sexta-feira, 6 de setembro de 2013
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Esquema Siemens operou na administração de Aécio Neves, denuncia empresário
Em meio ao escândalo do chamado ‘propinoduto tucano’, denunciado pela Siemens, em que empresas fornecedoras de equipamentos e de serviços em trens e metrô nas gestões Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin superfaturaram R$ 577 milhões, o equivalente a 30% a mais do que os governos pagariam se não houvesse esquema, outros casos envolvendo a empresa igualmente estão sendo investigados, mas ainda permanecem ofuscados. Os fatos foram publicados no jornal mineiro Novo Jornal.
Leia, a seguir, os detalhes da denúncia:
Até 2005, repousou em uma gaveta do empresário catarinense Edson Maurício Brockveld um envelope lacrado de papel pardo. Em uma das faces do invólucro estão registradas cinco assinaturas de membros da Comissão Especial de Licitação dos Correios. Dentro, segundo ele, está a prova de que a corrupção na ECT começou, ou tinha prosseguimento, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso.
Dono da Brockveld Equipamentos e Indústria Ltda., o empresário esperou até 2005, ocasião da CPMI dos Correios para abrir publicamente o envelope. Seu objetivo era provar ter sido preterido em uma concorrência, em 2000, em favor de duas empresas estrangeiras, a alemã Siemens e a francesa Alstom, ambas com propostas supostamente superfaturadas.
Brockveld alega ter calculado em R$ 48 milhões o contrato de compra de equipamentos de movimentação e triagem de carga interna oferecido à ECT. A dupla vencedora cobrou quase o dobro. De quebra, diz o empresário, as escolhidas passaram a gerenciar outros três contratos no valor de US$ 100 milhões (R$ 230 milhões).
Em 22 de dezembro de 1999, a ECT abriu a concorrência internacional 016/99 para compra e manipulação de equipamentos de sistemas de movimentação e triagem interna de carga. Interessado no negócio, Edson Brockveld conta que, nos dois anos anteriores à licitação, desenvolveu, junto ao setor de engenharia dos Correios, diversos equipamentos e realizou testes em parceria com as empresas Portec e Buschman, ambas dos Estados Unidos.
Segundo ele, a pedido da diretoria da ECT, a Brockveld Equipamentos chegou a trazer engenheiros americanos para fazer as demonstrações e, assim, ganhar a confiança da direção da estatal. O presidente da empresa era Hassan Gebrin, ligado aos grupos políticos do então governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), e do ex- senador e ex-governador também do Distrito Federal José Roberto Arruda (PFL-DF).
A indicação havia sido avalizada pelo então ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Para garantir uma boa posição no processo licitatório, a Brockveld fez um consórcio com a japonesa NEC, uma das gigantes mundiais do setor de tecnologia de ponta. Pelo acordo, cada empresa seria responsável por um setor.
A empresa brasileira cuidaria do maquinário de movimentação postal e a NEC dos equipamentos de comunicação e segurança. Dois dias antes da licitação, no entanto, sem nenhum sinal prévio, conta Edson, o então diretor da NEC no Brasil, Marcos Sakamoto, informou à Brockveld que não poderia participar da licitação.
Alegou, segundo o empresário catarinense, atender a um pedido da direção da Siemens, que não queria a participação das duas empresas na licitação. No dia da abertura das propostas, Edson Brockveld diz ter sido diretamente convidado pelas empresas Mannesmann Dematic Rapistan, Siemens e Alstom a não participar da concorrência da ECT, pois estaria tudo certo que as duas últimas seriam as vencedoras da licitação.
Brockveld alega ter ignorado a oferta e participado, assim mesmo, do processo. No dia da licitação, o edital previa que fossem abertos os envelopes relativos à habilitação técnica e comercial. Porém, ao ser constatado que a Brockveld Equipamentos iria participar da licitação, e pelo fato de os concorrentes não saberem se a empresa estava ou não com os documentos em ordem, foi feita uma proposta à ECT de emissão de um parecer único da proposta técnica e de habilitação, em desacordo com o estabelecido no edital de licitação.
Feito isso, a Brockveld e a Mannesmann acabaram sumariamente inabilitadas tecnicamente. A Mannesmann imediatamente recorreu, mas teve o pedido indeferido. Ambas receberam, lacrados, os envelopes com as propostas de volta. Siemens e Alstom foram às escolhidas. Detalhe: a empresa francesa embolsou US$ 15 milhões e deu o cano na ECT, por este motivo foi processada pelos Correios e substituída em seguida, pela NEC.
Logo depois, a direção da Brockveld foi procurada pelas empresas vencedoras. Teriam pedido para que ela não entrasse com recurso administrativo. Em troca, os executivos da Siemens e da Alstom dariam parte do projeto para a perdedora. Ou seja, comprariam da empresa brasileira os equipamentos previstos no contrato.
Com a Alstom, o acordo foi assinado na noite do dia 23 de fevereiro de 2000. A empresa foi representada, segundo Edson Brockveld, por um diretor chamado Jean Bernard Devraignes. A Siemens, no entanto, esperou a data-limite para entrada de recurso, 24 de fevereiro de 2000, para assinar o acordo, em Brasília.
Naquele dia, para ter certeza de que tudo sairia conforme combinado, Hélcio Aunhão, diretor da Siemens, foi ao aeroporto da capital federal encontrar com Brockveld, então disposto a entrar com o recurso administrativo contra o resultado da licitação, o que nunca aconteceu. Depois de assinados os contratos, no entanto, as empresas vencedoras não honraram os acordos.
Edson Brockveld, então, esperou o momento certo de se vingar. A crise desencadeada a partir das denúncias de corrupção, justamente nos Correios, lhe pareceu à oportunidade ideal. O empresário foi ao Congresso Nacional para entregar toda a documentação sobre o caso a então senadora, hoje ministra Ideli Salvatti.
Disse a ela ter tomado a iniciativa de denunciar o caso cinco anos depois porque, impedido de participar da licitação e traído por empresas internacionais, achava que a CPMI dos Correios iria se interessar pelo caso. Por isso havia decidido ir pessoalmente ao Senado. Ele disse à senadora que, em princípio, não teria interesse em entrar em briga judicial contra a ECT, mas pretendia acionar a Siemens e a Alstom por quebra de contrato.
O diretor-regional de Vendas da Siemens no Brasil, Hélcio Aunhão, negou, na Sub-relatoria de Contratos da CPMI dos Correios, as acusações de que a empresa teria feito conluio com a Alston para que a Brockveld se retirasse da licitação do sistema de triagem interna de cargas dos Correios.
Aunhão confirmou ter assinado termos de intenção de compra de alguns equipamentos com a Brockveld, transação que, segundo Edson Maurício, serviria para compensar a empresa que se retirou, mas disse que a compra não foi realizada porque a empresa fornecedora não teria cumprido as condições estipuladas no contrato.
O sub-relator, então deputado federal, hoje Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, afirmou na audiência que a CPMI iria solicitar ao Ministério Público o aprofundamento da investigação sobre o caso.
O Ministério Público brasileiro obteve de autoridades da Suíça, este ano, a confirmação da existência de contas do operador do esquema junto ao Metrô de São Paulo, Roberto Marinho, no exterior. Agora, espera-se no MP a chegada de novas informações, vindas do Principado de Liechtenstein, vizinho à Suíça, de forma a rastrear o trânsito de grandes recursos no circuito de empresas e bancos do paraíso fiscal.
Segundo as autoridades o alimentador desse esquema seria a multinacional Alstom, que teria feito “acordo”, com os tucanos antes mesmo da Siemens e em relação ao Metrô de São Paulo, ou seja, no período que ocorreu às irregularidades no Correios, quando Pimenta da Veiga era Ministro das Comunicações de FHC.
Na multinacional alemã, o presidente no Brasil, Peter Loscher, foi afastado do cargo, numa responsabilização indireta sobre a gestão que teria participado de um cartel formado por 15 empresas, todas participantes de um esquema de pagamento de propinas aos tucanos.
Manga na carta
Ainda segundo o autor do texto, Marco Aurélio Carone, “os mineiros, desde o Império, têm sempre na manga uma carta, como agora que, enquanto o CADE vaza informações a respeito do ocorrido em São Paulo, os arquivos permanecem fechados em relação aos acontecimentos ocorridos em Minas Gerais, sob a guarda de Rutelly Marques da Silva, Conselheiro da Light indicado por Aécio Neves”, quando ainda ocupava o cargo de governador do Estado.
A” exemplo do ex-procurador de Justiça de Minas Gerais Fernando Antônio Fagundes Reis, Rutelly, no mínimo, exerce o cargo na concessionária em claro conflito de interesse. Depois de pesada crítica do MPMG, Fagundes Reis, por determinação do CNMP, optou pelo cargo na Light. Rutelly, nascido em 20 de janeiro de 1975, é Bacharel em Ciências Econômicas pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais e Mestre em Economia pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais. De 2003 a 2008, período que Aécio foi governador de Minas Gerais, exerceu o cargo de Assessor Técnico e Coordenador-Geral de Defesa da Concorrência e, posteriormente, de Coordenador-Geral de Energia da Secretaria de Acompanhamento Econômico, órgão do Ministério da Fazenda. Desde 04 de agosto de 2008 vem atuando como Secretário Adjunto desse mesmo órgão”, acrescenta o texto.
Ainda segundo o Novo Jornal, “numa entrevista para um programa de TV no auditório do Ibmec em São Paulo, Adilson Antônio Primo foi apresentado como o CEO que não fez MBA e que nunca foi demitido. Por quê? ‘Eu acho que a trajetória profissional acaba definindo os rumos que você toma dentro da empresa. Até agora, parece que não foi o rumo errado’, respondeu ele”. Dois anos depois, Primo foi demitido porque, segundo comunicado divulgado pela matriz na Alemanha, ‘foi descoberta uma grave contravenção das diretivas da Siemens na sede nacional, ocorrida antes de 2007′. A empresa nunca explicou o que quis dizer com ‘grave contravenção’, mas deixou vazar a informação de que Primo teve seu nome envolvido em um suposto desvio de dinheiro, ocorrido entre 2005 e 2006, que lhe teria rendido 6,5 milhões de euros”.
“Como CEO da Siemens, Adilson Primo também frequentava os eventos políticos e sociais. Não faltava aos encontros com autoridades, como ocorreu em julho de 2011, quando ele e o governador tucano Antonio Anastasia, de Minas Gerais, selaram com as mãos colocadas umas sobre as outras, como fazem os jogadores de futebol antes de entrarem em campo, o acordo para a construção de uma fábrica da Siemens em Itajubá, no sul do Estado. Já sem a presença de Primo no comando da Siemens, a empresa anunciou a desistência do projeto. O motivo seria a crise européia. Mas Adilson Primo foi para Itajubá, cidade que tem menos de 100 mil habitantes e é famoso no município por ocupar uma nova secretaria, encarregada entre outras atividades de conduzir a elaboração do novo Plano Diretor”, afirma.
Fonte: Correio do Brasil
Carta aos médicos cubanos
Enviado por Miguel Gonçalves Trujillo Filho
David Oliveira de Souza
Bem-vindos, médicos
cubanos. Vocês serão muito importantes para o Brasil. A falta de médicos
em áreas remotas e periféricas tem deixado nossa população em situação
difícil. Não se preocupem com a hostilidade de parte de nossos colegas.
Ela será amplamente compensada pela acolhida calorosa nas comunidades
das quais vocês vieram cuidar.
A sua chegada responde a
um imperativo humanitário que não pode esperar. Em Sergipe, por
exemplo, o menor Estado do Brasil, é fácil se deslocar da capital para o
interior. Ainda assim, há centenas de postos de trabalho ociosos, mesmo
em unidades de saúde equipadas e em boas condições.
Caros colegas de Cuba, é
correto que nós médicos brasileiros lutemos por carreira de Estado,
melhor estrutura de trabalho e mais financiamento para a saúde. É
compreensível que muitos optemos por viver em grandes centros urbanos, e
não em áreas rurais sem os mesmos atrativos. É aceitável que parte de
nós não deseje transitar nas periferias inseguras e sem saneamento. O
que não é justo é tentar impedir que vocês e outros colegas brasileiros
que podem e desejam cuidar dessas pessoas façam isso. Essa postura nos
diminui como corporação, causa vergonha e enfraquece nossas bandeiras
junto à sociedade.
Talvez vocês já saibam
que a principal causa de morte no Brasil são as doenças do aparelho
circulatório. Temos um alto índice de internações hospitalares sensíveis
à atenção primária, ou seja, que poderiam ter sido evitadas por um
atendimento simples caso houvesse médico no posto de saúde.
Será bom vê-los
diagnosticar apenas com estetoscópio, aparelho de pressão e exames
básicos pais e mães de família hipertensos ou diabéticos e evitar,
assim, que deixem seus filhos precocemente por derrame ou por infarto.
Será bom vê-los
prevenindo a sífilis congênita, causa de graves sequelas em tantos bebês
brasileiros somente porque suas mães não tiveram acesso a um médico que
as tratasse com a secular penicilina.
Será bom ver o alívio
que mães ribeirinhas ou das favelas sentirão ao vê-los prescrever
antibiótico a seus filhos após diagnosticar uma pneumonia. O mesmo vale
para gastroenterites, crises de asma e tantos diagnósticos para os quais
bastam o médico e seu estetoscópio.
Não se pode negar que
vocês também enfrentarão problemas. A chamada "atenção especializada de
média complexidade" é um grande gargalo na saúde pública brasileira. A
depender do local onde estejam, a dificuldade de se conseguir exame de
imagem, cirurgias eletivas e consultas com especialista para casos mais
complicados será imensa. Que isso não seja razão para desânimo. A
presença de vocês criará demandas antes inexistentes e os governos serão
mais pressionados pelas populações.
Para os que ainda não
falam o português com perfeição, um consolo. Um médico paulistano ou
carioca em certos locais do Nordeste também terá problemas. Vai precisar
aprender que quando alguém diz que está com a testa "xuxando" tem, na
verdade, uma dor de cabeça que pulsa. Ou ainda que um peito "afulviando"
nada mais é do que asia. O útero é chamado de "dona do corpo". A dor em
pontada é uma dor "abiudando" (derivado de abelha).
Já atuei como médico
estrangeiro em diversos países e vi muitas vezes a expressão de alívio
no rosto de pessoas para as quais eu não sabia dizer sequer bom dia
--situação muito diferente da de vocês, já que nossos idiomas são
similares.
O mais recente argumento
contra sua vinda ao nosso país é o fato de que estariam sendo
explorados. Falou-se até em trabalho escravo. A Organização
Pan-americana de Saúde (Opas) com um século de experiência, seria
cúmplice, já que assinou termo de cooperação com o governo brasileiro.
Seus rostos sorridentes
nos aeroportos negam com veemência essas hipóteses. Em nome de nosso
povo e de boa parte de nossos médicos, só me resta dizer com convicção:
Um abraço fraterno e muchas gracias.
DAVID OLIVEIRA DE SOUZA,
38, é médico e professor do Instituto de Pesquisa do Hospital
Sírio-Libanês. Foi diretor médico do Médicos Sem Fronteiras no Brasil
(2007-2010)
“Os brasileiros podem esperar o melhor dos médicos cubanos”, afirma cônsul
Do MAB
“Os brasileiros podem esperar o melhor dos médicos cubanos que estão
chegando. São profissionais extremamente bem preparados, todos com mais
de 15 anos de experiência, que já estiveram em missões em outros
continentes, como África e Ásia. São profissionais que atuaram em
momentos de crise, em locais atingidos por terremotos, por exemplo. E,
acima de tudo, são pessoas preparadas para atuar na prevenção, no
cuidado com a saúde na atenção básica e para estar muito próximos do
cotidiano das comunidades que mais precisam. Digo à população brasileira
que pode contar com o carinho e a solidariedade dos médicos cubanos
para cuidar de sua saúde”.
A afirmação é do cônsul de Cuba em São Paulo, Alexander Cañede,
referindo-se à chegada dos médicos cubanos para atuar no Programa Mais
Médicos do governo federal.
Junto com mais de três mil pessoas vindas de todo o Brasil, Cañede
participou da abertura do Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos
por Barragens, na segunda-feira, 2 de setembro, em Cotia, São Paulo.
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), assim como os demais
movimentos sociais do campo ligados à Via Campesina, e movimentos
sindicais e populares urbanos, apoia a vinda dos profissionais médicos
cubanos, por entender que a necessidade de mais médicos no campo,
pequenos municípios e periferias das cidades é muito grande.
A presença do cônsul foi saudada pelos presentes ao Encontro do MAB, que
salientaram a importância da solidariedade entre os povos no avanço das
demandas populares. A militante do MAB Cida Lessa, atingida pela
barragem de Manso, em Mato Grosso, que acaba de se formar em engenharia
em Cuba, falou em nome de todos os brasileiros que estudam naquele país.
“Desejo as boas vindas a todos os médicos cubanos que irão contribuir
com a saúde da classe trabalhadora aqui no Brasil”, afirmou.
O cônsul cubano também comentou a relevância do Encontro Nacional do
Movimento dos Atingidos por Barragens. “Apoiamos completamente o evento e
a discussão da geração de energia com soberania dos povos, com
igualdade de acesso, defesa do meio ambiente e, principalmente, da vida e
da dignidade humanas”, afirmou. Ele lembrou de um discurso de Fidel
Castro à época da Eco 92, há 21 anos, quando o então presidente cubano
afirmou que o desenvolvimento dos países não pode se sobrepor à vida.
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