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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A NED, vitrina legal da CIA



17.08.2016 | Fonte de informações:

Desde há 30 anos, a National Endowment for Democracy (NED) sub-contrata a parte legal das operações ilegais da CIA. Sem levantar suspeitas, ela colocou em funcionamento a mais vasta rede de corrupção do mundo, comprando sindicatos operários e patronais, partidos políticos de esquerda e de direita, para que defendam os interesses dos Estados Unidos em vez dos dos seus afiliados. Thierry Meyssan descreve aqui o estendal deste dispositivo.
 2006, o Kremlin denunciava a proliferação de associações estrangeiras na Rússia, das quais algumas teriam participado num plano secreto de desestabilização do país orquestrado pela Fundação Americana para a Democracia (National Endowment for Democracy - NED). Afim de prevenir uma «revolução colorida», Vladislav Surkov elaborou uma estrita regulamentação destas «organizações não-governamentais (ONG)». No Ocidente, este enquadramento administrativo foi descrito como um novo ataque do «ditador» Putin e do seu conselheiro contra a liberdade de associação.
Esta política foi seguida por outros Estados que, por sua vez, foram apresentados pela imprensa internacional como «ditaduras».
O governo dos Estados Unidos assegura que se empenha «na promoção da democracia pelo mundo». Ele reivindica que o Congresso subvencione a NED e que esta possa, por sua vez e com toda a independência, ajudar directa ou indirectamente associações, partidos políticos ou sindicatos, operando neste sentido em qualquer parte do mundo. As ONGs sendo, como o seu nome indica, «não-governamentais» podem assumir iniciativas políticas que as embaixadas não poderiam assumir sem violar a soberania dos Estados que as albergam. O busílis da questão reside pois aqui: a NED e a rede de ONGs que ela financia são iniciativas da sociedade civil, injustamente reprimidas pelo Kremlin, ou biombos dos serviços secretos dos Estados Unidos apanhadas em flagrante delito de ingerência?2
Para responder a esta questão, nós iremos rever a origem e o funcionamento da National Endowment for Democracy. Mas, antes de mais devemos analisar o que significa o projecto oficial dos Estados Unidos de «exportação da democracia».

Os puritanos que fundaram os Estados Unidos queriam fundar aí uma «cidade de luz», iluminando o mundo. Eles consideravam-se como missionários de um modelo político.
Que democracia ?
Os Norte-americanos, enquanto povo, acreditam na ideologia dos seus pais fundadores. Eles veem-se como uma colónia vinda da Europa para fundar uma cidade obediente a Deus. Eles concebem o seu país como «uma luz na montanha» segundo a expressão de São Mateus, retomada durante dois séculos pela maior parte dos seus presidentes nos seus discursos políticos. Os Estados Unidos seriam uma nação modelo, brilhando no topo de uma colina, iluminando o mundo. E todos os outros povos da Terra iriam copiar esse modelo afim de alcançar a salvação.
Para os Norte-americanos, esta crença ingénua implica, por si própria, que o seu país é uma democracia exemplar e que eles têm um dever messiânico de a estender ao resto do mundo. Enquanto São Mateus encarava a propagação da fé apenas pelo exemplo de uma vida piedosa, os pais fundadores dos Estados Unidos idealizavam a luz da sua tocha e a sua propagação como uma mudança de regime. Os puritanos ingleses decapitaram Carlos I antes de fugir para os Países-Baixos e para as Américas, depois os patriotas do Novo Mundo rejeitaram a autoridade do Rei Jorge III da Inglaterra e proclamaram a independência dos Estados Unidos.
Impregnados desta mitologia nacional, os Norte-americanos não entendem a política externa do seu governo como um imperialismo. Aos seus olhos, é tanto mais legítimo derrubar um governo quanto mais este ambiciona encarnar num modelo diferente do seu, logo maléfico. Da mesma forma, estão convencidos que investidos na sua missão messiânica, eles conseguiram impôr pela força a democracia nos países que ocuparam. Eles aprendem nas suas escolas, por exemplo, que os G.Is levaram a democracia à Alemanha. Eles ignoram que a história é exactamente inversa: o seu governo ajudou Hitler a derrubar a República de Weimar e a instaurar um regime militar para combater os Soviéticos.
Esta ideologia irracional impede-os de se interrogarem sobre a natureza das suas instituições, e quanto ao absurdo do conceito de «democracia forçada».
Ora, segundo a fórmula do presidente Abraham Lincoln, «a democracia, é o governo do povo, pelo povo, para o povo».
Deste ponto de vista, os Estados Unidos não são uma democracia, mas sim um sistema híbrido, no qual o poder executivo repousa numa oligarquia, enquanto o povo limita o arbítrio do mesmo graças aos contra-poderes legislativo e judicial. Com efeito, se o povo elege o Congresso e certos juízes, são os Estados federados quem elege o poder executivo e este último quem designa os altos magistrados. Muito embora os cidadãos sejam chamados a pronunciar-se sobre a escolha do seu presidente o seu voto na matéria é apenas consultivo, tal como o lembrou o Supremo Tribunal, em 2000, na disputa Gore contra Bush. A Constituição dos Estados Unidos não reconhece a soberania do povo, já que o poder é partilhado entre ele e os Estados federados, ou seja os caciques locais.
De passagem, deverá notar-se que a Constituição da Federação da Rússia é, pelo contrário, democrática -- pelo menos no papel--- quando afirma : «o detentor da soberania e a única fonte de poder na Federação da Rússia é o seu povo multinacional».(Título I, Ch. 1, art.3).
Este contexto intelectual explica porque os Norte-americanos apoiam o seu governo quando ele anuncia querer «exportar a democracia», quando o seu próprio país não o é , constitucionalmente. Mas, não se vê como eles poderiam exportar o que não têm, e não querem ter em sua própria casa.
No decurso dos trinta últimos anos, esta contradição foi carregada pela NED e concretizou-se pela desestabilização de numerosos Estados. Milhares de militantes e ONGs crédulas violaram a soberania dos povos com o sorriso beato da boa consciência.1

Uma Fundação pluralista e independente
No seu célebre discurso de 8 de junho de 1982, diante do Parlamento britânico, o presidente Reagan denunciou a União Soviética como o «Império do mal» e propôs vir em ajuda dos dissidentes de lá e arredores. «Trata-se de contribuir para criar a infra-estrutura necessária à democracia : à liberdade de imprensa, de sindicatos, de partidos políticos, de universidades: assim os povos serão livres para escolher a via que lhes convier, afim de desenvolver a sua cultura e resolver os seus diferendos por meios pacíficos», declarou ele.
Sobre esta base consensual da luta contra a tirania, uma comissão de reflexão bipartidária preconizou em Washington a criação da Fundação Nacional para a Democracia (NED). Esta foi instituída pelo Congresso em Novembro de 1983, e financiada de imediato.1
A Fundação subvenciona quatro estruturas autónomas, que redistribuem no estrangeiro o dinheiro disponível a associações, sindicatos operários e patronais, e partidos de direita e de esquerda. Trata-se de :
 O Instituto de Sindicatos Livres (Free Trade Union Institute - FTUI), actualmente renomeado Centro Americano para a Solidariedade dos Trabalhadores (American Center for International Labor Solidarity - ACILS), gerido pelo sindicato operário AFL-CIO ;
 O Centro para a Empresa Privada Internacional (Center for International Private Entreprise - CIPE), gerido pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos ;
 O Instituto Republicano Internacional (International Republican Institute - IRI), gerido pelo Partido republicano ;
 E o Instituto Nacional Democrático para os Assuntos Internacionais (National Democratic Institute for International Affairs - NDI), gerido pelo Partido Democrata.
Apresentado desta forma a NED e os seus quatro pseudópodes parecem baseados na sociedade civil, da qual eles reflectiriam a diversidade social e o pluralismo político. Financiados pelo povo norte-americano, via Congresso, operariam por um ideal universal. Eles seriam completamente independentes da administração presidencial. E, a sua acção transparente não poderia mascarar operações secretas servindo interesses nacionais inconfessáveis.
A realidade é completamente diferente.

Em 1982, Ronald Reagan criou a NED, em parceria com o Reino Unido e a Austrália, para derrubar «o Império do Mal».
Uma encenação da CIA, do MI6 e do ASIS
O discurso de Ronald Reagan em Londres ocorre após os escândalos, em torno da revelação por comissões parlamentares de inquérito, sobre os golpes sujos da CIA. O Congresso interdita à Agência a organização de novos golpes de Estado para conquistar mercados. Na Casa Branca, o Conselho de Segurança Nacional procura, pois, implementar outras ferramentas para contornar esta interdição.
A Comissão de reflexão bipartidária fora formada antes do discurso de Ronald Reagan, embora só tenha recebido oficialmente mandato da Casa Branca depois. Ela não surge, portanto, como resposta à grandiloquente ambição presidencial, mas, antes, precede-a. Por consequência, o discurso não passou de uma cobertura retórica de decisões já traçadas, nas suas grandes linhas, e destinadas a ser encenadas pela Comissão bipartidária.
Esta era presidida pelo representante especial dos Estados Unidos para o Comércio, o que indica que ela não visava a promoção da democracia, mas, segundo uma terminologia consagrada, a «democracia de mercado». Este conceito estranho corresponde ao modelo norte-americano: uma oligarquia económica e financeira impõe as suas escolhas políticas através dos mercados e do Estado federal, enquanto os parlamentares e os juízes eleitos pelo povo protegem os indivíduos contra a arbitrariedade da administração.
Três dos quatro organismos periféricos da NED foram formadas para a ocasião. No entanto não foi necessário criar o quarto, a organismo sindical (ACILS). Este já existia, desde o fim da Segunda Guerra mundial, muito embora tenha mudado de nome em 1978, quando se soube da sua subordinação à CIA. De onde se pode inferir que a CIPE, o IRI e a NDI não nasceram por geração espontânea mas, igualmente, sob a batuta da CIA.
Além disso, embora a NED seja uma associação no Direito americano, ela não é uma ferramenta apenas da CIA mas, também, um dispositivo em comum com os serviços secretos britânicos (foi por isso que ela foi anunciada por Reagan em Londres) e com o australiano. Este ponto fundamental é sempre passado em claro. É, no entanto, confirmado pelas mensagens de felicitações enviadas pelos primeiros-ministros Tony Blair e John Howard aquando do 20º aniversário da suposta «ONG». A NED e as suas extensões são órgãos do pacto militar anglo-saxónico entre Londres, Washington e Camberra, tal e qual como a rede de intercepção electrónica Echelon. Este dispositivo, pode ser utilizado não só pela CIA como também pelo MI6 britânico e pelo ASIS australiano.
Para dissimular esta realidade, a NED suscitou a criação entre os aliados de organizações análogas que trabalham com ela. Em 1988, o Canadá dotou-se de um Centro Direitos & Democracia, o qual se focou sobretudo sobre o Haiti, depois sobre o Afeganistão. Em 1991, o Reino Unido instituiu a Westminster Foundation for Democracy (WFD). O funcionamento deste organismo público é decalcado sobre o da NED: a sua administração é confiada aos partidos políticos (oito delegados: três pelo Partido Conservador, três pelo Partido Trabalhista, um pelo Partido Liberal, e um último pelos outros Partidos representados no Parlamento). A WFD trabalhou extensivamente na Europa Oriental. Finalmente, em 2001, a União Europeia dotou-se do European Instrument for Democracy and Human Rights (IEDDH), a qual suscita menos suspeitas que as suas homólogas. Este gabinete reporta à EuropeAid, dirigida por um alto-funcionário tão poderoso quanto desconhecido, o Neerlandês Jacobus Richelle.
A directiva presidencial 77
Ao votar pela fundação da NED, a 22 de Novembro de 1983, os parlamentares EU ignoravam que ela existia já em segredo, em virtude de uma directiva presidencial datada de 14 de Janeiro [1].
Este documento, que só foi desclassificado duas décadas mais tarde, organiza a «diplomacia pública», expressão politicamente correcta para designar a propaganda. Ele institui na Casa Branca grupos de trabalho, no seio do Conselho de Segurança Nacional, dos quais um encarregue de dirigir a NED.

Henry Kissinger, administrador da NED. Um «representante da sociedade civil»?
Por conseguinte, o Conselho de administração da Fundação não é mais que uma correia de transmissão do Conselho de Segurança Nacional. Para manter as aparências, foi acordado que, de modo geral, os agentes e antigos agentes da CIA não poderiam ser nomeados administradores.
No entanto, as coisas são transparentes. A maior parte dos altos funcionários que tiveram um papel central no Conselho de Segurança Nacional foram administradores da NED. É por exemplo o caso de Henry Kissinger, Franck Carlucci, Zbigniew Brzezinski, ou ainda Paul Wolfowitz; personalidades que não ficarão na História como idealistas da democracia, mas, sim como estrategas cínicos da violência.
O orçamento da Fundação não pode ser interpretado isoladamente, uma vez que ele recebe as suas directivas do Conselho de Segurança Nacional para realizar ações que se inscrevem nas vastas operações inter-agências. Fundos, nomeadamente quando provêm da Agência de Ajuda Internacional (USAID), transitam pela NED sem aparecer no seu orçamento, simplesmente para as «não-governamentalizar». Além disso, a Fundação recebe indirectamente dinheiro da CIA, depois de ele ter sido branqueado por intermediários privados como a Smith Richardson Foundation, a John M. Olin Foundation ou ainda a Lynde and Harry Bradley Foundation.
Para avaliar a amplitude deste programa, era preciso cumular o orçamento da NED com os os sub-orçamentos correspondentes do Departamento de Estado, da USAID, da CIA e do Departamento da Defesa. Ora, uma tal estimativa é hoje em dia impossível.
Alguns elementos conhecidos permitem, no entanto, dispôr de uma estimativa de valor. Os Estados Unidos despenderam no decurso dos cinco últimos anos mais de 1 bilião de dólares(mil milhões-ndT) para associações e partidos no Líbano, um pequeno Estado de 4 milhões de pessoas. Globalmente metade deste maná foi distribuído publicamente pelo Departamento de Estado, pela USAID e pela NED, a outra metade foi vertida secretamente pela CIA e pelo Departamento da Defesa. Este exemplo permite extrapolar que o orçamento geral da corrupção institucional pelos Estados Unidos conta-se em dezenas de milhar de milhões de dólares anuais. De passagem, o programa equivalente da União Europeia, que é inteiramente público e fornece um reforço às ações norte-americanas, é de 7 mil milhões(bilhões-br) de euros por ano.
Em resumo, a estrutura jurídica da NED e o volume do seu orçamento oficial não são mais que iscos. Na essência ela não é um organismo independente encarregue de acções legais outrora da alçada da CIA, ela é, sim, uma vitrine que o Conselho de Segurança Nacional encarrega de concretizar os elementos legais de operações ilegais.
A estratégia trotskista
No decurso da sua fase de implementação (1984), a NED foi presidida por Allen Weinstein, depois durante quatro anos por John Richardson (1984-88), finalmente por Carl Gershman (desde 1998).
Estes três homens têm três pontos em comum. São judeus, militaram no seio do Partido trotskista, Social Democrats USA, e trabalharam na Freedom House (Casa da Liberdade-ndT). Há uma lógica nisso : por ódio ao stalinismo, certos trotskistas juntaram-se à CIA para lutar contra os soviéticos. Trouxeram com eles a teoria de tomada do poder mundial, transpondo-a para as «revoluções coloridas» e a «democratização». Eles simplesmente deslocaram a vulgata trotskista, aplicando-a ao combate cultural analisado por Antonio Gramsci: o poder exerce-se nas mentes mais do que pela força. Para governar as massas uma elite deve, primeiro, inculcar-lhes uma ideologia que programe a sua aceitação pelo poder que as domina.
Le Centro americano para a solidariedade com os trabalhadores (ACILS)

Conhecido sob o nome de Solidarity Center, o ACILS, ramo sindical da NED, é de bem longe o seu canal principal. Ele distribui mais de metade dos donativos da Fundação. Ele sucedeu aos organismos anteriores que serviram durante toda a Guerra Fria para estruturar os sindicatos não-comunistas no mundo, do Vietname a Angola, passando pela França e pelo Chile.
O facto de escolher os sindicalistas para cobrir este programa da CIA é de uma rara perversidade. Longe do slogan marxista «Proletários de todos os países, uni-vos», o ACILS associa os sindicatos operários norte-americanos ao imperialismo que esmaga os trabalhadores de outros países.
Este ramo era dirigido por um personagem extravagante, Irving Brown, de 1948 até à sua morte em 1989.

Em 1981, Irving Brown coloca Jean-Claude Mailly como assistente do secretário-geral da Force Ouvrière, André Bergeron. Este último reconhecerá financiar a sua actividade graças à CIA. Mailly torna-se secretário-geral da FO em 2004.
Alguns autores asseguram que Brown era o filho de um Russo Branco, companheiro de Alexandre Kerensky. O que é certo, é que ele foi agente da OSS, o serviço de inteligência dos EU durante a Segunda Guerra mundial e participou na criação da CIA e da rede Gladio da OTAN. Ele recusou tomar conta da liderança, preferindo concentrar-se na sua especialidade, os sindicatos. Foi colocado em Roma, depois em Paris, e não em Washington, de tal maneira que exerceu uma influência especial na vida pública italiana e francesa. No fim da sua vida, ele gabava-se assim de ter sempre dirigirido, secretamente, o sindicato francês Force Ouvrière, de ter mexido os pauzinhos no sindicato estudantil UNI (onde militaram Nicolas Sarkozy e os seus ministros François Fillon, Xavier Darcos, Hervé Morin e Michèle Alliot-Marie, assim como o Presidente da Assembleia Nacional, Bernard Accoyer, e o Presidente do Grupo parlamentar da maioria, Jean-François Copé) e de ter, pessoalmente, formado à Esquerda membros de um grupúsculo trotskista, entre os quais Jean-Christophe Cambadelis e o futuro Primeiro-ministro Lionel Jospin.
No fim dos anos 90, os aderentes da Confederação, AFL-CIO exigiram contas sobre as reais actividades da ACILS, quando tinha sido abundantemente documentado o seu carácter criminoso em muitos países. Poderia imaginar-se que as coisas teriam mudado após esta grande revelação. Nem pensar. Em 2002 e 2004, o ACILS participou activamente no golpe de Estado falhado na Venezuela, contra o Presidente Hugo Chávez e, ao bem sucedido, no Haiti, derrubando o Presidente Jean-Bertrand Aristide.
Hoje em dia o ACILS é liderado por John Sweeney, antigo presidente da Confederação AFL-CIO, que também originário do Partido Trotskista Social Democrats USA.
O Centro para a empresa privada internacional (CIPE)

O Centro para a empresa privada internacional (CIPE) focaliza-se sobre a divulgação da ideologia capitalista liberal e a luta contra a corrupção.1
O primeiro êxito do CIPE, é a transformação, em 1987, do Europan Management Forum --um clube dos grandes patrões europeus--- em World Economic Forum --o clube da classe dirigente transnacional---. O grande encontro anual do supra-sumo económico e político global, na estância de esqui suíça de Davos, contribuiu para forjar uma pertença de classe para além das identidades nacionais.
O CIPE vela para não ter nenhum laço estrutural com o Fórum de Davos, e não é possível -de momento--- provar que o World Economic Forum é instrumentalizado pela CIA. Por outro lado, os responsáveis de Davos teriam muita dificuldade em explicar por que certos dirigentes políticos escolhem o seu Fórum económico para aí jogar cartadas da maior importância se não se tratasse de operações planificadas(planejadas-br) pelo Conselho de Segurança Nacional dos EUA. Por exemplo, em 1988, foi em Davos --e não na ONU--- que a Grécia e a Turquia fizeram a paz. Em 1989, é em Davos que as duas Coreias por um lado, e as duas Alemanhas por outro, realizam a sua primeira cimeira a nível ministerial, para uns, e a sua primeira cimeira sobre a reunificação para os outros. Em 1992, é ainda em Davos que Frederik de Klerk e Nelson Mandela, livre, vêm em conjunto apresentar, pela primeira vez no estrangeiro, o seu projeto comum para a África do Sul. Ainda mais inverosímil, é em Davos que em 1994, após o acordo de Oslo, Shimon Peres e Yasser Arafat, vêm negociar e assinar o seu roteiro para Gaza e Jericó.
O contacto entre o Fórum e Washington passa notoriamente por Susan K. Reardon, a antiga directora da associação profissional dos empregados do Departamento de Estado feita directora da Fundação da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, que gere a CIPE.
O outro êxito do Centro para a empresa privada internacional, é a Transparency International. Esta «ONG» foi oficialmente criada por um oficial das informações militares dos EU, Michael J. Hershman, que é também administrador do CIPE, e hoje em dia um dos responsáveis pelo recrutamento de informadores do FBI, bem como o CEO da Agência de inteligência privada Fairfax Group.
A Transparency International é antes de tudo uma fachada para as actividades de inteligência económica da CIA. É também uma ferramenta de comunicação para coagir os Estados a modificar as suas legislações no sentido da abertura dos seus mercados.
Para mascarar a origem da Transparency International, a CIPE apelou à capacidade do antigo director de imprensa do Banco Mundial, o neo-conservador Frank Vogl. Este último colocou em acção um Comité de personalidades que contribuíram para dar a impressão de uma associação saída da sociedade civil. Este comité de fachada é animado por Peter Eigen, antigo director do Banco Mundial para a África Oriental, cuja esposa foi em 2004 e 2009 a candidata do SPD à Presidência da República Federal da Alemanha.
O trabalho da Transparency International serve os interesses dos EU e não é de modo algum fiável. Assim, em 2008, a pseudo ONG denunciava a corrupção da PDVSA, a empresa pública de petróleos da Venezuela e, com base nas informações falsificadas, colocava-a na última posição da sua tabela mundial de Empresas Públicas. O objectivo era evidentemente sabotar a reputação de uma empresa que constitui a base económica da política anti-imperialista do presidente Hugo Chávez. Apanhada em flagrante delito de intoxicação, a Transparency International recusou responder às perguntas da imprensa latino-americana e corrigir o seu relatório. Nada de espantar, diga-se de passagem, quando nos lembramos que o correspondente à CIPE na Venezuela, Pedro Carmona, havia sido brevemente colocado no poder pelos Estados Unidos, aquando do golpe de Estado falhado de 2002 contra Hugo Chávez.
De uma certa maneira, ao focar a atenção dos média sobre a corrupção económica, a Transparency International mascara a actividade da NED: a corrupção política das elites dominantes em proveito dos Anglo-Saxões.
O Instituto Republicano Internacional (IRI) e o Instituto Nacional Democrático para os assuntos internacionais (NDI)

O Instituto Republicano Internacional (IRI) tem por vocação corromper os Partidos de Direita, enquanto o Instituto Democrático Nacional para Assuntos Internacionais (NDI) trata dos Partidos de Esquerda. O primeiro é presidido por John McCain, o segundo por Madeleine Albright. Estas duas personalidades não devem, no entanto, ser tomadas como políticos vulgares, um é líder da oposição e outra uma perita aposentada, mas, sim como mentores activos de programas do Conselho de Segurança Nacional.

Para enquadrar os principais partidos políticos do mundo, o IRI e o NDI renunciaram a controlar a Internacional Liberal e a Internacional Socialista. Eles criaram, pois, organizações rivais, a União Democrática Internacional(UDI) e a Aliança dos Democratas (AD). A primeira é presidida pelo australiano John Howard. O russo Leonid Gozman da causa justa (Правое дело) é o vice-presidente. A segunda é dirigida pelo italiano Gianni Vernetti e co-presidida pelo francês François Bayrou.
O IRI e o NDI apoiam-se também em fundações políticas ligadas aos grandes partidos europeus (seis na Alemanha, duas na França, um nos Países Baixos e ainda uma outra na Suécia). Além disso, certas operações foram sub-contratadas a misteriosas sociedades privadas, como a Democracy International Inc. que organizou as últimas eleições manipuladas no Afeganistão.

Antigo adjunto de Rahm Emanuel e actual responsável do NDI, Tom McMahon veio para a França para organizar as primárias do Partido Socialista.
Tudo isso deixa um gosto amargo. Os Estados Unidos têm corrompido a maior parte dos grandes partidos políticos e sindicatos no mundo. Em última análise, a «democracia» que eles promovem consiste em discutir questões locais em cada país --a ver, questões sociais como os direitos das mulheres ou dos gays--- e a alinhar-se com Washington em todos os assuntos internacionais. As campanhas eleitorais tornaram-se espectáculos nas quais a NED escolhe o elenco fornecendo para tal a certos, e não para outros, os recursos financeiros que eles precisam. Mesmo a noção de alternância perdeu o seu significado, uma vez que a NED promove alternadamente um campo ou outro desde que estes prossigam a mesma política externa e de defesa.
Hoje em dia na União Europeia, e por outros lados, ouvem-se lamentos sobre a crise da Democracia. Esta tem como responsáveis claros a NED e os Estados Unidos. E, como qualificar um regime, como o dos Estados Unidos, onde o principal líder da oposição, John McCain, é na realidade um empregado do Conselho de Segurança Nacional? Seguramente não como uma democracia.
O balanço de um sistema
A USAID, a NED, os seus institutos satélites e as suas fundações intermediárias, deram origem, ao longo dos tempos, a uma vasta e insaciável burocracia. Anualmente a votação sobre o orçamento da NED pelo Congresso dá lugar a vivos debates sobre a ineficácia deste sistema tentacular e a rumores de desvios de fundos em proveito personalidades políticas norte-americanos encarregues de a administrar.
Com a preocupação de boa gestão, inúmeros estudos tem sido encomendados para medir o impacto destes fluxos financeiros. Peritos compararam as somas alocadas em cada Estado e a classificação democrática destes Estados pela Freedom House. Depois, calcularam quanto era preciso gastar em dólares por habitante para melhorar num ponto a nota democrática de um Estado.

Tomicah Tillemann, conselheiro de Hillary Clinton para a socieddae civil e as democracias emergentes, supervisiona o dispositivo da NED no Departamento de Estado.
Claro, tudo isso não é mais que uma tentativa de auto-justificação. A ideia de estabelecer uma classificação democrática nada tem de científico. De maneira totalitária, ela supõe que só existe um modelo de instituições democráticas. E, de maneira infantil, ela estabelece uma lista de critérios díspares que pondera com coeficientes imaginários para transformar a complexidade social num único número.
Já agora, a grande maioria destes estudos concluem pelo falhanço : embora o número de democracias cresça no mundo, não haveria nenhuma conexão entre os progressos ou os recuos por um lado, e as somas gastas pelo Conselho de Segurança Nacional. Pelo contrário, isto confirma que os objectivos reais não têm nenhuma relação com os que são anunciados. Os responsáveis da USAID citam entretanto um estudo, pela Universidade Vanderbilt, segundo o qual várias operações da NED, co-financiadas pela USAID, têm sido eficazes porque a USAID tem uma gestão rigorosa do seu orçamento. Sem surpresa, este estudo singular foi financiado pela... USAID.
Seja como fôr, em 2003, por ocasião do seu vigésimo aniversário, a NED traçou um balanço político da sua ação, de onde ressalta que financiava então mais de 6.000 organizações políticas e sociais no mundo, um número que não cessou de crescer desde aí. Ela reivindicava ter criado de raiz o sindicato Solidarnosc, na Polónia, a Carta 77, na Checoslováquia, e o Otpor na Sérvia. Ela congratulava-se por ter criado, a partir do zero, a Rádio B92, ou o diário Oslobodjenje, na ex-Jugoslávia e uma série de novos média independentes no Iraque «libertado».

Em Dezembro de 2011, as autoridades egípcias revistam as sedes do National Democratic Institute e do International Republican Institute no Cairo. Os documentos apreendidos foram os mais importantes para compreender a ingerência US desde a tomada do «ninho de espiões» de Terã, em 1979. Acusados de espionagem, os responsáveis da NED são entregues à Justiça. Aqui : Robert Becker (director do NDI no Cairo) na abertura do seu processo. Os documentos provam que a NED suscitou totalmente e manipulou a pseudo-revolução da praça Tahrir que provocou mais de 4.000 mortos para alçar os Irmãos Muçulmanos ao poder.
Mudar de cobertura
Depois de ter conhecido um sucesso mundial, a retórica da democratização não convence mais. Ao utilizá-la em todas as circunstâncias, o presidente George W. Bush esgotou-a. Ninguém pode seriamente apoiar que as subvenções dispensadas pela NED farão desaparecer o terrorismo internacional. Tanto como não se pode pretender a posteriori que as tropas dos EU teriam deposto Saddam Hussein para oferecer a democracia aos Iraquianos.
Além do mais, os cidadãos que em todo o mundo militam pela democracia tornaram-se desconfiados. Compreenderam que a ajuda oferecida pela NED e os seus pseudópodes visam, na realidade, manipulá-los e armadilhar os seus países. Eles recusam pois, cada vez mais, os «desinteressados» donativos que lhes são propostos. Assim os responsáveis norte-americanos dos diferentes canais de corrupção encararam fazer a mudar o sistema mais uma vez. Depois das golpadas completas da CIA e da transparência da NED, eles encaram a criação de uma nova estrutura que faria a substituição de um conjunto desacreditado. Ela não seria mais gerida pelos sindicatos, pelo patronato e os dois grandes partidos, mas por multinacionais de acordo com o modelo da Asia Foundation.
Nos anos 80, a imprensa revelou que esta organização era uma cobertura da CIA para lutar contra o comunismo na Ásia. Ela foi então reformado e a sua gestão foi confiada a multinacionais (Boeing, Chevron, Coca-Cola, Levis Strauss etc....). Esta mudança de aparência foi suficiente para dar uma aparência não-governamental e respeitável a uma estrutura que jamais deixou de servir a CIA. Após a dissolução da URSS, Soviética, ela foi copiada com uma outra, a Eurasia Foundation, encarregue de estender a acção secreta aos novos Estados asiáticos.
Uma outra questão discutida é de saber se as doações para a «promoção da democracia» devem assumir, unicamente, a forma de contratos para a realização de projectos específicos, ou a de subvenções sem obrigação de resultado. A primeira fórmula oferece uma melhor cobertura legal, mas a segunda é muito mais eficaz para corromper.
Em vista deste panorama, a exigência de Vladimir Putin e Vladislav Surkov de regulamentar o financiamento das ONGs na Rússia é legítima, mesmo se a burocracia que eles desenvolveram para isso é ultrajante e picuinhas. O dispositivo da NED, posto em marcha sob a autoridade do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, não só não promove os esforços democráticos no mundo mas, pelo contrário, envenena-os.
Thierry Meyssan

Tradução Alva
Fonte Odnako (Rússia)
     
 in
http://www.voltairenet.org/article192989.html
- See more at: http://port.pravda.ru/news/russa/17-08-2016/41564-ned_cia-0/#sthash.obk4BxTB.dpuf

domingo, 14 de agosto de 2016

Governo russo está revendo as políticas neoliberais


14.08.2016 | Fonte de informações: 



Segundo várias notícias, o governo russo está reavaliando as políticas neoliberais que tão pouco ajudaram e tanto prejudicaram a Rússia, desde o fim da União Soviética. Se a Rússia tivesse adotado política econômica inteligente, a economia russa estaria em muito melhores condições do que está hoje. E, se tivesse restaurado a confiança no autofinanciamento, teria evitado a maior parte da fuga de capitais russos para o ocidente.

Washington aproveitou-se de um governo russo desmoralizado, que buscou orientação em Washington, na era pós-soviética. Acreditando que a rivalidade entre os dois países teria acabado com o fim do regime soviético, os russos acreditaram no conselho que os norte-americanos lhes deram, para modernizar a economia russa na direção de ideais ocidentais. Mas Washington logo traiu a confiança nos russos e acabrestou a Rússia numa política econômica concebida para assaltar o patrimônio econômico russo e transferir a propriedade deles para mãos norte-americanas no específico e não russas em geral.

Com aplicar esse golpe contra a Rússia, levando os russos a aceitar a entrada de capital de fora e expondo o rublo à especulação, Washington garantiu que os EUA conseguissem desestabilizar a Rússia com fluxos de saída de capitais e assalto direto contra o valor de câmbio do rublo.

Só governo que não conhecesse o objetivo neoconservador dos EUA obcecados com alcançar a hegemonia mundial, teria algum dia exposto o próprio sistema econômico a esse tipo de manipulação por interesses organizados nos EUA e contra interesses locais de qualquer tipo.

As sanções que Washington impôs - e obrigou a Europa a impor - à Rússia mostra o quanto a economia neoliberal trabalha obcecadamente contra a Rússia. As altíssimas taxas de juros e a 'austeridade' (não é austeridade: é ARROCHO) fizeram naufragar a economia russa - sem qualquer ganho para a Rússia. O rublo foi derrubado pela fuga de capitais, resultando no processo pelo qual o Banco Central 'torrou' as reservas estrangeiras da Rússia no esforço para 'sustentar' o rublo, mas processo que, na verdade, só  'sustentou' a fuga de capitais.

Vladimir Putin até acha atraente a noção romântica de uma economia global à qual todos os países tenham igual acesso. Mas os problemas que resultaram da política neoliberal forçaram-no a recorrer à substituição de importações para tornar a economia russa menos dependente de importações. Aqueles problemas também levaram Putin a dar-se contra de que, se o plano era a Rússia manter um pé na ordem econômica 'ocidental', ela teria de manter o outro pé na nova ordem econômica em construção com China, Índia e as repúblicas asiáticas ex-soviéticas.

A economia neoliberal prescreve uma dependência política que depende de empréstimos de fora e investimentos estrangeiros. Essa política cria dívidas em moeda estrangeira e entre a propriedade sobre lucros auferidos na Rússia, também a estrangeiros. São duas perigosas vulnerabilidades no caso de nação que Washington já declarou "ameaça existencial aos EUA".

establishment econômica que Washington preparou, no qual a Rússia sonhava 'integrar-se' sempre foi neoliberal. Considerem-se, dentre outros, a presidenta do Banco Central Elvira Nabiullina; o ministro de desenvolvimento econômico Alexei Ulyukayev; e os ministros das Finanças, o atual e o anterior, Anton Siluanov e Alexei Kudrin - todos eles neoliberais doutrinais. Todo esse pessoal, para lidar com o déficit no orçamento russo, só sabe vender patrimônio público dos russos, a estrangeiros. Se tivesse sido efetivamente implantada, essa política daria a Washington cada vez maior controle sobre a economia russa.

Serguey Gaziev

Contra essa seleção de "economistas de lixão" [orig. 
junk economists], está Sergey Glaziev.[1] Boris Titov e Andrei Klepach, ao que se sabe, são aliados de Glaziev.

Esse grupo compreende que as políticas neoliberais deixam a economia da Rússia suscetível a golpes de desestabilização manobrada por Washington, sempre que os EUA queiram punir governos russos por não obedecerem à política externa ditada de Washington. O objetivo deles é promover uma Rússia mais autossuficiente, de modo a proteger a soberania nacional e a capacidade do governo para defender interesses nacionais da Rússia, em vez de subjugar esses interesses aos interesses de Washington.

O modelo neoliberal não é modelo de desenvolvimento: é modelo puramente extrativo. Norte-americanos o têm caracterizado em termos de Rússia e outros dependentes serão 'rachadores de lenha e puxadores de água para os príncipes' [Josué 9:21], ou, no caso da Rússia, puxadores de petróleo, gás, platina e diamantes.

Autossuficiência significa não depender de importações ou de capitais externos para investimentos que possam ser financiados pelo banco central da Rússia. Também significa conservar partes estratégicas da economia em mãos públicas, não privadas. Serviços básicos de infraestrutura devem ser postos a serviço da economia nacional a preço de custo, ou com preços subsidiados ou gratuitamente, nunca entregues a proprietários estranhos ao país, para que deles extraiam lucros de monopólio.

Glaziev também quer que o valor de câmbio do rublo seja determinado pelo banco central, não por especuladores no mercado de moedas.

Economistas neoliberais não veem que o desenvolvimento econômico de um país superdotado de recursos naturais como a Rússia pode ser financiado com o dinheiro necessário criado pelo banco central. Para eles, seria procedimento .

Os neoliberais negam o fato já reconhecido há muito tempo de que, em termos da quantidade de dinheiro, não faz diferença alguma de onde venha o dinheiro, se do banco central ou de bancos privados (os quais, como o banco central, também criam dinheiro, não com a Casa da Moeda, mas com juros de empréstimos ou 'recolhidos' fora do país). A diferença é que, se o dinheiro vem de bancos privados ou do exterior, os juros são devidos aos bancos privados e os lucros têm de ser divididos com investidores estrangeiros, que sempre acabam por controlar a economia.

Aparentemente, os neoliberais russos são insensíveis à ameaça que Washington e vassalos europeus fazem contra o estado russo. A partir de mentiras completamente inventadas e cevadas na/pela mídia-empresa, Washington impôs sanções econômicas à Rússia. Essa demonização política é tão fictícia quanto toda a propaganda da economia neoliberal. Apoiada nessas mentiras, Washington vai ampliando as forças militares e o número de bases de mísseis empurrados para perto das fronteiras da Rússia e em águas russas.

Washington obra para mudar regimes nos estados que foram províncias soviéticas, para ali instalar regimes fantoches hostis à Rússia, como fizeram já na Ucrânia e na Georgia. A Rússia é continuadamente demonizada por Washington e pela OTAN.

Washington politizou viciosamente até os Jogos Olímpicos, e conseguiu impedir que muitos atletas russos (e TODOS os paratletas olímpicos russos) participassem dos jogos no Rio de Janeiro em 2016.

Apesar de todos esses movimentos hostis contra a Rússia, mesmo assim os neoliberais russos ainda acreditam que as políticas econômicas que Washington insiste em impor à Rússia considerariam interesses dos russos. Não. As políticas econômicas que Washington insiste em impor à Rússia visam, exclusivamente, a expor a economia russa a ser controlada por/de Washington. Nessas condições, ancorar o destino da Rússia à hegemonia belicosa dos EUA é entregar a soberania russa à soberania dos EUA.*****



[1] Sobre ele, ver, dentre outros artigos, "Para pôr fim às guerras dos EUA em todo o planeta: Assessor de Putin propõe Aliança Antidólar", 18/6/2014, Tyler Durden, ZeroHedge (traduzido emRedecastorphoto; e "Entrevista com Sergei Glaziev - Para compreender a Ucrânia em 15 minutos", 23/8/2014, Redecastorphoto (NTs). 

10/8/2016, Paul Craig Roberts e Michael Hudson, Paul Graig Roberts Website

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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A Rússia derrota terrorismo... enquanto a América aclama um show monstruoso

12.08.2016 | Fonte de informações: 




Não deixa de ser curioso verificar como nos media ocidentais foi dada pouca cobertura a uma importantíssima vitória que se desenvolve na Síria. As forças do exército da Síria e russas estão prestes a fechar o capítulo final de uma guerra de cinco anos - e os meios de comunicação ocidentais parecem não querer saber disso.

por Finian Cunningham


De facto, muito maior cobertura mediática é dada à  nomeação de Hillary Clinton como candidata presidencial democrata. Enquanto Clinton declarava na Convenção do seu partido que acabaria com os terroristas islâmicos no Médio Oriente, o exército da Síria e seus aliados russos estavam na realidade a prosseguir com esse intenso trabalho .

A cidade de Alepo no Norte da Síria - a maior cidade do país antes do início da guerra em 2011 - está prestes a ser totalmente reconquistada pelo exército sírio, suportado pelo poder aéreo russo. Corredores humanitários foram criados para permitir a saída de civis e combatentes antes de começar o ataque final às milícias antigovernamentais enfiadas em refúgios no leste da cidade.

Os membros das milícias são uma amálgama de grupos armados ilegais incluindo proscritas brigadas terroristas afiliadas à al-Qaeda . Os governos ocidentais e as mídias envolveram-se em cínicos jogos de palavras, referindo-se a alguns destes mercenários como "moderados" e "rebeldes".

Por exemplo, um relatório da CNN afirmava: "As forças sírias e russas estão a abrir corredores humanitários para que pessoas fujam da cidade sitiada de Alepo , disseram quinta-feira oficiais de ambos os países no dia a seguir ao anúncio feito pelo exército da Síria de ter cercado a cidade e cortado as rotas de abastecimento dos rebeldes [sic]".

Note-se como a palavra de agradável sonoridade "rebelde" é invocada como forma de branquear o fato de que a cidade tem sido assediada por extremistas, que admitiram ter cortado as cabeças de suas vítimas, incluindo crianças de 10 anos de idade .

O que as forças sírias e russas estão a conseguir com a recaptura de Alepo é nada menos que uma vitória histórica. Não é só o simbolismo de recuperar a segunda cidade da Síria, mas a sua importância estratégica para o governo. Dada a proximidade com a fronteira turca, Alepo foi um bastião para o fluxo ilícito de armas e mercenários que têm alimentado todo o conflito sírio.

Os Estados Unidos e seus aliados da NATO, Grã-Bretanha e França, colaboraram com os seus parceiros regionais, Qatar, Arábia Saudita e Turquia, para usar Alepo como ponto forte para sua suja guerra secreta contra o presidente sírio Bashar al-Assad.

Mercenários do culto da morte vieram de uns 100 países de todo o mundo, incluindo de Estados ocidentais e árabes, e também do Cáucaso da Rússia, para esta conspiração estrangeira tendo como objetivo mudarem o regime na Síria.

De muitas maneiras, Alepo representa a última posição para aquelas forças. Quando Alepo finalmente cair nas próximas semanas, trará o fim do torturante conflito da Síria imposto ao país pelos EUA e seus aliados sob o pretexto de uma revolta "pró-democracia".

A acusação da criminalidade de Washington e de seus desonestos Estados parceiros é comprovada pelas cerca de 400 mil pessoas mortas ao longo dos últimos cinco anos e quase metade da população de 23 milhões transformados em refugiados. Ao mesmo tempo a Europa é confrontada com a crise dos refugiados e com o terrorismo, repercussões desta criminosa conspiração estrangeira para subverter a Síria.

A vitória contra o terrorismo patrocinado por outros Estados na Síria é um tributo à tenacidade e coragem do povo sírio, do seu governo e do seu exército. Nessa vitória a Rússia tem desempenhado um papel de enorme heroismo. O Presidente Assad tem reconhecido o papel fundamental da intervenção militar da Rússia para salvar o seu país do destino a que outras nações sucumbiram, como o Afeganistão, Iraque e Líbia - vítimas das maquinações norte-americanas para mudanças de regime.

Quando o presidente russo Vladimir Putin resolveu enviar forças militares para salvar a Síria , no final de setembro de 2015, a reviravolta foi imediata e crucial. As rotas de contrabando de petróleo em escala industrial dirigida pela rede jihadista na Síria Oriental foram esmagadas pelo poder aéreo russo, eliminando o principal apoio financeiro para a Jihad, que o Estado turco facilitava. Isto, por sua vez, deixou o centro terrorista em Raqqa estiolando no isolamento.

A recuperação da antiga Palmira no centro da Síria, com seu património arqueológico de importância mundial, foi também outra importante vitória para o exército da Síria e seu aliado russo. A realização de um concerto de música clássica por artistas russos nas ruínas românicas recapturadas aos terroristas não foi apenas uma inteligente demonstração de relações públicas. Mostrava eloquentemente o que representava a Guerra Síria: um conflito entre uma nação soberana apoiada pela Rússia contra bárbaros assassinos mobilizados por potências estrangeiras sem lei.

A batalha agora em andamento para Alepo é mais uma - talvez a final - etapa histórica da luta contra as forças de mudança de regime na Síria. A Rússia e o presidente Putin podem orgulhosamente tomar lugar de honra nesta vitória histórica.

Não admira então que os media ocidentais prefiram ignorar o que está a acontecer na Síria. Durante anos, eles têm produzido uma torrente de mentiras e invenções, alegando que "rebeldes" lutavam pela democracia contra um "regime tirânico".

Agora, como as forças sírias e russas destroem os remanescentes "rebeldes" a verdade é dificilmente negável e eles são vistos por aquilo que são: uma rede de terroristas mercenários implantados pelos Estados Unidos e seus aliados, que enfrentam a derrota final.

Portanto para evitar o momento da terrível verdade da sua cumplicidade com o terrorismo patrocinado por esses Estados, os meios de comunicação ocidentais têm necessidade de desviar atenções da Síria e da batalha de Alepo. Voltam-se para uma nova narrativa de distração - a "maravilhosa" nomeação de Hillary Clinton como a primeira mulher a concorrer à Presidência dos EUA.

Típico das manobras de uma tola mudança de assunto são as brilhantes citações de Clinton sobre como ela conduzirá a América e o mundo para derrotar o terrorismo jihadista. Ela é a mesma Clinton que, como secretária de Estado (2009-2013) orquestrou a guerra secreta para a mudança de regime na Síria, com a desprezível implantação de mercenários terroristas conduzidos pela CIA.

Isto é, a guerra a que a Rússia agora está ajudando a finalmente pôr fim, juntamente com a extinção dos grupos terroristas "moderados" promovidos pelos EUA. Washington e Clinton em particular podem começar guerras, mas evidentemente é a Rússia que as termina.

Pasme-se ouvindo Clinton deleitando seus partidários na Convenção Democrata, não podemos ficar mais admirados com esta imensa dissonância cognitiva: uma belicista posando como campeã da paz mundial da lei e da ordem.

Esta absurda impostura de tirar o fôlego, só é possível devido à forma como os media ocidentais trabalham para alterar as narrativas, distorcer perspectivas e omitir factos.

Mas o incontestável é que a Rússia e a Síria estão a ganhar uma guerra histórica contra a agressão terrorista suportada pelo ocidente. Alepo é o toque de clarim para esta vitória.

Os media ocidentais não podem lidar com isto. Assim, são obrigados a tentar mudar o foco. E a quem eles iluminam e dão relevo? A Hillary Clinton , um dos culpados da guerra criminosa na Síria, prometendo defender a América da Rússia e dos terroristas.+
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Fidel Castro: 90 anos de exemplo


11.08.2016


Fidel Castro: 90 anos de exemplo

Dizem que quando Fidel castro deu seu primeiro grito ao mundo naquele 13 de agosto de 1926, os cedros da chácara Birán balançaram suas folhas ao vento de forma diferente e alguns dos vizinhos, que foram dar as congratulações a Lina e a Ángel pela nova cria, miraram-no adormecido dentro do berço... e lhe auguraram que seria um grande homem.
O Líder histórico da Revolução cubana cumpre 90 anos e sua vida segue representando um exemplo para milhões de pessonas em todo o mundo.
O menino Fidel Castro
Dizem que quando Fidel castro deu seu primeiro grito ao mundo naquele 13 de agosto de 1926, os cedros da chácara Birán balançaram suas folhas ao vento de forma diferente e alguns dos vizinhos, que foram dar as congratulações a Lina e a Ángel pela nova cria, miraram-no adormecido dentro do berço e lhe auguraram que seria um grande homem. E não se equivocaram.
O menino Fidel cresceu entre o verdor do campo, das mangas, ameixas, tamarindos e, sem explicações lógicas, ia quase todos os dias até o albergue onde estavam os haitianos que trabalhavam na fazenda, pois gostava de passar o tempo junto aos trabalhadores.
Seu caráter revolucionário começou a moldar-se com força; se indignava ante cada injustiça, e se envolvia sempre em defesa das causas justas, até que jurou tornar-se advogado para defender aos despossuídos.
Já na Universidade se tornou líder. Os estudantes o seguiam em suas ideias porque viam nele o defensor das boas causas, e quando, em 1950, se gradua como Doutor em Direito Civil e Licenciado em Direito Diplomático, se dedica fundamentalmente à defesa de pessoas e setores humildes e já é um revolucionário completo, que sofre a cada dia ante tanta afronta e opróbrio que o tirano de turno causava.
Um dia, só e em silêncio, tomou a decisão mais radical: ao governo havia que derrocá-lo com as armas. 
Então começou a buscar companheiros que pensassem como ele e planejaram em silêncio um golpe contra o tirano Fulgêncio Batista, até que chegou o Dia da Santa Ana, quando Santiago de Cuba desfrutava de seus carnavais, aquele 26 de julho de 1953.
Fidel o Rebelde: "seremos livres ou seremos mártires"
Na noite de 25 de julho, Fidel, reunido com os revolucionários, sentenciou:
"Companheiros: poderão vencer dentro de algumas horas ou serem vencidos; porém, de todas as maneiras, ouçam bem, companheiros!, de todas as maneiras o movimento triunfará. Se vencemos amanhã, se fará em breve o que Martí aspirou. Se ocorrer o contrário, o gesto servirá de exemplo ao povo de Cuba, a tomar a bandeira e seguir adiante.
"O povo nos respaldará no Oriente e em toda a ilha. Jovens do Centenário do Apóstolo! Como no 68 e no 95, aqui no Oriente damos o primeiro grito de liberdade ou morte! Vocês já conhecem os objetivos do plano.
"Sem dúvida alguma é perigoso e aquele que saia comigo daqui nesta noite deve fazê-lo por sua absoluta vontade. Ainda estão a tempo para se decidir. De todas as maneiras, alguns terão que ficar por falta de armas. Os que estejam determinados a ir, deem um passo à frente. A palavra de ordem é não matar senão por última necessidade".
Naquele amanhecer de julho, o ataque ao quartel Moncada foi uma derrota militar, porém uma vitória política. Ainda que dezenas de combatentes foram assassinados, assinalaram o caminho para a liberdade.
Fidel, junto a outros 19 sobreviventes, intenta chegar até a Gran Piedra para continuar a luta. Depois de uma longa marcha para evitar numerosas barreiras militares e operações de rastreamento, são surpreendidos por uma patrulha de Batista, sob o mando do segundo-tenente Pedro Sarría Tartabull.
Ainda que a ordem que tinham era a de matar aos prisioneiros suspeitos de terem participado no assalto, Sarría respeita a vida dos jovens gritando para seus subordinados:
"Não disparem, não se mata as ideias".
Fidel foi preso com um grupo de sobreviventes e dois anos depois saiu do cárcere com uma sentença que cumpriria: "Em 1956 seremos livres ou seremos mártires".
Da guerrilha à Revolução
Assim se foi ao México e durante vários meses preparou uma expedição, que desembarcou nas costas do oriente cubano a 2 de dezembro de 1956, sob o assédio do exército que só umas horas depois, em Alegría de Pío, assestou um ataque demolidor contra os revolucionários, o qual obrigou a sua dispersão.
Depois, a guerrilha foi se rearmando e, depois de sua consolidação definitiva na Sierra Maestra como o Exército Rebelde, no oriente de Cuba, realizou a invasão para o ocidente e Fidel e seus homens se alçaram com o triunfo no primeiro de janeiro de 1959.
A partir desse momento Cuba e sua Revolução enfrentaram os momentos mais difíceis.
Fidel soube se impor com sua inteligência e decisão ante cada desafio: luta contra bandidos, Lei de Reforma Agrária, Lei de Reforma Urbana, Primeira e Segunda Declarações de La Habana, invasão por Playa Girón, a Crise de Outubro, imposição e recrudescimento do bloco econômico, comercial e financeiro; constantes planos de atentados, que somaram até o ano de 2007 um total de 638 tentativas de assassinato e ações terroristas.
Durante sua etapa como presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros presidiu missões oficiais cubanas em mais de 50 países e, entre 21 e 25 de janeiro de 1998, recebeu e atendeu durante sua estadia em Cuba ao papa João Paulo II.
De forma estratégica, Fidel dirigiu a participação de centenas de milhares de combatentes cubanos em missões internacionalistas em Argélia, Síria, Angola, Etiópia e outros países, e foi decisivo o aporte de Cuba ao triunfo sobre o Apartheid. Também impulsou e organizou o aporte de dezenas de milhares de médicos, professores e técnicos cubanos que prestaram e prestam serviços em mais de 40 países do Terceiro Mundo, assim como a realização de estudos em Cuba por parte de dezenas de milhares de estudantes desses países.
Lutador contra a hegemonia 
O líder da Revolução cubana consolidou os programas integrais de assistência e colaboração cubana em matéria de saúde em numerosos países de África, América Latina e Caribe, e a criação em Cuba de escolas internacionais de Ciências Médicas, Desporto e Educação Física e outras disciplinas para estudantes do Terceiro Mundo.
Fidel promoveu em escala mundial a batalha do Terceiro Mundo contra a ordem econômica internacional vigente, em particular contra a dívida externa, o desperdício de recursos como consequência dos gastos militares e a globalização neoliberal, e são notáveis seus esforços pela unidade e a integração da América Latina e do Caribe.
Também liderou a ação decidida do povo cubano para enfrentar os efeitos do bloqueio econômico imposto a Cuba pelos Estados Unidos desde há mais de 55 anos e as consequências no plano econômico da derrocada da comunidade socialista europeia, e promoveu o esforço tenaz dos cubanos para superar as graves dificuldades resultantes destes fatores, sua resistência durante o chamado Período Especial e o reinício do crescimento e desenvolvimento econômico do país.
A 31 de julho de 2006 Fidel Castro fazia entrega de suas responsabilidades por razões de saúde, e segundo suas próprias palavras havia chegado um momento em que, devido a sua enfermidade, não podia continuar à frente do governo, pelo que decidiu transferir o poder ao primeiro vice-presidente cubano nesses momentos, Raúl Castro.+
Desde então, Fidel Castro tem se dedicado a escrever sobre temas mundiais, o qual reafirma que continua sendo um ativo participante na luta de ideias. Por sua autoridade moral, influi em importantes e estratégicas decisões da Revolução, e aos seus 90 anos segue sendo luz para milhões de pessoas em todo o mundo.
Tradução: Joaquim Lisboa Neto


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