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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Blogueiros cubanos realizam seu primeiro encontro

 

Via Blogazo e tradução Síntese Cubana

Nos dias 27 e 28 de abril, foi realizado o 1º Encontro dos Blogueiros Cubanos na Revolução, com a participação de mais de 60 blogueiros, que representaram todas as províncias do país. O evento foi realizado na Universidade de Matanzas “Camilo Cienfuegos”.

Durante os dois dias, foram cumpridos os principais objetivos da reunião: compartilhar experiências sobre o uso de blogs na era da Web 2.0 e criar mecanismos horizontais de coordenação entre projetos de blogueiros no país.

Com um espírito de integração baseado sempre no respeito às diferenças e à individualidade de cada participante, conseguimos nos complementar sem cair em dogmas ou esquemas preconcebidos. Conseguimos assim um marco de socialização que nos permitiu sair da ambiguidade e do anonimato que propicia a internet e coordenar estratégias de trabalho que articulem nossos projetos ante os desafios que os blogueiros cubanos têm. Nossa maior força é nossa diversidade de pontos de vista e de interesses.

Assim, os participantes do encontro, caracterizado por sua diversidade e juventude – os blogueiros têm uma média de idade de 34 anos – consideram necessário declarar que:

1. Os blogueiros cubanos se identificam com a tradição de ideias revolucionárias, forjada na luta dos jovens como Mella, Villena, Guiteras e Che, dentre outros.

2. Os mecanismos de participação que temos vão nos ajudar – dentro de nossas individualidades, interesses e visão crítica – a defender e aperfeiçoar o socialismo cubano.

3. Respeitamos e promovemos o pensamento crítico, necessário e útil para preservar nossa condição de revolucionários, com a premissa de que não é possível ser revolucionário fora da Revolução.

4. Defendemos o respeito as diferenças e os diálogos francos: a verdade é sempre revolucionária.

5. Exigimos a libertação e retornar à terra natal dos 5 heróis cubanos presos injustamente nos cárceres norte-americanos. Comprometemo-nos a divulgar as notícias sobre o caso para propiciar que a verdade chegue a todos os povos do mundo, principalmente nos EUA. Cada um de nós poderia ser um dos Cinco, a luta por eles é a luta por nós mesmos.

6. Criamos um grupo para discussão e para unir os participantes do encontro e o restante dos blogueiros cubanos que não puderam comparecer. Assim, poderemos atingir um nível de integração e de coordenação para atuar de forma organizada. Os interessados em participar do grupo devem mandar e-mail para blogazoxcuba@gmail.com.

7. Criamos um blog participativo que reunirá em tempo real os conteúdos compartilhados por blogueiros cubanos na web. Seu endereço é blogazoxcuba.wordpress.com.

8. Apoiamos a realização sistemática de outros encontros de blogueiros cubanos e a utilização do twitter e de outras redes sociais da Web 2.0.

9. Em sintonia com as reais possibilidades tecnológicas do país, compartilhamos a gradual incorporação de jovens e universitários na blogosfera cubana de forma verdadeira e natural.

10. Condenamos o bloqueio do governo dos EUA, que dificulta a conexão à internet e o acesso à info-comunicações de tecnologia na Ilha.

11. Solicitamos aos órgãos do Governo Central que reformulem as disposições atuais que limitam a conectividade e o acesso à web, a fim de aumentar a presença de cubanos no ciberespaço.

12. Ratificamos o conceito do ilustre pensador martiano cubano Cintio Vitier: Somos e seremos “um parlamento numa trincheira”.
 
 
Fonte: Sintese Cubana

Cinco heróis cubanos: Comitê Nacional publica anúncio no Washington Post

 


O Comitê Nacional pela Libertação dos Cinco Cubanos publicou, na segunda-feira, dia 30, anúncio de página inteira no jornal Washington Post, exigindo a liberdade para Cinco heróis presos injustamente nos Estados Unidos. A ação foi possível com a ajuda financeira de centenas de pessoas que apoiam a causa.

O Washington Post tem circulação diária de perto de 550 mil exemplares, atingindo cerca de 1,1 milhão de leitores.

Os interessados em contatar ou contribuir com o comitê podem fazê-lo pelos telefones 415-821-6545 e 415-312-6042; ou pelo endereço eletrônico info@freethefive.org; ou ainda visitando o sítio freethefive.org.
 
 
Fonte: Sintese Cubana

Poeta Thiago de Mello doa honorários à causa de antiterroristas cubanos

O poeta brasileiro Thiago de Mello doou neste sábado (28) os honorários que receberia por participar da 1ª Bienal do Livro do Amazonas à causa pela libertação dos cinco antiterroristas cubanos, presos injustamente nos Estados Unidos.
Em declarações à Prensa Latina por telefone desde Manaus, capital do estado do Amazonas, Mello ressaltou que seu gesto não é pessoal, mas sim da poesia brasileira e que o mesmo busca criar consciência para que muito mais pessoas se somem à batalha pela libertação de Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, René González, Ramón Labañino e René González.
Thiago de Mello explicou que pediu à empresa Fagga/GL Exhibitions, organizadora da 1ª Bienal, que deposite na conta dos Cinco - como são conhecidos no mundo -, no Banco Financeiro de Cuba, o dinheiro que receberia por suas conferências e por um recital no evento do livro, que se iniciou neste sábado e deve terminar no dia 6 de maio.
Nascido em Barreirinha, um município do interior do Amazonas, no dia 30 de março de 1921, Thiago de Mello é um dos poetas mais influentes e respeitados do Brasil, reconhecido como um ícone da literatura regional. Algumas de suas obras foram traduzidas para mais de 30 idiomas.
Mello tornou público o anúncio de sua doação à causa dos Cinco durante a inauguração do encontro, ao participar de um Tacacá Literário - em homenagem a um prato típico amazônida - sobre a importância da leitura no fortalecimento da cidadania.
Ao revelar sua decisão, recebeu um caloroso aplauso dos presentes e então pediu-lhes que utilizem todas as vias possíveis para pressionar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a libertar e permitir o regresso a Cuba dos cinco cubanos, lutadores contra o terrorismo.
O poeta, um dos milhares de brasileiros presos durante a ditadura militar (1964-1985), afirmou que sua doação é uma modesta contribuição à campanha mundial que se desenvolve no mundo para acabar com a injusta prisão à qual foram submetidos os cinco cubanos, que já dura quase 14 anos.
Depois de assegurar que leva Cuba em seu coração, o famoso poeta amazonense afirmou que a melhor notícia é que, ao conhecer seu gesto, a editora de seus livros manifestou sua disposição de seguir seu exemplo e fazer também uma contribuição à causa dos antiterroristas.
Os Cinco foram presos no dia 12 de setembro de 1998 na cidade estadunidense de Miami. Um processo irregular realizado ali condenou-os em 2001 a sentenças que vão até a dupla prisão perpétua mais 15 anos.
Personalidades e organizações mundiais têm defendido estes lutadores, que apenas vigiavam atividades extremistas de grupos violentos de origem cubana na Flórida para alertar seu país sobre ações terroristas.


Prensa Latina (Via Vermelho)
 
 
Fonte: Solidários

A causa real da crise financeira na Espanha


 

Ter um superávit muito superior e uma dívida pública muito inferior à da Alemanha não serviu de nada para a Espanha. Não protegeu o país da crise. Como pode, então, dizer-se agora que a maior causa da crise é o elevado déficit e a dívida excessiva, quando ter déficit zero e dívida pública baixa não evitou a crise atual? A resposta está na aliança que ocorreu entre a banca alemã e a banca espanhola. O artigo é de Vicenç Navarro.



A grande debilidade do argumento neoliberal, que assume que o maior problema da economia espanhola é o déficit e a dívida pública do Estado espanhol, é que os dados, facilmente acessíveis, mostram a sua insustentabilidade. Quando a crise começou em Espanha, o Estado espanhol não tinha déficit. Antes pelo contrário, tinha um superávit, maior certamente que o que tinha o Estado alemão. Em 2007, o superavit do Estado espanhol era equivalente a 1,9% do PIB, mais de seis vezes superior ao alemão, 0,3% do PIB. E algo semelhante acontecia com a dívida pública, que representava em Espanha cerca de 27% do PIB, quase metade da dívida pública alemã, 50% do PIB. Na realidade, a Espanha era um “modelo” e exemplo de referência do pensamento neoliberal dado como exemplo de “ortodoxia” econômica pelos economistas neoliberais.

Ter um superávit muito superior e uma dívida pública muito inferior à da Alemanha não nos serviu de nada. Não nos protegeu da crise. Como pode, então, dizer-se agora que a maior causa da crise é o elevado déficit e a dívida excessiva, quando ter déficit zero e dívida pública baixa não evitou que tenhamos a crise que temos, com mais de 23% da força laboral no desemprego? E porque é que esta explicação da crise continua a ser dada quando a evidência existente é tão avassaladora, mostrando o seu erro?

Para responder a esta pergunta temos que ver quais são as vozes mais estridentes em defesa desta explicação da crise. E entre tais vozes aqueles que têm um lugar proeminente são o Banco Central Europeu (BCE) e a banca alemã, e o Banco de Espanha e a banca espanhola, que são precisamente quem criou a crise. Na realidade, a banca alemã desempenhou um papel chave na génese da crise e no seu desenvolvimento. Segundo o Banco de Pagamentos Internacionais (The Bank for International Settlements – BIS) (junho de 2010), a banca alemã emprestou 109.000 milhões de euros à banca espanhola, com os quais esta, em aliança com o setor imobiliário, investiu massivamente não na economia produtiva do país, mas sim na economia mais especulativa possível, criando a bolha imobiliária que, ao explodir, provocou a enorme crise e o enorme problema da dívida privada de Espanha que atingiu dimensões astronómicas (227% do PIB).

A banca alemã conseguiu lucros enormes, lucros que, certamente, não investiu na Alemanha (como Oskar Lafontaine, então ministro da Economia e das Finanças do governo alemão, e hoje um dos economistas mais clarividentes na Europa, queria que se fizesse e que, ao não ser feito, rompeu com o chanceler Schröder, o presidente social-democrata alemão responsável, juntamente com a chanceler Merkel, pelas políticas de austeridade a nível alemão e europeu, políticas promovidas pela banca alemã).

Em vez de estimular a procura alemã (e europeia), a Alemanha utilizou os grandes lucros, que conseguiu com a sua atividade especulativa em Espanha (e noutros países periféricos da Eurozona, como Grécia e Portugal), para acumular cada vez mais euros, convertendo-se na maior fonte de euros na Europa. O euro fez muito bem à banca alemã.

Agora, quando a bolha especulativa imobiliária explodiu, a banca alemã entrou em pânico, pois tinha grande parte do seu capital emprestado à banca espanhola e, em muito menor grau, ao Estado espanhol (cerca de 10% do seu investimento bancário). E começou a promover a falsa ideia de que o euro estava em perigo. O seu valor oscilou, mas não baixou substancialmente de valor em comparação com o dólar.

E daí derivam as políticas de austeridade, cujo único objetivo é que se pague aos bancos alemães (e franceses) a dívida tanto privada como pública que detêm. A mal chamada ajuda da União Europeia e do FMI aos países periféricos é ajuda para que se pague aos bancos alemães e franceses, principalmente.

Mas estas políticas de austeridade, com a baixa de salários, a diminuição da proteção social e os cortes do gasto público, estão a criar um problema gravíssimo que se chama Grande Recessão, causada pela enorme queda da procura interna e pela escassez de crédito, e que é a causa da diminuição da atividade econômica e com isso da descida das receitas do Estado (e o consequente aumento do défice da dívida pública). Está aqui o problema oculto que alguns de nós temos estado a denunciar desde o princípio (ver o livro “Hay alternativas”, de Navarro V., Torres J. e Garzón A. em vnavarro.org). A evidência científica que apoia este diagnóstico é avassaladora. As políticas que a banca alemã e francesa (e espanhola) e os seus porta-vozes políticos, incluindo Merkel-Sarkozy e Rajoy, estão impondo são um suicídio econômico.

Em seguida, deverá fazer-se a pergunta: porque continuam a promovê-la? Uma resposta é que os dogmas econômicos são tão irracionais como os dogmas religiosos. O pensamento neoliberal é um dogma impermeável aos dados e aos fatos. Mas continua a reproduzir-se porque isso serve determinados interesses, os interesses da banca, com a cumplicidade dos aliados políticos (o ministro da Economia do Estado espanhol, o presidente do BCE, assim como grande número de pessoas responsáveis de levar a cabo e estimular as políticas de austeridade são banqueiros ou próximos da banca), que assumem que os interesses particulares da banca coincidem com os interesses gerais do país, o que não é verdade, como bem documentam os estudos rigorosos que mostram que as causas da crise são o comportamento negativo do BCE e do Banco de Espanha, e dos bancos que em teoria supervisionam, mas que na prática lucram em detrimento do interesse geral.

Na realidade, as soluções são fáceis de ver. E consistem na aplicação de políticas de estímulo econômico, com um intervencionismo público que estimule a economia a criar emprego, juntamente com o estabelecimento de bancos públicos e uma regulação do setor bancário, forçando-o a recuperar a sua função social, a oferta de crédito. Mas, isso não acontece devido à enorme influência da banca e de outras componentes do capital financeiro nas instituições políticas e mediáticas de Espanha e da Europa.

(*) Artigo publicado no jornal “Público” de Espanha, disponível em vnavarro.org. Tradução de Carlos Santos para esquerda.net

Fonte: Carta Maior