A escondida história dos anos dos Kennedy), com sua sensacional revelação de que Robert possivelmente foi assassinado quando admitiu que, caso fosse eleito presidente, o qual estava praticamente próximo de conseguir, reabriria o amanhado processo.

Latell se refugia na desprestigiada teoria do assassino único da comissão Warren, que criou Johnson, para investigar o assassinato, ao substituir Kennedy na presidência. Uma das últimas e mais contundentes contestações a constitui a nota enviada, em 8 de novembro de 1963, 15 dias antes do atentado, por Oswald a Howard L. Hunt, também suspeito de participar do magnicídio e organizador da rusga contra os "encanadores" do Watergate "Gostaria que me desse informação sobre minha posição. Estou solicitando isto somente para informar-me. Sugiro discutir o assunto antes de dar qualquer passo. Muito obrigado. Lee Harvey Oswald" (5).

O pesquisador Paul Kangas explica que a carta de Oswald foi obtida pelo escritor e jornalista Jack Anderson em Nova Orleans, onde vivia o "atirador solitário" com Clay Shaw, os cubanos Félix Rodríguez, Bernard Barker e Frank Sturgis, investigados também pelo Comitê Especial do Congresso e pelo juiz Jim Garrison. Anderson afirma num vídeo que Hunt e Shaw pediram a Oswald reunir-se com eles, para organizar a posição que ocuparia em Dallas durante o atentado. Como não recebeu resposta de Hunt, Oswald disse a James Hosty, agente do FBI que o atendia, que Hunt e um grupo de cubanos do gabinete da CIA, em Miami, estavam planejando matar Kenndey em Dallas, em 22 de novembro de 1963. Segundo Kangas, Hosty enviou um telexe a Hoover, diretor do FBI, para informá-lo e este o reenviou a seus agentes no país.

O juiz Garrison narra que Waggoner Carr, procurador geral do Texas, entregou à Comissão Warren, numa sessão secreta, efetuada em 22 de janeiro de 1964, provas de que Oswald era o informante secreto do FBI número 179, com um ordenado de US$ 200, desde 1962. As provas foram entregadas a Carr por Allan Sweat, chefe da divisão criminosa do escritório do xerife de Dallas e publicadas pelo Philadelphia Inquirer, o Houston Posat e o The Nation, mas a Comissão Warren não citou para declarar nem Sweat nem os jornalistas que redigiram as notícias. Garrison admite que se Oswald era informante do FBI, em Dallas e Nova Orleans, pode-se admitir que seu trabalho consistia em filtrar organizações como Jogo Limpo para Cuba e o aparelho de Guy Bannister para matar o presidente. "A pergunta que me atormentava e que talvez atormentou Oswald era: se a polícia de Dallas, o gabinete do xerife, o serviço secreto, o FBI e a CIA estavam potencialmente envolvidos na conspiração, então quem eram as autoridades adequadas?" (6).

Quando Robert Blakey, chefe dos investigadores do Comitê Seleto da Câmara, soube em 1990 que o recém falecido George Joannides, oficial da CIA, designado pela agência para informá-lo sobre o assassinato de Kennedy, lhe ocultou que tinha trabalhado estreitamente em Nova Orleans, desde antes do crime, com Oswald e com o grupo terrorista denominado Diretório Revolucionário Estudantil , o considerou uma obstrução da justiça e agora não acredita em coisa alguma do que a CIA disse ao Comitê.

Não é raro que a Comissão Warren eludisse buscar a verdade; não debalde estava presidida pelo congressista Ed Ford, um homem de Nixon, também suspeito.

Allen Dulles, o onipotente chefe da CIA, manipulava os membros, nomeados por Lynndon Johnson, novo presidente por obra e graça do original golpe de Estado, que na prática foi o assassinato dos irmãos Kennedy.

Jornal Revolución. 28 de novembro de 1963.
Ibidem.
The Final Assasinations Report of The Select Committee, on U.S. House of Representatives. Bantam Book. Nova York, 1979, p.320.
Ibidem.
Jornal Granma, 13 de abril de 2012, p. 9
Jim Garrison. JFK Trás La pista de los asesinos. Edições B. Barcelona, 1988, pp. 296-301.
 

sábado, 26 de maio de 2012

Jobim nega pressão de Lula sobre Gilmar

Jobim nega pressão de Lula sobre Gilmar
 
 
 
 
 
     Foto: Montagem/247
Anfitrião do encontro entre o ex-presidente e o ministro do STF, em que um teria pedido ao outro que retardasse o julgamento do mensalão, diz que a história bombástica relatada por Veja neste fim de semana não ocorreu; e agora?
                 
247 - O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim negou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha pressionado o ministro Gilmar Mendes, do STF, a adiar o julgamento do mensalão, usando como moeda de troca blindagem na CPI do Cachoeira. "O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso", respondeu Jobim, ao Estado de S.Paulo, ao saber do relato de Gilmar Mendes à revista Veja.
A reportagem da Veja, publicada neste sábado, relata um encontro de Lula com Gilmar no escritório de advocacia de Jobim, em Brasília, no qual o ex-presidente teria dito que o julgamento em 2012 é "inconveniente" e oferecido ao ministro proteção na CPI, de maioria governista.
Gilmar tem relações estreitas com o senador Demóstenes Torres (sem partido, GO), com quem teve um polêmico encontro em Berlim. O senador é acusado de envolvimento com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
"O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão", negou Jobim, que disse que, na conversa em questão, foram tratadas apenas questões "genéricas", "institucionais". Ele também assegurou que em nenhum momento Gilmar e o ex-presidente estiveram sozinhos ou falaram na cozinha do escritório, como relatou a Veja. "Tomamos um café na minha sala. O tempo todo foi dentro da minha sala, o Lula saiu antes. Durante todo o tempo nós ficamos juntos", assegurou. Questionado se o ministro do STF mentiu sobre a conversa, Jobim desconversou: "Não poderia emitir juízo sobre o que o Gilmar fez ou deixou de fazer".

Brasil 247

Regulamentação de mídia e princípios constitucionais

                     

Ao se posicionar intransigentemente contrária à regulamentação, a grande imprensa se coloca em patamar privilegiado, em uma espécie de território livre de regras e normas, diferentemente do que ocorre com as demais atividades humanas


      
José Dirceu

A regulamentação dos meios de comunicação no Brasil tem sido alvo de uma verdadeira histeria por parte da grande mídia, que tenta convencer o público de que o que está em questão é o cerceamento de sua atividade. Falam em censura e fogem do debate, desqualificando assim o verdadeiro objetivo de se criar um marco regulatório para a atividade de imprensa: garantir o acesso à informação de qualidade, promover a diversidade e a pluralidade de conhecimentos/opiniões e, principalmente, evitar a concentração do setor de mídia, o que, de fato, contraria os princípios democráticos estabelecidos na Constituição de 1988.
Curiosamente, essa mesma mídia pratica uma espécie de censura ao tema, ignorando, inclusive, que a nossa Carta Magna determina a aprovação de lei federal para regulamentação do setor, como, aliás, acontece em boa parte dos países apontados como modelo de democracia. O artigo 220 diz que "a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição". Também veda toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística; proíbe o monopólio e o oligopólio nas comunicações e determina que o Estado estabeleça os meios legais para garantir a defesa de programas ou propagandas nocivas à saúde e ao meio ambiente. O Artigo 221 define as finalidades da programação de rádio e TV – educativas, artísticas, culturais e informativas – e prescreve a promoção da cultura nacional e regional.
Ao se posicionar intransigentemente contrária à regulamentação, a grande imprensa se coloca em patamar privilegiado, em uma espécie de território livre de regras e normas, diferentemente do que ocorre com as demais atividades humanas. Agem, evidentemente, em favor dos próprios interesses, pois não lhes convêm discutir uma disciplina sobre propriedade dos meios de comunicação, que é o tema central desta questão.
A título de exemplificação, nos EUA uma empresa não pode ser proprietária de uma emissora de rádio ou TV e de um jornal na mesma cidade. Na França, é vedada a propriedade de mais do que duas empresas de TV com 4 milhões de telespectadores, ou de duas emissoras de rádio com audiência potencial acima de 30 milhões de ouvintes, ou ainda de jornais com mais de 20% de participação no mercado.
Na União Europeia, uma das mais importantes regras regulatórias impõe um limite de 12 minutos ou 20% de publicidade para cada hora de transmissão, com sérias restrições à publicidade da indústria do álcool e banimento de publicidade da indústria do tabaco e farmacêutica.
Em Portugal, o setor de comunicação conta com duas agências. Uma delas voltada para cuidar especificamente da qualidade do conteúdo, a Entidade Reguladora para Comunicação Social (ERC), e outra para distribuir o espectro de rádio entre as emissoras de radiodifusão e as empresas de telecomunicações, a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom).
No Brasil, nosso parâmetro mais recente é a lei que regulamenta o setor de TV a cabo, aprovada no ano passado pelo Congresso. A lei impede que uma mesma empresa controle todas as etapas do processo, da produção à exibição, favorecendo a pluralidade e a concorrência na criação de uma cadeia associada ao setor de televisão. Além disso, determina uma cota de três horas e meia de conteúdo nacional por semana nos canais por assinatura. Evidentemente, trata-se de uma cota simbólica, e que deve ser aumentada gradualmente, para que possamos valorizar nossa cultura e estimular o desenvolvimento da indústria nacional associada às comunicações.
A recentemente aprovada lei de mídia argentina, mais branda do que muitas daquelas impostas na Europa e EUA, foi demonizada pela imprensa brasileira, que não perde a oportunidade de distorcer os princípios da regulamentação e de omitir a real função e abrangência desse tipo de controle.
A regulamentação do setor de comunicação precisa ser debatida pelo conjunto da sociedade para que fique claro, de uma vez por todas, que o grande problema está em não coibir os excessos da concentração de poderes em determinados grupos. A cartelização da mídia promove os interesses privados daqueles que detêm os meios e está em total desarmonia com a democracia, uma vez que limita a diversidade e a pluralidade de vozes e pontos de vista, descumprindo assim as finalidades colocadas pela Constituição.
A liberdade de imprensa e a regulamentação dos meios de comunicação não se contrapõem como quer dar a entender a grande mídia. Ao contrário, andam juntas e estão no mesmo nível de importância, garantidas pela nossa Constituição. O que não podemos é nos furtar adiscutir as responsabilidades inerentes ao exercício dessa atividade, como ocorre com outras tantas profissões.
A regulamentação do setor de mídia é, portanto, iniciativa positiva, que fortalece nossos princípios constitucionais e o ambiente democrático. Por isso, omitir e distorcer essas questões de interesse da sociedade é adotar estratégia de interdição ao debate. Em um momento em que o Brasil demonstra haver vontade política e anseio da sociedade por democratizar nossas instituições, fica ainda mais evidente que esse comportamento de preferir não debater é caminhar na contramão da história.

José Dirceu, 66, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

Brasil 247