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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Sociedade civil se articula por assinaturas para reforma política



Dirigentes dos movimentos sociais, das igrejas e da sociedade civil como um todo vão intensificar, neste fim de semana, as suas articulações para a coleta de 1,5 milhões de assinaturas de eleitores em situação regular para apoio ao Projeto de Lei nº 6316 de 2013, que já está depositado na Câmara dos Deputados. 



Os dirigentes dos movimentos sociais, das igrejas e da sociedade civil como um todo vão intensificar, neste fim de semana, as suas articulações para a coleta de 1,5 milhões de assinaturas de eleitores em situação regular para apoio ao Projeto de Lei nº 6316 de 2013, que já está depositado na Câmara dos Deputados.

O presidente da Câmara, deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) prometeu ao presidente da CNBB, d. Raimundo Damasceno, que se empenhará para que o projeto seja incluído na pauta ainda este ano, para que possa estar aprovado antes das eleições gerais de 2014.

Entre os apoiadores do primeiro texto protocolado na Câmara Federal estão personalidades diversas como Luiza Erundina, Arcelino Popó, Antônio Brito, Nilmário Miranda, Romário, Ronaldo Caiado, Vicentinho e Stepan Nercessian.

A Igreja Católica recebeu a sugestão de políticos que apoiam o projeto para que aproveitem a festa do círio de Nazaré que será realizada em Belém/PA, na terceira semana de outubro próximo, para a coleta de assinaturas. Nesse período, costumam participar da festa milhares de romeiros.

Fonte: Carta Maior

“Superpotência moral”? Dá um tempo.


É impossível afirmar que os Estados Unidos, país responsável pela maior parte do derramamento de sangue desde a Segunda Guerra Mundial na Ásia, América do Sul, Afeganistão e Iraque, seja dirigido por considerações morais. O ataque a Síria seria um Iraque II. Os EUA – que nunca foram punidos pelas mentiras do Iraque I e pelas centenas de milhares de mortos em vão nessa guerra - dizem que uma guerra similar deveria ser lançada. Mais uma vez, uma cortina de fumaça.





Um exercício de honestidade (e de duplo padrão de julgamento): o que aconteceria se Israel usasse armas químicas? Os Estados Unidos também afirmariam que iriam atacar? E o que aconteceria se os Estados Unidos mesmo tomasse essas medidas? É verdade, Israel jamais usaria armas de destruição em massa, embora as tenha em seu arsenal, exceto sob circunstâncias extremas. Mas o país já usou armas proibidas pelo direito internacional – fósforo branco contra a população civil em Gaza, bombas de fragmentação no Líbano – e o mundo não levantaria o seu dedo. E seria preciso poucas palavras para descrever as armas de destruição em massa usadas pelos Estados Unidos, das bombas nucleares no Japão ao Napalm no Vietnã.

Mas a Síria, é claro, é um outro assunto. Afinal de contas, ninguém pode seriamente pensar que um ataque a Síria sob o regime do Presidente Bashar Assad repousa em considerações morais. 100 000 mortos nesse país infeliz não convenceram o mundo a se coçar para tomar uma atitude, e apenas o informe da morte de 1400 por armas químicas – o qual não foi provado de maneira conclusiva – está persuadindo o exército da salvação mundial a agir.

Tampouco alguém poderia suspeitar que a maioria dos israelenses que apoiam o ataque – 67% de acordo com a pesquisa encomendada pelo jornal Israel Hayom – são motivados pela preocupação com o bem estar dos cidadãos sírios. No provavelmente único país do mundo em que uma maioria da opinião pública apoia um ataque, o princípio que o orienta é completamente estrangeiro: ataque aos árabes; não importa por que, apenas o quanto – muito.

Ninguém pode seriamente pensar que os Estados Unidos é uma “superpotência moral”, como Ari Shavit o definiu nas páginas deste jornal O país responsável pelo maior derramamento de sangue desde a Segunda Guerra Mundial – alguns falam em algo como 8 milhões de mortos em suas mãos – no sudeste da Ásia, na América do Sul, Afeganistão e Iraque – não pode ser considerado “uma potência moral”. Nem o pode o país no qual um quarto dos prisioneiros do mundo estão encarcerados, em que o percentual de prisioneiros é maior do que na China e na Rússia; e onde 1342 pessoas foram executadas – cumprindo pena de morte – desde 1976.

Até a afirmação de Shavit, de que “A nova ordem internacional que emergiu após a Segunda Guerra Mundial foi pensada para assegurar...que o cenário de horror e morte por gás não se repetisse” está desconectado da realidade. Na Coréia, no Vietnã, no Camboja, em Ruanda e no Congo, assim como na Síria, essa afirmação infundada pode somente causar um sorriso azedo.

O ataque assim seria um Iraque II. Os Estados Unidos – que nunca foram punidos pelas mentiras do ataque Iraque I e pelas centenas de milhares de mortos em vão nessa guerra - dizem que uma guerra similar deveria ser lançada. Mais uma vez, uma cortina de fumaça, com evidência parcial, e com linhas vermelhas traçadas pelo próprio presidente Barack Obama, e agora ele é obrigado a manter a sua palavra. Na Síria, uma guerra civil cruel se aproxima e o mundo deve tentar barrá-la; o ataque americano não fará isso.

Informes da Síria são aparentemente sobretudo tendenciosos. Ninguém sabe o que exatamente está acontecendo, ou a identidade dos mocinhos e dos bandidos, se assim podem eles ser definidos.

Devíamos escutar as sábias palavras de uma freira da Síria, a Irmã Agnes-Mariam de la Croix, que se queixou para mim, ao longo do fim de semana – do mosteiro em Jerusalém onde ela estava ficando, a caminho de volta da Malásia para a Síria – a respeito da imprensa mundial. A Irmã Agnes – Mariam descreveu o quadro de maneira diferente da maior parte da imprensa. Há uns 150 000 jihadistas na Síria, ela diz, e eles são os responsáveis pela maior parte das atrocidades. O regime de Assad é o único que pode barrá-los, e a única coisa que o mundo deve fazer é parar de fornecer-lhes militantes e de armá-los. “Eu não entendo o que o mundo quer. Ajudar a Al-Qaeda? Criar um estado jihadista na Síria?”.

Essa madre superiora, cujo mosteiro está localizado numa via que vai de Damasco a Homs, está certa de que um ataque americano só fortalecerá os jihadistas. “É isso o que o mundo quer? Um outro Afeganistão?”.

Talvez o mundo saiba o que quer, talvez não. Mas uma coisa agora parece clara: um outro ataque dos Estados Unidos poderá se tornar um outro desastre.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior

Brasil poderá mediar diálogo entre governo colombiano e o ELN




De acordo com o porta-voz da comissão de facilitação para um eventual diálogo entre o Governo da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional (ELN), Jaime Bernal Cuéllar, diversos países se ofereceram para mediar o processo de diálogo com a segunda maior guerrilha do país, entre eles Brasil. De acordo com declarações dadas nesta segunda-feira (23), os demais países que se propuseram a cooperar neste sentido são do Uruguai, Costa Rica, Brasil, Venezuela e Cuba.




Desde outubro de 2012 o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (Farc-EP) mantêm, em Havana, uma mesa de diálogos mediada pelos governos de Cuba, Noruega, que são fiadores do processo e Chile e Venezuela, que são acompanhantes.



“Há países que fizeram manifestações como Costa Rica, Cuba, Venezuela e Brasil”, disse Cuéllar à Caracol Radio, como informou a agência Infolatam, embora também tenha explicado que desconhece “o tempo, a agenda, a metodologia e o lugar” que o Governo planeja executar a ação.

No início de setembro, o vice-presidente colombiano, Angelino Garzón, declarou que os diálogos de paz entre o governo e o ELN, que segundo dados governamentais conta em suas fileiras com cerca de 1,5 mil combatentes, estava próximo.

Segundo declarações dadas por ele na ocasião, o processo não deve ocorrer em Havana, onde são celebradas as reuniões com as Farc-EP. Há uma forte especulação de que o Uruguai seja mediador do processo classificado pelo presidente José Pepe Mujica como “o mais importante hoje na América Latina”.

Nesse sentido, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, se reunirá nesta segunda (23) com Mujica, em Nova York, onde ambos participam da Assembleia geral da ONU, para tratar a participação do Uruguai em eventuais diálogos com o ELN e com as Farc.

O ELN libertou no final de agosto o geólogo canadense Gernot Wobert, e reiterou sua intenção de iniciar um diálogo de paz com o Governo. A libertação do canadense era uma condição fixada por Santos para pensar em um processo de paz similiar ao realizado com as Farc.

Da Redação do Portal Vermelho,
com informações da Infolatam

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Às vésperas de uma guerra obscena


Navia da frota dos EUA no Mediterrâneo, equipada com mísseis Tomahawk e deslocada para as proximidades da Síria na quinta-feira (29/8)
Navia da frota dos EUA no Mediterrâneo, equipada com mísseis Tomahawk e deslocada para as proximidades da Síria na quinta-feira (29/8)
Aliados a monarquias medievais, EUA querem ampliar seu poder geopolítico no Oriente Médio: eis o real motivo da escalada contra Damasco 


Por Tariq Ali, no London Review of Books | Tradução: Vinícius Gomes
O objetivo da “guerra limitada” organizada pelos EUA e seus vassalos europeus é simples. O regime sírio estava lentamente restabelecendo seu controle sobre o país, contra a oposição armada pelo Ocidente e seus Estados tributários na região (Arábia Saudita e Qatar). Essa situação exigia correção. Nessa deprimente guerra civil, era preciso fortalecer militar e psicologicamente a oposição.
Desde quando Obama afirmou que as armas químicas era a “linha-limite”, era claro que elas seriam utilizadas. Cui prodest? como costumavam perguntar os romanos. Quem se beneficia? Claramente, não o regime sírio.
Há várias semanas, dois jornalistas do Le Monde já tinham descoberto as armas químicas. A questão é: de fato foram usadas, quem as lançou? O governo Obama e seus seguidores gostariam que acreditássemos no seguinte enredo: Assad permitiu que os inspetores de armas químicas da ONU entrassem na Síria; então, anunciou a chegada deles lançando um ataque de armas químicas contra mulheres e crianças, a mais ou menos 15 quilômetros do hotel onde estavam hospedados. Isso simplesmente não faz sentido. Quem, então, cometeu a atrocidade?
No Iraque, sabemos que foram os EUA a utilizar “fósforo branco” em Fallujah, em 2004 (não havia “linhas-limites” exceto aquelas traçadas no chão por sangue iraquiano). Portanto, a justificativa é tão turva quanto nas guerras anteriores.
Desde a invasão e guerra no Iraque, o mundo árabe está dividido entre sunitas e xiitas. Apoiando a invasão à Síria estão dois velhos conhecidos: Arábia Saudita e Israel. Ambos querem o regime do Irã destruído. Os sauditas, por disputas de facção; os israelenses, por estarem desesperados para acabar com o Hezbollah. Esse é o grande objetivo que têm em mente e Washington, após resistir por um tempo, está voltando a considerá-lo. Bombardear a Síria é o primeiro passo. (…)
Os iranianos reagiram fortemente e ameaçaram retaliação apropriada. Pode ser um blefe, mas o que isso revela é que até o novo líder “moderado”, prestigiado pela mídia ocidental, assumiu posição não distinta à de Ahmadinejad. Teerã compreende bem o que está em jogo e por quê. Cada uma das intervenções ocidentais no mundo árabe e seus arredores tornou as condições piores. Os ataques que estão sendo planejados pelo Pentágono e suas filiais na OTAN provavelmente terão o mesmo padrão.
Enquanto isso, no Egito, um Pinochet árabe está restaurando a “ordem” da velha maneira violenta já consagrada e com o apoio dos líderes, ligeiramente constrangidos, do conglomerado EUA/Europa.