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terça-feira, 19 de março de 2013

A FESTA DOS SAQUEADORES: A PILHAGEM DA URSS

 
Em 1987, a dívida externa dos EUA subiu para US$ 246 bilhões. E no dia 19 de outubro de 1987, Wall Street caiu. Só um milagre poderia salvar os EUA. E o milagre aconteceu, e seu salvador foi Gorbachev.

Gorbachev salvou a economia dos EUA arruinando a URSS.


Sabe como isso aconteceu?

Em janeiro de 1987 as restrições sobre o comércio exterior foram revogadas. Essas restrições protegiam o mercado interno da União Soviética do colapso. Sem eles, o mercado doméstico da URSS - com seus preços ridiculamente baixos para alimentos e bens essenciais de consumo, em comparação com os mercados estrangeiros - não poderia manter-se por um único dia.

E, de repente, empresas e indivíduos foram autorizados a exportar alimentos para o exterior, matérias-primas, equipamentos eletrônicos, energia, produtos químicos, simplesmente... tudo!

Era como se um furacão poderoso tivesse passado sobre o vasto território da URSS. Em apenas um instante ele sugou para fora do país todos os produtos de valor. Mantimentos e objetos manufaturados desapareceram das prateleiras das lojas.

A pilhagem das reservas de ouro

Em 21 de julho de 1989 novos regulamentos alfandegários revogaram todas as restrições sobre a exportação de ouro e pedras preciosas.

O trabalho das alfândegas soviéticas dos últimos 70 anos foi imediatamente jogado no lixo.

Ouro, em quantidades até então inéditas, foi jogado para o mercado interno, a ser comprado a um preço interno, e então exportados.

Na época, o jornal "The Moscow Komsomol" descreveu assim o comércio de jóias: "Uma imagem brilhante de especulação desenfreada, a quota de vendas do Tesouro do Estado (Gokhran) para joias foi alocado mais e mais... Os contadores estavam sob ataque, o Tesouro do Estado era bombardeado com cartas solicitando novos suprimentos de ouro e pedras preciosas ... ".

O jornal "Izvestia" solicitou como medida de controle contra filas por ouro e diamantes "ser colocado no mercado uma quantidade formidável de ouro, tais como as reservas de ouro do Estado."

O jornal "Cultura Soviética" conclamou à remoção definitiva das barreiras alfandegárias para a exportação de ouro.

Depois de algum tempo G. Yavlinsky (responsável pela economia no governo na época) alarmou a imprensa com uma declaração sobre o desaparecimento das reservas de ouro. Mas tudo se acalmou rapidamente.

Ficou pior e pior

Naquele mesmo ano cidadãos exportaram individualmente 500.000 televisores a cores e 200 mil máquinas de lavar. Em 1988, apenas uma única família exportou: 392 geladeiras, 72 máquinas de lavar, 142 máquinas de ar-condicionado... Uma das milhares de organizações estrangeiras exportou: 1.400 ferros, 174 ventiladores, 3.500 peças de sabão e 242 kg de sabão em pó, produtos que foram especificamente comprados pelo Estado - por insistência do MPS - com moeda estrangeira, supostamente para o uso de cidadãos soviéticos.

Estes dados apareceram inadvertidamente na imprensa na época. Em 1989, sozinhos, em apenas um dos pontos de controles alfandegários, alguns indivíduos exportaram mais de 2 milhões de toneladas de produtos que estavam em falta na URSS.

Toda a produção da colhedora de algodão Krasnoyarsk foi exportada. Na época um bom lençol custava 5 rublos, uma folha dupla, 8 rublos. As exportações de pano triplicaram, as de algodão quase quadruplicaram, enquanto as de linho foram multiplicadas por 7.

Estes são números sobre exportações do Estado apenas. Exportações privadas superaram as do governo. Além disso, determinar os números exatos das exportações era impossível. O mesmo jornal "Izvestia" escreveu na época: "O nosso Estado é um dos poucos no mundo que não registra estatísticas aduaneiras."

Qual é o milagre “Balcerowicz” sobre o qual a mídia tanto fala?

Especialistas americanos sugeriram a Balcerowicz (o organizador e inspirador ideológico das reformas econômicas na Polônia) reduzir a produção e o comércio normais ao mesmo tempo que incentivava pequenos negócios.

Isso significava rebaixar a classe trabalhadora e transformá-la numa "nação de vendedores ambulantes." Todos esses indivíduos rebaixados, aos milhões, reuniram-se na URSS, como gafanhotos, e começaram a exportar tudo o que podiam colocar em suas mãos, desde mobiliário importado até pasta de dentes, e às toneladas.

No Congresso de Deputados havia um terrível escândalo e gritarias sobre a falta de pasta de dente para a população soviética. Nunca ocorreu aos representantes do povo questionarem-se sobre as causas que levaram à penúria flagrante de pasta de dente. Eles simplesmente decidiram comprar no exterior US$ 60 milhões de pasta de dente.

Quem ficou rico com esses 60 milhões de dólares?

Na França, de onde foi importado, o tubo de creme dental custava 15 francos, enquanto na URSS era vendido por um rublo. É claro que, em nenhum momento, a pasta de dentes saiu novamente para o exterior. Elas foram enviados para a Polônia em embalagens de 500 tubos (o pacote original da fábrica francesa) e, novamente, sem quaisquer restrições.

Os tubos foram transportados em carros-botas, compartimentos inteiros de trem, ou recipientes nos conveses dos barcos. Assim como as formigas que só deixam o esqueleto do corpo de um leão morto, as "piranhas de Balcerowicz" levaram tudo e deixaram o povo soviético com prateleiras vazias. Não havia um artigo de consumo, de produtos alimentares ou de aparelhos domésticos que não foi exportado.

Ficamos a pensar como é que estes bens haviam desaparecido, pois a indústria, ao longo dos anos, continuou a produzir em toda sua capacidade.

O "Pravda de Leningrado" de 1992

"Na URSS, até 1990-1991, produzimos 38 metros de pano per capita. Isso representava 75% da produção mundial de linho, 16% de lã e 13% de seda. De acordo com dados oficiais do Estado, apenas 50% dos produtos de linho e 42% dos produtos de lã foram exportados. "

Mas estes números não levam em conta as exportações por particulares. Porque, como gafanhotos, eles exportavam tudo o que podiam comprar.

A URSS produziu 21,4% da produção mundial de manteiga (a população soviética era 4,88% da população mundial). A produção de manteiga continuou a aumentar, mas por causa das exportações, os bilhetes de racionamento foram introduzidos. Na União Soviética, a produção de manteiga per capita foi de 26% a mais do que na Grã-Bretanha. Sendo assim, não havia manteiga nas lojas soviéticos, mas era possível comprá-la na Grã-Bretanha, sem qualquer problema. Estranho, não é?

As estatísticas oficiais consideravam como consumida na URSS toda a manteiga e a carne que foram enviados para armazéns que abasteciam as mercearias. Para a compra de manteiga e carne, os passaportes não eram obrigatórios, e conseqüentemente, produtos adquiridos na URSS, ainda que exportados para além de suas fronteiras, foram considerados como contribuindo para o bem-estar do povo soviético. De fato, toneladas de carne e manteiga nem passaram pelas lojas de varejo e foram diretamente para armazéns no exterior por mar (em contêineres), por via terrestre (rodoviário e ferroviário) e via aérea.

Todas as estatísticas demonstram que o insaciável povo soviético devorou tudo sozinho.

No final dos anos 80 e início dos 90, tudo tinha desaparecido. Meias e geladeiras, televisores e chapas, papel e máquinas de lavar! O gafanhoto voardor tinha devorado tudo, as salsichas e os peixes, a semolina e o açúcar. Panelas de alumínio, sopa de tigelas e colheres foram exportados a baixo preço mesmo sendo material muito valioso que tinha passado por fases de produção que exigem uma grande quantidade de energia e polimento. Os insetos e os exportadores de madeira corroeram o outrora poderoso navio que era a economia soviética e a reduziu a pó.

E em 1991, ela entrou em colapso.


Tatiana Yakovleva

Tradução de Glauber Ataide
 
 

As “mãos amigas” que financiam a viagem de Yoani Sánchez pelo mundo



Por Por Luis Miguel Rosales no Cubadebate
O giro internacional da blogueira contrarrevolucionária cubana Yoani Sánchez, financiada por “mãos amigas” e pessoas que pagaram “coletas na Internet” para que nossa pobre blogueira, cujo humilde salário ultrapassa os 10 mil dólares mensais, possa desenvolver sua viagem de 80 dias por doze países, está pondo sobre o tapete ideias muito interessantes que demonstram quem está por trás desse giro.
Quis justificar sua visita ao Brasil, onde teve uma “não muito calorosa recepção” por parte de membros da solidariedade cubana, apresentados pela “pacífica e plural dissidente” como terroristas, como financiada por “amigos desinteressados”, quando realmente foi organizada e financiada pela embaixada norte-americana conjuntamente com os setores da direita brasileira e os grandes meios de imprensa opostos ao governo de Dilma Rousseff.
Agora ela não diz quem são os seus amigos que estiveram por trás de sua visita à República Tcheca, quando ela mesma se encarregou de difundir que sua estada nesse país europeu foi organizada e paga pela suposta ONG People in Need (PIN), organização criada e financiada pela Fundação Nacional para a Democracia instituição de fachada da CIA. Ela sempre teve ao seu lado um funcionário da PIN, entre eles Stanislav Skoda, editor do tema “Cuba” nessa instituição, Tomas Trampota e Ondrej Jurik.
Como exemplo da dependência da PIN à Fundação Nacional para a Democracia entre os anos de 2006 e 2011 segundo os informes anuais da instituição ianque, a PIN recebeu desta última 675.077 dólares para publicar artigos contra Cuba, organizar eventos anticubanos e dar assessoria, assistência técnica e material a grupos contrarrevolucionarios em Cuba. Parte importante do dinheiro recebido foi utilizada para financiar, através de emissários, os chamados dissidentes cubanos, em especial Yoani Sánchez.
Está sendo cumprido com este trabalho de bastidores da Fundação Nacional pela Democracia através da People in Need no que se refere a Yoani Sánchez, o que foi dito em sua “Estrategia 2012”, documento em que esta organização reconhece sem disfarces que um dos principais objetivos para o ano de 2012 e os subsequentes era “continuar e se possível incrementar seu apoio aos democratas em países como Cuba”. Causaria estranheza então que People in Need estivesse financiando a visita da superblogueira à República Checa e organizasse para ela uma intensa agenda de trabalho? Imagino que também tenha sido treinada por seus mentores para evitar decepções como no Brasil.
Mas não esperemos que a contrarrevolucionária vá reconhecer que a Fundação Nacional para a Democracia ou os que estão por trás desta organização – o governo norte-americano, são seus verdadeiros empregadores. Ela é tão “ingênua” ou crê que o mundo está cheio de ingênuos que engolem sem reclamar tudo o que ela diz e escreve ou lhe dizem e escrevem?
Em Praga, sob o manto da CIA, perdão, da People in Need, Yoani se encontrou com a outra estrela em ascensão da dissidência cubana, Eliécer Ávila, também em viagem pela Europa, financiada, segundo ele, por amigos que tem no Velho Continente. O encontro em terras Tchecas não foi casual, foi bem organizado e planificado pelos serviços especiais norte-americanos. É interessante que enquanto se reduziram as viagens dos europeus devido à crise econômica, os “perseguidos dissidentes” cubanos consigam coletas que lhes permitem realizar viagens que nenhum simples trabalhador europeu ou norte-americano pode fazer.
Foi uma visita “turística” bem cheia, como se pode ver pelas tuitadas enviadas por Yoani Sánchez, onde participou em vários eventos e foi inclusive recebida pelo chanceler tcheco. Quantos blogueiros no mundo podem obter tantos reconhecimentos?
Dentro de seu périplo por terras tchecas, “fez uma conferência” na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Carolina de Praga, intitulada “Os meios de comunicação e o jornalismo independente cubano”. Diferentemente do que ocorreu no Brasil, a conferência foi realizada em um lugar fechado, com apenas 50 participantes, entre os quais havia alguns amigos de Cuba que endereçaram a Yoani perguntas que esta, bem assessorada pela CIA, perdão, pela PIN, declinou responder deixando que Eliécer Ávila, muito mais preparado do que ela, se encarregasse de tratar de justificar o injustificável.
Ao que parece, a ideia é não deixar que Yoani continue expondo sua capacidade limitada de raciocinio quando está diante do público, momento em que se vê obrigada a dar respostas contraditórias, evasivas e breves, sem substância, o que evidencia que ela é mais do mesmo no espectro da contrarrevolução cubana.
A submissão de ambos os contrarrevolucionários a seus patrões sempre foi explícita. Nunca duvidaram de deixar bem claro seu agradecimento à embaixada Tcheca em Cuba por permitir-lhes ter acesso à Internet e por facilitar-lhes recursos (entenda-se, o dinheiro necessário para levar uma boa vida em Cuba e acesso livre à Internet) e assim desenvolver seu “enfrentamento” ao governo cubano.
Não nos estranha a “coincidência” de que ambos os contrarrevolucionáriios se reencontraram em Praga. Eliécer se converteu no apoio de Yoani em Praga, ele, muito mais preparado que ela, respondia tudo o que ela era incapaz de responder e ela era quem falava para a imprensa e a televisão tcheca, como o fez, com mais penas que glórias, na entrevista transmitida nos canais públicos da televisão tcheca CT-1 e CT-24, sem nenhum impacto fora do país e com pouca credibilidade interna.
Tampouco é coincidência que a Editorial Random House de “forma muito generosa” tenha assumido a responsabilidade pela publicação de “Havana Real” e “Cuba Livre. Viver e escrever em Havana”, ambos de Yoani Sánchez. Estamos falando de uma editora vinculada ao Pentágono e que por encargo do governo dos Estados Unidos publicou livros com o objetivo de demonizar governos como o da Venezuela, de Cuba e outros países que não se subordinem aos desígnios norte-americanos. Como uma total desconhecida” como Yoani tem acesso a esta editora? Quem financia isto? Certamente que os mesmos que estão financiando o giro da multipremiada blogueira. Em absoluto não são as pessoas simples que admiram a obra dessa grande fraude que é Yoani Sánchez.
O giro de Yoani se transformou em um verdadeiro circo, com uma estrela mediática que demonstrou não estar à altura do que querem seus patrões yanques. Estes veem desorientados como a “blogueira estelar” não é capaz de comportar-se em público quando é questionada, dando respostas que não são do agrado de seus patrões. É por isso que lhe criaram novos “Lazarillos de Tormes” (1), papel desempenhado na República Tcheca por Eliécer Ávila.
Agora no México seguem as diatribes de Yoani. Ela diz que, segundo suas próprias palavras, tomadas da agência EFE, ela é “…pró-Cuba, não tenho nenhuma relação com um governo de outro … Não vejo por que meu nome tem que estar vinculado a outro país, ao qual ademais tenho muitas críticas”. A quais críticas se refere Yoani Sánchez? Não me recordo de jamais ter lido em seu blog um post de apoio ao movimento Ocuppy Wall Street quando era brutalmente reprimido pela polícia; tampoco seus questionamientos pela existência de um centro de torturas na Base Naval de Guantânamo (exceto suas mornas palavras no Brasil). Acaso suas críticas são contra o bloqueio ou a favor da libertação dos Cinco Heróis? Na realidade, com críticas como estas não se chegará muito longe.
Como é possível que Yoani diga que não está ligada a nenhum governo estrangeiro? Então como é possível que tenha livre acesso às embaixadas da República Tcheca e da Suiça, onde tem libre acesso à Internet? Isso só se faz recebendo ordens de seus respectivos governos. Por acaso Yoani ignora que a Fundação Nacional pela Democracia responde diretamente ao governo dos Estados Unidos? Particularmente, não entendo como pode dizer isso, quando o próprio ex-chefe da Seção de Interesses Norte-americanos em Havana, Michael Parlmy, chegou a dizer que ficaria muito incomodado se aparecessem publicados por Wikileaks notícias que refletissem seus encontros com Yoani Sánchez. Por que tanto temor?
(1) Lazarillo de Tormes, originalmente intitulada La vida de Lazarillo de Tormes y de sus fortunas y adversidades é um romance espanhol anônimo, escrito em primeira pessoa e em estilo epistolar (como uma única e longa carta), cuja edição conhecida mais antiga data de 1554. A obra relata de um modo autobiográfico a vida de Lázaro de Tormes, no século 16, do seu nascimento e da sua mísera infância até o seu matrimônio, já na idade adulta. É considerada precursora da novela picaresca por elementos como o realismo, a narração em primeira pessoa, a estrutura itinerante entre vários amos e a ideologia moralizante e pessimista. Lazarillo de Tormes é um rascunho irônico e impiedoso da sociedade do momento, da qual mostra os seus vícios e atitudes hipócritas, sobretudo as dos clérigos e religiosos. (Wikipédia)

sábado, 16 de março de 2013

Um Francisco servidor da repressão?

 


Publicado originalmente em Carta Maior

O papel do cardeal Bergoglio no desaparecimento de religiosos foi confirmado por cinco testemunhas, há três anos, em depoimento ao jornalista Horácio Verbitsky, do jornal ‘Página 12’, de Buenos Aires. O novo Papa é acusado de ter retirado a proteção a sacerdotes procurados pela repressão militar. Ao comentar sobre o novo pontífice, a presidente da Associação das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, foi lacônica: "Só temos que dizer: Amém".



 
A Igreja Católica da Argentina "nunca se interessou" pela situação de 150 sacerdotes, religiosos, seminaristas e leigos católicos assassinados pela ditadura militar desse país. "Pelo contrário: ficou calada e nunca reclamou por eles", disse quarta-feira (13), na Itália, a presidente da Associação das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini. Sobre a escolha do novo pontífice, foi lacônica: "Sobre esse Papa, só temos que dizer: Amém".

O papel do cardeal Bergoglio no desaparecimento de religiosos foi confirmado por cinco testemunhas, há três anos, em depoimento ao jornalista Horácio Verbitsky, do jornal ‘Página 12’, de Buenos Aires. O novo Papa é acusado de ter retirado a proteção a sacerdotes procurados pela repressão militar: uma teóloga professora de catequese na diocese de Morón, o ex-superior de uma casa de padres, além de três vítimas da tortura (dois leigos e um sacerdote).

Dois meses após o golpe militar de 1976, o bispo de Morón, Miguel Raspanti, tentou proteger os padres Orlando Yorio y Francisco Jalics, e foi desautorizado por Bergoglio. Outro testemunho é o do padre Alejandro Dausa, que foi sequestrado em Córdoba, quando era seminarista; sofreu torturas durante seis meses. Dausa diz ter ouvido de Yorio e de Jalics que foram entregues à repressão pelo novo Papa.

Um relatório sobre esses crimes contra a humanidade foi encaminhado, à época, à Conferência Episcopal Argentina e permanece, até hoje, sem qualquer resposta. Essa denúncia denota o sentimento de perplexidade que domina os militantes de direitos humanos na Argentina, no Brasil e em todo o mundo, diante da eleição do cardeal portenho para o Pontificado Romano.

Sem resposta também se encontra, até agora, a carta que o advogado católico e líder dos direitos humanos Emilio Fermín Mignone (pai da jovem Mônica Maria Candelária, desaparecida política) encaminhou à direção da conferência dos bispos, que participava de um almoço em Buenos Aires, com um dos principais chefes da ditadura, general Jorge Rafael Videla.

Na carta, entregue a um dos bispos por um portador, Mignone critica os bispos pelo segredo e afirma que "o Povo de Deus deve ser bem informado". Como informa Horácio Verbitsky, do jornal ‘Página 12’, da Argentina, Videla confessou à Igreja Católica, em 1978, o que veio a público somente 34 anos depois: os presos desaparecidos foram todos assassinados.

Compensação
Essas denúncias que envolvem o novo papa o acompanharão aonde for. Por isso, comenta-se no Vaticano que Francisco poderá decidir beatificar alguns dos padres mortos pela repressão argentina. Essa seria, para alguns assessores do papa, uma saída conveniente para tentar acalmar os familiares das vítimas do genocídio cometido pelos golpistas no país vizinho.

sexta-feira, 15 de março de 2013

A Internacional Socialista de Venezuela e Cuba


A morte de Hugo Chávez virou para o povo cubano a “perda do melhor amigo em toda a sua história”. Esta opinião de Fidel Castro é compartilhada por muitos peritos, que preveem o advento de uma época difícil para a “Ilha da Liberdade”.

Durante a década passada Cuba tornou-se o principal aliado político e econômico da Venezuela, o que lhe ajudou muito a superar a fase mais aguda da crise, provocada pelo desmoronamento do campo socialista. No momento da morte de Chávez, Havana e Caracas colaboravam em dezenas de esferas da economia nacional e da indústria, assim como, na esfera humanitária. Dezenas de milhares de médicos e especialistas cubanos trabalham na Venezuela e esta última fornece todos os anos cerca de cem mil barris de petróleo para esta ilha. Por outro lado, Cuba não é tão desamparada assim, - afirma o vice-diretor do Instituto dos Países da América Latina Nikolai Kalashnikov.

"Existe a esperança de que futuramente o país consiga diminuir a sua dependência em relação aos fornecimentos do exterior. A Venezuela não lhe fornecia o petróleo de graça, mas por um preço privilegiado. Certamente, se estes fornecimentos forem cessados ou diminuídos, Cuba vai sofrer um golpe econômico rude. Quero ressaltar que estes fornecimentos começaram em 2004. Até então Cuba resolvia os seus problemas sem a ajuda aberta por parte da Venezuela. Afinal de contas, existem outros países que podem lhe prestar alguma forma de ajuda."

Para Cuba é muito importante que a bandeira do “chavismo” seja levantada se não por um político equivalente a Chávez, - no presente momento não se vê nenhum político deste quilate, - mas pelo menos por continuador fiel da sua causa. A candidatura mais próxima é o presidente interino da Venezuela Nicolás Maduro. Ele já prometeu que a Venezuela e Cuba sempre serão aliados. Ao mesmo tempo, a morte de Chávez fará cedo ou tarde as autoridades cubanas a empreender reformas. Fala novamente Nikolai Kalashnikov.
"Realiza-se uma transformação daquilo que existia na época em que a União Soviética prestava a Cuba “ajuda fraternal”. Agora os cubanos são forçados a adaptar-se a realidades. Por isso, em Cuba foi permitido o pequeno negócio particular e as companhias estrangeiras obtiveram acesso ao mercado cubano."
No entanto, o papel do Estado e da economia de planejamento continua em vigor. Pode-se afirmar, portanto, que por enquanto o socialismo em Cuba existe realmente.
Fala Boris Martynov, vice-diretor do Instituto dos países da América Latina, encarregado do trabalho científico.
"Cuba entrou no processo de uma reforma não radical e bastante prolongada. Os cubanos utilizam a experiência da Rússia pós-soviética. Não querem que se repita o “desabe” da década de 90, tanto mais que a vida dos cubanos já é bastante difícil. E aí um papel relevante coube à Venezuela que conseguiu substituir a União Soviética no mercado cubano de energia."
Apesar de tudo, as mudanças se dão. Este processo começou na época de gestão de Raúl Castro. Em abril de 2011 o congresso do Partido Comunista de Cuba aprovou um pacote de reformas, destinadas a tornar a economia local mais próxima da economia de mercado e mais aberta.