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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Síria e Rússia anunciam pausa humanitária em Alepo

Damasco, 18 out (Prensa Latina) Uma vez mais a sensatez da Síria e da Rússia faz-se presente em Alepo ao decretar a suspensão de ataques aéreos sobre áreas ocupadas por terroristas nessa cidade, a 350 quilômetros ao norte de Damasco, anunciou-se hoje oficialmente.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Diante de ameaça, Rússia atirará contra caças americanos na Síria

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Sistema de defesa S-400 posicionado na base aérea de Hmeimim, na Síria Foto:Dmítri Vinogradov/RIA Nôvosti
NIKOLAI LITÔVKIN, GAZETA RUSSA
atiraMinistério da Defesa russa acredita que ataques norte-americanos não sancionados poderão resultar na morte de oficiais russos. Segundo especialistas, apesar do risco, medida tem por objetivo alertar Washington contra escalada militar na região.
Os sistemas russos de defesa aérea na Síria estão prontos para abater “qualquer objeto voador não identificado” caso os ataques sejam realizados em posições de Damasco, segundo o porta-voz do Ministério da Defesa russo, major-general Ígor Konachenkov.
A declaração de Konachenkov, feita no último dia 6 de outubro, foi motivada por uma série de vazamentos na imprensa internacional sobre a discussão pelo governo dos EUA da possibilidade de iniciar ataques aéreos contra posições do Exército sírio.
Segundo o porta-voz, a maioria dos oficiais russos envolvidos na Síria trabalham em terra, levando ajuda humanitária aos bairros sob o controle do atual governo. Os militares russos também desempenham papel nas negociações com os chefes de vários assentamentos e grupos armados em grande parte das províncias sírias.
“Quaisquer mísseis e ataques aéreos em território controlado pelo governo sírio irão representar uma clara ameaça para militares russos”, justificou Konachenkov.
Ambos o sistema S-300 e o novo S-400, cujo alcance chega a 400 km, foram posicionados na Síria para garantir a segurança dos militares russos presentes nas bases militares de Hmeimim e Tartus.
“Temos tomado todas as medidas necessárias para excluir eventuais ‘erros’ em relação aos soldados e instalações militares russas na Síria, após os acontecimentos de 17 de setembro em Deir ez-Zor”, continuou o oficial, referindo-se ao bombardeio equivocado de posições do Exército sírio pela força aérea dos Estados Unidos. O incidente resultou na morte de 62 militares, além de mais de 100 feridos.
Para evitar mais guerra
De acordo com uma fonte da Gazeta Russa na indústria de defesa russa, se caças avançarem sobre a área onde o Exército sírio mantém atividades, os radares russos no país não serão capazes de identificá-los.
“Os aviões norte-americanos voam com seus transponders desligados [que ajudam a determinar a quem pertence o avião – GR], e há também um acordo para prevenção de incidentes aéreos e delimitação de zonas com atividade militar”, disse a fonte.
“Portanto, se surgir um caça ou um míssil for lançado em lugares onde estão presentes oficiais russos estão presentes, a decisão de salvar nossos soldados será feita de imediato”, acrescentou.
Segundo o editor-chefe da revista “Russia in Global Affairs”, Fiódor Lukiánov, a declaração do Ministério da Defesa teria sido feita justamente para evitar guerra.
“Essa é uma advertência precisa e inequívoca, que deve ter um papel preventivo. Os militares da Rússia deixaram claro que um ataque contra soldados russos ou forças sírias será percebido como um ato de agressão contra Moscou”, explica Lukiánov.
O analista internacional acredita que os especialistas que trabalham no Pentágono compreendem as consequências de tais incidentes.
Síria rearmada
Na semana passada, a Rússia enviou à Síria um sistema antiaéreo S-300V4 Antei-2500 adicional, conhecido como SA-23 Gladiator segundo a classificação da Otan.
Trata-se de um atualização “rastejadora” do sistema de defesa aérea que geralmente atua na cobertura de unidades em posições de combate.
“Ele é usado para atravessar terrenos acidentados em um comboio de veículos blindados, como tanques e assim por diante. Seu objetivo é cobrir as tropas terrestres de mísseis e ataques aéreos em zonas de combate”, explica Víktor Litovkin, especialista militar da agência de notícias TASS.
O Gladiator é capaz de destruir mísseis balísticos inimigos, que podem se aproximar de alvos a uma velocidade de até 2,5 km por segundo a uma distância de 150 km.
Alguns dias antes, a Defesa russa também enviou ao território sírio bombardeiros Su-24 e Su-34, além de caças Su-25.
A expectativa é que, em meados de outubro, dois navios equipados com mísseis de cruzeiro Kalibr-NK sejam reposicionados no mar Mediterrâneo em direção à Síria, assim como seja implantado o porta-aviões Almirante Kuznetsov, com caças Su-33 e Mig-29K/KUB e helicópteros de combate Ka-52K a bordo.
http://gazetarussa.com.br/siria/2016/10/10/diante-de-ameaca-russia-atirara-contra-cacas-americanos_637447

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Fidel Castro: O destino incerto da espécie humana

Uma enorme ignorância envolve não só esta, mas também suas infinitas formas de experiências. Inclusive as impressões digitais dos gêmeos univitelinos, nascidos de um mesmo óvulo, se diferenciam ao longo dos anos. Não é debalde que os Estados Unidos, o país imperialista mais poderoso que já existiu, se autoengana ao assumir como doutrina um parágrafo da Declaração Universal dos Direitos Humanos onde se afirma: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos, e, dotados como estão pela natureza de razão e consciência, devem comportar-se fraternalmente uns com os outros”.

Nada disso pode ser ignorado. Há muito mais qualidades nos princípios religiosos do que os que são unicamente políticos, apesar de que estes se referem aos ideais materiais e físicos da vida. Também muitas das obras artísticas mais inspiradas nasceram de mãos de pessoas religiosas, um fenômeno de caráter universal.

Os homens de ciência ocupam hoje um lugar privilegiado nos centros de pesquisas, laboratórios e na produção de medicamentos destinados à saúde humana, a vencer as distâncias, concentrar as energias, aperfeiçoar os equipamentos de investigação que possam operar na terra e no espaço. Alguém deveria poder explicar de forma sossegada por que se pode observar desde um observatório a cinco mil metros de altura sobre o nível do mar uma estrela cuja luz tardou 12 bilhões de anos luz; quer dizer, a 300 mil quilômetros por segundo, para chegar à terra. Uma insólita medalha de ouro! Como se pode explicar isso, especialmente quando se faz referência à união das estrelas que segundo eminentes cientistas deram lugar à teoria do Big Bang?

O que ficaria depois? Ninguém poderia, contudo, negar a afirmação de eminentes cientistas que depois de dezenas de anos de rigorosos estudos chegaram à conclusão de que tais fenômenos são absolutamente possíveis. Outro fato de notável transcendência é que a possibilidade desses fenômenos é absolutamente real.

É neste ponto que as religiões adquirem um valor especial. Nos últimos milhares de anos, talvez até oito ou dez mil, puderam comprovar a existência de crenças bastante elaboradas em detalhes que interessantes. Para além desses limites, o que se conhece tem sabor de antigas tradições que distintos grupos humanos foram forjando. De Cristo conheço bastante pelo que li e me ensinaram nas escolas dirigidas por jesuítas ou os irmãos La Salle, dos quais escutei muitas histórias sobre Adão e Eva; Caim e Abel; Noé e o dilúvio universal e o maná que caía do céu quando pela seca ou outras causas havia escassez de alimentos. Tratarei de transmitir em outro momento mais algumas ideias sobre este singular problema.

Não esqueçamos que neste domingo haverá debate entre candidatos. Na primeira ocasião, há duas semanas, houve um que causou comoção. O senhor Trump que se supunha um expert capacitado ficou desqualificado, tanto ele como Obama em sua política. Agora é preciso dar-lhes uma medalha de barro.

Fidel Castro Ruz

8 de outubro de 2016.

Fonte: Granma.
Tradução: Resistência.

sábado, 8 de outubro de 2016

O ultimatum de Putin aos EUA

O ultimatum de Putin aos EUA. 25236.jpeg









Rússia exige, além de desculpas, que EUA mudem toda sua política 
Depois do decreto do presidente Vladimir Putin, pelo qual a Rússia suspendeu a implementação do acordo com os EUA sobre o descarte de plutônio enriquecido para ser usado em armas, e depois de Putin enviar à Duma o correspondente projeto de lei, veículos das mídia-empresas puseram-se a questionar se o movimento estaria relacionado à ruptura da cooperação na Síria.

A segunda pergunta era a razão pela qual a Rússia, sabendo que os EUA já não estavam cumprindo a parte deles do acordo, só reagiu vários anos depois.

Alguns peritos nucleares dizem que o acordo beneficiava a Rússia. É possível; não sou especialista e não sei dizer se estariam sendo objetivos. Além disso, o que é lucrativo para a indústria nuclear pode ser prejudicial para a segurança.

Embora acredite que a Rússia não tem problemas especiais de segurança, o país tem suficiente poder nuclear para aplicar golpe mortal aos EUA, e Washington já admitiu isso. Há suficiente material para fabricar novas ogivas. No caso de ataque mútuo simultâneo, de nada serviria produzir outra fornada de ogivas, à parte a evidência de que seria impossível. O problema seria preservar o que tenha restado da civilização depois de o planeta ser devolvido fisicamente à Idade da Pedra.

Quanto à questão síria, não é a primeira vez que os EUA assinam acordos e, em seguida, os quebram. A resposta da Rússia não podia claramente ser comparada a os EUA recusarem-se a manter a cooperação.

Embora Putin tenha retirado a Rússia do acordo de reprocessamento, ele anunciou que a associação poderia ser reiniciada, se atendidas algumas condições, dentre as quais o cancelamento de todas as sanções contra a Rússia; Moscou ser compensada por perdas resultantes não só daquelas sanções, mas também das contrassanções russas; o cancelamento da Lei Magnitsky; a redução da presença militar americana em países da OTAN próximos da fronteira da Rússia; e o fim da política de confrontação com Moscou.

As exigências de Putin só podem ser definidas como um ultimato.

Coisa semelhante só aconteceu uma vez, em 1861, quando a Grã-Bretanha apresentou um ultimato a Washington em relação ao Trent Affair, durante a Guerra Civil Americana. Naquele momento, embora enfrentasse severas dificuldades, os EUA só atenderam parcialmente às demandas britânicas, embora nada houvesse nelas de humilhante. Os EUA haviam violado o Direito Internacional ao prenderem pessoas em navios (britânicos) neutros, agredindo a soberania da Grã-Bretanha, quase provocando uma guerra. Depois de desautorizar o capitão e libertar as pessoas presas, os EUA recusaram-se a pedir desculpas.

Agora Putin exige não só pedido de desculpas e a libertação de um par de prisioneiros, mas, como se isso não fosse muito, e além de uma compensação, também uma mudança de toda a política dos EUA. É demanda insultante e sem praticidade alguma, de rendição incondicional, numa guerra híbrida que Washington ainda não considera irreparavelmente perdida.

Antes, só a Grã-Bretanha exigira algo semelhante dos aos EUA, antes do fim da Revolução Americana, quando ainda era súdito rebelde. Nos últimos cem anos, ninguém jamais pôde sequer imaginar que falaria a Washington desse modo.

Putin humilhou claramente intencionalmente os EUA: mostrou ao mundo que, sim, há quem possa falar e fale aos EUA, no mesmo tom com que os EUA falam ao resto do mundo.

Putin estava reagindo a quê? Respondendo a quê? Será que algum dia supôs que os EUA cumpririam o acordo entre Kerry e Lavrov sobre a Síria? Estaria realmente gravemente desapontado? A Rússia sempre soube há vários anos que  Washington já não respeitava o Pacto do Plutônio, mas havia aí algum benefício para a própria indústria nuclear russa, que praticamente se tornou monopólio global; e o país pouco se importava com as limitações técnicas que impediam os EUA de se desfazerem do seu plutônio enriquecido para uso em armamento militar, como determinada o acordo.

A resposta dura e quase imediata da Rússia surgiu depois de o Departamento de Estado dos EUA ter-se posto a dizer que a Rússia logo estaria despachando da Síria sacos de cadáveres russos, vendo explodir seus aviões e que as cidades russas começariam a ser atacadas por terroristas.

Imediatamente depois dessa declaração, o Pentágono anunciou estado de prontidão para um ataque nuclear preventivo contra a Rússia. E o ministro russo das Relações Exteriores disse que Moscou sabe da intenção dos EUA de começar guerra aérea contra tropas sírias e contra os russos legalmente presentes na Síria.

Que outras razões haverá para o ultimato de Putin?

Há seis meses, foi realizado na Rússia um Exercício de Defesa Civil, treinamento para defesa aérea e das Forças de Mísseis Estratégicos para repelir ataque nuclear contra a Rússia, incluindo um lançamento sob ataque. Exercícios do Ministério Russo para Situações de Emergência (envolvendo até 40 milhões de civis) estão anunciados para os próximos dias, a fim de verificar a prontidão dos aparelhos de defesa civil em caso de ataque nuclear e informar a população das medidas que devem tomar em caso de emergência nuclear.

Se colocarmos tudo isto junto, vemos que os EUA há muito tempo dedicam-se a tentar intimidar os russos com a ameaça do conflito nuclear. E Moscou sempre fez saber que estava pronta e não recuaria.

Agora, os falcões de Washington decidiram elevar a aposta durante os últimos meses da presidência Obama, incertos quanto à vitória de Clinton. Chegaram a ponto extremamente perigoso, quando o conflito começa a desenvolver-se por suas próprias forças internas, independentemente. Nesta etapa, o Armagedon nuclear poderia ocorrer a qualquer momento, sobretudo se se considera a baixa qualificação técnica e a inadequação funcional do pessoal do Pentágono e da Casa Branca.

Moscou tomou a iniciativa e elevou a aposta, transformando a própria natureza do conflito.

Diferente dos EUA, Moscou não ameaça com guerra; dá, isso sim, uma resposta política e econômica duríssima, que, em vez de tornar realidade o sonho de Obama, ameaça arruinar a economia dos EUA, caso a "nação excepcional" comporte-se mal.

A ação da Rússia minou gravemente o prestígio internacional dos EUA, mostrando que os norte-americanos podem ser derrotados com as próprias armas deles: assim como EUA batem, assim os EUA apanham. Se se mantém essa sequência de eventos, logo o Tribunal de Haia estará lotado com centenas de representantes das elites norte-americanas, não só ainda em vida de nossa geração, mas, sim, antes do final do primeiro mandato do próximo presidente dos EUA.

Os EUA que escolham: ou que façam o que ameaçam e disparam o primeiro tiro da guerra nuclear, ou que deem jeito de conviver com o fato de que já não há mundo unipolar, e agir conforme a realidade o dite.

Não sabemos o que Washington escolherá. Há gente estúpida, ideologicamente motivada, em número suficiente no establishment político norte-americano, pronta a imolar-se num incêndio nuclear, levando consigo toda a humanidade, apenas porque se recusa a aceitar o fim da hegemonia dos EUA.

Agora, eles terão de escolher, porque quanto mais Washington continuar a fingir que nada aconteceu, mais os seus vassalos (chamados de aliados, mas efetivamente subalternos) aprenderão a ignorar as ambições norte-americanas e desertarão rumo ao novo poder multipolar.

Não só africanos, asiáticos e latino-americanos, mas também europeus vingar-se-ão do antigo poder hegemônico, por tantas humilhações passadas. E esses não são tão atenciosos quanto a Rússia de Putin.

Finalmente, o ultimato de Putin foi resposta a todos que perguntavam, indignados, por que tanques russos não haviam capturado Kiev, Lvov - e Varsóvia e Paris - ainda em 2014, e especulavam sobre qual seria o plano de Putin.

Escrevi então que se se está obrigado a confrontar o poder hegemônico, é indispensável ter certeza de que se poderá responder a qualquer coisa que ele faça. A economia, os militares, o governo, toda a sociedade tem de estar preparados. Se não se está preparado logo à primeira provocação, então é necessário tentar ganhar tempo e trabalhar muito.

Mas agora, sim, está tudo pronto. As cartas estão sobre a mesa. Veremos como os EUA respondem.

De qualquer modo, o quadro geopolítico nunca mais será o mesmo. O mundo já mudou. Rússia lançou a luva e os EUA até agora não tiveram coragem de apanhá-la.*****
7/10/2016, Rostislav Ishchenko, (RIA Novosti, ru.), trad. ru.-ing. Julia Rakhmetova em Russia Insider
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