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domingo, 14 de agosto de 2016

Governo russo está revendo as políticas neoliberais


14.08.2016 | Fonte de informações: 



Segundo várias notícias, o governo russo está reavaliando as políticas neoliberais que tão pouco ajudaram e tanto prejudicaram a Rússia, desde o fim da União Soviética. Se a Rússia tivesse adotado política econômica inteligente, a economia russa estaria em muito melhores condições do que está hoje. E, se tivesse restaurado a confiança no autofinanciamento, teria evitado a maior parte da fuga de capitais russos para o ocidente.

Washington aproveitou-se de um governo russo desmoralizado, que buscou orientação em Washington, na era pós-soviética. Acreditando que a rivalidade entre os dois países teria acabado com o fim do regime soviético, os russos acreditaram no conselho que os norte-americanos lhes deram, para modernizar a economia russa na direção de ideais ocidentais. Mas Washington logo traiu a confiança nos russos e acabrestou a Rússia numa política econômica concebida para assaltar o patrimônio econômico russo e transferir a propriedade deles para mãos norte-americanas no específico e não russas em geral.

Com aplicar esse golpe contra a Rússia, levando os russos a aceitar a entrada de capital de fora e expondo o rublo à especulação, Washington garantiu que os EUA conseguissem desestabilizar a Rússia com fluxos de saída de capitais e assalto direto contra o valor de câmbio do rublo.

Só governo que não conhecesse o objetivo neoconservador dos EUA obcecados com alcançar a hegemonia mundial, teria algum dia exposto o próprio sistema econômico a esse tipo de manipulação por interesses organizados nos EUA e contra interesses locais de qualquer tipo.

As sanções que Washington impôs - e obrigou a Europa a impor - à Rússia mostra o quanto a economia neoliberal trabalha obcecadamente contra a Rússia. As altíssimas taxas de juros e a 'austeridade' (não é austeridade: é ARROCHO) fizeram naufragar a economia russa - sem qualquer ganho para a Rússia. O rublo foi derrubado pela fuga de capitais, resultando no processo pelo qual o Banco Central 'torrou' as reservas estrangeiras da Rússia no esforço para 'sustentar' o rublo, mas processo que, na verdade, só  'sustentou' a fuga de capitais.

Vladimir Putin até acha atraente a noção romântica de uma economia global à qual todos os países tenham igual acesso. Mas os problemas que resultaram da política neoliberal forçaram-no a recorrer à substituição de importações para tornar a economia russa menos dependente de importações. Aqueles problemas também levaram Putin a dar-se contra de que, se o plano era a Rússia manter um pé na ordem econômica 'ocidental', ela teria de manter o outro pé na nova ordem econômica em construção com China, Índia e as repúblicas asiáticas ex-soviéticas.

A economia neoliberal prescreve uma dependência política que depende de empréstimos de fora e investimentos estrangeiros. Essa política cria dívidas em moeda estrangeira e entre a propriedade sobre lucros auferidos na Rússia, também a estrangeiros. São duas perigosas vulnerabilidades no caso de nação que Washington já declarou "ameaça existencial aos EUA".

establishment econômica que Washington preparou, no qual a Rússia sonhava 'integrar-se' sempre foi neoliberal. Considerem-se, dentre outros, a presidenta do Banco Central Elvira Nabiullina; o ministro de desenvolvimento econômico Alexei Ulyukayev; e os ministros das Finanças, o atual e o anterior, Anton Siluanov e Alexei Kudrin - todos eles neoliberais doutrinais. Todo esse pessoal, para lidar com o déficit no orçamento russo, só sabe vender patrimônio público dos russos, a estrangeiros. Se tivesse sido efetivamente implantada, essa política daria a Washington cada vez maior controle sobre a economia russa.

Serguey Gaziev

Contra essa seleção de "economistas de lixão" [orig. 
junk economists], está Sergey Glaziev.[1] Boris Titov e Andrei Klepach, ao que se sabe, são aliados de Glaziev.

Esse grupo compreende que as políticas neoliberais deixam a economia da Rússia suscetível a golpes de desestabilização manobrada por Washington, sempre que os EUA queiram punir governos russos por não obedecerem à política externa ditada de Washington. O objetivo deles é promover uma Rússia mais autossuficiente, de modo a proteger a soberania nacional e a capacidade do governo para defender interesses nacionais da Rússia, em vez de subjugar esses interesses aos interesses de Washington.

O modelo neoliberal não é modelo de desenvolvimento: é modelo puramente extrativo. Norte-americanos o têm caracterizado em termos de Rússia e outros dependentes serão 'rachadores de lenha e puxadores de água para os príncipes' [Josué 9:21], ou, no caso da Rússia, puxadores de petróleo, gás, platina e diamantes.

Autossuficiência significa não depender de importações ou de capitais externos para investimentos que possam ser financiados pelo banco central da Rússia. Também significa conservar partes estratégicas da economia em mãos públicas, não privadas. Serviços básicos de infraestrutura devem ser postos a serviço da economia nacional a preço de custo, ou com preços subsidiados ou gratuitamente, nunca entregues a proprietários estranhos ao país, para que deles extraiam lucros de monopólio.

Glaziev também quer que o valor de câmbio do rublo seja determinado pelo banco central, não por especuladores no mercado de moedas.

Economistas neoliberais não veem que o desenvolvimento econômico de um país superdotado de recursos naturais como a Rússia pode ser financiado com o dinheiro necessário criado pelo banco central. Para eles, seria procedimento .

Os neoliberais negam o fato já reconhecido há muito tempo de que, em termos da quantidade de dinheiro, não faz diferença alguma de onde venha o dinheiro, se do banco central ou de bancos privados (os quais, como o banco central, também criam dinheiro, não com a Casa da Moeda, mas com juros de empréstimos ou 'recolhidos' fora do país). A diferença é que, se o dinheiro vem de bancos privados ou do exterior, os juros são devidos aos bancos privados e os lucros têm de ser divididos com investidores estrangeiros, que sempre acabam por controlar a economia.

Aparentemente, os neoliberais russos são insensíveis à ameaça que Washington e vassalos europeus fazem contra o estado russo. A partir de mentiras completamente inventadas e cevadas na/pela mídia-empresa, Washington impôs sanções econômicas à Rússia. Essa demonização política é tão fictícia quanto toda a propaganda da economia neoliberal. Apoiada nessas mentiras, Washington vai ampliando as forças militares e o número de bases de mísseis empurrados para perto das fronteiras da Rússia e em águas russas.

Washington obra para mudar regimes nos estados que foram províncias soviéticas, para ali instalar regimes fantoches hostis à Rússia, como fizeram já na Ucrânia e na Georgia. A Rússia é continuadamente demonizada por Washington e pela OTAN.

Washington politizou viciosamente até os Jogos Olímpicos, e conseguiu impedir que muitos atletas russos (e TODOS os paratletas olímpicos russos) participassem dos jogos no Rio de Janeiro em 2016.

Apesar de todos esses movimentos hostis contra a Rússia, mesmo assim os neoliberais russos ainda acreditam que as políticas econômicas que Washington insiste em impor à Rússia considerariam interesses dos russos. Não. As políticas econômicas que Washington insiste em impor à Rússia visam, exclusivamente, a expor a economia russa a ser controlada por/de Washington. Nessas condições, ancorar o destino da Rússia à hegemonia belicosa dos EUA é entregar a soberania russa à soberania dos EUA.*****



[1] Sobre ele, ver, dentre outros artigos, "Para pôr fim às guerras dos EUA em todo o planeta: Assessor de Putin propõe Aliança Antidólar", 18/6/2014, Tyler Durden, ZeroHedge (traduzido emRedecastorphoto; e "Entrevista com Sergei Glaziev - Para compreender a Ucrânia em 15 minutos", 23/8/2014, Redecastorphoto (NTs). 

10/8/2016, Paul Craig Roberts e Michael Hudson, Paul Graig Roberts Website

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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A Rússia derrota terrorismo... enquanto a América aclama um show monstruoso

12.08.2016 | Fonte de informações: 




Não deixa de ser curioso verificar como nos media ocidentais foi dada pouca cobertura a uma importantíssima vitória que se desenvolve na Síria. As forças do exército da Síria e russas estão prestes a fechar o capítulo final de uma guerra de cinco anos - e os meios de comunicação ocidentais parecem não querer saber disso.

por Finian Cunningham


De facto, muito maior cobertura mediática é dada à  nomeação de Hillary Clinton como candidata presidencial democrata. Enquanto Clinton declarava na Convenção do seu partido que acabaria com os terroristas islâmicos no Médio Oriente, o exército da Síria e seus aliados russos estavam na realidade a prosseguir com esse intenso trabalho .

A cidade de Alepo no Norte da Síria - a maior cidade do país antes do início da guerra em 2011 - está prestes a ser totalmente reconquistada pelo exército sírio, suportado pelo poder aéreo russo. Corredores humanitários foram criados para permitir a saída de civis e combatentes antes de começar o ataque final às milícias antigovernamentais enfiadas em refúgios no leste da cidade.

Os membros das milícias são uma amálgama de grupos armados ilegais incluindo proscritas brigadas terroristas afiliadas à al-Qaeda . Os governos ocidentais e as mídias envolveram-se em cínicos jogos de palavras, referindo-se a alguns destes mercenários como "moderados" e "rebeldes".

Por exemplo, um relatório da CNN afirmava: "As forças sírias e russas estão a abrir corredores humanitários para que pessoas fujam da cidade sitiada de Alepo , disseram quinta-feira oficiais de ambos os países no dia a seguir ao anúncio feito pelo exército da Síria de ter cercado a cidade e cortado as rotas de abastecimento dos rebeldes [sic]".

Note-se como a palavra de agradável sonoridade "rebelde" é invocada como forma de branquear o fato de que a cidade tem sido assediada por extremistas, que admitiram ter cortado as cabeças de suas vítimas, incluindo crianças de 10 anos de idade .

O que as forças sírias e russas estão a conseguir com a recaptura de Alepo é nada menos que uma vitória histórica. Não é só o simbolismo de recuperar a segunda cidade da Síria, mas a sua importância estratégica para o governo. Dada a proximidade com a fronteira turca, Alepo foi um bastião para o fluxo ilícito de armas e mercenários que têm alimentado todo o conflito sírio.

Os Estados Unidos e seus aliados da NATO, Grã-Bretanha e França, colaboraram com os seus parceiros regionais, Qatar, Arábia Saudita e Turquia, para usar Alepo como ponto forte para sua suja guerra secreta contra o presidente sírio Bashar al-Assad.

Mercenários do culto da morte vieram de uns 100 países de todo o mundo, incluindo de Estados ocidentais e árabes, e também do Cáucaso da Rússia, para esta conspiração estrangeira tendo como objetivo mudarem o regime na Síria.

De muitas maneiras, Alepo representa a última posição para aquelas forças. Quando Alepo finalmente cair nas próximas semanas, trará o fim do torturante conflito da Síria imposto ao país pelos EUA e seus aliados sob o pretexto de uma revolta "pró-democracia".

A acusação da criminalidade de Washington e de seus desonestos Estados parceiros é comprovada pelas cerca de 400 mil pessoas mortas ao longo dos últimos cinco anos e quase metade da população de 23 milhões transformados em refugiados. Ao mesmo tempo a Europa é confrontada com a crise dos refugiados e com o terrorismo, repercussões desta criminosa conspiração estrangeira para subverter a Síria.

A vitória contra o terrorismo patrocinado por outros Estados na Síria é um tributo à tenacidade e coragem do povo sírio, do seu governo e do seu exército. Nessa vitória a Rússia tem desempenhado um papel de enorme heroismo. O Presidente Assad tem reconhecido o papel fundamental da intervenção militar da Rússia para salvar o seu país do destino a que outras nações sucumbiram, como o Afeganistão, Iraque e Líbia - vítimas das maquinações norte-americanas para mudanças de regime.

Quando o presidente russo Vladimir Putin resolveu enviar forças militares para salvar a Síria , no final de setembro de 2015, a reviravolta foi imediata e crucial. As rotas de contrabando de petróleo em escala industrial dirigida pela rede jihadista na Síria Oriental foram esmagadas pelo poder aéreo russo, eliminando o principal apoio financeiro para a Jihad, que o Estado turco facilitava. Isto, por sua vez, deixou o centro terrorista em Raqqa estiolando no isolamento.

A recuperação da antiga Palmira no centro da Síria, com seu património arqueológico de importância mundial, foi também outra importante vitória para o exército da Síria e seu aliado russo. A realização de um concerto de música clássica por artistas russos nas ruínas românicas recapturadas aos terroristas não foi apenas uma inteligente demonstração de relações públicas. Mostrava eloquentemente o que representava a Guerra Síria: um conflito entre uma nação soberana apoiada pela Rússia contra bárbaros assassinos mobilizados por potências estrangeiras sem lei.

A batalha agora em andamento para Alepo é mais uma - talvez a final - etapa histórica da luta contra as forças de mudança de regime na Síria. A Rússia e o presidente Putin podem orgulhosamente tomar lugar de honra nesta vitória histórica.

Não admira então que os media ocidentais prefiram ignorar o que está a acontecer na Síria. Durante anos, eles têm produzido uma torrente de mentiras e invenções, alegando que "rebeldes" lutavam pela democracia contra um "regime tirânico".

Agora, como as forças sírias e russas destroem os remanescentes "rebeldes" a verdade é dificilmente negável e eles são vistos por aquilo que são: uma rede de terroristas mercenários implantados pelos Estados Unidos e seus aliados, que enfrentam a derrota final.

Portanto para evitar o momento da terrível verdade da sua cumplicidade com o terrorismo patrocinado por esses Estados, os meios de comunicação ocidentais têm necessidade de desviar atenções da Síria e da batalha de Alepo. Voltam-se para uma nova narrativa de distração - a "maravilhosa" nomeação de Hillary Clinton como a primeira mulher a concorrer à Presidência dos EUA.

Típico das manobras de uma tola mudança de assunto são as brilhantes citações de Clinton sobre como ela conduzirá a América e o mundo para derrotar o terrorismo jihadista. Ela é a mesma Clinton que, como secretária de Estado (2009-2013) orquestrou a guerra secreta para a mudança de regime na Síria, com a desprezível implantação de mercenários terroristas conduzidos pela CIA.

Isto é, a guerra a que a Rússia agora está ajudando a finalmente pôr fim, juntamente com a extinção dos grupos terroristas "moderados" promovidos pelos EUA. Washington e Clinton em particular podem começar guerras, mas evidentemente é a Rússia que as termina.

Pasme-se ouvindo Clinton deleitando seus partidários na Convenção Democrata, não podemos ficar mais admirados com esta imensa dissonância cognitiva: uma belicista posando como campeã da paz mundial da lei e da ordem.

Esta absurda impostura de tirar o fôlego, só é possível devido à forma como os media ocidentais trabalham para alterar as narrativas, distorcer perspectivas e omitir factos.

Mas o incontestável é que a Rússia e a Síria estão a ganhar uma guerra histórica contra a agressão terrorista suportada pelo ocidente. Alepo é o toque de clarim para esta vitória.

Os media ocidentais não podem lidar com isto. Assim, são obrigados a tentar mudar o foco. E a quem eles iluminam e dão relevo? A Hillary Clinton , um dos culpados da guerra criminosa na Síria, prometendo defender a América da Rússia e dos terroristas.+
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Fidel Castro: 90 anos de exemplo


11.08.2016


Fidel Castro: 90 anos de exemplo

Dizem que quando Fidel castro deu seu primeiro grito ao mundo naquele 13 de agosto de 1926, os cedros da chácara Birán balançaram suas folhas ao vento de forma diferente e alguns dos vizinhos, que foram dar as congratulações a Lina e a Ángel pela nova cria, miraram-no adormecido dentro do berço... e lhe auguraram que seria um grande homem.
O Líder histórico da Revolução cubana cumpre 90 anos e sua vida segue representando um exemplo para milhões de pessonas em todo o mundo.
O menino Fidel Castro
Dizem que quando Fidel castro deu seu primeiro grito ao mundo naquele 13 de agosto de 1926, os cedros da chácara Birán balançaram suas folhas ao vento de forma diferente e alguns dos vizinhos, que foram dar as congratulações a Lina e a Ángel pela nova cria, miraram-no adormecido dentro do berço e lhe auguraram que seria um grande homem. E não se equivocaram.
O menino Fidel cresceu entre o verdor do campo, das mangas, ameixas, tamarindos e, sem explicações lógicas, ia quase todos os dias até o albergue onde estavam os haitianos que trabalhavam na fazenda, pois gostava de passar o tempo junto aos trabalhadores.
Seu caráter revolucionário começou a moldar-se com força; se indignava ante cada injustiça, e se envolvia sempre em defesa das causas justas, até que jurou tornar-se advogado para defender aos despossuídos.
Já na Universidade se tornou líder. Os estudantes o seguiam em suas ideias porque viam nele o defensor das boas causas, e quando, em 1950, se gradua como Doutor em Direito Civil e Licenciado em Direito Diplomático, se dedica fundamentalmente à defesa de pessoas e setores humildes e já é um revolucionário completo, que sofre a cada dia ante tanta afronta e opróbrio que o tirano de turno causava.
Um dia, só e em silêncio, tomou a decisão mais radical: ao governo havia que derrocá-lo com as armas. 
Então começou a buscar companheiros que pensassem como ele e planejaram em silêncio um golpe contra o tirano Fulgêncio Batista, até que chegou o Dia da Santa Ana, quando Santiago de Cuba desfrutava de seus carnavais, aquele 26 de julho de 1953.
Fidel o Rebelde: "seremos livres ou seremos mártires"
Na noite de 25 de julho, Fidel, reunido com os revolucionários, sentenciou:
"Companheiros: poderão vencer dentro de algumas horas ou serem vencidos; porém, de todas as maneiras, ouçam bem, companheiros!, de todas as maneiras o movimento triunfará. Se vencemos amanhã, se fará em breve o que Martí aspirou. Se ocorrer o contrário, o gesto servirá de exemplo ao povo de Cuba, a tomar a bandeira e seguir adiante.
"O povo nos respaldará no Oriente e em toda a ilha. Jovens do Centenário do Apóstolo! Como no 68 e no 95, aqui no Oriente damos o primeiro grito de liberdade ou morte! Vocês já conhecem os objetivos do plano.
"Sem dúvida alguma é perigoso e aquele que saia comigo daqui nesta noite deve fazê-lo por sua absoluta vontade. Ainda estão a tempo para se decidir. De todas as maneiras, alguns terão que ficar por falta de armas. Os que estejam determinados a ir, deem um passo à frente. A palavra de ordem é não matar senão por última necessidade".
Naquele amanhecer de julho, o ataque ao quartel Moncada foi uma derrota militar, porém uma vitória política. Ainda que dezenas de combatentes foram assassinados, assinalaram o caminho para a liberdade.
Fidel, junto a outros 19 sobreviventes, intenta chegar até a Gran Piedra para continuar a luta. Depois de uma longa marcha para evitar numerosas barreiras militares e operações de rastreamento, são surpreendidos por uma patrulha de Batista, sob o mando do segundo-tenente Pedro Sarría Tartabull.
Ainda que a ordem que tinham era a de matar aos prisioneiros suspeitos de terem participado no assalto, Sarría respeita a vida dos jovens gritando para seus subordinados:
"Não disparem, não se mata as ideias".
Fidel foi preso com um grupo de sobreviventes e dois anos depois saiu do cárcere com uma sentença que cumpriria: "Em 1956 seremos livres ou seremos mártires".
Da guerrilha à Revolução
Assim se foi ao México e durante vários meses preparou uma expedição, que desembarcou nas costas do oriente cubano a 2 de dezembro de 1956, sob o assédio do exército que só umas horas depois, em Alegría de Pío, assestou um ataque demolidor contra os revolucionários, o qual obrigou a sua dispersão.
Depois, a guerrilha foi se rearmando e, depois de sua consolidação definitiva na Sierra Maestra como o Exército Rebelde, no oriente de Cuba, realizou a invasão para o ocidente e Fidel e seus homens se alçaram com o triunfo no primeiro de janeiro de 1959.
A partir desse momento Cuba e sua Revolução enfrentaram os momentos mais difíceis.
Fidel soube se impor com sua inteligência e decisão ante cada desafio: luta contra bandidos, Lei de Reforma Agrária, Lei de Reforma Urbana, Primeira e Segunda Declarações de La Habana, invasão por Playa Girón, a Crise de Outubro, imposição e recrudescimento do bloco econômico, comercial e financeiro; constantes planos de atentados, que somaram até o ano de 2007 um total de 638 tentativas de assassinato e ações terroristas.
Durante sua etapa como presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros presidiu missões oficiais cubanas em mais de 50 países e, entre 21 e 25 de janeiro de 1998, recebeu e atendeu durante sua estadia em Cuba ao papa João Paulo II.
De forma estratégica, Fidel dirigiu a participação de centenas de milhares de combatentes cubanos em missões internacionalistas em Argélia, Síria, Angola, Etiópia e outros países, e foi decisivo o aporte de Cuba ao triunfo sobre o Apartheid. Também impulsou e organizou o aporte de dezenas de milhares de médicos, professores e técnicos cubanos que prestaram e prestam serviços em mais de 40 países do Terceiro Mundo, assim como a realização de estudos em Cuba por parte de dezenas de milhares de estudantes desses países.
Lutador contra a hegemonia 
O líder da Revolução cubana consolidou os programas integrais de assistência e colaboração cubana em matéria de saúde em numerosos países de África, América Latina e Caribe, e a criação em Cuba de escolas internacionais de Ciências Médicas, Desporto e Educação Física e outras disciplinas para estudantes do Terceiro Mundo.
Fidel promoveu em escala mundial a batalha do Terceiro Mundo contra a ordem econômica internacional vigente, em particular contra a dívida externa, o desperdício de recursos como consequência dos gastos militares e a globalização neoliberal, e são notáveis seus esforços pela unidade e a integração da América Latina e do Caribe.
Também liderou a ação decidida do povo cubano para enfrentar os efeitos do bloqueio econômico imposto a Cuba pelos Estados Unidos desde há mais de 55 anos e as consequências no plano econômico da derrocada da comunidade socialista europeia, e promoveu o esforço tenaz dos cubanos para superar as graves dificuldades resultantes destes fatores, sua resistência durante o chamado Período Especial e o reinício do crescimento e desenvolvimento econômico do país.
A 31 de julho de 2006 Fidel Castro fazia entrega de suas responsabilidades por razões de saúde, e segundo suas próprias palavras havia chegado um momento em que, devido a sua enfermidade, não podia continuar à frente do governo, pelo que decidiu transferir o poder ao primeiro vice-presidente cubano nesses momentos, Raúl Castro.+
Desde então, Fidel Castro tem se dedicado a escrever sobre temas mundiais, o qual reafirma que continua sendo um ativo participante na luta de ideias. Por sua autoridade moral, influi em importantes e estratégicas decisões da Revolução, e aos seus 90 anos segue sendo luz para milhões de pessoas em todo o mundo.
Tradução: Joaquim Lisboa Neto


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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A Indústria pornográfica e o machismo








Peter Sarsgaard e Amanda Seyfried em “Lovelace” (Foto: Dale Robinette/Divulgação)


Nos dias atuais, é comum que qualquer pessoa tenha fácil acesso à pornografia. Isso não é por coincidência; é proposital.
A educação sexual é importante na formação dos jovens, mas essa educação, em geral, é pouca ou quase nula. Naturalmente, as pessoas buscam referências sobre o sexo. O problema é que as primeiras referências disponíveis são os sites de pornografia.
O que é mostrado na pornografia não é sexo, é estupro gravado. Dinheiro nenhum compra consentimento e as mulheres filmadas não estariam lá se tivessem condições financeiras e estruturais melhores.
O que se tem na pornografia é claro: misoginia (isto é, o ódio declarado às mulheres) e machismo. Uma pesquisa mostra que, dos 50 filmes mais vendidos de 2015, 48% de 304 cenas dos vídeos pornográficos produzidos contêm violência verbal contra mulher; 94% contêm violência física.
Se a pornografia funciona como “o professor da educação sexual”, é mais que claro que a pornografia faz parte do aliciamento para prostituição e do tráfico humano. A pornografia ensina o homem a conseguir prazer vendo o sofrimento e a humilhação da mulher e, com isso, fortalece a cultura do estupro, o machismo e a misoginia.
A pornografia tem um método de fazer com que se crie uma “dessensibilização” do espectador para com as mulheres que estão ali submetidas. A violência verbal é uma delas. Uma vez que as palavras mais ditas são “vadias” e “putas”, cria-se a falsa ideia de que as mulheres que estão lá são completamente diferentes das mulheres com quem o espectador convive. É essa ideia que a pornografia cria na cabeça das pessoas: existem mulheres que são “vadias” e existem mulheres como a mãe, a namorada, a filha, a irmã, que são mulheres de respeito. Sabemos que essa é uma ideia de propriedade que se tem sobre as mulheres, a ideia de que uma mulher é propriedade pública, à qual todos têm o livre acesso, enquanto o outro tipo de mulher, a “mulher de respeito”, pertence a uma propriedade privada. Sabemos que essa é uma das ideias mais conservadoras e machistas que o capitalismo sustenta.
Mas a questão é que se um indivíduo enxerga um tipo de mulher como sendo pública e que serve para dar prazer a ele, e outra existe para servir de outras formas “mais respeitosas”, cria-se então o entendimento ao homem de que ele tem direito de “comprar” o seu prazer.
Muitas mulheres de baixa renda e sem condições de se manter entram para a prostituição para não morrer de fome; outras mulheres são sequestradas, traficadas e obrigadas a se prostituir. Mas o fato é que, na prostituição, essas mulheres irão reproduzir as mesmas cenas humilhantes a que os homens assistem nos vídeos pornográficos, ou seja, os homens que pagam essas mulheres vão acabar também as violentando – afinal, dinheiro não compra consentimento.
O estudo “Os Efeitos da Pornografia nos Relacionamentos Interpessoais”, de Ana Bridges, da Universidade do Arkansas (EUA), notou que homens que viram qualquer vídeo pornográfico são mais inclinados a demonstrar falta de empatia por vítimas de estupro; acreditar que mulheres que se vestem “provocativamente” merecem ser estupradas; mostrar raiva contra uma mulher que flerta mas não quer fazer sexo; experimentar queda substancial no desejo por suas parceiras; e demonstrar interesse crescente em coagir parceiras em algum tipo de sexo não desejado (também conhecido como estupro).
A indústria pornográfica estadunidense lucra milhões, pois produz cerca de 4.000 a 11.000 filmes por ano e conta com a estimativa de US$ 9-13 bilhões de receita bruta anual. A cada segundo US$ 3.075,64 é gasto em pornografia. 85% de toda a pornografia na internet é produzida na Califórnia, sendo que 37% da internet é pornografia. Existem mais de 26 milhões de sites pornôs, 40 milhões de usuários consomem pornografia regularmente nos EUA. Uma a cada quatro buscas do Google são por pornografia e mais de um terço de todos os downloads feitos são pornografia.
A indústria pornográfica, atualmente, está migrando para um novo tipo de negócio, as garotas que se parecem com crianças. Antes, por lei, nenhuma mulher que aparentasse ter menos de 18 anos poderia gravar um vídeo pornográfico. Hoje, essa lei foi revogada e a categoria mais acessada nos sites pornográficos é a categoria “adolescentes” (ou, em inglês, “teens”). As palavras mais procuradas nesses sites também são “novinhas”, “ninfetas” e “garotinhas”. Aproximadamente 25% de todo o conteúdo pornográfico na internet trata-se de abuso sexual infantil.
Está muito claro que a indústria pornográfica, além de promover a objetificação, tráfico e prostituição de mulheres, cria tendências pedófilas para os consumidores de pornografia. Como essa indústria pornográfica tem forte influência em ditar com o que se deve ter prazer, também cria, portanto, uma demanda de pessoas para continuarem financiando a prostituição, o tráfico e a pedofilia através da objetificação dos corpos das mulheres e a fetichização dos corpos das crianças.

História de Linda Lovelance

Linda Boreman, mais conhecida como Linda Lovelance, tinha apenas 23 anos quando participou de “Garganta Profunda”, o filme pornográfico mais famoso de todos os tempos. Ela participou do filme contra sua vontade.
O filme foi gravado em menos de uma semana com um orçamento de 25 mil dólares. A estimativa é de que tenham sido arrecadados 600 milhões de dólares num estouro de bilheteria, dos quais apenas 1.250 dólares teriam sido pagos a Chuck Traynor, marido de Linda na época. Anos depois, ela teve de fazer uma cirurgia de retirada dos seios devido a complicações com silicone que foi obrigada por seu marido a colocar para fazer o famoso filme.
Antes de “Garganta Profunda”, Linda já sofria diversos abusos e violência por parte de seu marido, sendo forçada à prostituição e filmes pornográficos de baixo orçamento – num deles, foi obrigada a praticar zoofilia, ato que descreve como um dos momentos mais horríveis de sua vida. Ela relata que, em determinada ocasião, seu marido recebeu dinheiro em troca de entregá-la para um estupro coletivo. Linda escreveu seu livro autobiográfico, se tornou ativista contra a violência masculina e exploração sexual da mulher no mercado pornográfico.
A história de Linda é apenas uma das milhões que a indústria pornográfica cria, todos os dias. Devemos dar um basta! A vida das mulheres vale muito mais que o mero prazer masculino!

A luta das mulheres por uma sociedade melhor

Sabemos que o capitalismo ganha milhões objetificando a mulher, seja para explorar sexualmente, como fazem a indústria pornográfica e a prostituição, como também a tratando como a proletária do proletário e designando tarefas domésticas e privativas. As mulheres não merecem morrer por serem mulheres! E sabemos que, enquanto o capitalismo existir, as mulheres não estão completamente emancipadas. Esse sistema econômico sustenta o modelo vigente, que é o patriarcado. Precisamos construir um novo modelo de sociedade, precisamos construir o socialismo para que a verdadeira emancipação da mulher se concretize!
Vitória Louise

Fonte: Jornal AVERDADE