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domingo, 29 de julho de 2012

O poder da guerra: uma abordagem evolutiva

 

A guerra, sem duvida nenhuma, desempenha um papel fundamental na história da humanidade e através dela é que a sociedade se transformou no que é hoje. A história da humanidade e a história das guerras estão associadas, sendo que ascensão e queda de impérios, reinos e civilizações dependem quase sempre da aplicação de forças militares.
Apesar das muitas mudanças que tiveram lugar na história da guerra certas constantes permanecem. O sucesso na guerra pertence àqueles que se prepara melhor; e o treinamento o municiamento e a organização dos exércitos são os fatores centrais dessa preparação. (Pág. 06, Gilbert)
Até onde os estudos arqueológicos podem comprovar, os primeiros grandes exércitos foram os assírios que tinham grandes forças e estratégias. Essa civilização se encontrava na Mesopotâmia e Egito.
Os egípcios também tinham formidável organização militar e grande aparato bélico. Para ter o domínio de sua região eles empregavam formidáveis carros de guerras como bigas em campo de batalha. E, com seu poder e vitorias conseguiram construir uma das maiores civilizações que o mundo já viu a antiga civilização egípcia.
Com o avanço da tecnologia bélica e das novas formas de política, a Grécia surge como a grande transformadora do modo de fazer guerra no seu período. Uma das cidades-estado mais famosas, em se tratando de ter bons guerreiros, que era Esparta. Os seus guerreiros ganharam mais fama nos dias de hoje com o filme "300 de Esparta".
Na própria Grécia e na vizinha macedônia surge Alexandre, o Grande, sendo que seu invencível império conquistou o mundo antigo e promoveu com isso um modo de vida e cultura o Helenismo.
Os gregos foram responsáveis pela criação pela criação da principal unidade de infantaria de seu tempo, a falange. O tipo de guerra inextricavelmente associada a ela era o confronto decisivo entre dois corpos de soldados de moção lenta e grande disciplina, que avançavam de encontro um ao outro em formações cerradas e protegidas, até se engalfinharem em uma exaustiva troca de empurrões e punhaladas que só tinham fim quando um dos lados se rendia. (Pág. 16, Gilbert)
A pérsia foi a grande rival da Grécia antiga. Ocorreu então várias guerras, mas a Grécia permaneceu apesar de algumas derrotas até que o império Persa foi dizimado aos poucos até a chegada de Alexandre como novo dominador da Ásia menor e parte dos Bálcãs e Índia.
A morte de Alexandre gera uma grande fragmentação do poder em vários estados e entre seus generais com o avanço de Roma pela Europa e Mediterrâneo. Roma, apesar de intensa guerra e brigas, domina a todo o Mediterrâneo e partes da Ásia e África e vira então o maior império da antiguidade, criando um modo de viver, uma cultura com base em troca, sendo a guerra um importante fator para incorporações e transformações de valores. O derrotado torna-se dependente do vitorioso no campo econômico, mas no campo cultural alguma coisa muda, mas de grosso modo, permanece um exemplo e a cultura dos judeus que, apesar de terem sido perseguidos durante toda a história, mantém uma forte cultura ligada à religião, que contribuiu para o modo religioso e a criação do cristianismo.
Roma passou de república para império e tornou-se um grande império graças ao seu modo de fazer guerra e suas grandes legiões, que dominavam um vasto território, tudo isso em um breve espaço de tempo.
Em um único século Roma deixou de ser uma cidadezinha provinciana para tornar-se a mais poderosa cidade da Itália, com ambições no exterior que alarmaram a vizinha Grécia. A destreza militar dos romanos se devia principalmente à organização de seus soldados em legiões e centúrias, o que lhes dava flexibilidade no campo de batalha e um método eficiente de fazer a guerra, algo entre a compacta falange e as espaçadas fileiras celtas. (Pág. 26, Gilbert)
O vale do rio amarelo na Ásia atual China era composto de vários reinos até a unificação da China em um império composto por um imperador. Para tal feito, eles necessitaram de proteção durante séculos e construiu-se então um muro, conhecido até hoje como a famosa muralha da China.
Aos poucos surge Sun Tzu, que contribui e muito para uma nova filosofia na guerra, criando regras que inovam o modo de fazer guerra na China. A idéia a seguir contribui para o artigo.
O desenvolvimento de exércitos e táticas na China deveu muito às lutas que irrompiam freqüentemente entre as comunidades de maioria étnica e as tribos bárbaras do norte, que costumava invadir e saquear sua vizinha mais rica. Conseqüências interessantes desse fenômeno, promovidos, sobretudo pela obra de Sun Tzu, foram uma filosofia associada com a guerra e o reconhecimento de política e estratégias mais abrangentes nesse sentido. (Pág. 38, Gilbert)
Posterior a era dos impérios do mundo antigo, a Europa fragmenta-se com a queda do império romano em 476 d.c com a invasão dos povos bárbaros vindos a procura de alimentos e melhores condições de vida. A única estrutura que funciona posterior à queda de Roma é a Igreja que permanece capaz de modificar a estrutura e nomear os reis futuros da Europa, criando um modo de vida baseado na servidão, surgindo o feudalismo. Com isso, grandes exércitos e legiões desaparecem e apenas iram voltar com Napoleão Bonaparte.
Porem a Idade Média foi um dos períodos de mais lutas na Europa. Surge o termo "cavaleiro" para nobres que defendiam os seus feudos de invasões indesejadas. O modo de fazer a guerra era diferente, porém a luta e a guerra permanecem, a cavalaria ganha então grande importância para a guerra medieval.
No ocidente, o império romano cai. No oriente o império bizantino permanece firme e forte por um bom tempo. Outro império cresce com sua força militar invadindo a península ibérica, o império islâmico. Porém é detido pela Espanha e Portugal e são expulsos da Europa. Os mouros influenciam, com sua cultura, toda a Espanha.
Abarcando cerca de mil anos de conflitos, desde o século V até o XV, a Idade Média foi um período em que o guerreiro montado, trajando armadura ou não, dominou os campos de batalha. Isso se aplica especialmente às sociedades guerreiros nômades provindos das estepes da Eurásia e da Ásia central, que tiveram uma vultosa influencia em sociedades sedentárias tão distantes uma das outras como a China o sul da Ásia, o Oriente Médio e a Europa Central. (Pág. 40, Gilbert)
Quando tudo parecia que a unificação iria demorar muito mais que o esperado entre os povos europeus surge o famoso império Carolíngio, unificando a atual França, parte da Áustria e Alemanha e Itália. Carlos Magno merece destaque nesta unificação. Carlos Magno derrotou os pequenos reinos belicosos e trouxe a sua região uma medida de paz que não se via desde os tempos romanos.
O pode era grande em torno dele, conquistando, com a ajuda da Igreja, forte poder sobre a Europa, tornando-se o grande imperador de um breve período.
Vale ressaltar que além da evolução de armaduras e escudos e espadas para a guerra, com melhores metais, está a evolução de fortificações para a proteção dos nobres. Grandes castelos fora erguidos e, graças a essas fortificações, foi possível a sobrevivência de reis e nobres.
A Igreja desempenha seu papel de grande cartório da Europa na idade medieval, mas provoca entre os nobres, à ira de invadir e tomar Jerusalém, lugares santos para o cristianismo. Foi desse modo que organizou as cruzadas.
Com o avanço de técnicas, estratégias e principalmente armas, que foi possível através desse último o aparecimento da pólvora e armas de fogo que revolucionaria o período.
Aparece varias guerras na Europa e principalmente entre França e Inglaterra, a guerra dos Cem Anos. Com a grande guerra do norte, onde os exércitos se profissionalizam, aparece também às primeiras guerras ameríndias contra os índios da America, a busca por território e poder era grande em nome de Deus ou mesmo de um rei.
Em meio à forte autoritarismo e crescimento econômico, surge a burguesia, com as idéias iluministas e ocorre a grande revolução, a famosa Revolução Francesa. Nesse momento vai surgindo, aos poucos, o famoso Napoleão Bonaparte, general que se tornaria cônsul por golpe e imperador da França que dominaria toda a Europa e inovaria na estratégia de guerra.
Para ajudar o período foi marcado com a revolução americana e o processo de independência das Américas graças às idéias iluministas que proporcionaram a libertação da América do domínio político das metrópoles. Napoleão cai na campanha da Rússia e por ultimo na batalha de Waterloo.
A guerra civil americana faz com que os Estados Unidos se dividem entre norte e sul. Para o predomínio do poder econômico, o norte ganha e começa ai o expansionismo americano para oeste.
O século XIX foi um período transicional extremamente sangrento no campo bélico. No intervalo de cem anos entre a batalha de Waterloo, em 1815, e o inicio da primeira Guerra Mundial, os conflitos militares se desenvolveram mais rápido e dramaticamente do que em qualquer século anterior. Conforme novos avanços tecnológicos se difundiram e a Revolução industrial se impôs, mudanças na artilharia no transporte, nas comunicações e na construção naval alteraram completamente a face da guerra ao redor do mundo. (Pág. 180, Gilbert)
O poder volta a falar alto na Europa na unificação italiana e alemã. A guerra naval ganha força e guerras pulverizam-se no mundo, pequenas ou grandes. Na América, vemos a guerra hispano-americana. Também temos a guerra dos Bôeres, rebelião dos Boxers, e no começo do século XX ocorre a Guerra Russo Japonesa, que provocaria mais tarde revoluções no império Russo e o primeiro Estado socialista. O poder mudava na Rússia e incentivaria grandes mudanças.
De 1914 a 1918 acontecia o grande conflito do começo do século, a Primeira Guerra Mundial, que abalaria o mundo como vemos e mudaria políticas, tanto militares, como econômicas, no decorrer das décadas posteriores.
O mundo de 1750 a 1914 era um mundo de impérios. Até o começo do século vinte, o poder estava concentrado nas mãos de poucos e poucas democracias existiam até então. A seguir a idéia imprime o que foi dito.
As revoluções americanas e francesa mudaram as expectativas políticas do ocidente. Embora os resultados tenham sido contraditórios - os EUA surgiram como uma democracia em pleno funcionamento, enquanto à França ficou desestabilizada por quase um século -, a demanda pela liberdade política persistiu durante todo o séc. XIX. Uma onda de levantes nacionalistas trouxe à independência para grande parte da América Latina e a unificação da Itália e da Alemanha. Em outros países, entretanto, nações coloniais continuaram a dominar grande parte do mundo, impedindo o desenvolvimento político local. Mesmo regiões independentes, como China e Japão, sofreram intervenções ou interferências das potências européias. (Pág. 258 - 259, Philip Parker)
A origem da primeira guerra mudaria o mapa global. As origens da guerra são duas: as midiáticas, que estão nos bastidores do império austro-húngaro, que geraria a morte do arquiduque Francisco Ferdinando, mas por outro ponto as questões mais amplas do conflito foram à rivalidade nacionalista que havia desenvolvido na Europa durante o século XIX.
A "Grande Guerra" como era conhecida foi o maior conflito até a segunda guerra, porém foi a pedra inicial da Segunda Guerra Mundial, mudando o modo de poderes no mundo. Com a vitória da França, foi criado o tratado de Versalhes, que impunha regras e condições aos derrotados e à Alemanha. No campo tecnológico muito evoluiu, surgindo armas inovadoras e empregando a aeronáutica na guerra. Aviões em combate foram, pela primeira vez, usados num grande conflito.
Em 1929, com a quebra a bolsa de valores de Nova York, a Europa e o mundo em crise provoca, na política, o surgimento de um uma política nacionalista autoritária de direita e faz nascer o Fascismo e o Nazismo.
O Nazismo representado na figura de Adolf Hitler faria que Alemanha crescesse como grande potência do período, criando uma máquina de guerra capaz de dominar a Europa e aterrorizar o mundo capitalista. No campo militar, as armas evoluíram e as estratégias mudaram. A força aérea recebe forte importância e a força naval passa a contar ainda mais com submarinos que aterrorizariam o oceano atlântico.
Mas, mesmo com forte força militar e política a Alemanha, Japão e Itália são derrotados os Estados Unidos que se transforma na grande potência da segunda metade do século XX, criando uma cultura e um poder baseado no dinheiro e no consumo. Outra potência no pós-guerra é a URSS, baseada no socialismo. Surge a chamada Guerra Fria no mundo, com conflitos espalhados e financiados pelas duas potencias o mundo, dividido até a queda do muro de Berlim, quando os Estados Unidos foi o campeão dessa corrida armamentista e impôs seu poder no mundo contemporâneo em definitivo. O avanço tecnológico das ultimas décadas pós-guerra foi enorme. Surgem novas potências em desenvolvimentos nas duas últimas décadas e duas guerras marcariam a ultima década, provocada por uma nova ameaça o terrorismo.
As democracias ocidentais têm sido tradicionalmente alvo de grupos terroristas, sejam extremistas árabes organizações de esquerda (freqüentemente apoiada por regimes comunistas) ou nacionalistas violentos. Em seus esforços por alcançar metas muitas vezes extravagantes, tais grupos recorreram a raptos seqüestros e assassínios, com resultado no mais das vezes horrendas. A resposta foi a formação de unidade de elite para combater grupos terroristas. (Pág. 290, Gilbert)
Bem, percebe-se que com o fim da Guerra Fria, muitos acreditariam que haveria paz no mundo contemporâneo. Essa visão tão simplória não ocorreu e sim persistiram vários conflitos pelo mundo e a proliferação de armas nucleares e químicas só veio a agravar a instabilidade mundial. Nesta última década, o Oriente Médio permanece uma das áreas mais conturbadas pela guerra em todo o mundo, assolada por conflitos étnicos e religiosos e alvo dos interesses das grandes potências globais.
Por fim, percebe-se que a guerra tem uma grande importância no mundo atual e antigo. No passado, para impor modos civilizações e impérios e no futuro para impor um modo capitalista global em que a democracia pode torna-se uma faca de dois gumes. O mais prejudicado, em qualquer guerra, é o povo que foi e permanece sendo explorado por reis, nobres, elites, e poderes econômicos. Vemos que a guerra desempenha um papel de grande importância, sendo um instrumento final de uma negociação, e que provoca fatores de mudanças por onde passa.
BIBLIOGRAFIA
GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através dos Tempos. São Paulo: M. Books, 2005.
PARKER, Philip. Historia Mundial: Guia Ilustrado Zahar. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
*Bruno Pereira é historiador e membro do IHGG - Instituto Histórico de São José do Rio Preto - SP. Blog: http://historiabruno.blogspot.com

Pravda.ru

Pastores pela Paz, duas décadas de solidariedade a Cuba

 

                      
Waldo Mendiluza
Granma
Neste ano, a Caravana da Amizade Estados Unidos-Cuba completa duas décadas de ação solidária e desafio ao bloqueio imposto por Washington à Ilha, há mais de meio século. Conhecida popularmente como a Caravana dos Pastores pela Paz, a partir do papel desempenhado por essa entidade religiosa norte-americana na organização, coleta e transferência da ajuda humanitária para a nação caribenha, está em andamento a 23a edição desta iniciativa de desafio ao poder imperial de Washington.
Após percorrer 80 cidades dos Estados Unidos, ativistas desse país, junto a cidadãos da Alemanha, Canadá, México e Reino Unido trazem à Ilha meios destinados, entre outros setores, à saúde e à educação, dois dos mais abalados pelo bloqueio. Cadeiras de rodas, medicamentos, equipamentos de primeiros auxílios, material escolar e implementos esportivos são alguns dos produtos doados por comunidades do país do norte para Cuba, onde o cerco imposto pela Casa Branca deixou perdas superiores aos US$ 975 bilhões, segundo dados oficiais.
Dezenas de toneladas de artigos de alta demanda na sociedade chegaram graças ao projeto fundado, em 1992, pelo reverendo estadunidense Lucius Walker, que morreu em setembro de 2010.
A nova edição da Caravana da Amizade permitirá, precisamente, render homenagem a Walker e a outros ativistas, que protagonizaram, durante as duas últimas décadas, o empenho de romper o bloqueio norte-americano.
"Trata-se dum projeto de sólida inspiração cristã e evangélica, embora arraste pessoas de boa vontade, independentemente de suas crenças religiosas", destacou em declarações à Prensa Latina Joel Suárez, coordenador-geral do Centro Memorial Martin Luther King, uma das entidades vinculadas em Havana aos caravanistas.
"Quando o reverendo Walker começou as caravanas, seu propósito era superar o entramado de leis e regulações, que formam o bloqueio estadunidense contra Cuba, uma política antievangélica e agressiva com um severo impacto social na Ilha", disse.
"Não queriam pedir licença, porque eles (Pastores pela Paz) cumpriam um dever evangélico e cristão, um mandato divino de Deus, e nada podia impedir o objetivo de trazer ajuda humanitária a um país assediado", apontou.
Devido ao bloqueio, no território estadunidense, não pode ser realizada ação alguma a respeito de Cuba - como viagens, trocas e outras - que não impliquem a emissão duma licença do Gabinete de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, por suas siglas em inglês).
Cravanas da amizade, a história
A entidade Pastores pela Paz nasceu em 1988, como um projeto da Fundação Inter-religiosa para a Organização Comunitária (IFCO, por suas siglas em inglês) em resposta à agressividade na América Latina, e em particular na América Central, da administração do presidente estadunidense Ronald Reagan.
O então diretor da IFCO, Lucius Walker, foi ferido junto a outras 28 pessoas, e duas perderam a vida, durante um ataque terrorista contra a Revolução Sandinista na Nicarágua, em 2 de agosto de 1988. Um dia depois, Walker criou os Pastores pela Paz, organização que teve na própria Nicarágua suas principais atividades de desafio à política de ingerência de Washington na região.
Desde aquele momento, as caravanas constituíram uma das principais ações da entidade religiosa, a primeira delas na véspera do Natal de 1988, para levar ao povo nicaraguense 18 veículos e 70 toneladas de ajuda humanitária.
Após a derrota dos sandinistas, nas eleições de 1990, Pastores pela Paz dirigiu suas iniciativas pacifistas e de solidariedade a Cuba, país vítima da agressividade da Casa Branca, postura expressa num bloqueio econômico comercial e financeiro, evidente quase a partir do próprio triunfo da Revolução, em 1o de janeiro de 1959.
Em 1992, começaram as Caravanas Estados Unidos-Cuba, projeto contra o bloqueio, materializado em coordenação com o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP).
Uma centena de caravanistas levaram à Ilha, em seu primeiro périplo, 15 toneladas de artigos, como leite em pó, medicamentos, bíblias, bicicletas e material escolar. Lideradas pelo pastor Walker, as caravanas retornaram com uma frequência quase anual e, às vezes, até mais de uma vez em 12 meses, com sua ajuda solidária.
A resposta do governo dos Estados Unidos foi reter carregamentos ou obstaculizar sua chegada a Cuba, além das ameaças de multa aos ativistas.
Greves de fome, manifestações e a solidariedade dentro da própria nação do norte e na comunidade internacional obrigaram Washington, uma e outra vez, a permitir a passagem dos caravanistas estadunidenses, aos quais, com o tempo, aderiram pessoas do Canadá, México e a Europa.
Pastores pela paz, o compromisso
Para Joel Suárez, os Pastores pela Paz representa uma prova de compromisso com as causas justas e de apego aos princípios evangélicos.
Nesse sentido, lembrou momentos vividos pelos caravanistas em sua luta por desafiar o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba e revelar o impacto da política de bloqueio norte-americano na sociedade da Ilha caribenha.
"Vêm à minha mente - expôs - as semanas de greves e protestos, de 1993 e 1996, quando o governo estadunidense ocupou um dos ônibus escolares e computadores incluídos nas doações para Cuba".
Durante a caravana de 1993, oficiais do Departamento do Tesouro confiscaram um ônibus amarelo, no cruzamento fronteiriço de Laredo, Texas, sob o argumento de que "Fidel Castro podia utilizá-lo como um veículo militar".
Os 13 ativistas a bordo desse ônibus decidiram ficar nele até sua libertação, começando uma greve de fome que durou 23 dias.
Uma mobilização internacional em 20 cidades, ligações e mensagens a Washington e um protesto em frente da Repartição de Interesses de Havana conseguiram a devolução do veículo.
Três anos depois, a sexta caravana transportou 400 computadores destinados a potencializar em Cuba uma rede para a troca entre médicos e especialistas da saúde.
O governo dos Estados Unidos confiscou, nas fronteiras de San Diego, todos os equipamentos, medida que gerou novos protestos dos ativistas e a solidariedade com sua causa.
As ações de recusa à confiscação dos computadores se moveram de San Diego a Washington D.C, até que, 94 dias depois, as pressões sobre as autoridades do norte obrigaram à entrega desses meios.
"Walker e outros membros de Pastores pela Paz mostraram uma grande firmeza a qual, inclusive, custou, de maneira direta ou indireta, a vida de alguns ativistas, vítimas das sequelas das greves", assinalou Suárez.
Para o coordenador do Centro Memorial Martin Luther King, o reverendo e seus companheiros merecem uma homenagem permanente, por sua solidariedade e defesa de princípios cristãos, como a misericórdia e a solidariedade, acima de qualquer barreira humana.
"Temos hoje em Cuba testemunhas viventes da presença permanente de Lucius Walker e daqueles que o seguiram e seguem nas caravanas de Pastores pela Paz", expôs.
"Os ônibus escolares amarelos - trazidos pelos Pastores - com seus graffitis, cores e consignas são uma testemunha vivente do desafio a essa política antievangélica representada pelo bloqueio", sentenciou.
Foto: O desaparecido reverendo Lucius Walker cumprimenta o comandante-em-chefe Fidel Castro, após protagonizar uma das ações de desafio das Caravanas da Amizade EUA-Cuba.

Pravda.ru

FARC afirma que sairá de Cauca se o Exército, a polícia e paramilitares sairem

 



Bogotá, (Prensa Latina) O máximo chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Rodrigo Londoño Echeverry, codinome Timoleón Jiménez, anunciou que se o Exército, a polícia e os paramilitares saírem do Cauca, a guerrilha sairá também. Se na Colômbia acabam as operações militares, os bombardeios e assassinatos, as emigrações forçadas de deslocados, o despojo da terra, os crimes contra o povo e a impunidade, não fará sentido a existência da guerrilha, assegura.
Assim o expressa em um comunicado dirigido à Associação de Cabidos Indígenas do Cauca, datado 20 de julho nas montanhas dessa região do sudoeste do país e publicado na página das FARC-EP.
Nós achamos que o Exército deve sair não só das comunidades indígenas, senão de todo o campo colombiano, declara.
A missão natural é guarnecer as fronteiras em defesa da soberania nacional, expõe, mas as classes dominantes converteram o Exército em uma máquina a serviço de poderosos interesses estrangeiros, dirigida diretamente por generais estadunidenses.
Em resposta às demandas das comunidades autôctonas que exigem às FARC não usar as armas, pondo em risco a população civil, Jiménez explica:
"Nós somos uma população civil à qual a violência estatal e paramilitar obrigou a se levantar. Jamais poderíamos nutrir a ideia de afetar gente inocente", declara. "Nisso compartilhamos completamente e temos plena disposição para evitar que aconteça. Mas o que fazer com as forças terroristas de ocupação?", pergunta.
"As FARC, argumenta, não estão integradas por soldados assalariados nem recrutas, mas sim por gente singela do povo da Colômbia; camponeses, indígenas, negros e mestiços que decidimos enfrentar a agressão com as armas".
O problema de vocês, agrega, não pode ser examinado só a partir do aspecto da presença do exército ou da guerrilha em certas regiões, "porque como diz (presidente Juan Manuel) Santos, o Exército jamais vai abandonar suas bases".
Ao invés, sua presença encarna, explica Jiménez, um modelo de dominação nacional, continental, de aspirações mundiais.
O que há de fazer é derrotar esse modelo, e para isso começar pela mudança de regime, manifesta. É nossa luta e a de milhões de colombianos. O assunto agora é unir forças, não separar, ressalta o líder guerrilheiro.
Depois de expressar que as FARC-EP sentem um sincero respeito pela oposição dos indígenas ao uso da violência como mecanismo de luta, afirma que "em uma humanidade civilizada, alheia aos interesses de classe, seguramente tal pretensão seria generalizada".
Mas não é menos verdadeiro, acrescenta, que as realidades da Colômbia, governada secularmente por uma casta violenta e agressora, terminaram por produzir a resposta digna dos de abaixo.
Essa também é uma forma respeitável de luta, que não pode ser condenada logo no começo sem apagar de supetão a história e chegar aos limites da utopia, explica o texto.
Compartilhamos completamente todas as aspirações das comunidades indígenas e, de fato, as estamos apoiando e com isso arriscando nossa própria vida, mas a força dos fatos históricos demonstra também que os indígenas não são as únicas comunidades violentadas e perseguidas na Colômbia, propõe.
Em todo o país cresce um barulhento clamor pela paz, por uma saída política do confronto. Essa tem sido entre todas, a mais velha de nossas bandeiras, afirma o chefe guerilheiro.
É o regime, reflexiona, que jamais se prestou a acabar com sua preferência pela violência e abrir um diálogo.
Vocês, que sofrem mais que nunca com o estilo característico de responder na Colômbia às aspirações de paz, são bem-vindos a trabalhar por ela, sublinha.
Foto: Rodrigo Londoño Echeverry, codinome Timoleón Jiménez

Fonte: Pravda.ru

Não será julgado o mensalão, mas José Dirceu


A definição da data inicial do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal teve um gostinho de vitória para as famílias Marinho, Civita, Frias e Mesquita, bem como para o PSDB e o DEM. A aliança entre esses impérios de comunicação e partidos políticos tateia, há quase uma década, em busca de um feitiço que lhe permita recuperar o poder perdido.
De 2002 para cá, ainda que tenha conservado o poder de interferir na agenda pública, a direita midiática perdeu o poder sobre a definição de políticas públicas e de utilização de verbas. Com isso, apesar da manutenção da influência, na prática o que partidos e órgãos de imprensa perderam foi, simplesmente, dinheiro.
Em termos eleitorais, o julgamento do mensalão é uma benção para essa força política decadente. É possível sonhar com uma devastação eleitoral e de imagem não só do PT, mas, sobretudo, de Luiz Inácio Lula da Silva, que, nos últimos dez anos, converteu-se no carrasco das forças conservadoras ao, não se limitando a vencer eleições, gerar vitórias eleitorais de seus correligionários.
Contudo, por mais que a marcação da data do julgamento do mensalão revele suscetibilidade do STF às pressões midiáticas, existe uma possibilidade imensa de a vitória de hoje se transformar em derrota amanhã. Isso porque o julgamento inteiro do mensalão depende da condenação inequívoca de um só dos seus 38 acusados: José Dirceu.
Se os outros 37 réus forem condenados e Dirceu for absolvido, mídia, PSDB e DEM terão sido derrotados. E o que é pior: ressurgirá no cenário político aquele que deveria ser hoje o presidente da República se não tivesse tido os seus direitos políticos cassados.
Por alguma razão que ainda não ficou muito clara, a direita considera Dirceu muito “pior” do que Lula para si. Guerrilheiro de décadas atrás, treinado em combates físicos em Cuba, era e continua sendo considerado o grande artífice da remodelação ideológica que levou o PT ao poder.
Um José Dirceu reabilitado politicamente aos 66 anos significaria, também, possibilidade concreta de ele assumir algum importante cargo público no governo Dilma Rousseff ou, por exemplo, eleger-se senador por São Paulo em 2014, voltando a influir decisivamente na política.
Não se engane, leitor: poder para Dirceu significaria, sem sombra de dúvida, uma ameaça às famílias midiáticas. Conforme o ex-ministro de Lula declarou mais de uma vez, a grande agenda do Brasil nos próximos anos será a diluição da concentração de poder em mãos de meia dúzia de famílias controladoras de impérios de comunicação. Essa declaração jamais será esquecida.
Dirceu, hoje, é tratado como culpado pela mídia e pelos adversários políticos declarados. Não se encontrará um só texto jornalístico da grande imprensa em que se conceda a ele a realidade, ou seja, de que continua inocente até que seu processo tenha transitado em julgado. O que seus inimigos políticos fariam da vida se ele fosse absolvido?
Podem condenar os outros 37 réus, portanto. Se Dirceu for absolvido, o que Globo, Folha, Estadão e Veja disseram antes será alvo de desmoralização e a sensação de vitória do PT e de Lula será inevitável. Caso contrário, o maior partido e o maior líder político brasileiros dividirão a derrota com os condenados e os prejuízos político-eleitorais entre si.
A boa notícia para Lula, para o PT e para o próprio Dirceu é a de que, à luz do melhor direito, inexiste uma só prova contra esse político controverso. Mesmo se for culpado – o que ninguém pode confirmar ou negar –, se houver um julgamento justo ele terá que ser absolvido.
Se isso não ocorrer, José Dirceu terá sofrido condenação política por um tribunal que deveria se pautar estritamente por critérios técnicos.
Eis, portanto, o dilema em que se debaterá o Brasil em pleno processo eleitoral. A condenação de Dirceu seria um verdadeiro estupro do Estado de Direito que transformaria o Brasil em uma ditadura midiática em que inimigos de meia dúzia de famílias podem ser linchados. Já sua absolvição contra todas as pressões, consolidará a democracia no Brasil.
Não é pouco o que está em jogo neste ano.

Blog da Cidadania