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domingo, 17 de abril de 2016

FIESP MONTOU CAIXA 2 DE 500 MILHÕES PARA COMPRAR IMPEACHMENT DE DILMA

Grave denúncia


A Fiesp montou um caixa 2 de, por enquanto, R$ 500 milhões para comprar o impeachment de Dilma. R$ 300 milhões virão dos recursos públicos que administra em nome do Sesi e do Senai; R$ 100 milhões serão “doados” pelo parceiro de Skaf no golpismo a partir do mesmo fundo publico, o presidente da Federação das Indústrias do Rio, Eduardo Eugênio; R$ 50 milhões serão aportados pela Federação do Paraná e outro tanto pela Federação do Rio Grande do Sul, todos irmanados pelo impeachment.

Esses industriais golpistas decidiram apostar tudo na derrubada da Presidenta, não importam as consequências. A solução da crise, conforme havia antecipado Veja em nome de todos eles e de uma parte substancial das classes dominantes, é o Vice-presidente Temer. Mergulhando na conspiração até o pescoço, Temer promete rever a iniciativa de Dilma de contingenciar 30% dos recursos do Sesi/Senai (ou dos 4 S) e promover uma reforma trabalhista regressiva contra direitos consagrados na Constituição, que estará a cargo de Moreira Franco.

O esquema Skaf/Temer só tem um problema. Como canalizar R$ 500 milhões para os bolsos de parlamentares favoráveis ao impeachment sem o risco de, agora ou no futuro, o dinheiro ser rastreado pela Justiça? Sim, porque a Justiça não será entregue permanentemente nas mãos de promotores e juízes partidários dos golpistas. Em algum momento aparecerão em seu meio homens honrados que vão buscar na vida pública e privada de parlamentares os indícios de enriquecimento ilícito. Como diz Luís Nassif, acabou a era do dinheiro escondido.

Alguns, obviamente, correrão o risco. Ademais, a decisão do impeachment se aproxima como velocidade anti-natural. O mais importante nessa questão é que os órgãos controladores da probidade administrativa, a partir do Ministério da Justiça, tomem uma providência para ver de onde sai o dinheiro golpista da Fiesp. Só um idiota acreditaria que sai dos bolsos dos empresários ou mesmo de suas empresas. Eles são generosos, sim. Mas são generosos com dinheiro alheio. Nesse caso, com o dinheiro dos 4S.

Eu conheço isso muito bem. Fui assessor da presidência da CNI, nos anos 80, e já então se podia perceber a pajelança com dinheiro público que era a gestão do Sesi e do Senai de muitos dirigentes de federações, notadamente de São Paulo, que por seu poder econômico gozava de ampla autonomia. Isso só deve estar piorado. Gente como Skaf não passa de abutres em torno do dinheiro público quando se trata de dinheiro que controlam, a despeito da retórica anti-imposto e anti-setor público que professam com a maior cara dee pau.

Insista-se que recursos do Sistema S são, inequivocamente, públicos. Correspondem a recolhimentos obrigatórios sobre a folha salarial das empresas destinados ao ensino profissional e a atividades sociais dos trabalhadores. Federações industriais, como Fiesp e Firjan, para simular seu assalto a esse caixa público, criaram Centros industriais vinculados às federações, por onde flui o dinheiro supostamente livre, mediante manobras contábeis. É muito fácil desmascarar isso. Qualquer órgão controlador público pode fazer uma devassa na circulação desses recursos e desmascarar seu uso indevido.

Defendo o direito da Fiesp propor o impeachment. Mas que seja com o dinheiro dos empresários e não dos trabalhadores. Sesi e Senai, quando foram criados há mais de seis décadas, certamente eram melhor geridas por empresários porque, nessa época, trabalhadores não tinham grande experiência de gestão. Agora a situação é outra. Sesi e Senai devem ser entregues à gestão dos trabalhadores, inclusive como forma de evitar o uso político dos dinheiro pelas entidades empresariais, suscetíveis de maracutaias. Com isso o grande caixa da Fiesp, para comprar o impeachment, pode virar o caixão de Skaf!

P.S. Encontrei-me ontem no aeroporto de Brasília com o deputado Wadyh Damous, ex-presidente da OAB do Rio, com a deputada Jandira Feghali e com o senador Lindeberg Farias. Os três deram-me a boa notícia de que estará sendo movida na próxima semana ação popular contra a Fiesp e seu presidente, tendo em vista desvio de dinheiro público na campanha do impeachment, aqui denunciada.

J. Carlos de Assis, Jornalista, economista, doutor pela Coppe/UFRJ

quinta-feira, 31 de março de 2016

Quem são esses manifestantes contra-Lula e contra-Dilma?



Em artigo publicado pelo Dr. Micheline Ladoucer avalia as manifestações contra Dilma e Lula; os movimentos e seus financiadores que representam os interesses de um projeto neoliberal junto a juventude com o fim de desestabilizar governos progressistas em todo mundo, especialmente na America-Latina.
Eles não são os pobres das favelas feitos a cair ainda mais pelas políticas neoliberais do governo PT.
De acordo com uma sondagem da Folha de São Paulo,  em sua maioria os manifestantes são de uma classe social privilegiada (com uma educação e um nível de remuneração elevado) (Veja a tabela aqui abaixo). Entre essa elite alguns estão a exigir o retorno dos militares ao poder. Tem-se ainda aqui que o período governamental de Lula (2003-2010) pareceria ter atendido os interesses socio-políticos e econômicos dessas classes privilegiadas do Brasil.

O perfil do manifestante na Avenida Paulista, porcentagem de acordo com a renda 


A maioria dos manifestantes que estão a exigir o linchamento do ex-presidente do Brasil e o e impeachment da presidenta Dilma Rousseff näo escondem sua ideologia neoliberal ou sua decepção em relação a todas as políticas -“-neoliberais com cara humana” — para o conjunto da classe média.
É necessário sublinhar que o governo Dilma Rousseff continua a promover um governo populista de tendência neoliberal. Por sua parte Lula foi um bom amigo de George W. Bush. Até mesmo antes de sua primeira presidência ele se apressou a fazer uma visita ao Pentágono… (dezembro 2002)
Será Dilma suave demais frente a Washington? Qualquer que seja o caso ela ainda está sendo espionada pela NSA. As ameaças contra ela, por suspeita de corrupção, terão provavelmente motivado a presidenta a ignorar as últimas revelações de espionagem (2015). Uma coisa certa entretanto é que a destabilização do governo Dilma vai a favor de Washington
Quem são os “justiceiros do Brasil. Quem financia esses movimentos de protestos?
Os principais movimentos de protestos tem usado muito as redes de comunicação social para chamar os brasileiros a manifestarem-se para o impeachment da presidenta. Os três principais movimentos de oposição são: Movimento Brasil, Estudantes pela Liberdade e Vem pra Rua.




1.O Movimento dos Estudantes pela Liberdade
O movimento dos Estudantes pela Liberdade é um representante da organização americana “Students of Liberty”. Essa organização foi criada nos Estados Unidos. Os jovens participando nela se definem como “libertários”. Eles representam a direita e convidam os líderes do mundo inteiro a unirem-se aos Estados Unidos (estágios para estudantes). Eles referem-se também ao Instituto Cato e ao Senador Rand Paul. (Veja o artigo em inglês : Regime Change in Brazil? Right Wing Protest Movement Funded by US Billionaire Foundations, Training in US). Os Estudantes pela Liberdade estão também envolvidos nas manifestações contra o presidente Maduro da Venezuela, assim também como estiveram presentes na Praça Maidan na Ucrânia, em 2013.
The original source of this article is Global Research

Apesar da organização ter fins não lucrativos ela continua a buscar e a aceitar doações privadas de indivíduos, fundações, e contribuições. No seu primeiro ano a SFL teve 50 000 dólares de rendimentos. Os rendimentos aumentaram chegando a atingir 250 000 dólares no segundo ano, e depois 500 000 dólares no terceiro ano. As despesas foram de 65 % dos rendimentos no primeiro ano, 75 % no segundo ano, e 80 % no terceiro ano.
Ainda mais, o movimento é financiado também por investimentos de banqueiros como Hélio Beltran Filho, que faz parte do Grupo Ultra, um dos maiores conglomerados do país e o qual apoiou o golpe de estado de 1964 no Brasil. (Quem financia os protestos do dia 13?)
John Templeton Foundation – essa deu mais do que um milhão de dólares ao movimento americano Students for Liberty.


2. O Movimento Brasil Livre
O estudante fundador do Movimento Brasil Livre Kim Kataguiri recebeu apoio de organizações como Atlas e “Students for Liberty”. O MBL também recebeu doações de organizações estrangeiras. O movimento MBL, assim como o MEL (ou Students for Liberty) , é financiado em partes por Koch Brothers, magnatas do petróleo americano, e por formações do grupo Atlas, nos Estados Unidos, as quais são financiadas por homens de negócios. A ligação do MBL com a indústria Koch criou rumores de que o movimento contribui para a destabilização da petroleira brasileira Petrobras, ela mesmo estando agora abaixo de acusações de corrupção. May Vivian líder da época da PML afirmou ter recebido recursos da organização Atlas e dos “Students for Liberty”. Essas duas organizações foram criadas nos Estados Unidos e são apoiadas por fundações dos mesmos.

Kim Kataguiri líder da juventude conservativa do Brasil


 (Foto : Fernando Conrado / Democratize)
Aqui Kim Kataguiri ao lado do brasileiro mega-homem-de-negócios Jorge Gerau, presidente do conselho administrativo do Grupo Gerdo. Ele perdeu seu posto no Conselho de Administração da Petrobras em abril de 2014.
3. Movimento Vem pra Rua
O movimento Vem pra Rua (vemprarua.org.br) é financiado principalmente pela Fundação Estudar de Jorge Paulo Leman, um dos brasileiros mais ricos e proprietário da indústria de cerveja. Ele é também parceiro da brasserie AmBev, assim como também proprietário dos direitos da marca americana de fast food Burger King.
Esse movimento foi criado em setembro de 2013 e passou rapidamente de 20 a 300 000 amigos Facebook.


Esse movimento tenta dar uma imagem de que defende uma ideologia moderna e progressiva mas na realidade esse é um movimento conservativo e neoliberal sendo como são para a privatização da educação e da saúde.
“Another of the leading groups, Students For Liberty (EPL) – working together with the MBL – is the Brazilian associate of an organization with the same name in the U.S., also financed by the Koch Brothers. Furthermore, investment banker Hélio Beltrão Filho, the national head of EPL, inherited shares in Grupo Ultra, one of Brazil’s largest holdings. Grupo Ultra provided logistic and financial support to the right-wing military coup in 1964.
Fabio Ostermann and Juliano Torres, two of MBL leaders, were educated in the Atlas Leadership Academy, linked to the Atlas Economic Research Foundation, financed by the notorious U.S. businessmen the Koch Brothers.”
Em resumindo pode-se dizer que os líderes dos acima mencionados movimentos são a favor do neoliberalismo, da privatização dos serviços de saúde e educação assim como da privatização das estatais, como por ex. da petroleira brasileira Petrobras.
O grupo Revoltados On Line “Made in Brazil”

Marcello Reis, um dos líderes do Revoltados On Line. / A.B.
Fonte : O Comercio do Impeachment, 10 de Março de 2016
Diz-se aqui que um outro ponto é que não se deseja uma outra Venezuela assim como não se deseja uma “terrorista” como chefe de estado. Marcello Reis, fundador do grupo Revoltados On Line, acha que Dilma detesta o Brasil e que infelizmente ela é uma terrorista que governa o país.(“Dima Rousseff odeia o Brasil, é uma terrorista que infelizmente está no poder nesse país”.) 700 000 pessoas* seguem esse movimento que quer banir o “petismo” ou seja o PT, e o bolivarianismo no Brasil. Esse líder é um exemplo dos que creem que só um golpe de estado militar permitiria por fim a esse governo “corrompido” … e aqui ele dá a posição do militar Jair Bolsonaro, conhecido por suas posições de extrema direita e anti-homosexual, como exemplo.
Brasil – “Que país é esse? …   E a “Revolução Colorida” à brasileira continua … !
 Micheline Ladouceur
Artigo original em francês :
Traduzido do francês por Anna Malm, artigospoliticos.wordpress.com para Mondialisation.ca 
[*observe-se aqui entretanto que seria bom lembrar-se de que o Brasil tem 200,4 milhões de habitantes – 2013 Wikipedia] 


The original source of this article is Global Research

segunda-feira, 28 de março de 2016

Síria: narrativas matam!

29.03.2016
Síria: narrativas matam!. 24057.jpeg






















Hoje se sabe que a luta do povo sírio e do governo sírio mudou o mundo. Reuniu russos e chineses (BRICS) e jogou-os na frigideira 'ocidental'. E mudou a ordem global, de unipolar para multilateral - da noite para o dia.

Se, no primeiro ano de guerra na Síria, a quantidade descomunal de jornalistas que repetiram e reforçaram as premissas das quatro falsas narrativas que adiante se discutem as tivessem contestado, criticado, investigado... talvez os mais de 250 mil sírios que morreram ainda estivessem entre nós.
(...) Segundo a Comissão Internacional Independente da ONU de Investigação sobre a Síria, a soma de mortos do lado das Forças do governo sírio era 2.569, em março de 2012, quando o conflito completava um ano. Naquele momento, a conta da Comissão da ONU, para todas as vítimas da violência política na Síria, era 5.000 mortos.

Esses números pintavam já há quatro anos, um quadro completamente do que se conhece ainda hoje sobre os eventos na Síria. Com certeza, esses números não confirmam as características do conflito sobre o qual elaboram os jornais, televisões e jornalistas e especialistas midiáticos e manchetes. No mínimo, a 'paridade' no número de mortos entre os dois lados sugere que o governo sírio usou força proporcional na ação inicial para pôr fim à violência. (...)

Para os políticos norte-americanos, a "Primavera Árabe" foi oportunidade imperdível para desestabilizar governos de estados adversários no Oriente Médio. Síria, o mais importante membro árabe do Eixo da Resistência liderado pelo Irã, tornou-se o alvo número 1.

Para promover 'mudança-de-regime' na Síria, os temas da "Primavera Árabe" teriam de ser oportunisticamente calibrados. Para tanto, muitos sírios teriam de morrer.

[Para a mesma finalidade] No Brasil-2016, todos os políticos da oposição teriam de ser desmoralizados em bloco. De fato, dado que o golpe no Brasil também visa a atender interesses do big business e da big finance internacionais, todos os partidos e políticos teriam de ser desmoralizados, e com eles seria extinta a história dos anos de governo bem-sucedido do PT. Começou então a 'santa cruzada',
na qual, quanto mais empenhado na salvação 'ética' do Brasil sem política, por jornais e redes de TV e jornalistas, mais se revela o jornalista corrupto-corruptor.
(Entreouvido na Vila Vudu)
No caso da Síria, foi considerado indispensável que "o ditador" se pusesse a "matar o próprio povo". Isso feito, o resto viria na sequência.

Palavras que matam(Palavras que roubam / Palavras que corrompem)

Na Síria, quatro narrativas chaves foram postas em circulação e re-narradas incansavelmente, ad nauseam, em todos os principais veículos da mídia-empresa ocidental, a partir de março de 2011, ganhando cada vez mais gás nos meses seguintes.

- O "ditador" está matando "o próprio povo";
- Os protestos são "pacíficos";
- A oposição é "desarmada"; e
- É "revolução popular".

Governos pró-ocidente na Tunísia e no Egito acabavam de ser derrubados em rápida sucessão nos dois meses anteriores, - e o 'quadro mental' do que já se tornava conhecido como "Primavera Árabe", de movimentos de base que levariam a 'mudança-de-regime', já existia na psique regional.

Aquelas quatro 'narrativas' que se haviam carregado de sentido na Tunísia e no Egito, foram então reformatadas e carregadas para deslegitimar e minar qualquer governo contra o qual elas fossem 'miradas'.

Mas para usar essas narrativas na Síria com o pleno potencial delas, (1) os sírios teriam de tomar as ruas em números significativos [no Brasil também já tivemos essa fase; e a deliberação de 'encher as ruas' apareceu muito clara; de fato, nem alguém tentou disfarçar a intensa campanha de convocação às ruas que foi comandada pela mídia-empresa (NTs)]; e (2) civis teriam de morrer nas mãos de brutais forças de segurança.

Isso feito, o que viesse depois, se interessasse aos 'organizadores', poderia ser facilmente convertido em "revolução" pelo vastíssimo conjunto de veículos de mídia-empresa estrangeira e regional que passaria a trabalhar para implantar nas discussões, em todo o ocidente, esse discurso da "Primavera Árabe".

Mas, na Síria, os protestos não funcionaram como haviam funcionado na Tunísia e no Egito. Naqueles primeiros poucos meses, viram-se manifestantes que se contavam às centenas - algumas vezes em milhares -, e manifestavam diferentes graus de descontentamento político. Muitos daqueles manifestantes/manifestações seguiam um padrão de incitamento que brotava das mesquitas sob influência wahhabista, nos sermões das 6ªs-feiras, ou depois de matanças locais que induziam multidões indignadas a reunir-se em funerais públicos.

Membro de uma proeminente família de Daraa explicou-me que naquele momento havia confusão sobre quem estava matando pessoas nas manifestações naquela cidade - se "o governo" ou "facções clandestinas".

Explicou-me que, então, havia dois tipos de opinião entre os cidadãos de Daraa: "Uma, de que o governo matava mais gente para conter o movimento e forçar as pessoas a suspender os protestos e pôr fim às manifestações. A outra, de que havia facções clandestinas interessadas em continuar, porque, se não houvesse os funerais, não haveria como mobilizar multidões nas ruas."

Com o benefício do distanciamento, examinemos essas narrativas, agora que a guerra já dura cinco anos.

Sabemos hoje que vários milhares de soldados das forças de segurança sírias foram mortos no primeiro ano, a partir de 23/11/2011. Daí portanto se sabe que a oposição esteve "armada" desde o início do conflito.

Há provas materiais (imagens) de que pistoleiros entraram na Síria, pela fronteira com o Líbano, em abril e maio de 2011. Sabe-se, de testemunhas confiáveis, que havia pistoleiros atirando contra civis em atos terroristas, e que os "protestos" não foram absolutamente "pacíficos".

A missão de observação da Liga Árabe que trabalhou durante um mês dentro da Síria no final de 2011, relatou:

"Em Homs, Idlib e Hama, a missão de observação testemunhou atos de violência cometidos contra forças e civis que resultaram em vários mortos e feridos. Exemplos desses atos incluem bombardeamento de um ônibus civil; assassinato de oito pessoas e ferimentos em muitas, inclusive mulheres e crianças, e bombardeamento de um trem carregado de óleo diesel. Em outro incidente em Homs, foi explodido um ônibus da polícia, matando dois policiais. Um duto de combustível e algumas pontes pequenas também foram bombardeados."

O padre Frans van der Lugt, holandês há muito tempo residente na Síria, e que for morto em Homs em abril de 2014, escreveu em janeiro de 2012:

"Nunca, desde o início, os movimentos foram absolutamente pacíficos. Desde o primeiro dia vi manifestantes armados misturados à multidão; quando atiravam, miravam primeiro contra a polícia. Muito frequentemente, a violência das forças de segurança foi reação à brutal violência daqueles manifestantes armados."

Poucos meses antes, em setembro de 2011, o mesmo padre Franz observara:

"Desde o início houve o problema dos grupos armados, que também são parte da oposição (...). A oposição que está na rua é muito mais forte que qualquer outra oposição. E a oposição que está na rua está armada e frequentemente se vale de brutalidade e violência; na sequência, atribuem a culpa ao governo."

Hoje se sabe também que, fosse a Síria o que fosse, lá jamais aconteceu qualquer "revolução popular". O Exército Árabe Sírio permaneceu coeso, mesmo depois do noticiário massivo nos veículos da mídia comercial, de que teria havido deserção em massa. Centenas de milhares de sírios continuaram a fazer manifestações não noticiadas em apoio ao presidente Bashar al-Assad. As instituições do Estado e do governo e a elite empresarial permaneceram, na ampla maioria, leais a Assad. Grupos minoritários - alauítas, cristãos, curdos, drusos, xiitas e o Partido Baath, que reúne maioria de sunitas - não se uniram à oposição contra o presidente Assad. E as principais áreas urbanas onde se concentra grande parte da população síria mantiveram-se sob a proteção do Estado, com raras exceções.

Afinal de contas, "revolução democrática" genuína na Síria, nunca teria "escritórios" operacionais na Jordânia e na Turquia. Nem alguma "revolução" de algum "povo oprimido" na Síria poderia algum dia ser financiada, armada e assessorada por Qatar, Arábia Saudita, EUA, Grã-Bretanha e França.

Semear "narrativas jornalísticas" para obter vantagem geopolítica 
O Manual para Forças Especiais Militares dos EUA em Guerra Não Convencional (GNC) [ing. Unconventional Warfare (UW) Manual of the US Military's Special Forces], de 2010, ensina:

"O objetivo dos esforços da GNC [ing. UW, Unconventional Warfare] é explorar as vulnerabilidades políticas, militares, econômicas e psicológicas de uma potência hostil; para tanto, devemos desenvolver e manter forças locais de resistência que realizem os objetivos estratégicos dos EUA (...). No futuro hoje previsível, as forças dos EUA se engajarão, predominantemente em operações de Guerra Irregular (GI, ing. IW, irregular warfare)."

Telegrama secreto do Departamento de Estado dos EUA, datado de 2006, revela que o governo de Assad estava então em posição mais forte, domesticamente e regionalmente, que no ano anterior, e sugere meios para enfraquecê-lo: "Adiante, nosso resumo de vulnerabilidades potenciais e possíveis meios para explorá-las (...)." Segue-se uma lista de "vulnerabilidades" - políticas, econômicas, étnicas, sectárias, militares, psicológicas - cada "vulnerabilidade" acompanhada da sugestão de "ações" para "explorá-la".

Tudo aí é importante. A doutrina norte-americana da guerra não convencional declara que, praticamente em todos os casos, populações de estados adversários incluem minorias ativas que respectivamente se opõem e apoiam o governo; mas, para que a organização de um "movimento de resistência" seja bem-sucedida, é preciso induzir as percepções da grande "população média não engajada", de modo a que se decida a derrubar quem esteja no governo. Diz o manual (cito aqui, de memória, trechos que recolho de artigo que escrevi há algum tempo):

- Para converter "população média não engajada" em força de apoio à insurgência, a GNC recomenda "criar atmosfera de amplo descontentamento mediante propaganda e esforços políticos e psicológicos para desacreditar o governo."

Com a escalada do conflito, deve-se "intensificar a propaganda: e a preparação psicológica da população para a rebelião."

- Primeiro, deve haver "agitação" local e nacional (organização de boicotes, greves e outros esforços que sugiram forte descontentamento público. Na sequência, "infiltram-se organizadores e conselheiros estrangeiros e a propaganda vinda de fora do país (além de dinheiro, armas e equipamento)."

O nível seguinte das operações deve ser criar "organizações nacionais de frente [como o "Conselho Nacional Sírio"] e movimentos de libertação nacional [como o "Exército Sírio Livre"]" que levarão segmentos cada vez maiores da população na direção de aceitarem "violência política cada vez maior e sabotagem"; - e encorajar a orientação de "indivíduos [os Kataguiris SÃO EXATAMENTE ISSO (NTs)] ou grupos que conduzam atos de sabotagem em centros urbanos."

Já escrevi sobre estratégias de guerra não convencional apoiada por forças de fora da Síria quando a crise completou um ano - quando as narrativas dominantes na grande mídia comercial ainda eram "ditador matando o próprio povo", "protestos pacíficos", "oposição desarmada" e "revolução popular", além de "milhares de civis massacrados por forças do estado sírio".

Onde são fabricadas essas narrativas? Todas as imagens que vimos são montagens? Ou bastou fabricar apenas algumas frases e ideias - porque a "percepção" da vasta população 'média', uma vez 'modelada', cria ela mesma o próprio momentum 'natural' na direção da mudança de regime?

E o que nós, que vivemos na região, fazemos com toda essa impressionante nova informação sobre como se constroem as guerras contra nós - usando nós mesmos como coturnos em (nosso) solo, a serviço de agendas que não são as nossas?

Temos de criar nosso próprio "jogo"
Nesse jogo das narrativas, há lugar para dois jogadores.

A primeira lição que se aprende é que ideias e objetivos políticos podem ser construídos, modelados, afinados e usados com alta eficácia.

A segunda jogada que derruba pedras adversárias é que temos de construir e estabelecer indústria de imprensa independente e canais de distribuição de informação, para assim disseminar nossas próprias propostas de valores, para muita gente, sem parar.

Os governos ocidentais contam hoje de um exército comicamente salafrário de jornalistas ocidentais e regionais que ganham a vida com tentar nos destruir com propaganda, dia e noite. Não precisamos igualá-los em números - e também podemos usar estratégias para deter as campanhas deles contra nós, de desinformação. Jornalistas ocidentais que repetidas vezes publicaram informação falsa e danosa, que gerou risco de vida para nós que vivemos nessa parte do mundo têm de ser impedidos de entrar nos países regionais que estejam sob ataque.

De fato, não são jornalistas - prefiro descrevê-los como combatentes políticos militantes e 'armados' -, e não podem ser incluídos nas liberdades asseguradas democraticamente a profissionais da informação, não só da luta política. No caso da Síria:

Se, no primeiro ano de guerra na Síria a quantidade descomunal de jornalistas que repetiram e reforçaram as premissas das quatro falsas narrativas que acima se discutiram as tivessem contestado, criticado, investigado... talvez os mais de 250 mil sírios que morreram ainda estivessem entre nós. Talvez a Síria não tivesse sido destruída e talvez não houvesse 12 milhões de sírios sem teto. Talvez sequer existisse "ISIS".

Liberdade de expressão? Sou contra. Sou contra. Por que teríamos de garantir liberdade de expressão de objetivos que exigem a nossa morte? Por que, se os mortos somos nós?

Hoje se sabe que a luta do povo e do governo sírios mudou o mundo. Reuniu russos e chineses (BRICS) e jogou-os na frigideira 'ocidental'. E mudou a ordem global, de unipolar para multilateral - da noite para o dia. Também criou uma causa comum que uniu um grupo de estados chaves na nossa região e que hoje constituem a espinha dorsal de um crescente "Arco de Segurança" do Levante ao Golfo Persa. Temos hoje oportunidades imensas para reformatar o mundo e o Oriente Médio conforme nós os vemos e os desejamos. Novas fronteiras? Nós mesmos as traçaremos, cá de dentro do Oriente Médio. Terroristas? Nós os derrotaremos. ONGs? Criaremos as nossas, com cidadãos nossos e agendas nossas. Oleodutos? Nós decidiremos onde serão postos.

Mas é imprescindível começar a construir todas essas novas narrativas, antes que "o Outro" imperial corra a preencher o vácuo.

Uma palavra de precaução

A pior coisa que podemos fazer é perder tempo para 'refutar' ou 'rejeitar' essas narrativas impostas. Respostas, refutações e rejeições farão de nós os "rejeicionistas" no jogo deles. E não há como refutações e rejeições, para dar vida nova ao jogo deles. Nada disso.

O que temos de fazer é criar nosso próprio jogo narrativo - mobilizar o vocabulário nosso, carregado de significações para nós, em primeiro lugar porque é o que nos define e dá forma à nossa história e às nossas aspirações, consideradas as nossas realidades politicas, econômicas e sociais. Assim invertemos o jogo.

O invasor, ocupador, usurpador ficará com a dura missão de rejeitar e refutar e discutir a nossa versão. Que seja ele o rejeicionista, que rejeite e refute nossa narrativa, e o invasor, ocupador, usurpador trabalhará, afinal, para dar vida e fazer circular o nosso jogo. *****+
23/3/2016, Sharmine Narwani, RT
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terça-feira, 22 de março de 2016

Alarme nuclear vermelho

Global Research, March 03, 2016
“Nós temos bombas nucleares”: foi o que declarou em 19 de fevereiro à Russia Today o analista político saudita Daham al-Anzi, de fato um porta-voz de Riad, repetindo em um canal árabe.
A Arábia Saudita já tinha declarado (The Independent, 30 de março de 2015) sua intenção de adquirir armas nucleares ao Paquistão (que não aderiu ao Tratado de  não proliferação), cujo programa nuclear militar ela financia.  Agora, por intermédio da al-Anzi, ela faz saber que começou a comprá-las há dois anos. Bem entendido, segundo Riad, para enfrentar a “ameaça iraniana” no Iêmen, no Iraque e na Síria, onde “a Rússia ajuda Assad”. Ou seja, onde a Rússia ajuda o governo sírio a libertar o país do chamado Estado Islâmico e outras formações terroristas, financiadas e armadas pela Arábia Saudita no quadro da estratégia da dupla EUA/Otan.
Riad possui mais de 250 caças-bombardeiros com dupla capacidade convencional e nuclear, fornecidos pelos EUA e pelas potências europeias. Desde 2012 a Arábia Saudita faz parte da “Nato Eurofighter and Tornado Management Agency”, a agência da Otan que administra os caças europeus Eurofighter e Tornado, que Riad comprou à Grã Bretanha em quantidade que é o dobro do que tem toda a Royal Air Force. Nesse mesmo quadro entra o iminente mega-contrato de 8 bilhões de euros – graças à ministra  Pinottti, eficiente representante de comércio de armas – para o fornecimento ao Kwait (aliado da Arábia Saudita) de 28 caças Eurofighter Typhoon, construídos pelo consórcio de que faz parte a Finmeccanica com indústrias da Grã Bretanha, Alemanha e Espanha. É a maior encomenda jamais obtida pela Finmeccanica, em cujos cofres entrará a metade dos 8 bilhões. Garantida com um financiamento de 4 bilhões por um pool de bancos, entre os quais Unicredit e Intesa Sanpaolo, e pela Sace do grupo Cassa Depositi e Prestiti.
Assim se acelera a reconversão armada da Finmeccanica, com resultados exaltantes para aqueles que se enriquecem com a guerra: em 2015 o valor da ação da Finmeccanica registrou na bolsa um crescimento de 67%.  À margem do “Tratado sobre comércio de armamentos”, ratificado pelo parlamento em 2013, no qual se estipula que “nenhum Estado parte autorizará a transferência de armas no caso em que este saiba que as armas poderão ser utilizadas para ataques dirigidos contra objetivos ou pessoas civis, ou para outros crimes de guerra”. Em face da denúncia de que essas armas fornecidas pela Itália são utilizadas pelas forças aéreas sauditas e kwaitianas realizando massacres de civis no Iêmen, a ministra Pinotti responde : “Não transformemos os Estados que são nossos aliados na batalha contra o EI em inimigos, isto seria um erro muito grave”. Seria sobretudo um “erro” fazer saber que sauditas e kwaitianos são  “nossos aliados”: monarquias absolutas onde o poder está concentrado nas mãos do soberano e de seu círculo familiar, onde partidos e sindicatos são proibidos; onde os trabalhadores imigrantes (10 milhões na Arábia Saudita, cerca da metade da força de trabalho; 2 milhões, em 2,9 milhões de habitantes no Kwait) vivem em condições de superexploração e escravismo, onde aquele que reivindica os mais elementares direitos humanos é enforcado ou decapitado.
É nessas mãos que a Itália “democrática” põe os caças-bombardeiros capazes de transportar bombas nucleares, sabendo  que a Arábia Saudita já as possui e que elas podem ser utilizadas também pelo Kwait.
Na “Conferência de Direito Internacional Humanitário”, a ministra Pinotti, depois de sublinhar a importância de “respeitar as normas do direito international”, concluiu  que “a Itália, nesse aspecto, é um país enormemente credível e respeitado”.
Manlio Dinucci
Artigo Publicado em Il Manifesto 
Tradução de José Reinaldo Carvalho para Resistência
Manlio Dinucci é jornalista e geógrafo.