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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Fidel era mestre de espionagem e enganou os EUA, diz analista

       

    
 


Por quase três décadas depois que Fidel Castro tomou o poder, o serviço de inteligência de Cuba colocou em campo quatro dezenas de agentes duplos em uma operação de nível mundial debaixo do nariz da CIA, de acordo com um novo livro escrito por um analista veterano da agência de inteligência dos Estados Unidos.
Foi apenas em junho de 1987, quando um espião cubano desertou para a Embaixada dos EUA em Viena que a CIA descobriu quão terrivelmente tinha sido enganada, escreveu Brian Latell, um analista veterano aposentado da CIA e especialista em Cuba.
"Castro foi um supremo e incontestado mestre da espionagem", disse Latell a uma audiência em um livro de leitura recente. As revelações do livro de Latell ajudam a explicar como Castro sobreviveu a várias tentativas de assassinato bem documentadas e como a ilha empobrecida de Cuba resistiu às mudanças que derrubaram outros regimes comunistas no final do século 20.
"Nos anais da espionagem moderna é uma realização extraordinária. É difícil manter um agente duplo em campo, e ele gerenciou todos eles ... até os mínimos detalhes", acrescentou Latell, autor de Castro's Secrets, the CIA and Cuba's Intelligence Machine, publicado pela Palgrave Macmillan.
Latell começou a observar Cuba em meados dos anos 1960 e atuou como Diretor Nacional de Inteligência dos EUA para a América Latina antes de se aposentar da CIA em 1998.
Todos os agentes duplos foram recrutados em Cuba e em outras partes do mundo e comandados pessoalmente por Castro. Ele favoreceu jovens, adolescentes impressionáveis sem uma educação universitária. "Castro queria que eles não fossem contaminados pela velha Cuba. Ele queria que eles fossem maleáveis e entusiasmados", disse Latell.
Enquanto Cuba alardeou seu sucesso com agentes duplos no passado, o livro de Latell mostra que a penetração era mais extensa do que se sabia anteriormente, e comprometia as fontes e métodos de inteligência dos EUA.
A deserção em 1987 de Florentino Aspillaga finalmente alertou a CIA para a extensão da rede de espionagem de Fidel Castro. "Eles estavam em um estado de choque. Nada parecido com isso havia acontecido conosco antes", diz Latell.
Aspillaga era "o oficial mais informado e mais bem condecorado a desertar da inteligência cubana", conta Latell, e sua deserção foi um ponto de virada na atitude da CIA em relação a Cuba. "Até aquele momento, nós subestimávamos os cubanos. Nós nunca imaginamos que a pequena Cuba poderia executar um serviço de inteligência que era de nível mundial", diz ele.
As operações de contra-inteligência foram posteriormente reforçadas. Depois de apenas quatro espiões cubanos terem sido presos entre 1959 e 1995, esse número aumentou mais de dez vezes entre 1998 e 2011, Latell escreve em seu livro.
Aspillaga foi recrutado como espião aos 16 anos e passou 25 anos na inteligência cubana. Sua deserção forneceu "alguns dos segredos mais preciosos, incluindo os agentes duplos", diz Latell, que o entrevistou durante vários dias em 2007.
A entrevista foi realizada a pedido de Aspillaga, que disse que simplesmente queria contar sua história.
Aspillaga também compartilhou um livro de memórias inédito com Latell, sem pedir qualquer pagamento ou favor em troca. O ex-agente vive agora com uma nova identidade depois de sobreviver a uma tentativa de assassinato em Londres, em 1988.
Aspillaga é apenas um de uma dezena de desertores que Latell entrevistou no livro, que conta com milhares de páginas de documentos desclassificados da CIA que o autor revisou no Arquivo Nacional, em Maryland, bem como entrevistas com vários agentes da CIA.
No livro, Latell revela que a inteligência cubana sabia mais sobre o assassinato em 1963 do presidente John F. Kennedy do que admitiu na época, incluindo informações sobre o atirador, Lee Harvey Oswald.

Imagem do STF é turva com Gilmar Mendes

A atuação suspeita e desastrosa de Gilmar Mendes no STF e sua retalhada versão da "conversa" com Lula , já geram manifestações indignadas da sociedade civil.  A hastag #GilmarMentes foi destaque no Twitter
Gilmar Mendes não é o Supremo

Engana-se o senhor Gilmar Mendes, quando denuncia uma articulação conspiratória contra o Supremo Tribunal Federal, nas suspeitas correntes de que ele, Gilmar, se encontra envolvido nas penumbrosas relações do senador Demóstenes Torres com o crime organizado em Goiás.

A articulação conspiratória contra o Supremo partiu de Fernando Henrique Cardoso, quando indicou o seu nome para o mais alto tribunal da República ao Senado Federal, e usou de todo o rolo compressor do Poder Executivo, a fim de obter a aprovação. Registre-se que houve 15 manifestações contrárias, a mais elevada rejeição em votações para o STF nos anais do Senado.

Com todo o respeito pelos títulos acadêmicos que o candidato ostentava — e não eram tão numerosos, nem tão importantes assim — o senhor Gilmar Mendes não trazia, de sua experiência de vida, recomendações maiores. Servira ao senhor Fernando Collor, na Secretaria da Presidência, e talvez não tenha tido tempo, ou interesse, de advertir o presidente das previsíveis dificuldades que viriam do comportamento de auxiliares como PC Farias.

Afastado do Planalto durante o mandato de Itamar, o senhor Gilmar Mendes a ele retornou, como advogado-geral da União de Fernando Henrique Cardoso. Com a aposentadoria do ministro Néri da Silveira, Fernando Henrique o levou ao Supremo. No mesmo dia em que foi sabatinado, o jurista Dalmo Dallari advertiu que, se Gilmar chegasse ao Supremo, estariam “correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. Pelo que estamos vendo, Dallari tinha toda a razão.O STF deve julgar, como se espera, o processo conhecido como Mensalão, como está previsto

Gilmar, como advogado-geral da União — e o fato é conhecido — recomendara aos agentes do Poder Executivo não cumprirem determinadas ordens judiciais. Como alguém que não respeita as decisões da justiça pode integrar o mais alto tribunal do país? Basta isso para concluir que Fernando Henrique, ao nomear o senhor Gilmar Mendes, demonstrou o seu desprezo pelo STF. O Supremo, pela maioria de seus membros, deveria ter o poder de veto em casos semelhantes.

Esse comportamento de desrespeito — vale lembrar — ocorreu também quando o senhor Francisco Rezek renunciou ao cargo de ministro do Supremo, a fim de se tornar ministro de Relações Exteriores, e voltou ao alto tribunal, reindicado pelo próprio Collor. O episódio, tal como a posterior indicação de Gilmar, trouxe constrangimento à República. Ressalve-se que os conhecimentos jurídicos de Rezek, na opinião dos especialistas, são muito maiores do que os de Gilmar.

Mas se Rezek não servia como chanceler, por que deveria voltar ao cargo de juiz a que renunciara? São atos como esses, praticados pelo Poder Executivo, que atentam contra a soberania da Justiça, encarnada pelo alto tribunal.

A nação deve ignorar o esperneio do senhor Gilmar Mendes. Ele busca a confusão, talvez com o propósito de desviar a atenção do país das revelações da CPI. O Congresso não se deve intimidar pela arrogância do ministro, e levar a CPMI às últimas consequências; o STF deve julgar, como se espera, o processo conhecido como Mensalão, como está previsto.

Acima dos três personagens envolvidos na conversa estranha que só o senhor Mendes confirma, lembremos o aviso latino, de que testis unus, testis nullus, está a nação, em sua perenidade. Está o povo, em seus direitos. Está a República, em suas instituições.

O senhor Gilmar Mendes não é o Supremo, ainda que dele faça parte. E se sua presença naquele tribunal for danosa à estabilidade republicana — sempre lembrando a forte advertência de Dallari — cabe ao Tribunal, em sua soberania, agir na defesa clara da Constituição, tomando todas as medidas exigidas. Para lembrar um autor alemão, Carl Schmitt, que Gilmar deve conhecer bem, soberano é aquele que pratica o ato necessário.
Mauro Santayana / JB 
 
Fonte: Palavras Diversas

Jean Wyllys diverge do PSOL sobre investigação de Lula

Partido assinou, junto com a oposição de direita, representação pedindo investigação de Lula. Via twitter, deputado do PSOL disse não se sentir confortável em se juntar a partidos de direita “enquanto houver guerras de versões e não fatos”. "Se houvesse provas, a representação era justa. Mas por enquanto há guerra de versões. E a melhor delas não pode ser a da direita", acrescentou o parlamentar.


Brasília - Após a publicação de reportagem da revista Veja, no último fim de semana, acusando o ex-presidente Lula de suposta pressão sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para adiar o julgamento do mensalão, os partidos de oposição de direita e esquerda protocolaram uma representação contra Lula na Procuradoria Geral da República (PGR).

Assinaram a representação o PSDB, DEM, PPS e PSOL. Em nota intitulada “PSOL quer investigar tudo e todos”, o partido afirma ser “favorável a mais completa investigação sobre a veracidade dos fatos citados” pela revista Veja e diz que “a não assinatura poderia ser utilizada pelos nossos adversários como um gesto de omissão”. O PSOL ainda considerou o pedido à PGR como “insuficiente” e afirmou que nesta terça-feira (29) iria exigir do órgão a investigação do ministro Gilmar Mendes.

Apesar de assinar a nota do PSOL, o deputado federal Jean Wyllys, eleito pelo partido no Rio de Janeiro, registrou em três post de seu Twitter, nesta terça, críticas à decisão do partido.

“Enquanto houver guerra de versões e não fatos, não me sinto confortável em me juntar a partidos de direita contra Lula.”

“Se houvesse provas, a representação era justa. Mas por enquanto há guerra de versões. E a melhor delas não pode ser a da direita.”

“Mas o partido é uma instância maior que o indivíduo. E democraticamente a maioria da representação do partido no CN optou por assinar."

Carta Maior

Levante Popular da Juventude: protagonismo juvenil contra a injustiça e pela transformação da sociedade



Como movimento de contracultura em prol da igualdade social e para mostrar que os jovens não estão alheios às questões essenciais do Brasil, o Levante Popular da Juventude (LPJ)- uma articulação de jovens militantes voltada para as lutas populares em busca da transformação da sociedade – tem chamado a atenção por sua irreverência em protestos e mobilização social e, especialmente, pelo engajamento incisivo da juventude brasileira na área política.
No momento em que o país discutia e apoiava a Comissão da Verdade e Justiça, o Levante mostrou a que veio com a ação ‘Levante Contra a Tortura', em que pedia que os responsáveis por crimes de tortura fossem punidos e esclarecessem os delitos praticados durante Ditadura Militar.
Os jovens militantes do Levante foram às ruas de várias capitais brasileiras realizar uma série de escrachos/esculachos contra torturadores, em frente às suas residências e/ou endereços profissionais, para exigir justiça.
Paulo Henrique Lima, militante do LPJ em Fortaleza, no Estado do Ceará, em entrevista a ADITAL, conta sobre a origem do Levante Popular da Juventude e sua importância para a mudança do quadro sociopolítico brasileiro e o fortalecimento da organização coletiva por parte dos diversos setores da sociedade. "O grande desafio que dá origem ao Levante é que a juventude se torne protagonista de um projeto de transformação estrutural da sociedade brasileira, que contemple tanto as demandas específicas da juventude, mas também as demandas de todo o povo brasileiro”, afirmou.
ADITAL - Como surgiu o movimento Levante Popular da Juventude? Como escolhem os temas em que vão militar? Quantos/as jovens hoje estão unidos à causa e qual o perfil deles/as?
Paulo Henrique Lima - O Levante surge em 2006 no Rio Grande do Sul, por influência dos movimentos que compõem a Via Campesina (MST, MAB, MPA, CPT, PJR), diante da necessidade de organizar a juventude brasileira, em especial a dos grandes centros urbanos, em torno de um projeto popular para o Brasil. Ou seja, o grande desafio que da origem ao Levante é que a juventude se torne protagonista de um projeto de transformação estrutural da sociedade brasileira, que contemple tanto as demandas específicas da juventude, mas também as demandas de todo o povo brasileiro. Em 2010 iniciamos o processo de nacionalização do Levante, diversos estados começam a construir células, que é nossa organização de base, nas periferias, nas escolas, nas universidades e no campo.
Todo esse processo culminou no nosso I Acampamento Nacional do Levante em janeiro desse ano em Santa Cruz do Sul (RS), que contou com a participação de aproximadamente 1.200 jovens de 17 estados do Brasil. O acampamento foi um momento muito importante para nós do Levante, contando com a participação de jovens de diferentes origens sociais: universitários, estudantes secundaristas, jovens da periferia e camponeses. No acampamento ainda elencamos uma série de pautas e reivindicações da juventude brasileira e construímos nosso calendário de luta.
ADITAL - Houve um forte engajamento dos/as jovens em várias cidades brasileiras em favor da Comissão da Verdade, recentemente empossada pela presidenta Dilma Rousseff. Como o Levante avalia essa adesão da juventude neste tema e os resultados das ações?
Paulo Henrique Lima - Acreditamos que os escrachos/esculachos realizados pelo Levante a nível nacional foi um novo marco na luta da juventude brasileira. Contrariando todos os teóricos do marasmo e do imobilismo, nossa ação evidenciou uma das maiores contradições da sociedade brasileira nos últimos 30 anos, a impunidade de agentes de estado comprometidos com a Ditadura Militar e o assassinato, desaparecimento e a tortura de vários militantes sociais. Os escrachos/esculachos tiveram o papel de defender a Comissão da Verdade dos ataques dos militares da reserva e ampliar o tema para toda a sociedade. A avaliação que fazemos é bastante positiva, mas é preciso que toda a sociedade, em especial a juventude, continue engajada nessa pauta, dando suporte para os trabalhos da comissão da verdade e pressionando para que os torturadores sejam punidos.
ADITAL - De onde veio essa sede de justiça por um fato tão distante dessa geração?
Paulo Henrique Lima - Acreditamos que a impunidade dos torturadores é que legitima o extermínio, por parte da polícia, da juventude negra e pobre nas periferias do Brasil. É a situação de impunidade por parte daqueles que deveriam servir e defender o povo brasileiro, mas que acabam servindo aos interesses das elites/classes dominantes que gera essa contradição de vivermos numa sociedade dita democrática, mas marcada por traços absolutamente autoritários, é dessa impunidade que decorre a criminalização dos movimentos sociais.
Além disso, temos clara a importância de lutarmos em defesa da memória daqueles, em sua maioria jovens, que lutaram pela transformação do país, que buscaram, assim como nós, construir um Brasil justo e realmente democrático.
ADITAL - O fato mostra que a juventude brasileira não está apática e alheia às questões primordiais no país. Nesse contexto o que o Levante tem a dizer sobre a possibilidade do veto da presidenta Dilma ao Código Florestal? Qual seu posicionamento?
Paulo Henrique Lima - Nos somamos aos diversos movimentos sociais que defenderam a importância de a presidenta Dilma vetar as mudanças propostas pelo Congresso Nacional ao Código Florestal por saber que elas representam um retrocesso não só da questão ambiental, mas do ponto de vista da questão fundiária, principalmente na região Amazônica. As mudanças propostas pelos deputados vêm atender ao interesse da bancada ruralista. A Dilma vetou 12 artigos e alterou outros tantos, isso só foi possível devido a mobilização da população brasileira que encampou a campanha do "Veta, Dilma”. Apesar de não ter sido veto total, devido ao caráter de composição de classes do governo e da atual correlação de forças na sociedade, diante do retrocesso que representava as mudanças no Código, a atitude da presidenta Dilma foi um ato importante.
ADITAL – Como se deu a mobilização e a disseminação das ideias do Levante para a juventude em todo o Brasil?O que os/as jovens interessados/as podem fazer para participar do Levante?

Paulo Henrique Lima - O Levante Popular da Juventude é um movimento que busca toda as formas de comunicação com a juventude. Desde recuperar a agitação e propaganda (agitprop) que a esquerda brasileira relegou a um papel secundário diante do marketing eleitoral, buscando resgatar elementos das experiências do Centro Popular de Cultura (CPC) e da União Nacional dos Estudantes (UNE), como o teatro, o audiovisual, a poesia. Até elementos mais recentes como a batucada, o break, o funk, para nós todas essas técnicas e linguagens são formas de dialogarmos com a juventude brasileira. A internet e as redes sociais entram no sentido de potencializar e difundir nossa mensagem de forma mais ampla e rápida possível.

Os/as jovens que estão interessados/as em construir o Levante podem entrar em contato conosco via site ou facebook.

http://levante.org.br/wp/
http://www.facebook.com/levante.dajuventude

Fonte: Adital