Translate

domingo, 28 de outubro de 2012

MANIFESTO DO LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE

 
 
Contra a criminalização dos(as) estudantes sergipanos que lutam pela verdade da Ditadura Militar

Nós, do Levante Popular da Juventude, em 16 estados brasileiros, nos dias 26 de março e 14 de maio de 2012, com o calor dos debates acerca da composição da Comissão Nacional da Verdade, realizamos denúncias de agentes públicos que torturaram no período da ditadura civil-militar instaurada com o golpe de 1964. A forma de luta utilizada foi o escracho, que consiste em expor os notórios torturadores, em sua casa ou em seu local de trabalho, com manifestações massivas da juventude e ampla divulgação pela imprensa, notadamente pelas redes sociais.
Em Sergipe, denunciamos o médico Dr. José Carlos Pinheiro, atual diretor do Hospital e Maternidade Santa Isabel, que, nos tempos da ditadura, “auscultava para conferir o sofrimento e até que ponto o ser humano aguentava as torturas”. Fizemos tal denúncia com base em ata da 85ª sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Aracaju, realizada no dia 20 de setembro de 1989, cujo trecho está transcrito acima, em que o então vereador Marcélio Bomfim fala sobre o caso, e também com base nos testemunhos dos militantes e torturados daquele período, que sempre relembram a participação do médico escrachado, sendo, portanto, um fato de domínio público .
Além do ímpeto pela defesa da história real do povo brasileiro, por ser necessário rechaçar as práticas e agentes públicos que ferem nossa dignidade e soberania, manifestamo-nos por entendermos que a efetivação dos direitos à memória, à verdade e à justiça é fundamental para darmos passos largos à realização de mudanças mais profundas no nosso país.
Indignado com nossa postura, o escrachado ofereceu uma queixa-crime contra seis estudantes, a qual tramita no Juizado Especial Criminal de Aracaju, autos do processo n° 201245102302, sendo que nem todos os universitários listados participaram das manifestações.
Trata-se de uma clara tentativa de criminalização e intimidação do movimento. Além disso, trata-se de um processo em que há a clara tentativa de ocultar de vez um retalho importante da história do Brasil, de Sergipe e de Aracaju. Afinal, para o escrachado, uma inocência poderia significar uma “borracha” nesse passado inglório.
Está em jogo nesse processo e no cenário político, portanto, além da legitimidade de o povo brasileiro lutar, os direitos à memória, à verdade e à justiça.
Para consagrar tais direitos e avançarmos no desvelar da nossa história, fazemos um apelo ao povo brasileiro e às suas organizações, para que se solidarizem com a pauta, com o nosso movimento e com os(as) estudantes processados (Larissa Alves, Jessy Dayane, Tatiane Leal, Viviane Leal, Camila Almeida e Gilson Junior).
Apelamos, também, à Comissão Nacional da Verdade, para que colabore com a elucidação do que aconteceu nas dependências do 28° Batalhão de Caçadores, no ano de 1976, e de quem “auscultava para conferir o sofrimento...”.
Se necessário, provocaremos a Organização dos Estados Americanos (OEA) e sua Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para que o direito de lutar pelo restabelecimento da verdade durante a Ditadura Militar seja garantida ao povo brasileiro.
Pelo direito à memória, à verdade e à justiça! Para que não se esqueça; Para que nunca mais aconteça!
Em solidariedade aos seis estudantes processados por se manifestarem contra a Ditadura Militar!
 
Levante Popular da Juventude
Aracaju/SE, 26 de outubro de 2012.
 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Hezbollah: sempre bem atento

 

Hezbollah: sempre bem atento. 17455.jpeg
Mohammad Aslam*, Palestine Chronicle
http://palestinechronicle.com/view_article_details.php?id=19653
Tradução: Vila Vudu
O conflito que se arrasta já por 19 meses na Síria, entre o governo e forças rebeldes, está durando muito mais do que a maioria previu e carrega carga pesada de eventos potencialmente perigosos.
A extensão da tragédia não poderia ser exemplificada mais dramaticamente que na recente explosão de um carro-bomba que matou o chefe da inteligência do Líbano, brigadeiro-general Wisam Al-Hassan.
O primeiro-ministro ameaça renunciar, políticos da oposição libanesa rápidos a acusar Damasco, demonstrações sectárias pelas ruas e rumores de novos ataques - o Líbano parece estar à beira da convulsão.
À parte a violência e a confusão generalizada, um movimento, na região parece estar correndo o risco de ver-se inadvertidamente arrastado para dentro do olho do furacão, por efeito direto da crise em curso: o Hezbollah.
A aliança tripartite de Turquia, Arábia Saudita e Qatar, apoiada pelo ocidente que lhe fornece dinheiro e equipamento não letal, cuida de assegurar que os que combatem contra o regime de Bashar Al Assad tenham acesso aos meios necessários para continuar a luta, pelo menos no futuro imediato.
Do ponto de vista do Hezbollah, essa aliança é analisada como tentativa coordenada para atacar o "eixo da resistência" que combate contra o governo de Israel apoiado por EUA, eixo de que o Hezbollah participa, com o Irã, a Síria e o Hamás em Gaza.
O cálculo estratégico que o Hezbollah desenvolve parte da premissa de que uma vitória da oposição a Assad não só privaria o movimento de uma via importante para o apoio político e militar que o Hezbollah sempre recebeu do governo sírio, mas ameaça, também, o delicado equlíbrio entre grupos religiosos que há no Líbano e na Síria - países nos quais vivem várias minorias de muçulmanos não sunitas.
A ação dos rebeldes, que têm sequestrado cidadãos iranianos e libaneses, os ataques violentos ao movimento, que já ultrapassam o que se conhecia como disputas entre oposições religiosas, e a infiltração de combatentes sunitas extremistas ligados à Al-Qaeda, já dá sinais claros de que visa a envolver politicamente também Irã e Líbano na chamada "questão síria".
O Hezbollah reconheceu recentemente que combatentes seus foram mortos em combates para defender vilas e cidades habitadas por libaneses em territórios de fronteira, do lado sírio, o que fez aumentar o temor, no Líbano, de que o movimento e o país possam estar sendo arrastados para ampla confrontação sectária.
Além das dificuldades na Síria, o Hezbollah também enfrenta pressões resultantes do confronto entre o Irã, que insiste em fazer avançar seu programa nuclear nacional, e Israel, que não se cansa de ameaçar e promover cada vez mais declaradamente o confronto militar, como meio alegado para impedir quaisquer avanços no Irã.
O Hezbollah, que vê no Supremo Líder iraniano autoridade religiosa supranacional, é trunfo com o qual o Irã conta, como força de defesa, no caso de o Irã ser atacado por Israel.
Essa evidência apareceu muito claramente há alguns dias, quando o líder político do movimento anunciou que, sim, o Hezbollah enviara um drone, avião-robô, de reconhecimento, projeto iraniano e montado no Líbano por especialistas do Hezbollah, para recolher informações sobre pontos estratégicos do território israelense - e que o dispositivo transmitiu informações, antes de ser abatido pela aviação israelense.
Internamente, a oposição libanesa passou a acusar o Hezbollah de tentar distrair a atenção regional, desviando-a da situação síria, e de estar 'provocando' Israel para confronto direto. Esse discurso, de fato, não faz sentido algum.
A luta contra Israel, vista como força ocupante de territórios palestinos, nada tem de novidade e é a raison d'être do Hezbollah; em 2000, o movimento conseguiu expulsar forças israelenses do sul do Líbano, onde a ocupação israelense já durava 22 anos; e a atitude de resistência contra a existência na região da entidade sionista foi também ratificada mais recentemente, em 2006 - em ação na qual o Hezbollah impôs derrota tática a Israel, a única derrota que o exército israelense jamais sofreu.
Em segundo lugar, 'provocar' Israel para confronto direto, em momento em que a Síria está sob ataque, e o "eixo da resistência", portanto, também sob ataque, seria ideia militarmente ilógica e inconcebível.
Considerando que Israel ainda ocupa vastas porções das colinas de Golan, a menos de 50 km de distância de Damasco, sem obstáculo natural que impeça o avanço das tropas israelenses, qualquer movimento contra Israel naquela região só tornaria ainda mais difícil a ação do muito ineficiente exército sírio e facilitaria o avanço dos que combatem o regime.
Conclusão disso tudo é que quem se interesse por enfraquecer e fragilizar o Hezbollah tem de atacar a capacidade de sobrevivência do movimento dentro do quadro político libanês, porque o Hezbollah sempre demonstra grande capacidade política para usar o Líbano como ponta de lança em sua luta contra Israel; em outras palavras, quem queira fragilizar o Hezbollah tem de atacá-lo no front legal, como membro do governo libanês, dentro do Líbano.
Isso parece ser exatamente o que estão fazendo os principais inimigos do Hezbollah dentro do governo libanês - a aliança pró-sauditas, pró-Israel e pró-EUA liderada por Saad Hariri.
O projeto e cálculo estratégico da aliança sauditas-Israel-EUA liderada por Hariri é que, enquanto os assassinatos massivos vão dando cabo do regime de Assad em Damasco, os amigos de Assad no Líbano vão ficando 'órfãos' e, assim, menos capazes de resistir aos ataques da oposição.
Usaram o conflito na Síria como uma espécie de grande cerimônia de estoicismo, na qual extravasam (tanto quanto promovem e fazem aumentar) a própria fúria, para assim fazer avançar a campanha para desarmar o Hezbollah e as ameaças de golpe contra o atual governo libanês eleito. Membros do círculo íntimo de Hariri, inclusive, financiam diretamente grupos rebeldes que combatem contra o governo de Assad.
O Hezbollah, contudo, não dá sinais de estar muito preocupado com os efeitos internos da campanha comandada por Hariri.
Da última vez que o mesmo Hariri tentou limitar as atividades do Hezbollah, em 2008, num momento em que Hariri conseguira fazer o primeiro-ministro, o Hezbollah - em movimento político brilhantemente concebido e executado, que envolveu decisões executivas dos seus representantes eleitos e ação de massa de milhares de seus militantes nas ruas - precisou de apenas 20 minutos para por fim à tentativa de golpe de Hariri. E, dias depois, o governo libanês revogou todas as leis anti-Hezbollah que o ministro de Hariri conseguira aprovar.
************************************
* Mohammad I. Aslam é pós-graduando da Escola de Ciência Política, Departamento de Estudos do Oriente Médio e Mediterrâneo, King's College, Londres.
 
 
Pravda.ru

O referendum islandês e os silêncios da mídia

 

O referendum islandês e os silêncios da mídia. 17456.jpeg

Mauro Santayana*

Os cidadãos da Islândia referendaram, no sabado (20), com cerca de 70% dos votos, o texto básico de sua nova Constituição, redigido por 25 delegados, quase todos homens comuns, escolhidos pelo voto direto da população, incluindo a estatização de seus recursos naturais. A Islândia é um desses enigmas da História. Situada em uma área aquecida pela Corrente do Golfo, que serpenteia no Atlântico Norte, a ilha, de 103.000 qm2, só é ocupada em seu litoral. O interior, de montes elevados, com 200 vulcões em atividade, é inteiramente hostil - mas se trata de uma das mais antigas democracias do mundo, com seu parlamento (Althingi) funcionando há mais de mil anos. Mesmo sob a soberania da Noruega e da Dinamarca, até o fim do século 19, os islandeses sempre mantiveram confortável autonomia em seus assuntos internos.
Em 2003, sob a pressão neoliberal, a Islândia privatizou o seu sistema bancário, até então estatal. Como lhes conviesse, os grandes bancos norte-americanos e ingleses, que já operavam no mercado derivativo, na espiral das subprimes, transformaram Reykjavik em um grande centro financeiro internacional e uma das maiores vítimas do neoliberalismo. Com apenas 320.000 habitantes, a ilha se tornou um cômodo paraíso fiscal para os grandes bancos.
Instituições como o Lehman Brothers usavam o crédito internacional do país a fim de atrair investimentos europeus, sobretudo britânicos. Esse dinheiro era aplicado na ciranda financeira, comandada pelos bancos norte-americanos. A quebra do Lehman Brothers expôs a Islândia que assumiu, assim, dívida superior a dez vezes o seu produto interno bruto. O governo foi obrigado a reestatizar os seus três bancos, cujos executivos foram processados e alguns condenados à prisão.
A fim de fazer frente ao imenso débito, o governo decidiu que cada um dos islandeses - de todas as idades - pagaria 130 euros mensais durante 15 anos. O povo exigiu um referendum e, com 93% dos votos, decidiu não pagar dívida que era responsabilidade do sistema financeiro internacional, a partir de Wall Street e da City de Londres.
A dívida externa do país, construída pela irresponsabilidade dos bancos associados às maiores instituições financeiras mundiais, levou a nação à insolvência e os islandeses ao desespero. A crise se tornou política, com a decisão de seu povo de mudar tudo. Uma assembléia popular, reunida espontaneamente, decidiu eleger corpo constituinte de 25 cidadãos, que não tivessem qualquer atividade partidária, a fim de redigir a Carta Constitucional do país. Para candidatar-se ao corpo legislativo bastava a indicação de 30 pessoas. Houve 500 candidatos. Os escolhidos ouviram a população adulta, que se manifestou via internet, com sugestões para o texto. O governo encampou a iniciativa e oficializou a comissão, ao submeter o documento ao referendum realizado ontem.
Ao ser aprovado ontem, por mais de dois terços da população, o texto constitucional deverá ser ratificado pelo Parlamento.
Embora a Islândia seja uma nação pequena, distante da Europa e da América, e com a economia dependente dos mercados externos (exporta peixes, principalmente o bacalhau), seu exemplo pode servir aos outros povos, sufocados pela irracionalidade da ditadura financeira.
Durante estes poucos anos, nos quais os islandeses resistiram contra o acosso dos grandes bancos internacionais, os meios de comunicação internacional fizeram conveniente silêncio sobre o que vem ocorrendo em Reykjavik. É eloqüente sinal de que os islandeses podem estar abrindo caminho a uma pacífica revolução mundial dos povos.
*Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.
 
http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O DIA EM QUE O STF VIROU UM TRIBUNAL POLÍTICO