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domingo, 13 de março de 2016

Chávez e sua obra serão sempre uma referência para as FARC-EP


12.03.2016

Comemoramos hoje o terceiro aniversário da partida do Comandante e Presidente Eterno da República Bolivariana de Venezuela, Hugo Rafael Chávez Frías, personagem histórico de estatura universal, por cuja dolorosa ausência todos os povos do mundo choram.
José Martí tinha assinalado que Bolívar tinha ainda muito o que fazer na América, porém se necessitou de mais de um século, desde a morte do profeta, para que o povo de Venezuela, após ouvir outra vez seu juramento através da boca do bravo campino Hugo Chávez, se levantasse decidido a segui-lo numa nova campanha libertadora que sacudiria até o último rincão do continente.
Chávez, após tentar tomar o céu por assalto naquele 4 de fevereiro de 1992, inspirado pela rebeldia dos venezuelanos contra as imposições do grande capital transnacional, se converteria, com o passar dos anos, no único Presidente da República ratificado por quase duas dezenas de eleições. E em líder indiscutível da justa causa dos povos por justiça, liberdade e democracia, contra o neoliberalismo, a discriminação e a violência imperialista.
Sua presença humana e política chegaria acompanhada da esperança, justo quando, após a derrocada do modelo socialista europeu, os cantos de sereia convidavam à rendição de todas as lutas por um mundo melhor. Nossa América começaria, graças a ele, a protagonizar novamente a marcha pela soberania e dignidade, num florescimento irreprimível que integrou suas raízes históricas ao mais maduro do pensamento econômico e social criado pela humanidade.
Enfrentado ao ódio do grande capital e das oligarquias, Chávez superou todas as emboscadas apelando sempre à consciência dos mais humildes e esquecidos. A imensa força de seu povo e sua solidariedade para com os oprimidos fizeram de sua pátria o exemplo de moral e civilização sonhado pelo Libertador. A três anos de sua morte, os todo-poderosos inimigos dos povos se investem furiosos sobre sua obra e paradigma, obcecados em derrubá-los de qualquer jeito.
Vergonhosos planos e tenebrosas manobras, incluída aquela de considerar a Venezuela como um perigo para a segurança nacional dos Estados Unidos, se somam à campanha reacionária da ultra direita mundial e continental, que pretende destruir o projeto bolivariano com a guerra econômica e a desestabilização institucional. Epígono de Bolívar e Chávez, o governo de Nicolás Maduro se defende com um valor digno de toda solidariedade e apoio. Venezuela não está só.
As FARC-EP integramos a Hugo Chávez Frías e seu legado histórico em nossas mais importantes referências. O talento estratégico do Presidente Chávez haveria de determiná-lo a dedicar ingentes esforços à tarefa de alcançar para a Colômbia a solução política à sua longa confrontação interna. Se, por obra de sua gestão, a paz em nosso país se igualou à paz do continente, nos corresponde dizer com modéstia que só a paz em todo o continente pode tornar possível a paz em Colômbia.
Reservamos para Hugo Chávez, Nicolás Maduro e o povo de Venezuela os mais fraternos agradecimentos pela generosidade e disposição demonstradas amplamente nos fatos, apesar de sua abnegada discrição, para tornar possíveis as conversações de paz que promovemos em Havana com o governo da Colômbia. Estamos convictos de que os filhos de Bolívar não se encontram somente em Venezuela, mas sim em Colômbia, em toda Nossa América e no mundo inteiro.+

SECRETARIADO DO ESTADO-MAIOR CENTRAL DAS FARC-EP
5 de março de 2016


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quarta-feira, 9 de março de 2016

De olho nas eleições, ofensiva contra o movimento sindical vem aí


publicado em 09 de março de 2016 às 20:33
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7 de Março de 2016 – 17h37
Ataques ao movimento sindical à vista
Antônio Augusto de Queiroz*, no Vermelho
O movimento sindical precisa se preparar para enfrentar a campanha de desqualificação que as forças conservadoras estão articulando com o propósito de enfraquecê-lo e desmoralizá-lo como força política e também como instrumento de representação legítima da classe trabalhadora.
O propósito de desqualificar o movimento, enquanto força política, é o de neutralizar a capacidade de influência das entidades sindicais no processo eleitoral, especialmente após o fim do financiamento empresarial de campanha, que faz de entidades associativas, com poder de mobilização e liderança sobre determinadas classes, um ativo fundamental nesse novo contexto político.
Para atingir esse objetivo vão utilizar a grande imprensa, o Ministério Público e o Congresso.
A imprensa será a responsável por publicar denúncias envolvendo entidades e lideranças sindicais.
O Ministério Público será acionado para fiscalizar e auditar as entidades, especialmente em relação ao uso dos recursos oriundos da contribuição sindical compulsória.
E o Congresso para instalar Comissões Parlamentares de Inquéritos para expor negativamente ou criminalizar a atividade sindical.
Já o questionamento da representação classista tem por objetivo enfraquecer as entidades e suas lideranças, tanto no enfrentamento às mudanças no mundo do trabalho – como a flexibilização da legislação, a terceirização na atividade-fim e a pejotização – quanto nos processos de livre negociação, já sem a prevalência da lei sobre o acordo ou convenção coletiva.
Para reduzir a resistência das entidades sindicais às mudanças na legislação vão se valer – além da tática de amedrontar os trabalhadores com o fantasma da crise econômica e do elevado desemprego – de personagens como Ives Gandra Filho, atual presidente do Tribunal Superior do Trabalho, de ministros bem posicionados no Governo, como Kátia Abreu, no Ministério da Agricultura, e Armando Monteiro, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além da forte bancada empresarial no Congresso.
No caso do TST, a tática passa por mudanças nos enunciados do tribunal, como o que trata da indenização por dano moral. No caso dos ministros, a proposta é pressionar o Governo por mudanças nas Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, sob o fundamento de que dificultam a produtividade e a competitividade das empresas.
E no Congresso passa por apresentar projetos de lei mudando a CLT, emendas a medidas provisórias com essa finalidade e projetos de decreto legislativo sustando portarias e normas regulamentadoras que criem obrigação para o empregador.
Portanto, o argumento central para mudança na legislação será de que, na recessão, as empresas só poderão preservar os empregos se liberadas do cumprimento de algumas obrigações trabalhistas.
Assim, na lógica traçada, a entidade sindical que não concordar com mudanças que permitam ao trabalhador abrir mão de alguns direitos, ainda que temporariamente, estará indo contra o interesse do empregado, porque forçará a sua demissão.
Em relação às entidades e lideranças, o argumento é de que as entidades arrecadam compulsoriamente de seus representados e não os representam adequadamente, além de desviar recursos para finalidades alheias à defesa do trabalho, como supostamente nepotismo, regalias, super-salários e uso da estrutura para fins políticos eleitorais, entre outros.
As lideranças sindicais, para fazer esse enfrentamento, precisam ter clareza de que as entidades sindicais são uma das principais conquistas do processo civilizatório, de um lado, porque contribuem para distribuir renda de forma pacífica, e, de outro, porque organizam e dão suporte político e associativo aos trabalhadores.
Precisam, igualmente, ter a convicção de que a instituição sindical, como instrumento de defesa dos direitos e interesses da coletividade, em geral, e da classe trabalhadora, em particular, é um dos pilares da democracia e dispõe de uma série de poderes e prerrogativas que a credencia como um ator relevante no cenário político, econômico e social do país.
Entre esses poderes e prerrogativas das entidades sindicais, destacam-se: 1) o poder de estabelecer ação regulatória por via dos instrumentos normativos, 2) a força de restringir ou condicionar a liberdade patronal na contratação e definição de condições de trabalho, 3) a garantia de autotutela do próprio interesse, 4) o reconhecimento de certo poder extra-legal, como os fixados em acordos e convenções coletivas que celebra, os quais têm força de lei, 5) o poder de atuar como substituto processual, e 6) a prerrogativa de ingressar no Supremo Tribunal Federal com ação direta de inconstitucionalidade.
Logo, não podem as lideranças sindicais, em hipótese alguma, prescindir desse instrumento de defesa dos direitos e interesses da classe trabalhadora.
A continuidade dessa instituição, entretanto, depende de credibilidade e legitimidade de seus dirigentes, cuja missão é representar, organizar, mobilizar, defender os direitos e interesses e educar o trabalhador para a cidadania.
Assim, para que as forças conservadoras não encontrem eco em seu discurso, é fundamental que as entidades sindicais sempre se pautem por boas práticas no exercício dos poderes e prerrogativas legais e extra-legais inerentes a elas.
Essa é a condição para a preservação e fortalecimento dessa conquista importante do processo civilizatório, que é a organização do movimento sindical.
*Jornalista

Racismo é crime e devemos combatê-lo todo dia...

10.03.2016 | Fonte de informações: 

Pravda.ru

Racismo é crime e devemos combatê-lo todo dia.... 23937.jpeg

"Um dia um homem branco me falou, que no Brasil não tem branco... mas quando olho em todo canto, eu vejo o branco dominando..."


Giovane Sobrevivente
Poeta e Ativista Cultural

Por: Valdeck Almeida de Jesus (*)
Posso começar este texto com as afirmações "sou racista, sexista, machista, homofóbico, gordofóbico, xenófobo, intolerante religioso...", pois vivo em um país de desigualdades e de discriminações e aprendi na infância, na adolescência e juventude, através do discurso dominante, inconscientemente, a negar a existência dessas desigualdades e discriminações. Também posso começar o mesmo texto dizendo que estou em processo de educação ao participar de debates, mesmo quando fico somente ouvindo, calado; quando vou a eventos onde se discute a desconstrução de toda e qualquer forma de discriminação e dou, apenas, pequenas contribuições.

Nesse sentido convido a todos os brancos e brancas, meus conhecidos ou não, a se irmanarem num grande debate sobre a humanidade negra, pra fazer um exame de consciência sobre o assunto, expor suas ideias e pensamentos, participar da luta contra os privilégios. É hora de cada um dos privilegiados começar a abrir corações e espaços de poder para que o debate seja posto, incluindo, certamente, recortes de raça, gênero e expressão sexual. Cito aqui grupos que poderão se sentir incluídos nesse chamado: juízes, advogados, delegados, deputados, senadores, vereadores, gestores públicos, governantes, prefeitos, presidentes, comando das polícias, jornalistas, escritores, artistas, empresários etc.

Não se deve calar diante das injustiças e desrespeitos praticados contra irmãos e irmãs negros e negras, contra minorias sexuais, contra mulheres. O momento é crucial e as bases precisam ser abaladas para que todos e todas sejam incluídos nos espaços de poder e protagonismo. É necessário que os portadores de privilégios façam exame de consciência e apoiem as lutas de minorias por afirmação e empoderamento.

Aqueles que não têm amadurecimento suficiente para se engajarem numa luta mais qualificada, podem auxiliar de outras formas. Afinal, sempre tem algo que se pode fazer. A empatia é o primeiro exercício necessário, se colocar no lugar do outro, tentar compreender as razões, ouvir, atentamente, o outro, e se permitir a escuta silenciosa, atenciosa, para o aprendizado que pode, também, advir desse processo, e se educar, e se empoderar para se desnudar dos preconceitos e das visões deturpadas de mundo.

Estou nesse processo de aprendizado, de compreensão do meu papel perante todo esse cenário de crimes, e estou tomando consciência de que sou um privilegiado por ter a pele branca. E não adianta apelar que tenho mãe índia e avó negra, que nos Estados Unidos sou considerado negro, pois no Brasil as portas se fecham somente para quem tem pele negra, fenótipo negro. Já passei por discriminações por ter nascido e crescido em uma favela, mas atualmente não passo mais por isso; ainda sou vítima de outros tipos de discriminações, que não vem ao caso descrevê-las aqui. Mas não sofro e nem sei o que é sentir a mesma discriminação que sente quem tem a pele negra, de quem mora na periferia por amor ou falta de opção, de quem é mulher, de quem é gordo, de tantos outros tipos horríveis de discriminação. Mas posso me irmanar, me permitir entender, compreender, perceber que o outro tem os mesmos direitos que eu, e labutar junto para que ele tenha acesso ao que lhe é de direito.

Ainda que eu me irmane, continuo sendo um privilegiado por causa da pele branca e sinto vergonha, principalmente, por não ser parado em blitz e não ser seguido nos corredores de lojas e supermercados, o que é feito descaradamente por autoridades desse país, as mesmas autoridades que deveriam proteger seus cidadãos; me solidarizo com a luta contra o racismo e toda espécie imunda de discriminação. Ojerizo os assassinatos praticados contra jovens negros e negras de todas as periferias do Brasil, não importam os motivos, todo cidadão tem direito à vida. Condeno o machismo, sexismo, homofobia, lesbofobia, transfobia, gordofobia etc. Não posso falar por meus irmãos e irmãs nem dizer o que devem fazer, mas me coloco à disposição, no apoio e lado a lado na luta. Outros amigos de pele branca, também privilegiados, podem e devem se perfilar nesse apoio, e usar de seus lugares de fala, dos microfones, das redes sociais, salas de aula, local de trabalho, onde quer que estejam, para mudar esse cenário de desigualdades.

Quem não tem intimidade com microfones ou desenvoltura diante de plateias, pode ajudar de outras formas. E maneiras de apoiar não faltam. Coloque seus pensamentos no papel, em forma de poema, crônica ou artigo, mesmo que você não seja de pronto compreendido e que perca amigos. O que não vale é fazer de conta que o país é cordial e que não existem diferenças e discriminações. O preço da omissão é alto demais e machuca muito. A hora é de combate a todo e qualquer tipo de discriminação e desrespeito aos Direitos Humanos.+
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(*) Valdeck Almeida de Jesus é jornalista, poeta, escritor ativista cultural.
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sábado, 5 de março de 2016

Biografia de Karl Marx, o maior pensador da humanidade


Karl Marx


Homem de Ciência e Lutador Socialista
“…Assim como Darwin descobriu a lei do desenvolvimento da natureza orgânica, Marx descobriu a lei do desenvolvimento da natureza humana [...] Marx descobriu também a lei específica que move o atual modo de produção capitalista e a sociedade burguesa criada por ele”. Mas ele não se contentava com os estudos,com as brilhantes conclusões a que chegava como resultado de suas investigações. O que considerava a verdadeira missão de sua vida? “…Marx era, acima de tudo, um revolucionário. Cooperar para a derrubada da sociedade capitalista, contribuir para a emancipação do proletariado. A luta era seu elemento.” (Engels, discurso no túmulo de Marx em 17/3/1883).
O interesse pelo estudo, pela pesquisa, para entender os fenômenos em sua essência e não apenas em sua aparência, acompanhou desde a mais tenra idade Karl Einrich Marx, que nasceu em Treves (Prússia, Alemanha) no dia 5 de maio de1818. O pai, Einrich Marx e a mãe, Henriqueta Pressburg eram de origem judaica. Os primeiros estudos foram no Liceude Treves, mas ele não se limitava aos ensinamentos da escola. Freqüentava a casa de Ludwig de Westafalen, funcionário do governo prussiano e homem de vasta cultura. Outro fator também atraía o garoto: uma bela menina, Jenny, filha do sábio amigo e também muito interessada em beber na fonte do conhecimento. Com ela, Marx casar-se-ia aos 26 anos e viveria a vida inteira.
Em 1835, foi para a Universidade de Bonn mas logo se transferiu para a de Berlim,“centro de toda cultura e de toda a verdade”, como a classificava o filósofo Hegel. Foi nela que depois de muito estudo, muita reflexão, se tornou um jovem hegeliano. Marx dedicou-se ao estudo da filosofia, do direito, da história, da geografia e expressava essa ânsia de saber nas cartas ao pai e em poesias.
Abandonou cedo os estudos de Direito para aprofundar os conhecimentos filosóficos e obteve o título de doutor em1841. Tentou uma vaga de livre docente,mas as universidades prussianas não simpatizavam com livres pensadores.
A oportunidade de trabalho surgiu quando um grupo de liberais da Renânia fundou um jornal, a Gazeta Renana e convidou os jovens hegelianos para a redação. Constatou então que para escrever sobre questões da atualidade, como as teorias do socialismo francês e as questões agrárias da Renânia, não bastava o saber filosófico, tornando-se necessário estudar a fundo a Economia Política e o Socialismo.
Os estudos da economia política e do socialismo levaram Marx a romper com a visão hegeliana e aderir ao comunismo. Em outubro de 1843, morando em Paris com Jenny, com quem se casara em setembro daquele ano, escreveu em Anais Franco-alemães, publicação que dirigiu: “…O sistema de lucro e do comércio, da propriedade privada e da exploração do homem, acarreta no seio da sociedade atual, um dilaceramento que o antigo sistema é incapaz de curar porque ele não cria nem cura, mas apenas existe e goza”.
Anais Franco-alemães publicou um trabalho intitulado Esboço de uma Crítica da Economia Política, que Max classificou de genial. Era de autoria de Friedrich Engels, que por sua vez acompanhava com admiração os escritos de Marx. Os dois se encontraram em Paris em setembro de 1844, ocasião em que nasceu uma amizade e uma parceria ímpares e fundamentais para a elaboração da teoria do socialismo científico (Sobre Engels,veja A Verdade nº 47).
Até ser expulso da França em 1845, a pedido do governo prussiano, Marx conviveu com os operários, conheceu seus movimentos, os socialistas utópicos e teóricos como Proudhon, com quem estabeleceu uma polêmica.
Proudhon escreveu A Filosofia da Miséria, obra em que criticava os utópicos, que pretendiam construir uma nova ordem social “sobre os sentimentos paradisíacos de fraternidade, de amor, de abnegação”. Propunha ação concreta, mediante a criação de grupos de produção autônomos, que trocariam entre si os produtos criados por eles, prescindindo da moeda e estabelecendo relações de cooperação e solidariedade. As atividades seriam organizadas de acordo com as necessidades da Comunidade .
Marx respondeu em A Miséria da Filosofia que Proudhon não compreendeu que as relações sociais entre os homens estão estreitamente ligadas às forças produtivas. No capitalismo, à medida que a burguesia se desenvolve, surge um novo proletariado; uma luta é travada entre a classe proletária e a burguesia, dado o caráter contraditório do sistema, pois as mesmas condições nas quais se produz a riqueza se produz a miséria. A única solução justa, diz Marx, porque provém da situação real, é organizar a classe oprimida para tornar a luta consciente. No decorrer dessas lutas é que nascerá a nova sociedade; aliás, ressalta, isso só poderá se suceder quando as forças produtivas tiverem atingido elevado grau de desenvolvimento.
O Manifesto Comunista e a organização do proletariado
Expulso de Paris, Marx foi para Bruxelas, onde ingressou na Liga dos Comunistas, organização dos operários alemães imigrados, à qual já pertencia Engels. A Liga definiu seus princípios e atribuiu a Marx e Engels a tarefa de dar-lhes forma e fundamentação teórica. Nasceu o Manifesto do Partido Comunista publicado em 1848, que se tornou a bíblia do movimento operário revolucionário. O Manifesto trata de três temas essenciais:
1- a história do desenvolvimento da burguesia. Sua obra positiva e negativa;
2- a luta de classe e o papel do proletariado;
3-  a ação revolucionária dos comunistas.
Mal é editado o Manifesto Comunista, eclode a revolução de 1848, que destrona a monarquia reinstalada na França pela burguesia, e se espalha por toda a Europa. Marx foi imediatamente preso e expulso de Bruxelas. Engels conseguiu se engajar no movimento revolucionário e participou de várias batalhas. Com a derrota, deixou o país. Ambos foram viver na Inglaterra, Marx em Londres e Engels em Manchester, mas comunicavam-se diariamente e voltaram a ser vizinhos 20 anos depois. Nesse período Marx se dedicou à elaboração de O Capital, sua principal obra, e aos contatos com o movimento operário.
A idéia surgiu da correspondência entre militantes operários da Inglaterra e da França e em setembro de 1864 se fundou a Associação Internacional de Trabalhadores. A mensagem inaugural, redigida por Marx, destaca a necessidade de uma ação econômica e política da classe operária em favor da transformação da sociedade. Marx dedicou-se á Internacional de 1865 a 1871, ano em que ela foi dissolvida, graças à ação dos anarquistas seguidores de Michael Bakunine (ativista russo).
Pai doce, terno e indulgente
Foi a Internacional que levou o jovem militante Paul Lafargue a conhecer Marx, de quem se tornou discípulo, amigo, admirador e genro, pois se casou com Laura, uma de suas três filhas (O casal Marx/Jenny teve seis filhos – quatro meninas e dois meninos-, dos quais só três meninas sobreviveram [Jenny, Laura e Eleanor]).
É Lafargue quem detalha aspectos da vida pessoal de Marx, destacando sua energia incansável para os estudos e para a ação. Seu cérebro não parava e durante as caminhadas que faziam no final da tarde, discorria sobre questões relativas ao capital, obra que estava elaborando na época e da qual só redigiu o I Volume, tendo Engels escrito os dois seguintes, a partir das anotações que o amigo deixou.
Quando cansava do trabalho científico, lia romances, dramaturgia, conhecia de cor as obras de Shakespeare ou álgebra (chegou a escrever um trabalho sobre cálculo infinitesimal). Os domingos eram reservados para as filhas, uma exigência delas. “Pai doce, terno e indulgente, não dava ordens, pedia as coisas por obséquio, persuadia-as a não fazer aquilo que contrariasse seus desejos. E como era obedecido! As filhas não o chamavam de pai e sim de ‘mouro’, apelido que lhe deram por causa de sua cor mate, de sua barba e dos cabelos negros”.
O proletariado tomou o céu de assalto
Em fins de 1870, o proletariado francês voltava a efervescer e uma insurreição se anunciava. O Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores avaliou que não havia amadurecimento das condições objetivas para assegurar o poder da classe operária e implantar o socialismo e emitiu resolução redigida por Marx, apelando para que “… utilizem, tranqüilamente e com energia, os meios que lhes oferecerem as liberdades republicanas a fim de poderem efetivar a organização de sua própria classe. Isso lhes proporcionará forças novas e gigantescas para a renascença da França e a realização da tarefa comum: a libertação do proletariado”.
Mas os operários parisienses não deram ouvidos; cansados da política antidemocrática, humilhados, no dia 18 de março de 1871 tomaram o poder e instalaram a Comuna de Paris, anunciando as primeiras medidas de construção de uma sociedade socialista. A duração foi efêmera, mas rica de experiências que Marx consolidaria na sua obra A Guerra Civil na França.
A Internacional deu todo o apoio possível ao proletariado francês em luta, tanto durante a guerra, como depois, protegendo os exilados e denunciando ao mundo a cruel repressão que a burguesia desencadeou sobre os operários parisienses e suas famílias.
Os últimos anos
Foram de sofrimento, com as doenças que lhe atingiram e à mulher, Jenny, que faleceu no dia 2 de dezembro de1881. Ao tomar conhecimento do fato, Engels comentou: “O mouro morreu também”. E não se enganava. Já debilitado, com problemas pulmonares , no dia 14 de março de 1883, o genial pensador faleceu repentinamente enquanto repousava numa cadeira em seu aposento de trabalho.
No sepultamento, sem cerimonial, como era seu desejo, junto à esposa, colaboradora e companheira de toda a vida, Engels discursou: “… É praticamente impossível calcular o que o proletariado militante da Europa e da América e a ciência histórica perderam com a morte deste homem…”
Legado e atualidade do marxismo
“Os filósofos buscam interpretar o mundo, enquanto nós queremos transforma-lo”, assim diferenciava Marx o materialismo histórico e dialético da filosofia clássica e mesmo da hegeliana. E o marxismo tem sido, de fato, guia para ação dos movimentos revolucionários dos trabalhadores em todo o mundo.
Apressada, a burguesia comemorou a derrocada dos regimes ditos socialistas da URSS e do leste europeu no final dos anos 80 e início da década de 90 e chegou a propalar o “fim da história”, deixando de observar que a tragédia se deu exatamente porque os dirigentes, atraídos pelo canto de sereia burguês, se desviaram do marxismo que norteou a Revolução Bolchevique de 1917, dirigida por Lênin, um genial discípulo de Marx.
Mas não demorou e o champanhe foi substituído por lágrimas, em decorrência dos conflitos que se sucederam nos quatro cantos do mundo e atingiram o centro do imperialismo.
Ao contrário, a evolução do capitalismo só tem comprovado as teses marxistas e seu caráter científico.
Globalização: por que a surpresa?
Nas suas jogadas de marketing, os teóricos da burguesia e seus meios de comunicação apresentaram a chamada “globalização” como algo novo, avassalador, que suplantaria qualquer resistência e bloquearia qualquer tentativa de transformação social. Ora, o capitalismo tem caráter mundial desde o seu surgimento: o que foram as grandes navegações? A colonização? É de sua essência, como afirmou o Manifesto Comunista, no ano de 1848: “… Pela exploração do mercado mundial, a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países.”
Os fatos recentes comprovam também que quanto mais se desenvolve, mais o capitalismo “forja as armas que o levarão à morte”. A produtividade é cada vez maior, mas o avanço tecnológico que a possibilita produz um exército permanente de desempregados e comprime os salários dos que permanecem na ativa, reduzindo assustadoramente o número de consumidores. Por isso, as crises se repetem em ciclos cada vez menores e atingem tanto a periferia como os países centrais. Seu declínio e a vitória do proletariado são, portanto, inevitáveis.
Essa vitória não é automática, entretanto. Ela carece da ação do proletariado consciente e organizado enquanto classe “para si”, tendo à frente os comunistas, “parcela mais decidida e avançada dos partidos operários de cada país” e que têm uma visão internacionalista, capaz de fomentar a união mundial dos oprimidos, realizando a conclamação com que Marx e Engels concluíram o manifesto: “Proletários de todos os países,uni-vos”.
Através dos séculos
Para finalizar essa tarefa hercúlea, falar sobre Marx em uma página queda a minha pena, incapaz de expressar algo diferente ou que se aproxime, pelo menos, do que proferiu Engels ante o túmulo em que foi depositado o corpo do grande pensador e herói do proletariado: “…o homem mais odiado e caluniado pela burguesia morreu venerado e querido, chorado por milhões de trabalhadores da causa revolucionária. Seu nome viverá através dos séculos e, com ele, sua obra”.

Luiz Alves 
Biografia de Karl Marx, o maior pensador da humanidade