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domingo, 8 de maio de 2016

PAPEIS DO PANAMÁ: Mãos da CIA?


Panama Papers
Denúncias documentais de Snowden e Assange – caçados pelo regime dos EUA e seus fantoches internacionais – envolvendo crimes
de guerra e o sujo jogo político norte-americano e global, esquecidas pela mídia, têm no mínimo tanta importância quanto as revelações
de Papeis financiados por Washington. Contudo, ambos os lados estão quilometricamente distantes em termos de transparência. Que há
de errado em toda esta desproporção? Muita coisa, e o próprio WikiLeaks prova isso, documentalmente como sempre.”Se a quantidade de dados divulgado por WikiLeaks foi equivalente à população de San Francisco, a quantidade de dados divulgados nos documentos de Panamá é o equivalente ao da Índia”, informou a BBC de Londres em 5 de abril, um dia depois do vazamento dos Papeis do Panamá.
Já a NBC News, em 6 de abril reportava que “mais de 21 trilhões em riqueza global estão escondidos detrás de empresas de fachada, em grande parte não rastreáveis tais como aquelas expostas nos documentos do Panamá, de acordo com o grupo de vigilância (watchdog)Financial Accountability and Corporate Transparency Coalition“.
11,5 milhões de documentos confidenciais revelam como os ricos e poderosos utilizaram-se de paraísos fiscais para ocultar riqueza originária de negócios sujos, de lavagem de dinheiro e de esquemas de evasão fiscal envolvendo celebridades, atletas, altos empresários, chefes de Estado e de governo, políticos em geral e seus familiares, entre o período que se estende de 1977 a fins de 2015. Ao todo, estão envolvidos 12 chefes de Estado e 60 ex-chefes de Estado, além de um total de 140 políticos de 50 países do mundo.
Há mais de um ano, uma fonte anônima contactou o jornal alemão Süddeutsche Zeitung (SZ), da cidade de Munique, e enviou documentos internos criptografados do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca. A fonte não solicitava compensação financeira e nem qualquer outra coisa em troca. Até agora, ninguém sabe quem é tal fonte que revela milhares de envolvidos no paraíso fiscal panamenho.
Os mais de 11 milhões de documentos, investigados por mais de cem jornalistas de diversas nacionalidades desde que chegaram ao diário alemão, acabaram posteriormente enviados ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (The International Consortium of Investigative Journalists, ICIJ).
O jornal SZ relatou que “a revelação vem provar como uma indústria global liderada por grandes bancos, por escritórios de advocacia e por empresas de gestão de ativos secretamente administram as propriedades do mundo rico e famoso: políticos, funcionários da FIFA, fraudadores e contrabandistas de drogas, de celebridades e atletas profissionais” (artigo About the Panama Papers, em Sueddeutsche.de).
A importância dessas revelações é indiscutível. Contudo, muita dubiedade ainda paira no ar tanto quanto diversas “coincidências” que, somadas a determinadas evidências, levam a óbvias conclusões fazendo com que o destino de Papeis do Panamá torne-se bastante previsível, dado o atual cenário.
Mossack Fonseca
Mossack Fonseca (MF) é uma das maiores criadoras de “empresas de fachada”, isto é, grupos empresariais que podem ser utilizados a fim de esconder os verdadeiros possuidores de diversos ativos. Tais empresas permitem que seus proprietários ocultem os negócios, não importando o quanto sejam obscuros.Seus proprietários, o alemão Jürgen Mossack e o panamenho Ramón Fonseca Mora, ambos advogados, diante da repercussão dos Papeis do Panamá defendem-se argumentando que não podem se responsabilizar pela conduta e pelas ações de seus clientes.
O pai de Jürgen, Erhard Mossack, prestou serviços à comunidade de Inteligência norte-americana a fim de espionar Cuba. Foi exatamente esta atividade de espionagem que levou a família ao Panamá. Antes disso, Erhard havia servido às Waffen-SS nazista na II Guerra Mundial.
Já Ramón Fonseca Mora, além de jurista é também político: ex-ministro do atual presidente panamenho Juan Carlos Varela, ele também presidiu o Partido Panameñista até março deste ano, quando acabou demitido devido às investigações da Operação Lava Jato no Brasil. Fonseca é acusado de possuir ligação com envolvidos na lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras.
A MF tem declarado que considera que a ação dos mais de cem jornalistas viola a lei. “Isso é crime”, disse Fonseca nesta semana, em entrevista por telefone à Agence France-Presse (AFP, agência de notícias francesa). A empresa afirma ainda que tem operado acima de qualquer suspeita há 40 anos, sem nunca ter sido acusada de nenhuma irregularidade.
Principais Envolvidos
O primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Davíð Gunnlaugsson;O rei da Arábia Saudita, Abdalá bin Abdelaziz al Saud;
O presidente da Argentina, Mauricio Macri, e junto seu pai, Franco, e seu irmão, Mariano, diretores da sociedade Fleg Trading Ltd. Registrada nas Ilhas Bahamas entre 1998 e 2009, ao ser eleito governador de Buenos Aires em 2007 o atual presidente da Argentina não incluiu na declaração juramentada seus vínculos com a sociedade;
O pai do primeiro-ministro britânico, David Cameron (quem se atrapalhou em entrevista à TV inglesa logo após as denúncias, primeiro negando possuir conta no paraíso fiscal panamenho, para posteriormente reconhecê-la tentando se eximir de culpa, o que pegou muito mal perante a opinião pública);
O presidente ucraniano, Piotr Poroshenko;
O ex-presidente da UEFA, o francês Michel Platini;
O jogador de futebol argentino, Lionel Messi.
O cineasta espanhol Pedro Almodóvar;
A tia do atual rei da Espanha, Pilar de Borbón;
Um amigo do presidente da Rússia, Vladimir Putin: segundo registros do ICIJ, Sergei Roldugin, amigo de infância do presidente russo, está listado como proprietário de empresas offshore que obtiveram pagamentos de outras companhias, no valor de dezenas de milhões de dólares.
Também foi revelado que 1 bilhão de dólares, suspeitos de lavagem de dinheiro, foi depositado pelo banco russo Bank Rossiya, sancionada pelos EUA e pela União Europeia após a anexação da Crimeia pela Federação Russa;
Empresas offshore ligadas à família do presidente da China, Xi Jinping;
Primos do presidente sírio, Bashar al-Assad;
“Homens de confiança” do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas;
33 pessoas e empresas na “lista negra” do governo dos EUA por negócios com barões da droga mexicanos (segundo Washington);
Organizações de resistência e libertação nacional consideradas terroristas pelos EUA, tais como o libanês Hezbollah além de nações consideradas por Washington como pertencentes ao Eixo do Mal, como a Coreia do Norte.
Mãos da CIA?
O jornal de Munique que repassou ao ICIJ os milhões de Papeis situa-se a centro-direita no espectro político, mantendo firme posição pró-OTAN. O SZ colabora com os britânico The Guardian e BBC, com o francês Le Monde, todos de centro-direita. Certa vez, determinado jornalista mencionou na revista alemã Der Spiegel: na Europa, todo grande meio de comunicação possui “jornalista” que faz as vezes de agente da CIA.Quanto ao ICIJ, está longe de ser um veículo de informação independente. Seu próprio sítio na Internet revela as tão poderosas quanto nada democráticas fundações e organizações promotoras de “revoluções coloridas” (como no caso de Brasil, Venezuela, Ucrânia, Síria, Líbia, Egito etc) que o financiam e trabalham intimamente com o Departamento de Estado norte-americano, há muito tempo, a fim de destabilizar nações, sabotar e derrubar governos com o fim de atender aos interesses geoestratégicos dos Estados Unidos e da OTAN.
Uma investigação de 1976 por parte do Congresso EUA, revelou que quase 50% das 700 doações à área de atuação das atividades internacionais das principais fundações do país, foram financiados pela CIA (mencionado em Who Paid the Piper? The CIA and the Cultural Cold War, Frances Stonor Saunders, Granta Books, 1999, pp. 134-135; este livro foi revisto e resenhado pelo jornalista norte-americano James Petras, e pode ser lido através desta ligação).
De acordo um ex-agente da CIA, a colaboração das “respeitáveis e prestigiosas” fundações permitiram que a agência de espionagem financiasse “um número aparentemente ilimitada de programas de ação secreta, que afetam grupos de jovens, sindicatos, universidades, editoras e outras instituições privadas” (ibidem, p. 135). A última incluiu grupos de”direitos humanos” que nasceram nos anos de 1950 e existem até hoje.
No sítio do ICIJ, na seção About (Sobre), podem ser vistos os parceiros do Consórcio, em tese jornalístico, sob o título Our supporters(Nossos apoiantes). Entre seus mantenedores, estão nada menos que:
Open Society Foundations (OSF) de George Soros, magnata inescrupuloso e um dos maiores lobistas do sujo jogo político dos EUA. As OSF trabalham em parceria com o Departamento de Estado dos EUA e com a USAID, e colaboram com Washington na “Guerra contra as Drogas” especialmente na América Latina: tal qual a “Guerra ao Terror” no Oriente Médio, na região historicamente considerada pelos EUA seu quintal traseiro, serve como pretexto para a expansão de bases militares e para cumprir a agenda econômica e política coercitivo-expansionista norte-americana.
Além disso, as OSF têm estado envolvidas com a campanha dos EUA na “Revolução Colorida”, por trás da turbulência em Kiev. Esta reportagem do jornal The Guardian comprova o envolvimento do regime de Washington na Ucrãnia.
The Ford Foundation (FF), considerada pela CIA “o melhor e mais plausível tipo de financiamento encoberto” (Who Paid the Piper?). As ligações da FF com a CIA remontam ao início das atividades da maior agência secreta dos EUA: segundo o mesmo Petras, a fim de “fortalecer a hegemonia cultural e imperial dos EUA, além de minar políticas de esquerda e sua influência cultural (The Ford Foundation and the CIA, no sítio canadense Global Research).
Conforme observado por este autor em WikiLeaks Revela que ‘Panamá Papers’ Foi Financiado pelos EUA, a FF, ONG de fachada da CIA é mantenedora do programa Observatório da Imprensa. Não por mera coincidência, seu editor-chefe, Alberto Dines, é assumidamente sionista e foi o maior promotor do golpe militar de 1964, quando escrevia para o Jornal do Brasil do Rio de Janeiro.
O mais revelador, porém, encontra-se na página do Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), organização parceira do ICIJ e cujo sítio é o divulgador dos Papeis do Panamá. O OCCRP mostra, ao final da páginaWho Supports Our Work(Quem Sustenta Nosso Trabalho): entre as organizações que sustentam o OCCRP estão novamente a de George Soros, e a USAID.
A USAID, considerada pela mídia gorda mundial, especialmente a brasileira como uma organização benevolente, tem participado de diversas atividades de desestabilização, sabotagens, golpes e assassinatos ao se infiltrar como organização de promoção da democracia e “ajuda humanitária” nos quatro cantos do planeta.
Nada mais que outra ONG “laranja” da CIA, é a USAID quem tem desestabilizado, arquitetado e financiado tentativas de golpe e de magnicídio nos países progressistas latino-americanos, bem como financiou o próprio golpe militar no Brasil em 1964. A ligação do Departamento de Estado dos EUA com a USAID é comprovado no próprio sítio do regime norte-americano.
Ali, lê-se em referência à USAID: “Uma imprensa pluralista e independente é crucial para garantir governos responsáveis e a democracia sustentável em todo o mundo”, o que é risível em se tratando de Estados Unidos. Pois exatamente essa é a tática, como se dá noObservatório da Imprensa do Brasil, por exemplo: proporcionar aspecto democrático e de fiscal do trabalho alheio sem, contudo, jamais tocar nas feridas enquanto promove os interesses políticos e econômicos dos EUA e de seus aliados.
Os Papeis em Contexto
Quanto aos Papeis do Panamá em si, pelo simples fato de que um governo, qualquer que seja ele, tenha financiado tal liberação já o torna suspeito por si só. Levando-se em consideração que o regime em questão nada mais é o de Washington, cujas “políticas” e “excessos” desde o pós-II Guerra Mundial quando se consagrou como único Estado na história a lançar bombas atômicas arrasando Hiroshima e Nagasaki, e que até os dias de hoje patrocinam os maiores crimes de sabotagens, golpes e crimes de lesa-humanidade, já é um fato mais que suficiente para lançar profundo alerta.Pois quando se depara com o fato de que nenhum político ou empresário norte-americano e nem de seu principal aliado, exatamente o Estado de Israel que igualmente tem cometido crimes de lesa-humanidade contra os palestinos – apoiado por Washington e condenado internacionalmente -, já torna desnecessário dizer qualquer coisa.
Outros importantes aliados dos EUA cujos governantes não constam são os estados policialescos de França, Espanha, Colômbia (maior parceira na região mais rica em biodiversidade do planeta, histórico palco de obsessão norte-americana), além de líderes de países-membro da OTAN. Chamam profundamente a atenção tais ausências por serem aliadas de Washington.
Imaginar também que os especuladores de Wall Street e as megacorporações com seus respectivos bilionários magnatas ocidentais não estão envolvidos em lavagem de dinheiro no Panamá seria, no mínimo, muito ingênuo. Mas nenhum deles se inclui na lista – ou, ao menos, não se tem notícia de que constem entre os Papeis.
Enquanto isso, líderes que não possuem vínculo direto com os Papeis, tais como Putin e Al-Assad, têm sido bombardeados pela mídia internacional, especialista em realizar pré-julgamentos e em ditar a opinião pública.
A este respeito, o porta-voz da Rússia, Dimitri Peskov, acrescentou que as publicações não continham nada de concreto ou de novo sobre Putin, e disse que “esta ‘putinofobia’ no exterior chegou a tal ponto que se torno, de fato, um tabu dizer qualquer coisa boa sobre a Rússia, sobre qualquer medida ou realização russa. Parece ser obrigação dizer coisas ruins, muitas coisas ruins e, quando não há nada a dizer, inventar”
Ofuscar o efeito positivo causado pelo progresso da Rússia na Síria seria um dos objetivos do ataque contra Putin, disse Peskov.
Pois este é outro fato que pode, muito bem, ser caracterizado como sintomático nesta liberação de documentos: a importância que a mídia gorda internacional (muito peso, pouco conteúdo) dá ao fato de que papeis (jamais exibidos publicamente) incriminam um amigo de Putin, enfatizando “amizade de longa-data”.
Neste sentido, a reportagem da BBC de Londres logo após as revelações, é grande evidência cuja reportagem Panama Papers: Mossack Fonseca Leak Reveals Elite’s Tax Havens reporta “Conexão Russa” no inter-título, passando a ideia de que a Rússia como um todo ou o governo russo está envolvido, e não personagens isolados como apontam os supostos documentos. Tal abordagem se difere radicalmente das reportagens do alto-empresariado e dos altos escalões do regime de Washington envolvidos em escândalos de corrupção e em práticas terroristas, o que revela uma vez mais o caráter tendencioso, acentuadamente anti-russo da grande mídia ocidental.
Portanto, envolvendo os Papeis do Panamá, assim como ocorre com outros líderes internacionais odiados pelos EUA, os presidentes russo e sírio têm sido declarados culpados por “associação” a determinados indivíduos (seu amigo de infância), não por eles mesmo terem lavado dinheiro. E este “crime por associação” tem sido sentenciado pelos principais meios ocidentais.
Se não bastassem todas essas conexões que fazem perfeito sentido de que há algo errado – documentos faltando e/ou sobrando entre tal papelada -, WikiLeaks veio a público imediatamente após a divulgação dos Papeis do Panamá afirmando que eles foram financiados por Washington.
E que se tenha em mente, especialmente entre os mais céticos que relutam em encarar a verdade dos fatos que confronta o mundo invertido imposto pela mídia ocidental, pró-Washington: a própria Casa Branca acabou, sem saída pois a organização de Julian Assange sempre apresenta documentos para sustentar suas afirmações, reconhece o referido financiamento. Contudo, o motivo apresentado por Washington foge completamente à sua regra: cooperação com o jornalismo e com o combate ao crime internacional de lavagem de dinheiro.
Lembremos aqui que não apenas os golpes militares na América Latina patrocinados por Washington e o escândalo conhecido como Irã-Contras que veio à tona em 1986 envolvendo o então presidente Ronald Reagan se deram através de lavagem de dinheiro, como atualmente oposições nacionais violentas pró-Washington, desestabilizadoras sobretudo de governos democráticos em todo o mundo, em grande medida, lavam dinheiro.
Dificilmente o agente anônimo que teve acesso e entregou os Papeis é um indivíduo. A pergunta que não quer calar é: será esta instituição “alguma” agência de Inteligência? O contexto leva a crer que sim, principalmente se o colocarmos também dentro do próprio contexto histórico das sabidas espionagens, chantagens, sabotagens, golpes, assassinatos e muita guerra suja por parte da CIA.
‘Putinofobia’: Pedra no Sapato do Império Agonizante
A Pravda já havia noticiado, em 31 de março: Kremlin Prepara-Se para Ataques ‘Jornalísticos’ contra Putin, na seção Federação Russa. “O porta-voz do presidente russo Vladimir Putin, Dmítri Péskov, em conversa com repórteres, comentou o pedido recebido pelo chefe de Estado da Federação Russa, para que respondesse a uma lista de perguntas provocativas, encaminhada por um “Request Thread - Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo” (sic). O Kremlin respondeu que não tomaria conhecimento das perguntas, propostas em estilo de Inquisição”, dizia a reportagem.Dimitri Peskov alertou que o objetivo principal da mídia ao ligar o presidente Putin a operações em paraísos fiscais, é prejudicar a imagem do presidente, “especialmente no contexto da próxima eleições parlamentares, e sob uma perspectiva de longo prazo: refiro-me às eleições presidenciais dentro de dois anos”.
Não é de hoje a aversão de Washington ao presidente Vladimir Putin e, por consequência, de seus porta-vozes desde o Pentágono midiático com sede em Nova Iorque, que ditam o que será e o que não será noticiado e opinado nos meios ocidentais e em outras regiões subservientes ao regime dos Estados Unidos.
Outros motivos não apontados pelo porta-voz do Kremlin para a guerra midiática, aproveitando-se agora dos Papeis do Panamá, são a superpotência militar que a Rússia representa, além de questões geoestratégicas que envolvem a Crimeia, cuja opção da própria sociedade em se integrar à nação russa não tem sido bem digerida pelos EUA, e a luta norte-americana em dominar a Ucrânia.
Na Síria, onde os EUA tentam derrotar Assad mas não o EI, a Rússia tem obtido sucessivas e expressivas vitórias contra o autodenominado Estado Islamita (EI).
Realmente, como se pode perceber através da agressividade de Washington e de seus porta-vozes midiáticos, a vingança por essas vitórias tem vindo a cavalo: o regime de Barack Obama tampouco tem digerido bem o efetivo combate contra seus maiores aliados no Oriente Médio, que servem como justificativa para que os EUA estacionem e aumentem o número de bases militares na região mais rica em petróleo do planeta (e ainda cerque as temidas China e Rússia): os terroristas do EI e da Al-Qaeda.
O presidente Putin não tem se demonstrado, na prática, inimigo de governo nenhum no mundo, pelo contrário. O que ocorre é o que a patologia do poder imperialista norte-americano não aceita que seus almejos coercitivo expansionistas sejam questionados e brecados, como apenas o Kremlin tem sido capaz de fazer (não por falta de vontade de inúmeras nações ao redor do planeta).
Desta maneira, a “putinofobia” é mais uma reedição da histeria macarthista que toma conta do imaginário coletivo norte-americano, cuja esquizofrenia é reverberada fielmente pelos principais meios de comunicação no Ocidente fazendo-se espalhar pelo mundo.
O Centro de Pesquisa da Opinião Pública Russo (VTsIOM) realizou uma pesquisa a qual constatou que 64% dos russos responderam “sim” à pergunta se é necessário manter a União Soviética como uma federação de repúblicas igualitária em que vão garantir-se os direitos e liberdades do homem de qualquer nacionalidade. enquete feita pela Russia Today demonstra haver ainda uma forte resistência ao capitalismo no país, já que a maior parte dos entrevistados considera a vida na Rússia Socialista melhor que nos tempos atuais, conforme pode-se verificar na página da emissora russa.
Certamente, a nação russa representa ameaça ao Estado mais terrorista da história por vários motivos que a mídia de desinformação das massas não menciona, mas que andam deixando o Império agonizante cada vez mais alarmado.
‘Papeis’ Seletivos e até Forjados?
O jornal The Guardian ressalta sempre que “grande parte do material que vazou, permanecerá secreto”. Por quê? Para que os Papeis, que coopera com a agenda da OTAN, sirvam como meio de chantagem global?Está claro que o vazamento dos Papeis do Panamá, mesmo que contenha alguns aliados de Washington – seja para dar ares de autenticidade às revelações, seja por motivos que ainda se desconhece – estão sendo vazados seletivamente ou até mesmo, em determinados casos, têm sido forjados desempenhando desta maneira mais um papel propagandista contra países e indivíduos que contrariam os objetivos geoestratégicos imperialistas.
E uma vez mais o “jornalismo” predominante internacional encontra-se completamente alijado de uma investigação neste sentido, como sempre ajoelhado diante do monoteísmo do mercado norte-americano já dando descaradas mostras de que repercutirá exaustivamente os Papeis do Panamá, inversamente proporcional ao que tem ocorrido em relação às denúncias de Edward Snowden e Julian Assange, hoje completamente esquecidos e por isso até desconhecidos de grande parte da opinião pública especialmente no Brasil (inclusive entre as classes mais favorecidas). Denúncias estas que mudam completamente a leitura que se faz da política norte-americana e internacional.
Mas tudo segue como está e, pelo visto, por outro lado os Papeis do Panamá não transformarão em nada o estado de espírito e a realidade humana. Quem viver, verá.
Edu Montesanti

sexta-feira, 6 de maio de 2016

EUA contra os BRICS: Corrupção como arma de propaganda

                               
                     
                                                                                                                                                                                                                                                                                                       

                    "Ano passado, a USAID distribui  documento (fact   Shet) no qual resume os próprios serviços de pagar jornalistas amigáveis em todo o mundo, inclusive para "formação e treinamento de jornalistas, desenvolvimento de negócios de mídia-empresa, construção de capacidade para instituições de apoio e reforço de ambientes legal-regulatórios para a livre empresa de comunicações em geral."


jornalismo, como aplicar padrões equilibrados aos abusos de direitos humanos e de corrupção financeira, já foram tão pervertidos e corrompidos, pelas demandas da propaganda, de governos e de empresas - e pelo carreirismo de tantos, incontáveis jornalistas -, que já desconfio muito, sempre que a mídia-empresa comercial dominante põe-se a trombetear alguma história suposta 'sensacional', cujo protagonista sempre é algum "vilão da hora", selecionado para a ocasião."
Infelizmente, alguns dos importantes deveres do jornalismo imparcial e independente


Incontáveis vezes esse tipo de 'jornalismo' não passa de abre-alas para o ataque de "mudança de regime" que logo aparece, para cobrir de lama ou deslegitimar algum governante estrangeiro, antes do inevitável advento de uma "revolução colorida" sempre organizada por ONGs de 'promoção da democracia', praticamente sempre com dinheiro de organizações do governo dos EUA, como National Endowment for Democracy [Dotação Nacional para a Democracia] ou de algum financista neoliberal feito George Soros [ou todas as anteriores].

O que vemos agora tem todas as características de mais uma fase preparatória para a próxima rodada de "mudança de regime", cujo abre-alas é uma enxurrada de acusações de corrupção, sem provas, contra o ex-presidente do Brasil, Luiz Ignacio Lula da Silva e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. As mais recentes acusações contra Putin - espalhafatosamente 'repercutidas' pelo Guardian do Reino Unido e outros veículos - viraram especialmente 'midiáticas' por causa dos chamados Panama Papers, que supostamente implicariam o presidente russo em negócios financeiros com empresas offshore, mesmo que o nome de Putin não apareça em nenhum daquele mar de 'documentos'.

Ou, como o Guardian escreve:

"Embora o nome do presidente não apareça em nenhum dos documentos, os dados mostram um padrão - amigos dele ganharam milhões em negócios que, aparentemente, não poderiam ter sido feitos sem o patrocínio de Putin. Os documentos sugerem que a família de Putin beneficiou-se desse dinheiro - a fortuna dos amigos é como se pertencesse ao presidente russo."

Impossível não perceber que nada nessa 'notícia' é específico, e que tudo aí é castelo erguido sobre especulações: "um padrão", "aparentemente", "sugerem", "é como se". De fato, se Putin já não fosse a figura mais demonizada na/pela mídia-empresa ocidental, tal fraseado jamais passaria sem correção pela tela do computador de qualquer editor de jornal de bairro. A única informação que pode ser verificada e eventualmente confirmada em todo esse parágrafo é "o nome do presidente não aparece em nenhum dos documentos".

Uma publicação britânica de supervisão crítica do que publica a grande mídia-empresa no Reino Unido, Off-Guardian, que critica praticamente tudo que o Guardian oferece ao público, publicou, como título/manchetedo artigo sobre Putin: "Colapso: Guardian e a autoparódia nos Panama Papers".

Mas, seja qual for a verdade sobre alguma "corrupção" de Putin ou de Lula, o aspecto relevante para o jornalismo sério é que qualquer noção de objetividade já foi há muito esquecida, para favorecer o que mais diretamente favoreça interesses 'ocidentais' e lhes pareça útil como propaganda de ativa desdemocratização.

Atualmente, alguns daqueles interesses 'ocidentais' dão sinais deextrema preocupação com o crescimento do sistema econômico conhecido como BRICS - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - como reais concorrentes do G-7 e do Fundo Monetário Internacional 'ocidentais'. Afinal, controlar completamente o sistema financeiro global sempre foi o alicerce central do qual depende o poder dos EUA no mundo pós-2ª Guerra Mundial. Nenhum rival que ameace o monopólio chamado 'ocidental', mas monopólio que é, de fato, dos EUA, será jamais bem-vindo.

O viés contra esses e outros governos pouco "amistosos" significa, na prática, que se aplica um determinado padrão a Rússia ou Brasil; mas outro, completamente diferente, muito mais laxo e condescendente, se o acusado de corrupção for líder político nos EUA ou na Europa.

Considere-se, por exemplo, os milhões de dólares que a ex-secretária de Estado Hillary Clinton recebeu como pagamento por conferências que fez/faz, pagos por interesses especiais de alguns muito ricos que sempre souberam que ela teria boa probabilidade de vir a ser presidenta dos EUA. [Vide Consortiumnews.com, "Clinton Stalls on Goldman-Sachs Speeches" (Clinton empacou nas palestras para Goldman-Sachs)].

Ou, do mesmo modo, os milhões e mais milhões de dólares investidos nos super-PACS para Clinton, Sen. Ted Cruz e outros candidatos ainda cheios de esperanças. Pode bem parecer corrupção, se se aplica aí um padrão objetivo de análise; mas é tratado como mero aspecto 'desagradável' do processo político nos EUA.

Mas imagine só por um instante que Putin recebesse milhões de dólares por algumas rápidas palavras dirigidas a corporações poderosas, bancos, grupos de interesse que estivessem fazendo negócios com o Kremlin. Qualquer coisa que aparecesse seria imediatamente ostentada na mídia-empresa, como alguma espécie de prova de facto de corrupção e ganância.

Jornalismo -noçãoAssim também, se se trata de demonizar governante de país não 'amistoso', vale qualquer "corrupção", mínima ou inventada que seja.

Por exemplo, nos anos 1980s, o presidente Ronald Reagan 'denunciou' o presidente da Nicarágua Daniel Ortega, por causa dos óculos: "O ditador de óculos de griffe" - disse Reagan, no mesmo momento em que Nancy Reagan aceitava vestidos grátis de costureiros 'da moda' e mobiliário novo para a Casa Branca, tudo grátis, pagos por interesses do BigPetróleo & Gás.

De fato, a "corrupção", quando se trata de demonizar governante 'oposto', como o presidente Viktor Yanukovych da Ucrânia, pode ser qualquer coisa, inclusive uma sauna na casa dele, 'assunto' que mereceu manchete de primeira página no New York Times e em outros veículos da grande mídia-empresa ocidental, todas empenhadas em justificar o golpe injustificável que derrubou Yanukovych, em fevereiro de 2014.

Vale anotar que ambos, Ortega e Yanukovych, foram eleitos. Mas não interessavam ao governo dos EUA e, portanto, viraram alvo de Washington e seus beleguins, que montaram contra eles violentas campanhas de desestabilização. Nos anos 1980s, a guerra chamada "dos Contra", que a CIA organizou na Nicarágua, matou 30 mil pessoas; e a 'mudança de regime' que os EUA orquestraram na Ucrânia desencadeou uma guerra civil que fez 10 mil mortos. Evidentemente, nos dois casos a Washington Oficial culpou Moscou por todas essas desgraças.

Nesses dois casos também, os políticos e beleguins que se autoempoderaram por efeito dos conflitos eram, praticamente com total certeza, muito mais corruptos que os Sandinistas da Nicarágua ou o governo de Yanukovych. Os Contras nicaraguenses, cuja violência ajudou a pavimentar o caminho para a eleição, em 1990, da candidata patrocinada pelos EUA, Violeta Chamorro, estavam profundamente implicados no tráfico de cocaína. [Vide Consortiumnews.com, "The Sordid Contra-Cocaine Saga."]

Hoje, o governo ucraniano que os EUA acobertam está naufragado em corrupção tão profunda, que a corrupção já provocou OUTRA crise política. [Vide Consortiumnews'com, "Reality Peeks Through in Ucrânia."]

Por ironia, um dos políticos cujo nome realmente aparece nos Panama Papers por ter conta clandestina num paraíso fiscal offshore é o presidente que os EUA instalaram no governo da Ucrânia, Petro Poroshenko, que imediatamente 'terceirizou' sua culpa para Putin (Poroshenko negou que haja qualquer coisa imprópria em suas finanças mantidas offshore.)

Duplifalar, duplos padrõesO jornalismo que as mídia-empresas dominantes no ocidente vendem aos cidadãos consumidores já nem tenta fingir, que fosse, que usa padrões claros e estáveis no que tenha a ver com noticiário sobre corrupção. Se você é governo 'favorecido', o que mais se ouve são lamúrias sobre a necessidade de mais "reformas" - o que sempre significa cortar aposentadorias e pensões para idosos e cortar programas sociais de apoio aos mais pobres. - Mas se você é governante a ser demonizado, nesse caso só se admite condenação, mesmo sem provas; e/ou 'mudança de regime'.

Exemplo notável desses duplos padrões é a atitude não-há-crime-algum que hoje acoberta a corrupção da ministra de Finanças da Ucrânia, Natalie Jaresko, citada incansavelmente nos veículos da mídia-empresa 'ocidental' como exemplo de boa governança e reformadora sábia na Ucrânia. A verdade fartamente documentada, contudo, é que Jaresko enriqueceu graças ao controle que teve sobre um fundo de investimento mantido por contribuintes norte-americanos, que todos esperavam que ajudasse os cidadãos ucranianos, não a ministra de Finanças.

Conforme os termos do fundo de investimento de $150 milhões criado pela Agência dos EUA para Desenvolvimento Internacional [ing. USAID], a retirada de Jaresko não poderia ultrapassar os $150 mil dólares anuais, 'salário' que muitos norte-americanos invejariam. Mas não satisfez Jaresko: primeiro ela simplesmente estourou o limite dos próprios salários e 'retirou' centenas de milhares de dólares a mais; depois fez desaparecer os próprios 'salários' das prestações oficiais de contas, quando já inventara para ela mesma 'salários' de $2 milhões ou mais.

Há vasta documentação que comprova tudo isso. Eu mesmo publiquei várias matérias sobre as provas de que ela recolhia para si 'salários' ilegais e, também, sobre as estratégias 'legais' de que se servia para encobrir qualquer prova de malversação de dinheiro público [VideConsortiumnews.com "How Uckraine's Finance Minister Got Rich" e "Carpetbagging Crony Capitalism in Uckraine."]

Pois apesar de todas as provas, nenhum único jornalista de qualquer único veículo de notícias da mídia-empresa 'ocidental' jamais seguiu as 'pistas' que recolhi e divulguei, sequer hoje, quando a mesma Jaresko já aparece incensada como candidata "das reformas", ao posto de primeira-ministra da Ucrânia.

Esse desinteresse assemelha-se muitos aos imensos antolhos em que se metem The New York Times e outros grandes veículos da mídia-empresa dominante, quando têm de 'noticiar' ou 'comentar' se o presidente Yanukovych da Ucrânia foi deposto por golpe em fevereiro de 2014, ou se só saiu para um passeio e esqueceu-se de voltar ao governo.

Em grande matéria dita "investigativa", o Times resolveu que não houve golpe na Ucrânia (resolveu também que não houve o telefonema interceptado entre Victoria Nuland, vice-secretária de Estado dos EUA para Assuntos Europeus e Asiáticos, e o embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey Pyatt [que entrou para a história como "o telefonema do Foda-se-a-União-Europeia" (NTs)], no qual Nuland informa o embaixador de que "Yats é o cara" e - surpresa, surpresa - Arseniy Yatsenyuk logo apareceu já primeiro-ministro).

Times também ignorou a observação de George Friedman, presidente da firma global de inteligência privada, Stratfor, que avaliou que o golpe na Ucrânia foi "o mais escancarado golpe da história". [VideConsortiumnews.com "NYT Still Pretends No Coup in Ucrânia."]

A propaganda como arma (de desdemocratização)Outra vantagem da "corrupção" como arma de propaganda para desacreditar alguns líderes não amigáveis, é que em todos os governos há sempre muita corrupção, bem como em todos os setores privados, em todo o mundo. Acusar qualquer um de corrupção é fácil como fisgar peixe gordo apertado em barril pequeno. Claro, alguns barris são mais apertados que outros e, claro, há muita gente honesta. O xis da questão é o barril que cada um escolhe para pescar, de cada vez.

Essa precisamente é a razão pela qual o governo dos EUA gasta centenas de milhões de dólares em todo o planeta para financiar mídia-empresas de 'jornalismos' e 'jornalistas'; para treinar ativistas políticos e apoiar com dinheiro e profissionais as tais "organizações não governamentais", ONGs que promovem as políticas dos EUA dentro da sociedade dos países atacados. Por exemplo, antes do golpe de 22/2/2014 na Ucrânia, havia lá incontáveis organizações desse tipo financiadas e protegidas pela National Endowment for Democracy (NED), cujo orçamento é previsto no orçamento do Congresso dos EUA e ultrapassa $100 milhões anuais.

Mas essa NED, presidida desde a fundação, em 1983, pelo neoconservador Carl Gershman, é apenas parte do quadro. Há outras frentes de propaganda operantes sob o guarda-chuva do Departamento de Estado e da USAID.[2] Ano passado, a USAID distribuiu umdocumento, um fact sheet no qual resume os próprios serviços de pagar jornalistas amigáveis em todo o mundo, inclusive para "formação e treinamento de jornalistas, desenvolvimento de negócios de mídia-empresa, construção de capacidade para instituições de apoio e reforço de ambientes legal-regulatórios para a livre empresa de comunicações em geral."

USAID estimava o próprio orçamento para programas de "fortalecimento da mídia-empresa em mais de 30 países" em mais de $40 milhões anuais, incluindo ajuda financeira a "organizações de mídia-empresa independente e blogueiros, em mais de 12 países".

Na Ucrânia antes do golpe, a USAID oferecia treinamento em "segurança para comunicação por telefones celulares e para websites" - expressões que soam muito semelhantes a "operação para burlar os serviços de inteligência dos governos locais", posição muito suspeita, no caso dos EUA e sua obsessão nacional com vigilância e criminalização e acusações criminais contra vazadores de informação, baseadas, não raras vezes, em 'provas' de que teriam falado com jornalistas.

USAID, trabalhando com a ONG Open Society [Sociedade Aberta] do bilionário George Soros, também financia e promove o Projeto de Jornalismo contra o Crime Organizado e a Corrupção [sigla ing. OCCRP], que reúne e paga "jornalistas investigativos" que vivem de caluniar e perseguir governos que não se 'comportem' como reza a cartilha dos EUA, e os quais, sempre, são 'denunciados', nos veículos da mídia-empresa comercial por prática de 'corrupção'. O OCCRP que é mantido pela USAID também colabora com Bellingcat, website de "jornalismo investigativo" fundado pelo blogueiro Eliot Higgins.

Higgins já várias vezes distribuiu informação falsa pela Internet, inclusive 'notícias' - hoje já desmentidas - que envolviam o governo sírio no ataque com gás sarin em 2013; foi também quem desencaminhou uma equipe da TV australiana para um local onde 'filmaram' uma bateria BUK antiaérea que supostamente estaria voltando para a Rússia, depois de 'ter derrubado' o avião da Malaysia Airlines, dia 17/7/2004.

Mas apesar desse duvidoso currículo de confiabilidade, Higgins rapidamente caiu nas graças da mídia-empresa dominante, em parte porque seus "furos" sempre combinam bem com o tema da propaganda que o governo dos EUA e seus aliados ocidentais estejam promovendo. Enquanto blogueiros genuinamente independentes são ignorados pela empresas que dominam o mercado da comunicação, Higgins já teve seus serviços elogiados pelo New York Times e pelo The Washington Post.

Em outras palavras, o governo dos EUA tem estratégia robusta para distribuir e fazer agir seus agentes diretos e indiretos para influenciar a opinião pública.

Verdade é que já durante a primeira Guerra Fria, a CIA e a velha Agência de Informação dos EUA cuidavam de refinar a arte da "guerra de informação": são pioneiras de várias práticas que utilizam até hoje, como sustentar financeiramente entidades e ONGs, divulgadas como se tivessem "opinião independente", e cuja missão é distribuir propaganda dos EUA para um público ao qual a mídia-empresa comercial ensinou a não acreditar no que digam os próprios governos, e a confiar cegamente em "jornalistas cidadãos" e "blogueiros" de aluguel.

Mas o maior perigo que advém dessa perversão do jornalismo, entregue a jornalistas pervertidos, é que ela prepara o cenário para "mudanças de regime" que desestabilizam países inteiros, pervertem a democracia (pela qual se manifesta o desejo do povo) e os mecanismos de democratização, e sempre põem os países atacados sob ameaça de guerra civil. Hoje, o sonho dos neoconservadores, de promover uma "mudança de regime" em Moscou [e no Brasil (NTs)] é especialmente perigoso para o futuro da Rússia, dos EUA e de todo o mundo.

Independente do que cada um pense sobre o presidente Putin, não há como negar que é líder político racional, cujo sangue frio já legendário blinda-o quase totalmente contra decisões emocionais. O tipo de liderança do presidente Putin agrada ao povo russo, que o apoia em amplas maiorias, como mostra pesquisas de opinião pública.

Por mais que os neoconservadores norte-americanos fantasiem que sejam capazes de gerar suficientes dor econômica e dissenção política dentro da Rússia, que levariam à derrubada de Putin, o sonho deles - de que Putin seria substituído por governante 'dócil' como o ex-presidente Boris Yeltsin, que deixou que operadores dos EUA voltassem à Rússia, onde puderam continuar a saquear riquezas russas - não passa de fantasia.

Muitíssimo mais provável - no caso de os EUA conseguirem armar, sabe-se-lá como, uma "mudança de regime" - é que Putin fosse substituído por um nacionalista linha-dura que pode, sim, considerar seriamente abrir as portas do arsenal nuclear russo, no caso de os EUA aparecerem por lá com ares de quem quer humilhar a Mãe Russa. Na minha avaliação, Putin não é motivo de preocupações; mas, sim, quem surja depois dele, no caso de golpe que o derrube.

Assim sendo, claro que devem prosseguir investigações legítimas que por acaso haja sobre a "corrupção" de Putin - e de qualquer outra figura pública. Mas não se deve admitir que sejam rebaixados os padrões de comprovação e devido processo que a lei impõe.

Nenhum crime se tornaria 'justificável' apenas porque o 'ocidente' ordenou que Putin [ou o ex-presidente Lula do Brasil] seja(m) tratado como 'o perigo' da hora. É indispensável manter padrões únicos e coerentes de investigação, não padrões arranjáveis, dúbios, duplos, conforme o freguês.

Os ares de ultraje extremo que a mídia-empresa comercial ocidental alardeia contra a "corrupção" dos outros, deve-se manifestar com igual eloquência também contra agentes políticos e empresariais dos EUA, de outros países do G-7, não exclusivamente contra os agentes políticos eleitos nos países BRICS.*****


É exatamente o tipo de golpe 'jornalístico' que está sendo construído contra a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, já candidato a reeleição, no Brasil. O UOL News, um dos braços mais militantes do desjornalismo que opera no Brasil-2016, 'noticia', absolutamente sem prova alguma de coisa alguma:

"Segundo o procurador da República Carlos Fernando Lima, 60% (R$ 20 milhões) das doações ao Instituto Lula e 47% (R$ 10 milhões) dos valores pagos a LILS Palestras, Eventos e Publicações (empresa que tem o ex-presidente como sócio) vieram das maiores empreiteiras envolvidas na Lava Jato - Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e UTC. - É o núcleo duro do cartel que dilapidou o patrimônio da Petrobras", afirmou o procurador".

Tudo isso é, no mínimo, com certeza, suposição. Para começar, aquelas empreiteiras são tradicionais doadoras para as campanhas de TODOS os candidatos com chances de vencer. E, além disso, o patrimônio da Petrobrás absolutamente NÃO FOI 'DILAPIDADO'. E não há nem fiapo de prova de coisa alguma disso que UOL 'noticia' que o Procurador "afirmou". Houvesse cuidado de encontrar provas, antes de espalhar 'notícias', o mais provável é que "afirmações" e "detalhamentos" feitos pelo Procurador já estivessem saudavelmente desmentidos [NTs].+
 A USAID [sigla em ing. de Agência dos EUA para Desenvolvimento Internacional] teve destacado e macabro papel no golpe de 1964-68 no Brasil, sobretudo no que tivesse a ver com a 'reforma' da educação brasileira feita do bojo dos "Acordos MEC-USAID", de sinistra memória e consequências que perduram até hoje [NTs].
4/4/2016, Robert Parry, Consortium News

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Lula, O Poderoso Chefão


Por Malu Aires, no facebook


"Segundo Janot, Lula é o chefe de uma quadrilha que atuava dentro da Petrobras, desde o governo Fernando Henrique Cardoso.  Como a gente nunca desconfiou disso, seu Janot?

Um chefe de quadrilha que, enquanto seus 'subordinados' recheavam contas em milhões de dólares na Suíça, Israel, Caribe e EUA, passava os feriados num sítio emprestado em Atibaia, dentro de uma barco de alumínio, pescando tilápia.  Imaginem só se ele passaria as férias em Paris pra dar bandeira, né doutô Janot? 

Com a família reunida na beirada da lagoa, chinelo havaiana e caixas de isopor na cabeça, Lula criou um disfarce genial pro corruptos do século XXI - o do bondoso corrupto que rouba pros outros. Um chefe de quadrilha que roubava para ajudar os diretores da petrolífera (pobrezinhos), pra ajudar o PMDB a criar a cobra Cunha pra derrubar Dilma um dia e pra fazer o PP e o PMDB liderarem o ranking da corrupção que paga "SIM" prum processo sem crime. Lula é um gênio da invenção do tiro no pé.   Ô doutô Janot... como a gente não pensou nisso?

Como a gente não pensou que sua linha de raciocínio segue a mesma do Gilmar Mendes, do Revoltados Online, da Rede Globo, do PSDB, dos delegados misóginos da Lava Jato e da turma toda do Paraná que começou investigando lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas (mais uma vez operada pelo mesmo Youssef de sempre), indo parar bem longe de qualquer narcotraficante em Brasília?

Como a gente não percebeu a instituição sólida que é esse MPF que canta a mesma ladainha do Cassio Conserino? Que tem a mesma obsessão por Lula que o perturbado Douglas Kirchner?
Como a gente não percebeu que o negócio de vocês é prender o Lula sem crime e deixar os corruptos tirarem Dilma da presidência, sem crime também (um vale a pena ver de novo o mentirão)? 

Como a gente não percebeu que o Ministério Público virou privado e quem tá bancando a pipoca no cinema é o crime organizado por, entre outros, Cunha, Aécio e Serra?   E desde quando Ministério Público é instituição sagrada? Desde Brindeiro?
Geraldo Brindeiro, Roberto Gurgel e Rodrigo Janot
Depois que a gente descobre que gente como Fernando Capez e Carlos Sampaio já foram promotores, a gente entende que o time do Janot sempre teve bico grande.  Depois que a gente descobre que sempre o mesmo MPF pede clemência pros crimes cometidos por Youssef, sempre o absolvendo de lavagem de dinheiro pro tráfico, a gente constata que toda a cocaína no Brasil sempre entrou, sempre entra e sempre entrará sem dono. É que os narco-dólares estimulam bolhas na bolsa e no Mercado - tudo o que o neoliberalismo defende. Dinheiro esse que, somado à corrupção, desaba uma Petrobras em um dia de bolsa.

No final de janeiro de 2015, Janot conta à imprensa que teve sua casa arrombada. Disse ele que não levaram nada, além do controle do portão.   O que Janot não contou é que levaram dele nesse dia, a coragem que ele guardava na gaveta e a dignidade que ele escondia no armário."

Nunca antes na história dos Estados Unidos







Uma pesquisa explica a porquê do fenômeno Bernie Sanders: agora, 51% da juventude norte-americana rejeitam o capitalismo. Mas.. isso basta?
A campanha meteórica de Bernie Sanders à presidência dos EUA surpreendeu o mundo. Num país em que o espírito capitalista é visto quase como parte da própria nacionalidade, um candidato que se declara “socialista democrático” e defende o controle social sobre os mercados financeiros chegou a desafiar Hillary Clinton. Como isso foi possível?
Uma pesquisa da Universidade de Harvard, divulgada nesta segunda-feira (2/5) pode ajudar a encontrar as respostas. Ela revela que 51% dos “jovens adultos” — a população entre 18 e 29 anos — rejeitam o capitalismo em sua forma atual (o “capitalismo realmente existente”, em outros palavras). Apenas 42% o apoiam. Além disso, quase 50% dos entrevistados nesta faixa de idade defendem a Saúde com um serviço público, a ser custeado pelo Estado — o que é um anátema, nos EUA. E mesmo entre os mais idosos, e eleitores do Partido Republicano, diminuiu sensivelmente a porcentagem dos que defendem as lógicas do sistema.

Os resultados suscitam outra questão: se até mesmo nos EUA o contingente de críticos ao capitalismo é tão grande, por que é tão difícil desafiar o sistema — cujas lógicas parecem cada vez mais entranhadas nas sociedades? Outras Palavras está traduzindo, e publicará em breve, uma entrevista em que o filósofo Jacques Rancière aporta mais alguns elementos à compreensão do problema.
Estamos numa fase de transição, diz ele. As lógicas do capitalismo podem ser as mesmas, mas sua configuração mudou. “Antes existiam ‘grandes subjetivações coletivas’ (por exemplo, o movimento operário), que permitiam aos excluídos incluir-se no mesmo mundo daqueles a quem combatiam. Mas a virada neoliberal destroçou estas forças”.
Para Rancière, um dos passos indispensáveis é construir novas subjetivações coletivas, novas formas de estar no mundo que abranjam — e sejam mais corrosivas e portadoras de alternativas — do que os pertencimentos a gênero ou etnia, por exemplo. Sem isso, teme o filósofo, o risco é que a crítica ao capitalismo dissolva-se em fragmentação impotente.