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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

BRICS preparam-se para um “Braexit”: adeus, Brasil .


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O grupo BRICS deve trabalhar para que Temer não consiga impactar a coesão dos BRICS (Fonte: EPA)


“Só para lembrar: a última vez que os EUA instalaram governo fantoche foi em 2014, quando, em mais um “golpe sem derramamento de sangue” (sic), derrubaram o presidente da Ucrânia e lá instalaram um bilionário oligarca. É cenário comparável ao do Brasil, em 2016″ (Zero Hedge, 13/5/2016).
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É possível que o novo governo pró-EUA no Brasil force uma “Braexit” e derrube a muralha que protege os BRICS? Segundo Oliver Stuenkel, professor assistente de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, “muitos (sic) brasileiros acreditam que é hora de deixar” os BRICS.
Há apenas três anos, a maior nação da América do Sul declarou que desejava desconectar-se da Internet controlada pelos EUA, por causa da vigilância ilegal que a Agência de Segurança Nacional dos EUA sobre o país, que incluíam gravar as conversas telefônicas da (então) presidenta Dilma Rousseff. Hoje, o mesmo país, sob governo (interino) de Michel Temer, considerado por muitos em todo o mundo como informante dos EUA, tende fortemente na direção do campo norte-americano. Parece também estar-se movimentando para longe do grupo BRICS, do qual o Brasil é membro fundador.
A ‘conversão’ do governo brasileiro não acontece por acaso. É efeito do descomunal revide contra o Partido dos Trabalhadores de Dilma Rousseff, orquestrado por uma coalizão de direita praticamente dominada por população crescente de extremistas evangélicos. De apenas 5% da população em 1970, os evangélicos já são hoje 22% dos 200 milhões da população do Brasil. Estão a caminho de se tornarem maioria já em meados do século.
As igrejas evangélicas com conexões fortes com quartéis-generais nos EUA – e não raras vezes controladas pelas ‘matrizes’ – já são atores muito ativos nas eleições no país, e já conseguiram reverter várias leis sociais brasileiras progressistas. É muito provável que os fiéis dessas igrejas ‘de televisão’, criadas à imagem de muitas que há nos EUA, logo passem a interferir também na política exterior do Brasil. Com isso, certamente o Brasil se afastará – e provavelmente se porá em campo adversário – de países como Rússia e Índia, onde ainda predomina um ethos liberal progressista.
Em apenas 35 anos, é possível que o Brasil tenha população majoritariamente pró-EUA. É tempo mais do que suficiente para que os BRICS preparem-se para a vida sem Brasil. Há quatro vias claras para conseguir isso.
Expandir, expandir, expandir!
Ser pequeno só é virtude se você for anão em circo de excentricidades. Se a OTAN pode trabalhar com 28 membros, os BRICS, claramente muito mais importantes que a OTAN, também podem. Tendo surgido e amadurecido em torno de um núcleo de cinco nações, os BRICS devem agora se abrir para outras frentes, para ganhar mais tração. O grupo capturou a imaginação mundial como corpo capaz de pôr fim à fracassada agenda neocolonial do Ocidente. Outro trunfo dos BRICS é a ideia de crescimento equitativo, que é atrativa para um conjunto diversificado de nações.
O grupo deve investir nessa boa-vontade e convidar economias de dimensões medianas como Indonésia, Malásia, Argentina, Nigéria e Egito. Algumas dessas economias nem precisarão ser convidadas, porque querem vir. A Argentina seria excelente candidata, porque pode substituir o Brasil como representante da América do Sul. Além disso, se o Brasil decidir sair, a inclusão da Argentina obrigará o governo golpista a repensar a decisão. Ninguém no Brasil aceitará sem protesto que seu grande rival do sul substitua o Brasil numa organização poderosa como os BRICS.
Temer, o Interino
Wikileaks revela que o presidente interino do Brasil, Michel Temer, forneceu informações de inteligência ao Conselho de Segurança Nacional e a militares dos EUA, quando ainda na função de líder do partido PMDB que integrava a coalizão governante. Conforme aquela organização internacional de divulgação de informação considerada ‘secreta’ pelos interessados em ocultá-la, Temer manteve contato extraoficial com a embaixada dos EUA no Brasil e forneceu informação que o governo dos EUA considerou “sensível”, para conhecimento “exclusivo do governo dos EUA”. Dois telegramas chamam especialmente a atenção: um, datado de 11/1/2006, o outro de 21/6/2006. Um é documento enviado de São Paulo, Brasil, para – dentre outros destinatários – o Comando Sul dos EUA em Miami.
Mas em que sentido isso diz respeito aos BRICS? Se Temer é efetivamente instrumento da ação política dos EUA, pode bem introduzir uma cunha na maquinaria do grupo BRICS e paralisá-lo, mais ou menos como a Grã-Bretanha operou como cavalo de Troia dos EUA na União Europeia.
Temer, um dos articuladores do golpe para derrubar a presidenta Rousseff, ativa defensora dos BRICS, está, ele próprio sob investigação policial.
É provável que Temer e seu grupo lancem o Brasil em período de agitação e instabilidade. Como se lê no website “Zero Hedge” de inteligência financeira: “Só para lembrar: a última vez que os EUA instalaram governo fantoche foi em 2014, quando, em mais um “golpe sem derramamento de sangue” (sic), derrubaram o presidente da Ucrânia e lá instalaram um bilionário oligarca. É cenário comparável ao do Brasil, em 2016.”
O grupo BRICS deve garantir que Temer não tenha meios para sabotar a coesão dos BRICS, que já está tendo de lidar com a tensão geopolítica entre Índia e China, por causa da presença de uma considerável frota da Marinha da Índia no Mar do Sul da China e da recusa, por Pequim, de aceitar New Delhi no Grupo de Fornecedores Nucleares.
Aprender com o destino de Dilma Rousseff
No governo da presidenta Rousseff, a economia brasileira andava devagar, mas andava. Contudo, como pilar fundamental do grupo BRICS, o Brasil parece ter atraído a ira dos EUA. A coalizão de partidos anti-Dilma, como o PMDB de Temer, e os grupos das igrejas evangélicas – com certeza teleguiados por Washington – criaram tantas e tais dificuldades, que a presidenta foi forçada a governar praticamente por decretos, durante a maior parte de seu segundo mandato.
Como se viu acontecer na Ucrânia, que está hoje em total desarranjo, o PIB do Brasilencolheu 3,8% em 2015, e tudo indica que encolherá outro tanto em 2016. Inflação e desemprego estão acima de 10%. O mercado de ações caiu 7% durantes as duas primeiras semanas do governo Temer; e o real perdeu 3,5% do valor em relação ao dólar norte-americano.
Índia, que assume agora a presidência dos BRICS, fará avançar as iniciativas russas

Primeiro a Ucrânia, depois o Brasil, o que virá depois? A China parece impenetrável aos esforços de desestabilização e revoluções ‘das flores’ dos EUA – mas a Revolução dos Guarda-Chuvas em Hong Kong foi claramente inspirada pelo ocidente. A Rússia já expulsou as agências USAID e o British Council, por interferência na política russa. Resta a Índia, que é vulnerável às táticas de desestabilização da CIA-EUA. A ascensão do Partido Aam Admi, que recebe fundos da Fundação Ford – um dos corpos operados e mantidos pela CIA – é prenúncio do que está por vir.
Livrem-se do nome “BRICS”
BRICS é sigla elegante – todos parecem adorar o som e o modo como desliza sobre a língua. Mas há um problema com siglas de organizações baseadas em nomes dos membros. Se o Brasil se afasta, a sigla encurta para RICS? Se a África do Sul deixa o grupo, o nome passa a ser BRIC?
Além disso, a sigla BRICS tem problemas também de crescimento, porque não se pode encompridar indefinidamente a sigla. De BRIC para BRICS foi fácil, mas o que acontecerá se Indonésia ou Argentina se incorporarem ao grupo. BRICSI? BRICSA?
Algum novo nome não precisa ser necessariamente harmonioso, como som. Por exemplo, o banco dos BRICS é conhecido como Novo Banco de Desenvolvimento – nada muito extraordinário, mas excelente e importante alternativa ao grandiloquente Banco Mundial. Nessa linha, todo o grupo hoje BRICS poderia ser renomeado: Novo Grupo Econômico (NGE), em inglês New Group EconomicNGE [ou, mesmo, NEW [ing. “novo”] – prosaico, mas, melhor denominação que antes.****

 Rakesh Krishnan SimhaRussia Beyond the Headlines
Tradução: Vila Vudu
http://in.rbth.com/blogs/stranger_than_fiction/2016/07/04/brics-should-prepare-for-braxit-a-brazilian-exit_608637

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Rússia e China: saindo da neutralidade ao suporte em importantes conflitos


 © Sputnik/ Aleksei Druzhinin

A Rússia e a China realizarão exercícios conjuntos no mar do Sul da China, palco de tensões nas relações entre Pequim e outros países. Entretanto, a China anunciou que é hora de se posicionar no conflito sírio. A mídia russa pondera por que os dois países alteraram suas posições de neutralidade, prontificando-se a prestar apoio em conflitos.
Na semana passada, o porta-voz da Frota russa do Pacífico, Vladimir Matveev, confirmou que Rússia e China acordaram em realizar treinamentos conjuntos no mar do Sul da China entre 12 e 19 de setembro. O foco dos exercícios será a proteção de navios de carga no mar do Sul da China.
Em julho, o porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Yang Yujun, disse que os exercícios “não serão destinados ao ataque a terceiros países”. Alguns analistas interpretaram a vontade russa de participação de exercícios conjuntos com a China, como forma de demonstrar apoio à nação chinesa nas disputas territoriais no mar do Sul da China.
Em 18 de agosto o jornal The Global Times comunicou que “chegou a hora de os militares chineses contribuírem para o fim da crise síria”. Logo depois, tornou-se público que a delegação chinesa visitou a Síria e realizou negociações sobre a cooperação militar e ajuda humanitária.
O diretor do Departamento para a Cooperação Militar Internacional da Comissão Militar Central, Guan Youfei, encontrou-se com o ministro da Defesa sírio, Fahad Jassim al-Freij. O Ministério da Defesa Nacional chinês afirmou que a China tem desempenhado um papel ativo na busca de uma solução política à crise síria, apoiando a independência e autonomia da nação síria e estando os chineses de prontidão para fortalecer a cooperação com colegas sírios.
Guan reuniu-se também com o general russo que lidera o Centro de Reconciliação sírio em Damasco e discutiu “assuntos de interesse comum”, acrescentou o ministério. Tudo isso provocou várias sugestões na mídia, relacionadas à alteração de posições dos dois países, que abandonaram a neutralidade decidindo prestar apoio a conflitos. O portal de notícias on-line Regnum disse que Pequim, através da mudança de posicionamento à disputa territorial no mar da Sul da China, especifica que não existe “uma denúncia global” da sua posição ao conflito.
“Há dois anos, os EUA realizaram com sucesso a transformação da Rússia através da mídia em ‘um Estado vilão, assustador e poderoso’. A China se encontra preocupada devido à possibilidade de Washington aplicar ao país chinês o mesmo cenário”, disse o jornal sobre o assunto.
Sendo assim, a China espera sinais de Moscou sobre sua mudança de posicionamento, que demonstrem uma proximidade maior as posições defendidas pela China. A retórica diplomática ainda não é suficiente, mas a realização de manobras conjuntas em águas disputadas é o melhor sinal, segundo observadores.
De acordo com autor da matéria, a China deve oferecer à Rússia “um prêmio”, sendo ele a garantia de prontidão do Exército de Libertação Popular da China na união à coalizão da Rússia, Síria e Irã no conflito sírio.
E isso é o que Moscou precisa no momento devido a razões políticas. “É desistência da neutralidade em troca da desistência de neutralidade”, destacou o autor. Segundo ele, juntar-se aos lados certos dos conflitos proporciona a quebra de isolação: a isolação da Rússia no conflito sírio e a isolação chinesa no conflito no mar do Sul da China, disse a matéria. O autor acrescentou também que tal “construção” segue as tradições da política oriental em ambas as regiões: Oriente Médio e Extremo Oriente.
Mostrar mais: http://br.sputniknews.com/asia_oceania/20160829/6168530/russia-china-neutralidade.html

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A canalhice do golpe



Por Danilo Fischer

O impeachment e a bestialidade do campo progressista que, provavelmente, você faz parte.
O PT surgiu em um contexto específico da história, quando havia um esgotamento da ditadura cívico-militar, uma vez que a segunda crise do petróleo perturbava o Ocidente e fragilizava as incipientes economias periféricas.
Para os militares e as elites dominantes, ficava difícil convencer a classe média de ser possível haver uma saída e, com isso, movimentos sufocados pelos anos de chumbo encontraram campo fértil para arrefecer as bandeiras, entre elas, as que diziam respeito à democracia.
Nessa luta, o PT, partido aguerrido, formado pelo proletariado urbano e rural, e os que persistiam à margem dessa relação, como efeitos colaterais do modelo hegemônico (exemplo os sem-terra), além de intelectuais orgânicos e teólogos da libertação, entrou em campo na luta pelas “diretas já”.
Fato despercebido, mas que deve ser evidenciado, pois explica o processo contemporâneo de nossa política, as “diretas já” não atingiu o resultado almejado, o que mostrou que quem estava no controle ainda eram as elites que, por sua vez, entendiam que “largar o osso” era o mais inteligente, já que “faltava carne” e, o arrefecimento dos ânimos criaria problemas desnecessários e, por isso mesmo, era melhor confiar nos frutos dos seus 21 anos de repressão.
A eleição do governo Collor, por sua vez, mostrava que muito deveria ser feito para a consciência de classe ser forjada, para ter espaço um desenvolvimento de país, pautado na implantação de direitos sociais, pois, como sabemos, ele representava algo que até hoje nos caracteriza enquanto cultura política: personalismo, poder econômico, influência midiática etc., ou seja, um governo da burguesia.
Ainda no governo Collor, compreenderíamos a possibilidade da mídia encontrar bodes expiatórios para a população para, logo em seguida, vir com medidas ainda piores: o governo Collor que arrebentava nossa economia com sua ânsia em negociar o país era perigoso, poderia fortalecer o campo representado pelo PT de Lula e, por isso mesmo, impedir Collor seria a saída mais inteligente para não desgastar ainda mais o plano neoliberal.
Entra Itamar, um governo morno e, novamente, a democracia burguesa mostra porque veio, elegendo FHC, com nova derrota ao campo petista, mostrando que o pensado para o impeachment de Collor de fato se concretizava.
Neoliberalismo: privatizações em troca de migalhas, desemprego, inflação, miséria.... Corrupção! Reeleição é comprada.
Para não dizer que tudo foi ruim, Plano Real vem e estabiliza a economia.
Em 2002, diante de um fraco candidato tutelado por FHC, Lula (após a “carta à burguesia”) é eleito. Contexto favorável, economia crescendo, inflação baixa, investimentos na construção civil, indústria automobilística, geração de emprego, programas sociais, cotas, universidades, prouni, ciências sem fronteiras (me ajudem a lembrar de todos os programas) e Lula faz o melhor governo que o Brasil já teve e, não podemos tirar os méritos, pois, com toda certeza, um governo tucano, por exemplo, mesmo com o contexto favorável, não teria realizado e ido em direção das demandas populares.
Pois bem, Lula faz sua sucessora, Dilma. Um governo com pouca habilidade e carisma, crise internacional, elite raivosa, manifestações de julho de 2013, eleição polarizada, mídia e elite sem aceitar a derrota, congresso mais conservador desde 64: crise política! Impeachment.
Afinal, o que significa? Sim, significa o fim de investimentos nas áreas sociais, significa privatizações, significa subserviência ao mercado etc. UM RETROCESSO TREMENDO!
Mas, amigos e amigas, choramingar, culpar o outro, resmungar, achar que é o fim do mundo etc., acho que é forçar a barra. Primeiramente, quem criou essa imagem do PT como salvador da pátria, como um partido acima de críticas, que expurgava os que discordavam do caminho adotado? Lembremos que, enquanto teve o povo do lado, o PT, ao invés de sinalizar para mudanças estruturais, como taxação de grandes fortunas e reforma agrária, essenciais para criar um desenvolvimento interno com mais autonomia, apostou na expansão do consumo, sem nunca tocar nos interesses elitistas e, vale lembrar, deixando de lado o papel de briga ideológica, renovando concessões para seus algozes, estimulando os movimentos sociais para que “guardassem a bandeira”. Ou seja, pela manutenção do poder, foi necessário entrar no jogo burguês, para conseguir governabilidade, sem radicalizar, sem se apoiar em que lá os colocou. Resumindo: aceitou o jogo democrático burguês! Reforma política? Nem discutiram.
Ou seja, na crise econômica global, a mídia e as elites (não aprendemos nada com a história!) mostra seu poder: cria a crise política, o PT e Dilma são postos como seus bodes expiatórios e, cá estamos com um governo que representa todo o retrocesso possível.
Desculpe a frase embolada, mas esforce-se para entender: o PT do PMDB do Cunha substituído por Maia com voto do PT da lei antiterrorismo contra os movimentos sociais formado pelo povo que engolia e queria luta contra a lei da terceirização.... É golpe? É golpe! Profundo, dolorido, pois, engendrou-se com os “companheiros e camaradas”, que aceitam o discurso de união de classes, de diálogo, na mesa de negociação que sempre pende para as elites.
Infelizmente, diante da lama que a história do PT foi jogada, o impeachment de Dilma tenha sido uma saída para não termos visto esse mesmo governo petista fazendo as reformas antipopulares que já haviam sido iniciadas, ainda no governo Dilma.
O que estou querendo dizer com isso? Não estou descartando a tese da elite subserviente, da mídia golpista, do poder estadunidense etc., pelo contrário, estou reafirmando-a e mostrando que, entre os caminhos possíveis, dentro da dialética, nós erramos, enquanto movimento social, enquanto partidários ou adeptos do PT, enquanto cidadãos e cidadãs conscientes. Escolhemos o caminho errado!
Arcaremos com isso. E, o desabafo que me fez iniciar esse texto, fica em tom de conclusão, para reflexão: você amiga, amigo, estudante, intelectual, trabalhadora e trabalhador, mas, principalmente você, jovem “cult”, descolado, que odeia o sistema, mas que vê a luta dos camaradas e não fortalece; que quando é convidado pro debate nunca pode; que quando é chamado pra manifestação nunca pode; que quando é chamado pra ocupação nunca pode; que quando é chamado pra reunião nunca pode etc., infelizmente lhe digo: a sua indignação, sua irritabilidade, sua tristeza, também é culpa sua, mais sua do que da direita. Que suas palavras reflitam-se em atos a partir de agora! Ser socialista, comunista, progressista, não pode ser mera retórica, não pode ser estética, superficialidade. Tem que ser postura, consciência, construção coletiva ou, eternamente, nesse simples jogo entre nós e os algozes, nós sempre perderemos.
Talvez seja triste, pois lembra um contexto parecido, levanta uma frustração, uma sensação de “poderíamos ter evitado”, mas o que lembro agora é daquela música: “vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe, faz a hora e não espera acontecer”. E, completo o trecho com outro: “muita gente se esqueceu, que a verdade não mudou”. A real democracia só existe em um governo que se paute numa construção socialista, de enfrentamento, reconhecendo que é vida ou morte pois, para muitos de nós pode não ser, o impeachment será mais uma página virada... mas, para muitos, significará a fome, a dor e a morte.

A China e a Síria

31.08.2016 | Fonte de informações:




Muito embora a visita à Síria do Almirante Guan Youfei (o chefe do novo Departamento de cooperação militar internacional chinês) se situe no quadro de uma tomada de contacto com o conjunto de países da região, ela causou inquietação no Ocidente. De momento, segundo o acordo assinado, o Exército chinês apenas se comprometeu a formar na China os militares sírios do serviço de saúde. No entanto, todos perceberam muito bem que este acordo esconde mais, porque há já quatro anos que metade dos médicos militares são formados na China. Embora se ignore o que foi realmente decidido, a existência deste acordo marca, por si só, uma mudança estratégica.
Thierry Meyssan
Com efeito, no decurso dos últimos cinco anos a China Popular inibiu-se de qualquer forma de cooperação que pudesse ser interpretada por Washington como ajuda militar. Portanto, ela não só recusou fornecer armas mas também materiais civis essenciais durante esta guerra, tal como detectores de túneis.
Independentemente da importantíssima assistência económica de Pequim, todos se lembram que a Rússia tinha identicamente concluído um acordo com a Síria no início de 2012, prenunciando a sua assistência militar três anos e meio mais tarde. Prepara-se, pois, a China para se instalar ali também?
É provável que a resposta dependa de rapidez da instalação norte-americana no mar da China, e das provocações dos aliados de Washington nesta região.
O interesse da China pela Síria data da Antiguidade e da Idade Média. A Rota da Seda atravessava a Ásia Central para passar por Palmira e Damasco antes de bifurcar em direcção a Tiro e Antioquia. Poucas coisas restam desta longínqua cooperação comercial, a não ser o Pagode visível nos mosaicos da Mesquita dos Omíadas. O Presidente Xi fez da restauração desta via de comunicação (e da criação de uma segunda através da Sibéria e da Europa) o objetivo principal do seu mandato.
O outro grande interesse de Pequim é a luta contra o Partido islamista do Turquestão que se juntou à Al-Qaida, depois ao Daesh (E.I.). Existe actualmente um quarteirão uigur em Rakka e o Daesh (E.I.) publica um jornal especialmente para os seus membros.
Os membros deste grupo estão ligados à Ordem dos Naqchbandis, uma congregação Sufista, da qual o antigo Grande mufti da Síria, Ahmad Kuftaru foi mestre. As lojas desta Ordem aproximaram-se dos Irmãos Muçulmanos, em 1961, por influência do serviços secretos anglo-saxónicos, CIA e MI6. Eles participaram na criação da Liga Islâmica Mundial pela Arábia Saudita, em 1962. No Iraque, agruparam-se em torno de Izzat Ibrahim al-Douri, e apoiaram a tentativa de golpe de Estado dos Irmãos Muçulmanos sírios, em 1982. Em 2014, eles forneceram 80. 000 combatentes ao Daesh (E.I.). Na Turquia, os Naqchbandis criaram a Milli Goruş, da qual Recep Tayyip Erdoğan foi um dos líderes. Foram eles ainda que, nos anos 90, organizaram os movimentos islamistas tanto no Cáucaso russo como no Xinjiang chinês.
Mais ainda que os Russos, os Chineses precisam de informações sobre esta organização e sobre a maneira como Washington e Londres a controlam. Eles acreditaram erroneamente, em 2001, que os Anglo-saxónicos tinham mudado após os atentados de 11-de Setembro, e que iriam colaborar com a Organização de Cooperação de Xangai no combate ao terrorismo. Actualmente estão cientes que a Síria é uma verdadeira defensora da paz.
Thierry Meyssan
Tradução
Alva
Fonte
Al-Watan (Síria)

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