Translate

sábado, 4 de junho de 2016

A INSUBSISTÊNCIA DA RIQUEZA ABSTRATA

DALTON ROSADO: "O QUE É ABSTRATO, QUANDO SE TORNA REAL, SUFOCA A PRÓPRIA REALIDADE".

A INSUBSISTÊNCIA DA RIQUEZA ABSTRATA 

    
Por Dalton Rosado
 

."Pôr em curso abstrações no plano da 
realidade significa destruir a realidade"
(Hegel, em História da filosofia)
.
As pessoas em geral não se apercebem que o valor (dinheiro e mercadorias) é uma abstração que se torna real. 

Mas o fato de se tornar real, ou seja, de se imiscuir num sentido prático na vida das relações sociais de modo sensível (como um pão; uma cédula de dinheiro; ou um cartão de crédito) não significa que deixe de ser abstração; de ser um produto da mente que se apodera do concreto; ou ainda, e melhor dizendo, de ser uma convenção numérica valorativa (um quantitativo de valor expresso em dinheiro) que interfere num objeto concreto necessário ao consumo humano, transformando-o em mercadoria (com valor de uso, seu lado concreto e, concomitantemente, com valor de troca, seu lado abstrato, numericamente definido). 

Assim, tal abstração passa a ser uma relação entre coisas valoradas e levadas ao mercado pelas pessoas, e não uma relação entre pessoas diretamente. São coisas, objetos inanimados, que ganham vida, e que passam a dominar as pessoas numa relação fetichista sem que elas sequer o percebam. 

A abstração domina o concreto como forma de relação social, negativamente, na medida em que se torna mais importante do que o objeto concreto (um quilograma de alimento, p. ex.), posto que, tal objeto apenas serve como instrumento utilitário à existência da riqueza abstrata.

Mas o leitor pouco afeito a questões filosóficas perguntaria: e daí? Onde está a negatividade desse mecanismo de relação social, aparentemente um ganho civilizacional das sociedades?

Além do caráter fetichista da riqueza abstrata (expressão usada por Marx numa analogia ao fetichismo religioso dos aborígenes que adoravam os totens de pedras por eles construídos e aos quais atribuíam poderes divinais em nome dos quais faziam sacrifícios humanos) que submete os indivíduos sociais aos ditames ditatoriais de uma relação entre coisas (as mercadorias), a negatividade da riqueza abstrata se manifesta em vários outros aspectos, senão vejamos:
a) caráter insensível à realidade  o objeto teleológico da abstração valor é a sua reprodução autotélica, ou seja, enquanto capital precisa estar em contínuo crescimento de si mesmo, ad infinitum, indiferentemente a qualquer função social, para manter-se em pé. Daí o dito popular dizer, intuitivamente, que a medida do ter nunca enche. Isso significa que não importa se se fabricam bombas ou remédios; cocaína ou alimentos; se se agride a ecologia ou se se destrói os recursos naturais renováveis, pois o vital para sua existência é a sua reprodução contínua aumentada, que no seu desiderato insensível torna-se destrutiva e passa por cima de tudo, tornando os indivíduos sociais inconscientes dessa destruição ou impotentes para detê-la dentro de sua lógica autofágica;
b) caráter segregacionista  para atingir o seu desiderato autotélico de necessária acumulação abstrata só existe uma forma: a apropriação cumulativa de parte do valor produzido através desse ente de simultânea personalidade concreta e abstrata a mercadoria que por sua vez nasce de outra mercadoria, concomitantemente abstrata e concreta, qual seja a força de trabalho humana transformada em valor, e que se materializa, objetiva-se numa coisa qualquer mensurada numericamente em valor através do dinheiro no mercado (como uma cadeira vendida, p. ex.). Tudo que é concreto, nesse universo de conceitos, é transformado em abstrato, ou melhor, é essencialmente abstrato, por natureza, e o que é concreto passa apenas a servir ao objeto teleológico da abstração. Assim, a acumulação da riqueza abstrata produzida pelo capital, implica, necessariamente, na subtração social coletiva dela mesma, ou seja, implica na sua não distribuição social equitativa, razão de ser da miséria social histórica da relação social sob a égide da riqueza abstrata, também conhecida como capitalismo;
c) caráter destrutivo — a riqueza abstrata é essencialmente destrutiva porque é socialmente segregacionista, e qualquer simplório desenvolvimento de um raciocínio lógico pode deduzir que se se produz socialmente bens que são representados por riqueza abstrata (valor dinheiro e mercadorias) e esses bens venham a ser apropriados a partir de uma lógica cumulativa crescente e excludente, uma parte cada vez maior de produtores ficará privada do acesso a esses bens, fenômeno que aponta, num ponto futuro, para a criação de um contingente humano cada vez maior por ela excluído (pela riqueza abstrata), provocando a destruição social sob sua forma (anomia e barbárie);
d) caráter autodestrutivo — a produção e manutenção da riqueza abstrata (como tudo que não é natural) é, também, contraditória em si, pois a sua necessidade de crescimento infinito esbarra na sua própria finitude, apontando para o momento da sua impossível reprodução cumulativa. A tendência de necessário crescimento da riqueza abstrata para sua manutenção em pé (tal qual a velocidade é necessária para manter uma bicicleta em pé) atinge o seu limite interno absoluto (Marx) quando o nível de produtividade das mercadorias pelo trabalho morto (das máquinas) torna a trabalho abstrato produtor de valor uma base miserável, concomitantemente ao declínio ou limite da capacidade humana de consumo de mercadorias. Este é o seu ponto de autodestruição da forma, e ele foi agora atingindo.
Já os filósofos gregos, que assistiram ao surgimento embrionário da relação social abstrata da forma valor (dinheiro e mercadorias) há 3 mil anos, denunciavam a sua negatividade, e foi Sófocles (1) quem sentenciou: 
"Nunca houve instituição tão fatal aos homens como o dinheiro. É ele que arruína as cidades; é ele que expulsa as pessoas de suas moradias; é ele que seduz e que atormenta os espíritos virtuosos dos homens e os leva a cometer ações vergonhosas. Instiga-os sempre à vilania e à prática de todas as impiedades"
Será que os instruídos seres humanos desse início de século XXI não saberão compreender e superar a negatividade da riqueza abstrata que ora os destrói?
.
1. citação feita por Marx, no livro Contribuição para a crítica da economia política, Edições Martins Fontes, 1983, pág. 314.

terça-feira, 31 de maio de 2016

"A silenciar a América quando ela prepara uma nova guerra"

31.05.2016

Retornando aos Estados Unidos num ano eleitoral, estou impressionado pelo silêncio. Já cobri quatro campanhas presidenciais, a principiar pela de 1968; eu estava com Robert Kennedy quando ele foi alvejado e vi o seu assassino, a preparar-se para matá-lo. Foi um baptismo no estilo americano, juntamente com a violência salivante da polícia de Chicago na convenção amanhada do Partido Democrático. A grande contra-revolução havia começado.

O primeiro a ser assassinado naquele ano, Martin Luther King, ousara ligar o sofrimento dos afro-americanos e o do povo do Vietnã. Quando Janis Joplin cantava, "Liberdade é apenas outra palavra para nada deixar a perder", ela talvez falasse inconscientemente aos milhões de vítimas da América em lugares remotos.

"Perdemos 58 mil jovens soldados no Vietnã e eles morreram a defender a tua liberdade. Agora não os esqueça". Assim dizia um guia do Serviço de Parques Nacionais quando na semana passada filmei o Lincoln Memorial, em Washington. Ele dirigia-se a um grupo escolar de adolescentes em brilhantes t-shirts laranjas. Como que automaticamente, ele inverteu a verdade acerca do Vietnã convertendo-a numa mentira incontestada.

Os milhões de vietnamitas que morreram e foram mutilados e envenenados e desalojados pela invasão americana não têm lugar histórico nas mentes jovens, para não mencionar os estimados 60 mil veteranos que deram cabo das suas próprias vidas. Um amigo meu, um fuzileiro naval (marine) que ficou paraplégico no Vietname, era muitas vezes indagado: "A qual lado se opunha?"

Uns anos atrás comparecei a uma exibição popular chamada "O preço da liberdade" na venerável Smithsonian Institution, em Washington. Às filas de pessoas comuns, sobretudo crianças arrastadas numa caverna santa de revisionismo, era administrada uma vasta variedade de mentiras: o bombardeamento atómico de Hiroshima e Nagasaki salvou "um milhão de vida"; o Iraque foi "libertado [por] ataques aéreos de precisão sem precedentes". O tema era infalivelmente heróico: só americanos pagam o preço da liberdade.

A campanha eleitoral de 2016 é notável não só pela ascensão de Donald Trump e Bernie Sanders como também pela resiliência de um silêncio permanente acerca de um mortífero [estatuto] auto-concedido de divindade. Um terço dos membros das Nações Unidas já sentiu a bota de Washington, derrubando governos, subvertendo democracias, impondo bloqueios e boicotes. A maior parte dos presidentes responsáveis foram liberais –Truman, Kennedy, Johnson, Carter, Clinton, Obama.

O recorde sensacional de perfídia é tão mutante na mente do público, escreveu o falecido Harold Pinter, que ele "nunca aconteceu ... Nada alguma vez aconteceu. Mesmo quando estava a acontecer não estava acontecendo. Isso não importava. Não tinha interesse. Pouco importava...". Pinter exprimia uma admiração simulada pelo que chamava "uma manipulação bastante clínica do poder à escala mundial ao mesmo tempo que era mascarada como uma força para o bem universal. É brilhante, mesmo genial, um acto de hipnose com grande êxito".

Tome-se Obama. Quando ele se prepara para deixar o gabinete, começou outra vez toda a bajulação . Ele é "cool". Como um dos presidentes mais violentos, Obama deu rédea solta ao aparelho de fabricação de guerras do seu desacreditado antecessor. Ele perseguiu mais denunciantes – os que contavam verdades – do que qualquer outro presidente. Ele declarou Chelsea Manning culpada antes de ela ser examinada. Hoje, Obama dirige uma campanha mundial sem precedentes de terrorismo e assassinato através de drones.

Em 2009 Obama prometeu ajudar a "livrar o mundo de armas nucleares" e recebeu o Prémio Nobel da Paz. Nenhum presidente americano construiu mais ogivas nucleares do que Obama. Ele está a "modernizar" o arsenal da America para o juízo final, incluindo uma nova "mini" arma nuclear, cuja dimensão e tecnologia "inteligente", disse um general proeminente, assegura que a sua utilização "já não é mais impensável".

James Bradley, o autor do best-seller Flags of Our Fathers e filho do fuzileiro naval dos EUA que asteou a bandeira sobre Iwo Jima, disse: "Um grande mito que estamos a assistir é esse de Obama como uma espécie de rapaz pacífico que está a tentar livrar-nos de armas nucleares. Ele é o maior belicista nuclear que há. Está a comprometer-nos numa corrida ruinosa de gastos de um milhão de milhões de dólares com mais armas nucleares. De certo modo, as pessoas vivem nesta fantasia de que como ele dá notícias vagas em conferências e discursos e aparece bem em fotografias isso de algum modo está ligado à política real. Não está".

Com Obama, uma segunda guerra fria está a caminho. O presidente russo é um vilão de pantomina; os chineses ainda não estão de volta à sua sinistra caricatura de macacos – quando todos os chineses forem banidos dos Estados Unidos – mas os guerreiros da mídia trabalham para isso.

Nem Hillary Clinton nem Bernie Sanders mencionaram algo disto. Não há risco nem perigo para os Estados Unidos e todo nós; para eles, a maior acumulação militar nas fronteiras da Rússia desde a Segunda Guerra Mundial não aconteceu. No dia 11 de Maio a Roménia aceitou uma base de "defesa de mísseis" da OTAN que aponta mísseis americanos de primeiro ataque ao coração da Rússia, a segunda potência nuclear do mundo.

Na Ásia, o Pentágono está a enviar navios, aviões e forças especiais para as Filipinas a fim de ameaçar a China. Os EUA já cercam a China com centenas de bases militares que se encurvam num arco desde a Austrália até a Ásia e através do Afeganistão. Obama chama a isto um "eixo central" ("pivot").

Como consequência directa, a China confirmadamente mudou sua política de armas nucleares do não-primeiro-uso para o alerta máximo e lançou ao mar submarinos com armas nucleares. A escada rolante está a acelerar.

Foi Hillary Clinton quem, como secretária de Estado em 2010, elevou as reivindicações territoriais que competiam por rochas e recifes no Mar do Sul da China a uma questão internacional. Seguiu-se a histeria da CNN e da BBC. A China estava a construir pistas de pouso nas ilhas disputadas. Num jogo de guerra gigante em 2015, a Operation Talisman Sabre , os EUA e a Austrália experimentaram "engasgar" os Estreitos de Málaca pelos quais passa a maior parte do petróleo e do comércio da China. Isto não foi noticiado.

Clinton declarou que a América tinha um "interesse nacional" naquelas águas. As Filipinas e o Vietnã foram encorajados e subornados para prosseguirem com suas reivindicações e velhas inimizades contra a China. Na América, o povo está a ser intoxicado a fim de encarar qualquer posição defensiva chinesa como ofensiva e, assim, o terreno fica preparado para uma escalada rápida. Uma estratégia semelhante de provocação e propaganda é aplicada à Rússia.

Clinton, a "candidata das mulheres", deixa um rastro de golpes sangrentos:   nas Honduras, na Líbia (mais o assassínio do presidente líbio) e na Ucrânia. Este último é agora um parque de diversões da CIA enxameado de nazis e a linha de frente de uma acenada guerra com a Rússia. Foi através da Ucrânia – literalmente, terra de fronteira – que os nazis de Hitler invadiram a União Soviética, a qual perdeu 27 milhões de pessoas. Esta catástrofe gigantesca permanece presente na Rússia. A campanha presidencial de Clinton tem recebido dinheiro de todas excepto uma das dez maiores companhias de armamento do mundo. Nenhum outro candidato se aproxima.

Sanders, a esperança de muitos jovens americanos, não é muito diferente de Clinton na sua visão de proprietário do mundo para além dos Estados Unidos. Ele apoiou o bombardeamento ilegal da Sérvia promovido por Clinton. Ele apoiou o terrorismo de Obama com drones, a provocação da Rússia e o retorno de forças especiais (esquadrões da morte) ao Iraque. Ele nada tem a dizer sobre os tambores de guerra com ameaças à China e quanto ao agravamento do risco de guerra nuclear. Ele concorda em que Edward Snowden deveria ser submetido a julgamento e chama Hugo Chavez – um social-democrata, como ele – de "ditador comunista morto". Ele promete apoiar Clinton se esta for nomeada.

A eleição de Trump ou de Clinton é a velha ilusão da escolha que não é escolha:   dois lados da mesma moeda. Transformando minorias em bodes espiatórios e prometendo "tornar a América grande outra vez", Trump acaba por ser um populista interno de extrema direita; mas o perigo da Clinton pode ser mais letal para o mundo.

"Só Donald Trump não disse nada de significativo e crítico acerca da política externa dos EUA", escreveu Stephen Cohen , professor emérito de História Russa nas Universidades de Princeton e Nova York, um dos poucos peritos em Rússia nos Estados Unidos a falar acerca do risco de guerra.

Numa entrevista à rádio, Cohen referiu-se a questões críticas que só Trump levantou. Dentre elas:   por que os Estados Unidos estão "por toda a parte do globo"? O que é a verdadeira missão da OTAN? Por que os EUA procuram sempre mudanças de regime no Iraque, Síria, Líbia, Ucrânia? Por que Washington trata a Rússia e Vladimir Putin como inimigos?

A histeria nos media liberais acerca de Trump serve a uma ilusão de "debate livre e aberto" e de "democracia a funcionar". Suas visões sobre imigrantes e muçulmanos são grotescas, mas o deportador-chefe de pessoas vulneráveis da América não é Trump e sim Obama, cujo legado é a traição às pessoas da sua cor:   basta ver a acumulação nas prisões de uma população principalmente negra, agora mais numerosa do que no gulag de Stalin.

Esta campanha presidencial pode não ser acerca do populismo mas sim do liberalismo americano, uma ideologia que se vê a si própria como moderna e portanto superior e o único caminho consagrado. Aqueles à sua direita comportam-se como os cristãos imperialistas do século XIX, com um dever divino de converter ou cooptar ou conquistar.

Na Grã-Bretanha, isto é o blairismo. O criminoso de guerra cristão Tony Blair avançou com a sua preparação secreta para a invasão do Iraque em grande medida porque a classe política e os media liberais caíram no seu "orgulho britânico" ("cool Britannia"). No Guardian, o aplauso era ensurdecedor; ele foi chamado de "místico". Uma ilusão conhecida como política de identidade, importada dos Estados Unidos, acomodou-se facilmente aos seus cuidados.

A história foi declarada ultrapassada, a classe foi abolida e o género promovido como feminismo; montes de mulheres tornaram-se deputadas do New Labour. Desde o primeiro dia no Parlamento elas votaram pelo corte de benefícios a pais solteiros, sobretudo mulheres, como lhes foi instruído. A maioria votou por uma invasão que provocou 700 mil viúvas iraquianas.

O equivalente nos EUA são os politicamente correctos belicistas do New York Times, Washington Post e redes de TV que dominam o debate político. Era claro, disseram eles, que a um homem como aquele não podia ser confiada a Casa Branca. Nenhumas questões foram levantadas. Nada acerca dos 80 por cento de americanos cujo rendimento colapsou para os níveis da década de 1970. Nada sobre a deriva para a guerra. A sabedoria corrente parece ser "cuide do seu nariz" e vote por Clinton: qualquer um excepto Trump. Desse modo, você trava o monstro e preserva um sistema que silencia [a preparação de] uma nova guerra.


por John Pilger

sábado, 28 de maio de 2016

RT (Rússia) Golpe foi para roubar o pré-sal do Brasil

25/5/2016 18:44
Não foi "contra corrupção'' diz o jornal russo, foi para tomar o pré sal do Brasil

















Haneul Na’avi
Tradução: Lia Drumond

Original Aqui


O impeachment de Dilma Rousseff foi motivado por seus esforços para contornar a dominância do dólar americano através do comércio com o Irã, em vez de as alegações contínuas de corrupção, a hipótese é de Haneul Na'avi, analista independente. Nos tempos antigos, comunidades colocariam seus pecados nas costas de um al-Azazel, ou bode expiatório, e lançaria-o ao deserto para morrer. Isso foi feito a cada ano, a fim de angariar favoritismo aos olhos de Deus e garantir uma colheita abundante. Da mesma forma ritualística, o governo interino do Brasil escolheu honrar esta tradição às custas do consentimento dos governados.
A presidenta afastada e líder do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff, aguarda um processo de impeachment produzido apesar da contrariedade do Presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, que ordenou a sua anulação. Um Congresso desafiador jogou todo o seu peso às portas dos Tribunais Superiores de Brasília com queimas de oferendas pela sua carreira política; com a esperança de que do sacrifício dela vá nascer um Dark Age neocolonial. Mãos são apertadas, elas aguardam as bênçãos da Chevron, Royal Dutch Shell, e do Departamento de Estado dos EUA para afirmar as suas convicções.
O líder do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), iniciador golpe e presidente interino Michel Temer desejou vender Rousseff por suas 30 moedas de prata, de acordo com WikiLeaks, e apesar dos pecados intermináveis permeando o Poder Legislativo do Brasil, a grande mídia empenhou seus erros financeiros pela traição, obscurecendo completamente a visão geral. "Dilma Rousseff não foi acusado de qualquer impropriedade financeira. No entanto, 318 membros do Congresso brasileiro, incluindo muitos que apoiaram o impeachment, estão sob investigação ou são acusados", Democracy Now destaca.
As subcorrentes do golpe fluem diretamente da Petrobras, a empresa estatal de petróleo do Brasil, atualmente sob fogo depois da Operação Lava Jata, que desenterrou vários escândalos de corrupção em massa em 2014, e a roubalheira multi-partidária viu Rousseff herdar a dívida de 130 bilhões de dólares da empresa. Felizmente, para proteger a moeda nacional do país, o real brasileiro, a Petrobras inteligentemente manteve a sua dívida em dólares americanos para uma fácil conversibilidade em títulos, mantendo a receita em reais. "[...] 80 por cento das dívidas da empresa são denominados em dólar, mas grande parte de sua receita vem da venda de combustíveis no mercado interno em reais", afirmou um artigo da Energy Fuse. Infelizmente, no ano passado o dólar se fortaleceu e flutuou, o que inflamou peso da dívida do país. "Inflado por um dólar mais forte, a dívida bruta da Petrobras aumentou para 799.25 bilhões de reais [US $ 223 bilhões] no final de 2015 [...] mesmo que a empresa tenha reduzido as despesas de investimento e passado os últimos seis meses do ano, tentando - com sucesso limitado - vender ativos ", afirma MarketWatch. Uma combinação de enfraquecimento das taxas de câmbio, o alto fornecimento global de petróleo e queda da demanda doméstica, fez pouco para parar as hemorragias de receitas da Petrobras no meio do escândalo de corrupção.
A expansão no fornecimento global foi atribuída às negociações fracassadas da OPEP com a Arábia Saudita, líder indiscutível do cartel, depois que ela infantilmente respondeu a "revolução óleo de xisto" da América do Norte com uma superabundância de petróleo que desnecessariamente encolheu receitas globais para mínimos históricos e ameaçou a Petrobras limitando taxas de produção a 2,7 BPD (barril por dia). Dada a escassez de recursos, a empresa foi forçada a vender ativos para evitar o aparecimento da doença holandesa* inversa. "Se os preços do petróleo permanecerem baixos, eu não estou muito esperançoso," disse Fabio Fuzette, da Antares Capital. Com a dívida aumentando em dólares americanos e lucros caindo em reais, a Petrobras viu-se à mercê do petrodólar. O relatório Q4 da empresa refletiu perdas escalonadas, em que os preços de mercado tinham "diminuido 49,6 por cento em relação ao ano anterior, para US $ 33,50 por barril," destaca Zack's Research. Isso foi agravado pelo rebaixamento anterior da Moody ao status de "lixo", o que "balançou ações e moeda do país, com [...] o real caindo 1,3 por cento." o grupo também descobriu.
Outro artigo da Energy Fuse também revelou crescentes crises internas de combates entre o governo e os investidores privados após a descoberta das reservas de extração do pré-sal em 2007. "A reforma de 2010, sob o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, requer que a Petrobras seja a operadora única em todos os campos do pré-sal, com uma participação mínima de 30 por cento, limitando severamente o investimento privado nessas áreas." Para protegê-los contra a exploração corporativa, a liderança do Partido dos Trabalhadores ordenou isto para proteger programas de assistência atuais e futuros, mas ainda precisava de empréstimos do Banco Central do Brasil. Empréstimos também subsidiaram fortemente custos de gasolina para os consumidores domésticos usando o banco estatal. "A Petrobras não foi autorizado pelo governo a repassar os custos mais altos de insumos para seus consumidores finais e a empresa teve de vender a gasolina, diesel e outros derivados do petróleo refinado no Brasil com um desconto acentuado como os preços internacionais", explica um artigo da Alpha Seeking.
Isso explica o desfalque galopante e congelamento vergonhoso do banco central das taxas Selic em 14,25 por cento. Recentemente, Temer substituiu a liderança do banco por Ilan Goldfein, amigo do FMI/Banco Mundial, para limitar empréstimos para todos os programas financiados pelo Estado e impor regras de austeridade.
Cabeças também começaram a rolar na Pemex, equivalente do México a Petrobras , a quem o Brasil se uniu através de maior acordo comercial da América Latina, dando um grande golpe nos planos de reforma de energia do continente. "Emilio Lozoya (CEO da Pemex) perdeu seu emprego em fevereiro, depois de não conseguir parar um declínio de produção, apesar de alavancagem pesada." Como resultado, Rousseff foi forçada a continuar a venda de ativos da Petrobras, mas continuou a subsidiar os custos do petróleo com dinheiro emprestado. Este foi um erro, mas não um crime.
Para preparar um motivo, a derrubada foi pré-planejada de maneira profissional. Um relatório da Folha de São Paulo contendo gravações que vazaram confirmou o momento crucial em que os aliados de Temer tomaram suas posições semanas antes do golpe. Nele, o ministro do Planejamento Romero Juca e o ex-presidente da Transperto, Sergio Machado, comentou que eles queriam "estancar o sangramento" nas finanças da Petrobras; um casus belli para formar um pacto nacional com Temer como presidente interino. "Eu acho que nós precisamos articular uma ação política", disse Jucá para Machado. Jucá, desde então, deixou o cargo em resposta ao vazamento.
No entanto, foi a nova metodologia (de Dilma) para reduzir a dívida da empresa que foi a última gota. Reuters ressaltou que, após sua suspenção de sanções contra o Irã em janeiro, os dois países se encontraram nos bastidores antes da cúpula da OPEP de 17 de abril, em Doha, para discutir oportunidades de negócios lucrativos e acordos bilaterais. "[Ministro do Comércio Armando] Monteiro disse que o Brasil tem o objetivo de triplicar o comércio com o Irã para US$ 5 bilhões até 2019" e que "Rousseff suspendeu as sanções impostas pelas Nações Unidas contra a nação da OPEP na semana passada depois de se reunir com o embaixador iraniano, [...] apesar das tensões com a Ocidente ", Reuters continuou. Este negócio foi feito em "euros e outras moedas", não em dólares, e se encaixam perfeitamente com o Plano de Gestão e Negócios da Petrobras de 2015-2019. Além disso, o alinhamento recente do Brasil com a Venezuela, membro da UNASUL e da Opep, também encorajou Rousseff a buscar novas parcerias.
Com o aumento das consequências da conta entre a Arábia Saudita e os EUA sobre o 11 de Setembro, juntamente com resultados embaraçosos da cúpula de Doha, o plano de Rousseff tornou-se uma dor de cabeça extra para o governo. No meio de todo um hostil apontar de dedos, ela estava de fato a dar passos genuínos para corrigir a má gestão da empresa usando as negociações P5+1 como um trampolim para a cooperação. "As relações entre Brasil e Irã [...] experimentaram um novo impulso no contexto da implementação do Plano Conjunto Integrado de Ação (JCPoA) em janeiro passado e do levantamento das sanções internacionais contra o Irã", citou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Isso é precisamente o que levou ao desesperado golpe político, que ocorreu um dia depois (12 de Abril) da reunião do Brasil com o Irã - o Congresso votou durante a cúpula da OPEP após uma ausência do Irã confirmar isso. Washington entrou em pânico ao pensar em pôr em perigo a dominação do petrodólar e perder o controle das parcerias do Irã após-sanção. Até a Reuters percebeu esta ameaça, dando voz "... embora não seja claro se qualquer tentativa de contornar o sistema financeiro dos EUA poderia aumentar as tensões com Washington, o governo de esquerda do Brasil no passado já irritou os Estados Unidos por se aproximar de Teerã."
Aparentemente, ele o fez (irritou os EUA), e os planos do Brasil para a reforma, eventualmente, foi diametralmente oposta às futuras ambições de Washington para o Irã, acionando os ativos da CIA no Congresso Nacional para derrubar Rousseff. Com seu impeachment em andamento, os especuladores estavam praticamente delirando com a possibilidade de arrecadar lucros para o setor privado. "Moeda do Brasil subiu 1,7 por cento, para 3,6262 por dólar mais cedo hoje sobre a especulação elevada de que a presidente Dilma Rousseff está em fase de impeachment", TheStreet regozijou-se.
Inexoravelmente, Temer optou por enormes cortes orçamentários e de departamento, em vez de continuar com a trajetória socialista de Dilma, ameaçando a autonomia de longo prazo do Brasil com lucros míopes e ainda mais dependência do dólar. Além disso, a nomeação de novo Ministro das Relações Exteriores, José Serra, também representa uma séria ameaça para a aliança do BRICS, afastando-se de uma estratégia clara e holística. "As relações com novos parceiros na Ásia, especialmente na China [...] e na Índia, serão uma prioridade", expressou Serra, insinuando que, armado com novas reservas de campos do pré-sal, pode não honrar laços com a Rússia.
Além disso, Temer também substituiu presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, por Pedro Parente, outro favorito da elite financeira dos EUA, que era "anteriormente o principal executivo da unidade brasileira da gigante do agronegócio US Bunge Ltd. e atualmente presidente do operador do mercado de ações da BM&FBovespa SA" MarketWatch explicou.
É importante reconhecer que os benefícios da "liderança" atual do Brasil beneficia tanto o império americano quanto capitalistas brasileiros. No lado dos EUA, a dívida brasileira continua sob o dólar norte-americano, e o presidente dos EUA, Barack Obama pode manter a tradição da CIA de apoiar a "oposição moderada" em todo o mundo, a fim de sufocar a democracia e saquear mercados estrangeiros. Enquanto os terroristas do Brasil não estão cortando cabeças, eles estão cortando orçamentos; sangranda até secar a frágil democracia do Brasil, e durante os próximos 180 dias, isso vai refletir na vontade do povo enquanto eles tomam as ruas para lutar contra este governo fantoche. Temer não poderia ter escolhido um momento melhor, com os Jogos Olímpicos verão ele e seus apoiadores persistentemente humilhados por meio de uma organização arrebatadora das massas; desde a base até o Altíssimo, até milagrosa ressurreição da presidente Dilma Rousseff.

domingo, 22 de maio de 2016

Governo chinês define cronograma para reformar suas gigantes estatais

22.05.2016 | Fonte de informações: 

Pravda.ru


PEQUIM - Fechar "empresas zumbis", resolver os problemas que se criem para os trabalhadores afetados e podar as empresas laterais que invadam as competências das empresas estatais de administração centralizada, são algumas das medidas que o governo chinês introduzirá nos próximos 2-3 anos, para aprofundar a reforma daquelas importantes organizações.


A decisão foi revelada durante uma reunião executiva do Comitê do Estado presidida pelo premiê Li Keqiang, ontem, quarta-feira.

"Empresas estatais de administração centralizada desempenharam papel indispensável para o desenvolvimento social e econômico da China e temos de lhes garantir todo o mérito quanto a isso" - disse Li. - "Mas essas empresas também enfrentam problemas cruciais. Agora temos de enfrentá-los passo a passo, o que significa, em essência, aprofundar a reforma das empresas estatais chinesas."

A maioria das 106 empresas estatais chinesas operam em setores cruciais para o desenvolvimento social e econômico do país, como telecomunicações e energia.

Os principais problemas dessas empresas de administração centralizada incluem fragilidades no exercício da atividade-fim, excesso de empresas paralelas concorrentes, baixa eficiência e escalões de administração e gerência em número excessivo.

O excesso de escalões hierárquicos e a redundância que persiste nas estatais chinesas são também parte dos motivos pelos quais nunca foi fácil fazer avançar as reformas, sempre adiadas ao longo dos anos.

Apesar das dificuldades, Li reiterou já em várias ocasiões a disposição do governo para levar a cabo as reformas necessárias, falando da determinação em termos de "um bravo guerreiro, que corta a própria mão, para salvar o corpo" - porque não há dúvidas de que as reformas afetaram interesses de alguns.

Na reunião da 4ª-feira ficou decidido que 345 "empresas zumbis", todas subsidiárias das 106 estatais, serão reorganizadas ou entregues ao mercado dentro dos próximos três anos.

Das estatais, espera-se que reduzam os escalões de gerência para menos de 3 ou 4, dos 5 a 9 que há hoje, e que cortem 20% das suas entidades legais subsidiárias no prazo de três anos.

O governo também planeja reduzir as perdas que se verificaram nas subsidiárias das estatais em cerca de 30%,  e aumentar os lucros das estatais em mais de 100 bilhões de yuan (15,3 bilhões de dólares norte-americanos) até o final de 2017.

Enquanto isso, o governo cortará em 10%, em 2016, a capacidade de carvão e aço destinada às estatais; e outros 10% de redução, em 2017. Carvão, ferro e aço estão entre os setores chaves, no esforço para reduzir o excesso de oferta.

Na reunião da 4ª-feira, Li mais uma vez destacou que as estatais chinesas precisam "perder peso e entrar em forma", ideia que o premiê chinês apresentou no plano de trabalho do governo para esse ano.

A reforma das gigantes estatais em geral é a maior tarefa prevista para ser executada pelo governo no planejamento desse ano, que o premiê distribuiu em março. Destacou que o governo se empenhará muito para alcançar pleno sucesso na reforma e aprimoramento das estatais, garantindo que o ajuste estrutural será feito de modo a promover a inovação, a reorganização e a reforma na gestão de pessoal das mesmas estatais.

"Promover melhor governança é vitalmente importante para as empresas estatais chinesas. É indispensável que se concentrem na atividade-fim e que melhorem a qualidade do que produzem. Essa será tratada como a principal missão das empresas estatais chinesas" - disse Li durante a reunião de 4ª-feira, acrescentando que não devem ser alocados muitos recursos nos negócios derivados da operação das estatais, nos quais o setor privado tem em geral maior presença.

O novo plano estimula a reorganização interna das estatais chinesas e a otimização da alocação de recursos. Capitais sociais são estimulados a participar e a apoiar a restruturação das estatais.

O novo plano também convoca as estatais a "crescerem e fortalecerem-se mediante a inovação" e a investirem mais em pesquisa e desenvolvimento.*****

20/5/2016, Xinhuanet, Pequim (editorial) xhne.ws/zdp6o

- See more at: http://port.pravda.ru/news/cplp/22-05-2016/41014-governo_chines-0/#sthash.Qi6VJyvx.dpuf