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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Apelo a todos os coreanos à reunificação pacífica do país


  
Pyongyang, 4 out (Prensa Latina) Coreanos do norte, do sul e radicados em outros países foram chamados hoje a promover a reunificação pacífica e independente da Península e a alcançar a prosperidade conjunta, em um comunicado divulgado nesta capital.

 

Os comitês do norte, sul e ultramarinho da denominada Execução da Declaração Conjunta de 15 de junho lançaram um apelo a todos os coreanos em ocasião do quinto aniversário da publicação desse documento.

Uma versão circulada pela agência de notícias KCNA indica que a adoção dessa declaração permitiu abrir um caminho mais amplo para terminar com a "hostilidade militar entre o norte e sul da Coreia, conseguir a paz e acelerar a reunificação independente da pátria".

Explica que devido às manobras de forças opostas a esse movimento, os valiosos resultados desse pronunciamento foram gravemente desconsiderados, motivo pelo qual as relações entre as partes "se encontram em uma situação catastrófica e este território corre risco de guerra".

Com a intenção de abrir uma nova via para reunificar a Coreia, os comitês fazem um chamado a todos os coreanos do norte, do sul, e do exterior, a promover o diálogo e os vínculos de todo tipo e a eliminar os obstáculos que impedem a viagem entre os territórios e o intercâmbio das entidades civis.

Também se posiciona contra todos os exercícios militares e manobras destinadas a aumentar as forças armadas, um movimento que agrava a desconfiança e a hostilidade entre os coreanos.

A declaração emitida hoje pede para abrir "uma nova era da reunificação independente, a paz e a prosperidade manifestando plenamente nosso entusiasmo ardente e forças unidas".
Prensa Latina

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Eric Hobsbawn e as ideias de Marx no século 21

 

           

Eric Hobsbawm: A crise do capitalismo e a atualidade de Marx
por Marcello Musto, sugerido pelo Caio Toledo, no blog da Fundação Lauro Campos


Marcello Musto: Professor Hobsbawm, duas décadas depois de 1989, quando foi apressadamente relegado ao esquecimento, Karl Marx regressou ao centro das atenções. Livre do papel de intrumentum regni que lhe foi atribuído na União Soviética e das ataduras do “marxismo-leninismo”, não só tem recebido atenção intelectual pela nova publicação de sua obra, como também tem sido objeto de crescente interesse.
Em 2003, a revista francesa Nouvel Observateur dedicou um número especial a Marx, com um título provocador: “O pensador do terceiro milênio?”. Um ano depois, na Alemanha, em uma pesquisa organizada pela companhia de televisão ZDF para estabelecer quem eram os alemães mais importantes de todos os tempos, mais de 500 mil espectadores votaram em Karl Marx, que obteve o terceiro lugar na classificação geral e o primeiro na categoria de “relevância atual”.
Em 2005, o semanário alemão Der Spiegel publicou uma matéria especial que tinha como título “Ein Gespenst Kehrt zurük” (A volta de um espectro), enquanto os ouvintes do programa “In Our Time” da rádio 4, da BBC, votavam em Marx como o maior filósofo de todos os tempos. Em uma conversa com Jacques Attali, recentemente publicada, você disse que, paradoxalmente, “são os capitalistas, mais que outros, que estão redescobrindo Marx” e falou também de seu assombro ao ouvir da boca do homem de negócios e político liberal George Soros a seguinte frase: “Ando lendo Marx e há muitas coisas interessantes no que ele diz”.
Ainda que seja débil e mesmo vago, quais são as razões para esse renascimento de Marx? É possível que sua obra seja considerada como de interesse só de especialistas e intelectuais, para ser apresentada em cursos universitários como um grande clássico do pensamento moderno que não deveria ser esquecido? Ou poderá surgir no futuro uma nova “demanda de Marx”, do ponto de vista político?
Eric Hobsbawm: Há um indiscutível renascimento do interesse público por Marx no mundo capitalista, com exceção, provavelmente, dos novos membros da União Européia, do leste europeu. Este renascimento foi provavelmente acelerado pelo fato de que o 150° aniversário da publicação do Manifesto Comunista coincidiu com uma crise econômica internacional particularmente dramática em um período de uma ultra-rápida globalização do livre-mercado.
Marx previu a natureza da economia mundial no início do século XXI, com base na análise da “sociedade burguesa”, cento e cinqüenta anos antes. Não é surpreendente que os capitalistas inteligentes, especialmente no setor financeiro globalizado, fiquem impressionados com Marx, já que eles são necessariamente mais conscientes que outros sobre a natureza e as instabilidades da economia capitalista na qual eles operam.
A maioria da esquerda intelectual já não sabe o que fazer com Marx. Ela foi desmoralizada pelo colapso do projeto social-democrata na maioria dos estados do Atlântico Norte, nos anos 1980, e pela conversão massiva dos governos nacionais à ideologia do livre mercado, assim como pelo colapso dos sistemas políticos e econômicos que afirmavam ser inspirados por Marx e Lênin.
Os assim chamados “novos movimentos sociais”, como o feminismo, tampouco tiveram uma conexão lógica com o anti-capitalismpo (ainda que, individualmente, muitos de seus membros possam estar alinhados com ele) ou questionaram a crença no progresso sem fim do controle humano sobre a natureza que tanto o capitalismo como o socialismo tradicional compartilharam. Ao mesmo tempo, o “proletariado”, dividido e diminuído, deixou de ser crível como agente histórico da transformação social preconizada por Marx.
Devemos levar em conta também que, desde 1968, os mais proeminentes movimentos radicais preferiram a ação direta não necessariamente baseada em muitas leituras e análises teóricas. Claro, isso não significa que Marx tenha deixado de ser considerado como um grande clássico e pensador, ainda que, por razões políticas, especialmente em países como França e Itália, que já tiveram poderosos Partidos Comunistas, tenha havido uma apaixonada ofensiva intelectual contra Marx e as análises marxistas, que provavelmente atingiu seu ápice nos anos oitenta e noventa. Há sinais agora de que a água retomará seu nível.
Marcello Musto: Ao longo de sua vida, Marx foi um agudo e incansável investigador, que percebeu e analisou melhor do que ninguém em seu tempo o desenvolvimento do capitalismo em escala mundial. Ele entendeu que o nascimento de uma economia internacional globalizada era inerente ao modo capitalista de produção e previu que este processo geraria não somente o crescimento e prosperidade alardeados por políticos e teóricos liberais, mas também violentos conflitos, crises econômicas e injustiça social generalizada.
Na última década, vimos a crise financeira do leste asiático, que começou no verão de 1997; a crise econômica Argentina de 1999-2002 e, sobretudo, a crise dos empréstimos hipotecários que começou nos Estados Unidos em 2006 e agora tornou-se a maior crise financeira do pós-guerra. É correto dizer, então, que o retorno do interesse pela obra de Marx está baseado na crise da sociedade capitalista e na capacidade dele ajudar a explicar as profundas contradições do mundo atual?
Eric Hobsbawm: Se a política da esquerda no futuro será inspirada uma vez mais nas análises de Marx, como ocorreu com os velhos movimentos socialistas e comunistas, isso dependerá do que vai acontecer no mundo capitalista. Isso se aplica não somente a Marx, mas à esquerda considerada como um projeto e uma ideologia política coerente.
Posto que, como você diz corretamente, a recuperação do interesse por Marx está consideravelmente – eu diria, principalmente – baseado na atual crise da sociedade capitalista, a perspectiva é mais promissora do que foi nos anos noventa. A atual crise financeira mundial, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica nos EUA, dramatiza o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta.
As pressões políticas já estão debilitando o compromisso dos governos neoliberais em torno de uma globalização descontrolada, ilimitada e desregulada. Em alguns casos, como a China, as vastas desigualdades e injustiças causadas por uma transição geral a uma economia de livre mercado, já coloca problemas importantes para a estabilidade social e mesmo dúvidas nos altos escalões de governo.
É claro que qualquer “retorno a Marx” será essencialmente um retorno à análise de Marx sobre o capitalismo e seu lugar na evolução histórica da humanidade – incluindo, sobretudo, suas análises sobre a instabilidade central do desenvolvimento capitalista que procede por meio de crises econômicas auto-geradas com dimensões políticas e sociais. Nenhum marxista poderia acreditar que, como argumentaram os ideólogos neoliberais em 1989, o capitalismo liberal havia triunfado para sempre, que a história tinha chegado ao fim ou que qualquer sistema de relações humanas possa ser definitivo para todo o sempre.
Marcello Musto: Você não acha que, se as forças políticas e intelectuais da esquerda internacional, que se questionam sobre o que poderia ser o socialismo do século XXI, renunciarem às idéias de Marx, estarão perdendo um guia fundamental para o exame e a transformação da realidade atual?
Eric Hobsbawm: Nenhum socialista pode renunciar às idéias de Marx, na medida que sua crença em que o capitalismo deve ser sucedido por outra forma de sociedade está baseada, não na esperança ou na vontade, mas sim em uma análise séria do desenvolvimento histórico, particularmente da era capitalista. Sua previsão de que o capitalismo seria substituído por um sistema administrado ou planejado socialmente parece razoável, ainda que certamente ele tenha subestimado os elementos de mercado que sobreviveriam em algum sistema pós-capitalista.
Considerando que Marx, deliberadamente, absteve-se de especular acerca do futuro, não pode ser responsabilizado pelas formas específicas em que as economias “socialistas” foram organizadas sob o chamado “socialismo realmente existente”. Quanto aos objetivos do socialismo, Marx não foi o único pensador que queria uma sociedade sem exploração e alienação, em que os seres humanos pudessem realizar plenamente suas potencialidades, mas foi o que expressou essa idéia com maior força e suas palavras mantêm seu poder de inspiração.
No entanto, Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, autoritariamente ou de outra maneira, nem como descrições de uma situação real do mundo capitalista de hoje, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista.
Tampouco podemos ou devemos esquecer que ele não conseguiu realizar uma apresentação bem planejada, coerente e completa de suas idéias, apesar das tentativas de Engels e outros de construir, a partir dos manuscritos de Marx, um volume II e III de “O Capital”. Como mostram os “Grundrisse”, aliás. Inclusive, um Capital completo teria conformado apenas uma parte do próprio plano original de Marx, talvez excessivamente ambicioso.
Por outro lado, Marx não regressará à esquerda até que a tendência atual entre os ativistas radicais de converter o anti-capitalismo em anti-globalização seja abandonada. A globalização existe e, salvo um colapso da sociedade humana, é irreversível. Marx reconheceu isso como um fato e, como um internacionalista, deu as boas vindas, teoricamente. O que ele criticou e o que nós devemos criticar é o tipo de globalização produzida pelo capitalismo.
Marcello Musto: Um dos escritos de Marx que suscitaram o maior interesse entre os novos leitores e comentadores são os “Grundrisse”. Escritos entre 1857 e 1858, os “Grundrisse” são o primeiro rascunho da crítica da economia política de Marx e, portanto, também o trabalho inicial preparatório do Capital, contendo numerosas reflexões sobre temas que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte de sua criação inacabada.
Por que, em sua opinião, estes manuscritos da obra de Marx, continuam provocando mais debate que qualquer outro texto, apesar do fato dele tê-los escrito somente para resumir os fundamentos de sua crítica da economia política? Qual é a razão de seu persistente interesse?
Eric Hobsbawm: Desde o meu ponto de vista, os “Grundrisse” provocaram um impacto internacional tão grande na cena marxista intelectual por duas razões relacionadas. Eles permaneceram virtualmente não publicados antes dos anos cinqüenta e, como você diz, contendo uma massa de reflexões sobre assuntos que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte. Não fizeram parte do largamente dogmatizado corpus do marxismo ortodoxo no mundo do socialismo soviético. Mas não podiam simplesmente ser descartados.
Puderam, portanto, ser usados por marxistas que queriam criticar ortodoxamente ou ampliar o alcance da análise marxista mediante o apelo a um texto que não podia ser acusado de herético ou anti-marxista. Assim, as edições dos anos setenta e oitenta, antes da queda do Muro de Berlim, seguiram provocando debate, fundamentalmente porque nestes escritos Marx coloca problemas importantes que não foram considerados no “Capital”, como por exemplo as questões assinaladas em meu prefácio ao volume de ensaios que você organizou (Karl Marx’s Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later, editado por M. Musto, Londres-Nueva York, Routledge, 2008).
Marcello Musto: No prefácio deste livro, escrito por vários especialistas internacionais para comemorar o 150° aniversário de sua composição, você escreveu: “Talvez este seja o momento correto para retornar ao estudo dos “Grundrisse”, menos constrangidos pelas considerações temporais das políticas de esquerda entre a denúncia de Stalin, feita por Nikita Khruschev, e a queda de Mikhail Gorbachev”.
Além disso, para destacar o enorme valor deste texto, você diz que os “Grundrisse” “trazem análise e compreensão, por exemplo, da tecnologia, o que leva o tratamento de Marx do capitalismo para além do século XIX, para a era de uma sociedade onde a produção não requer já mão-de-obra massiva, para a era da automatização, do potencial de tempo livre e das transformações do fenômeno da alienação sob tais circunstâncias.
Este é o único texto que vai, de alguma maneira, mais além dos próprios indícios do futuro comunista apontados por Marx na “Ideologia Alemã”. Em poucas palavras, esse texto tem sido descrito corretamente como o pensamento de Marx em toda sua riqueza. Assim, qual poderia ser o resultado da releitura dos “Grundrisse” hoje?
Eric Hobsbawm: Não há, provavelmente, mais do que um punhado de editores e tradutores que tenham tido um pleno conhecimento desta grande e notoriamente difícil massa de textos. Mas uma releitura ou leitura deles hoje pode ajudar-nos a repensar Marx: a distinguir o geral na análise do capitalismo de Marx daquilo que foi específico da situação da sociedade burguesa na metade do século XIX. Não podemos prever que conclusões podem surgir desta análise. Provavelmente, somente podemos dizer que certamente não levarão a acordos unânimes.
Marcello Musto: Para terminar, uma pergunta final. Por que é importante ler Marx hoje?
Eric Hobsbawm: Para qualquer interessado nas idéias, seja um estudante universitário ou não, é patentemente claro que Marx é e permanecerá sendo uma das grandes mentes filosóficas, um dos grandes analistas econômicos do século XIX e, em sua máxima expressão, um mestre de uma prosa apaixonada.
Também é importante ler Marx porque o mundo no qual vivemos hoje não pode ser entendido sem levar em conta a influência que os escritos deste homem tiveram sobre o século XX. E, finalmente, deveria ser lido porque, como ele mesmo escreveu, o mundo não pode ser transformado de maneira efetiva se não for entendido. Marx permanece sendo um soberbo pensador para a compreensão do mundo e dos problemas que devemos enfrentar.
[Tradução para Sin Permiso (inglês-espanhol): Gabriel Vargas Lozano]
[Tradução para Carta Maior (espanhol-português): Marco Aurélio Weissheimer]
Eric Hobsbawm é considerado um dos maiores historiadores vivos. É presidente do Birbeck College (London University) e professor emérito da New School for Social Research (Nova Iorque). Entre suas muitas obras, encontra-se a trilogia acerca do “longo século XIX”: “A Era da Revolução: Europa 1789-1848″ (1962); “A Era do Capital: 1848-1874″ (1975); “A Era do Império: 1875-1914 (1987) e o livro “A Era dos Extremos: o breve século XX, 1914-1991 (1994), todos traduzidos em vários idiomas.

A direita aposta todas as suas fichas no “golpe branco”

 

Messias Pontes *

A nova UDN – União Democrática Nacional, albergada principalmente no PSDB, DEMO e PPS, não perde a esperança de retornar ao Palácio do Planalto. Para tanto, conta o total e irrestrito apoio da velha mídia conservadora, venal e golpista, em especial do seu núcleo, o GAFE (Globo, Abril, Folha e Estadão), que não perde tempo em arquitetar os mais diabólicos planos para desestabilizar o governo democrático e popular da presidenta Dilma Rousseff.


A frustração de não conseguir retornar ao poder central através do voto, como seria o ideal, mesmo se para tanto tenha de contar com a manipulação da opinião pública como fez quando foi para eleger Fernando Collor de Mello em 1989 e o outro Fernando, o Coisa Ruim em 1994 e principalmente em 1998 com o verdadeiro terrorismo midiático, não desanima essa direita que há séculos manda, desmanda, julga e condena quem quer. Por pouco não conseguiu derrubar o presidente Luis Inácio Lula da Silva em 2005, quando pediu o seu impeachment, não conseguindo porque o presidente da Câmara dos Deputados era Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que o arquivou.

Agora, com Lula fora do Poder, por que tanto interesse dos neo-udenistas em desconstruir a imagem do ex-presidente? O ex-metalúrgico se recupera de um câncer na laringe e já sinalizou que não pensa em se candidatar em 2014, pois vai apoiar a reeleição da sua sucessora. Com a popularidade ultrapassando os 80%, Dilma só não se reelegerá se morrer, se desistir – o que não é o caso – ou se houver uma hecatombe ou um golpe de Estado, o que é muito pouco provável, mas de todo não impossível.

Desconstruindo a imagem de Lula, o passo seguinte é atingir em cheio a da presidenta Dilma. Nesses quase 21 meses de governo, Dilma não teve trégua da velha mídia e acabou sendo por ela pautada e tendo de demitir oito ministros, a maioria sob falsas acusações como foi o caso do ministro dos Esportes Orlando Silva.

Baseada na experiência recente de Honduras e do Paraguai quando o golpe de Estado foi levado a efeito sem ter de bater às portas dos quartéis, mas contando com o beneplácito dos poderes Legislativo e Judiciário, a direita brasileira joga agora todas as suas fichas no poder Judiciário com o julgamento da Ação Penal 470 batizada de “mensalão” pela velha mídia. E, pelo andar da carruagem, tudo indica que o Supremo Tribunal Federal está sendo pautado pelo GAFE que já sabe até quem vai ser condenado e a pena de cada um. O alvo, no momento, é o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT, José Genoíno. Porém os neo-udenistas vão continuar insistindo em envolver Lula com o chamado “mensalão”.

O lixo do jornalismo brasileiro, apelidado de Veja, já deu o primeiro passo para forçar o Ministério Público a exigir do STF a interpelação de Lula. Diz o panfleto emplumado da Abril que possui uma gravação com depoimento do publicitário Marcos Valério afirmando que Lula de tudo sabia e que era o “comandante do mensalão”. Tudo armação das mais amadoras, pois não tem como apresentar essa gravação porque Valério não concede entrevista desde 2005.

Três derrotas consecutivas para a presidência da República é uma tragédia para as elites mais reacionárias, notadamente quando a derrota é para um retirante nordestino sem formação acadêmica. Agora, com a iminente derrota do ex-governador José Serra (o “Zé Bolinha de Papel) para a Prefeitura paulistana, o demotucanato se desespera ainda mais e não desiste de tentar um golpe branco antes de 2014. Afinal, Serra é o grande financiador dessa velha mídia. Só na campanha presidencial de 2010, Serra deu R$ 17,6 milhões por mês aos veículos emplumados para veicular a publicidade do governo de São Paulo.

As sessões do STF para julgar os denunciados na Ação Penal 470, batizada de “mensalão”, têm se transformado num espetáculo midiático, e com muitas surpresas, pois até a lei está sendo reinterpretada. Juristas respeitados já denunciam que a mais alta Corte de Justiça do País está se transformando num tribunal de exceção. A palavra da moda é “domínio do fato”. E isto é muito perigoso, muito temerário. A velha mídia bate palmas e dedica todos os espaços possíveis em seus noticiosos para exigir o julgamento sumário, em especial de José Dirceu e José Genoíno, e enaltecer ministro que até há pouco tempo desdenhava.

No momento, o mais eficaz antídoto é a democratização da comunicação através da lei de meios que nada mais é do que a regulamentação dos artigos 220 a 224 da Constituição da República, muito especialmente o § 5º do artigo 220 que reza que “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”. A consciência democrática brasileira exige um novo marco regulatório para a comunicação social. Sem isto, as seis famílias que monopolizam a velha mídia vão continuar conspirando contra a democracia como fizeram em 1937, com a divulgação à exaustão do mentiroso “Plano Cohen” que levou à ditadura do Estado Novo; em 1954, quando levou o presidente Getúlio Vargas ao suicídi; em 1955 quando tentou, junto com os militares reacionários, impedir a posse do presidente Juscelino Kubitschek, e em 1964 com o golpe militar de 1º de abril.

Depois de chegar a Lula, vão tentar chegar à Dilma. E aí poderá ser o início do fim de uma Era. Não é sem razão que a velha mídia justifica e enaltece os golpes de Estado em Honduras, com a deposição do presidente Manuel Zelaya, e no Paraguaia, com a deposição do presidente Fernando Lugo. Nesses dois países foi o Judiciário que chancelou o golpe.

 

* Diretor de comunicação da Associação de Amizade Brasil-Cuba do Ceará, e membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará e do Comitê Estadual do PCdoB.

sábado, 29 de setembro de 2012

Expulsam também a Bo Xilian do parlamento chinês

  
Expulsam também a Bo Xilian do parlamento chinês
Pequim, 29 set,(Prensa Latina) Bo Xilian, que ontem foi expulso de todos seus cargos no Partido Comunista da China por graves indisciplinas, foi separado hoje também da Assembleia Popular Nacional (parlamento).

  Uma nota oficial indica que a decisão foi adotada pelo comitê permanente da Assembleia Popular municipal de Chongqing, uma próspera localidade do surdoeste chinês, onde Bo era secretário do Partido Comunista até sua separação em março último.

Segundo o reporter, ontem o comitê de credenciais da Assembleia Nacional Popular recebeu a notificação de sua representação em Chongqing. Bo foi eleito deputado no décimo-primeiro congresso do parlamento chinês.

O ex-chefe da organização partidária na cidade de Chongqing foi expulso ontem do Burô Político e do Comitê Central do Partido Comunista da China por graves indisciplinas e remetido aos tribunais, acusado de corrupção e envolvimento em outros delitos.

Prensa Latina