Translate

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Comunidades beduínas sofrem com despejo e violência em Israel


Demolições em série dão continuidade a expulsão de palestinos por Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
Brasil de Fato e Revista Fórum, 
Policiais israelense retornam à vila beduína de Umm Al Hiran após destruição de casas / Júlia Dolce/BdF

O último fim de semana foi novamente de tensão para famílias palestinas, da vila beduína de Umm Al Hiran, que tiveram suas casas destruídas no início deste ano pelo governo de Israel. No domingo (29), enquanto a reportagem estava no local, aproximadamente 12 viaturas da polícia israelense chegaram à vila para dar mais uma ordem de despejo aos moradores.
Com policiais fortemente armados e sem dirigir uma palavra aos palestinos, o aviso foi dado: daqui a 30 dias eles enfrentarão mais uma expulsão para dar espaço a um bairro judeu.
Foi no dia 9 de janeiro que as 11 famílias de Umm Al Hiran – uma das 40 comunidades beduínas do Deserto de Negev, que fica dentro do território de Israel – receberam a notificação avisando que suas casas seriam demolidas. Na manhã do dia 18, menos de dez dias após a notificação, os tratores israelenses fizeram a operação apoiados por um grande número de soldados.
A ação gerou revolta nos moradores da vila, que tentaram resistir ao despejo e decidiram ficar no local, entrando em confronto com os soldados israelenses. O professor de matemática e morador da vila, Yaqoub Moussa Abu al-Qian, 47 anos, foi baleado por soldados enquanto estava dirigindo o carro dele. O exército israelense alegou que se tratava de “um veículo conduzido por um terrorista islâmico com a intenção de atropelar soldados”. Porém, um vídeo divulgado na imprensa, poucas horas depois, mostra que o veículo estava em baixa velocidade e não apresentava ameaça aos soldados, acelerando após ser atingido por vários disparos.
O estudante de medicina e sobrinho do professor assassinado, Akran Abu Alkean, visitava os destroços da vila, quando foi surpreendido pela volta dos policiais no último domingo. “Estamos aqui há 62 anos e agora querem nos tirar para construir casas para judeus. Somos cerca de 40 pessoas sem nada, sem casa, sem roupas, até nossa comida foi doada. Agora vieram avisar que no próximo mês vão demolir os contêineres que doaram para nós, deixando a gente de novo sem lar. Talvez eu fique bem, mas e essas crianças, menores de dez anos, o que vão fazer? Estamos em janeiro, é frio e chove”, lamentou.

Vilas beduínas
Apesar de Umm Al Hiran estar dentro do território israelense, as comunidades beduínas são consideradas como “diáspora” ou “vilas ilegais” pelo Estado, mesmo que muitas delas sejam mais antigas que Israel. Os habitantes não possuem infraestrutura, como eletricidade, água corrente, estradas pavimentadas e sistemas de esgoto. Eles também não têm direito à representação nos governos locais e não podem participar de eleições municipais. Consequentemente, a população dessas vilas é reduzida à condição da miséria e pobreza, agravada pelo fato de não terem acesso aos direitos civis, políticos e sociais básicos.
Sem ter para onde se deslocar, os beduínos vivem na condição de refugiados dentro de Israel, assim como os palestinos que tiveram suas casas e vilas destruídas em 1948, durante a Nakba. Mais de 500 vilas palestinas foram destruídas e 700 mil pessoas expulsas, tornando-se refugiadas ou deslocadas internas. Desde a Guerra dos Seis dias, Israel já demoliu cerca de 48.488 casas palestinas, segundo dados da Israeli Committee Against House Demolitions (ICAHD), organização de direitos humanos israelense. Somente em 2016, foram 1.089 edifícios demolidos, deixando 1.593 palestinos desalojados.
Refugiados
Em alguns casos, as vilas foram demolidas e as terras expropriadas sem dar lugar a nenhum tipo de construção ou habitação. Um exemplo são os destroços da vila de Lifta, uma das 38 vilas nas proximidades de Jerusalém que foram destruídas pelas forças armadas israelenses em 1948. Três mil habitantes foram expulsos, sendo que a maioria hoje vive em Jerusalém oriental.
Obay Odeh, descendente de refugiados de Lifta, conta que alguns parentes ainda possuem as chaves das ruínas que já foram as casas deles, um costume que se tornou símbolo da resistência palestina. “É nossa identidade, nossa cidade natal, nossos familiares ainda têm as chaves ou os documentos que provam que eram donos das casas, porque quando saíram acharam que voltariam. Isso significa muito para mim, porque diz muito sobre o que aconteceu com os palestinos durante o processo de colonização”, diz.
Lifta foi transformada em um parque natural e é utilizada pela comunidade judaica como um local para prática de caminhada, ciclismo e piquenique. Como muitos locais originalmente palestinos, Israel reconstrói a história de Lifta destacando supostas raízes judaicas.
“Eles estão tentando se conectar com essa área, fazer se tornar um local sagrado para judeus. Os sionistas sempre tentam transformar isso em um conflito religioso, como se não fosse uma ocupação ideológica. Mas não é uma história forte que contam. Todo ano a gente vem aqui de duas a quatro vezes para limpar a vila, o cemitério, pegar as frutas. Mas eles sempre queimam, destroem e nos expulsam daqui”, afirma Obay.
A questão da expulsão dos palestinos é uma das principais pautas do movimento de resistência palestina. A bandeira do "direito de retorno" dos refugiados é amplamente defendida. A Organização das Nações Unidas (ONU) considera os casos de refugiados e deslocados internos palestinos como os mais duradouros da história, apesar da Resolução 194 da Assembleia Geral de 1948 ter registrado o direito dos refugiados retornarem para casa. “Nós acreditamos que é nosso direito voltar para cá, não importa como”, reitera Obay.
Os dados da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) apontam que, no final de 2014, o número de refugiados palestinos havia chegado a 7,98 milhões, sendo 6,14 milhões refugiados de 1948 e descendentes; pelo menos 1 milhão de refugiados de 1967; e 720 mil deslocados internos em Israel e na Cisjordânia.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Membros do TPP dialogarão sobre seu futuro depois de anúncio dos EUA



Kuala Lumpur, 23 jan (Prensa Latina) A Malásia e outros 10 países do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP) se reunirão para analisar o próximo curso desse pacto, depois da anunciada retirada de Estados Unidos do mesmo, informaram hoje aqui fontes oficiais.

sábado, 21 de janeiro de 2017

CARTA DO TENENTE-CORONEL JOÃO LUÍS MENA BARRETO AO POVO BRASILEIRO

Depois não digam que não Avisamos.
Texto extraído de uma postagem de Waldemar Azevedo



CARTA DO TENENTE-CORONEL JOÃO LUÍS MENA BARRETO AO POVO BRASILEIRO


Colocar o Exército para vigiar presídios é a total desmoralização deste governo e o desvirtuamento das Forças Armadas. É, inclusive, inconstitucional. O Brasil foi espoliado pela corrupção e agora é transformado em republiqueta de segunda categoria. E, para aqueles que pensam que a corrupção parou na Morolândia, verão em breve que a mentira desse tipo de justiça coloca o Brasil em posição frágil, no caminho da ditadura e da total desmoralização internacional. Além, é claro, do desmonte completo de sua soberania e da liquidação, a preço sórdido, de nossas riquezas estratégicas ao capital estrangeiro.
O próximo presidente, já escolhido pelas elites entreguistas, pelos brasileiros cegos da direita extremista (tão perigosos quanto os da extrema esquerda), pela mídia golpista e por empresários interessados apenas no lucro e no enriquecimento a qualquer custo, todos no caldeirão fervente da falta de amor ao Brasil e da ausência completa de senso de humanidade para com os mais desfavorecidos, será este presidente-boneco, um mero auxiliar ou capacho do Imperador do Norte, Mister Trump.
Que alguém tenha piedade de nosso país e também do mundo. Esta humanidade caminha a passos largos no rastro do tropel dos Cavaleiros do Apocalipse. É doloroso reconhecer que a caixa de Pandora foi aberta e as bestas estão soltas. Quem viver verá! Quanto ao uso indevido do nosso Exército, apontem-me um país desenvolvido no mundo que utilize, como guardas de presídios ou carcereiros, os soldados de suas Forças Militares, defensores estes sagrados que devem ser de sua soberania.
Nesta era de obscurantismo que se aproxima e assombra nosso país e o mundo, disfarçada de Democracia Justiceira, buscarei um canto no mundo para meu exílio. Assim será, porque meu patriotismo, minha visão de democracia e meu amor pelo Brasil não permitirão que me ajoelhe a esses loucos que tomaram de assalto os Poderes da Pátria amada mais uma vez.
Tenho extrema compaixão pelo povo iludido e sem escolhas. Mas também tenho imenso desprezo por esses falsos brasileiros que estão a conduzir nosso país e sua gente ao fundo do poço por ganância e egoísmo extremo. Para essa gente, sem alma e sem coração, os pobres e desvalidos são completamente invisíveis.
Essa quadrilha que assumiu o Poder está entregando nosso país nas mãos dos exploradores do Norte. Alguém me responda: para onde está indo nosso Pré-Sal? Em que gaveta do Congresso permanece escondida a documentação da CPI de nosso Nióbio roubado? Que destino terão as águas cristalinas de nosso valioso Aquífero Guarani doadas à Nestlé e à Coca-Cola? E o que dizer de nosso precioso minério de ferro, há tanto tempo produzindo riqueza para as poderosas indústrias estrangeiras? Entre tantos problemas, criados por administrações incompetentes, por que estamos perdendo, agora, até a soberania de nosso espaço aéreo? E por que cortar por vinte anos a possibilidade de investimentos na Saúde e na Educação de nosso povo, com essa PEC do fim do mundo? São questionamentos razoáveis de um patriota, a exigir respostas imediatas e consequentes desse grupo de traidores que hoje nos governa sob a condescendência abestada de tanta gente boa. Só não enxerga isso aquele que está cego, dominado pelas trevas do ódio político e totalmente influenciado por uma mídia corrupta, mesquinha, ultraconservadora e mentirosa.
Mas, um dia, a espada de Dédalo haverá de colocar todos eles perante o tribunal da História e sua infalível justiça.
Quem enaltece a participação do Exército nesse ato político-midiático de tomar conta de presídios, deveria ler mais detidamente a GLO – Garantia da Lei e da Ordem. As Forças Armadas não têm a função constitucional de atuar como POLÍCIA e só devem ser utilizadas internamente em casos de extrema convulsão nacional. Se pessoas ditas inteligentes são iludidas pelas falácias da Lei mal interpretada, o que dizer do povo inculto, manipulado pela mídia e por decretos que menosprezam a própria Constituição?
Lamento que pessoas do meu grupo familiar e de amizade defendam esses traidores da Pátria, entreguistas da direita, os mesmos que prenderam e perseguiram meu saudoso pai e feriram a dignidade de nossa família.
Mas, enfim, que cada um siga as escolhas de sua consciência, atitude que, aliás, só é permitida em um regime democrático. Só lamento que muitos desses jovens, hoje defensores dessas aventuras perigosas e antidemocráticas, não tenham vivido os terríveis “anos de chumbo”, para saber exatamente o que isso significa.
No entanto, eles não perdem por esperar, porque, com seu total e inconsequente apoio, os tempos sombrios estão voltando... E Liberdade, ainda que tardia, nunca mais.
Relembrando memórias da Guerra dos Farrapos, deixadas por meu trisavô, General João Manoel (herói brasileiro, morto em combate na Guerra do Paraguai), encerro este texto citando palavras do Duque de Caxias, o Grande Pacificador: — “Nesta guerra insana não há nós e os outros, mas apenas ”nós”.
Assinado: Tenente-coronel João Luís Mena Barreto.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Déficit da previdência é fraude

14.01.2017 | Fonte de informações: 

Pravda.ru

Economista e professor lança provocação aos governistas e a qualquer um: debater o suposto déficit da Previdência Social.

Governo faz propaganda de déficit que não existe
J. Carlos de Assis*

O Governo Temer está gastando milhões de reais em propaganda a fim de convencer o povo brasileiro de que a Previdência Social tem um grande déficit e precisa urgentemente de reformas profundas que atingem direitos adquiridos dos trabalhadores. A alegação de que há um grande déficit previdenciário é falsa. Na verdade, a Previdência não tem déficit nenhum, é superavitária. O propósito da propaganda de televisão é dúbio. Pode ser simplesmente dar dinheiro para a TV Globo, ou disseminar a ideologia do déficit.

Como um governo pode mentir tanto, para tantos e durante tanto tempo?Simples, manipulando os conceitos constitucionais de Previdência e de Seguridade Social. Previdência Social é o sistema contributivo tradicional. Para ele contribuem todo trabalhador do setor privado, assim como os autônomos. Chama-se, apropriadamente, de Previdência contributiva. Se olharem as contas, tem sido superavitário por anos e décadas. É um mecanismo de solidariedade entre gerações: os ativos pagam pelos inativos.Seguridade Social envolve também a parte não contributiva do sistema do lado patronal. É o caso da aposentadoria do setor público, saúde, aposentadoria rural e assistência. Embora não sejam integrantes do sistema contributivo, a Constituição criou fontes de financiamento para eles, notadamente contribuição dos servidores, contribuição sobre lucro líquido, Finsocial, receita de loterias etc. Em algum momento a CPMF integrou esse sistema de financiamento, mas os bancos e os grandes interesses conseguiram revogá-la.
Qual é, pois, a origem da manipulação? Consiste em somar todos os benefícios da Seguridade Social e compará-los ao financiamento exclusivo da Previdência Social. Claro, aparecerá um déficit gigantesco porque a Previdência não foi criada para sustentar todo o sistema de seguridade, mas apenas o sistema contributivo privado. A outra parte, não tendo financiamento específico, deve ser financiada pelas contribuições da seguridade em geral e, quando isso não é suficiente, por recursos do Tesouro Nacional.
Essa questão não é apenas contábil. É a fonte de distorção da proposta de reforma previdenciária defendida pelo governo e pelos asseclas do grande capital que estão de olho na privatização da Previdência como fizeram no Chile, destruindo o sistema público. Os trabalhadores terão de resistir a isso, do contrário não terão cobertura previdenciária na velhice. Além disso, se a proposta colocada pelo governo supostamente protege direitos adquiridos, podem se preparar, na frente, para uma segunda etapa, na qual esses direitos também desaparecerão. Portanto, é fundamental resistir já, agora!Sugiro que a resistência não se restrinja a lobbies no Congresso Nacional. Isso é importante, mas não basta. Os trabalhadores poderiam, por exemplo, procurar juristas respeitados e entrar imediatamente com uma ação de improbidade administrativa contra o governo a fim de sustar a publicidade do déficit previdenciário na televisão, que pode ser classificado como propaganda enganosa. Isso teria um caráter pedagógico importante. Se quiserem, darei uma assessoria informal, gratuita. Acho que a professora Denise Gentil, a maior especialista brasileira em Seguridade Social, também dará.
Note-se que, além de manipular as contas da Seguridade, o governo rouba - e isso vem de longe - através de contingenciamentos, recursos que seriam dirigidos constitucionalmente para seu financiamento. Esse "roubo" sistemático, que vem desde o Governo FHC, é destinado a pagar juros da dívida pública, de acordo com os mecanismos fiscais socialmente perversos introduzidos nas finanças públicas brasileiras desde a inominável Lei de Responsabilidade Fiscal, da qual fui um dos principais críticos na época de sua aprovação, e que agora está destruindo estados e prefeituras.+
No meu caso, aceito qualquer debate sobre déficit da Seguridade e da Previdência com qualquer pessoa de dentro ou de fora do governoPode ser economista da PUC, pode ser economista de banco, pode ser contabilista, pode ser comentarista de jornal: aceita-se o contraditório, coisa que do lado de lá nunca fazem. Tenho mais de 40 anos de experiência em economia política, mais de 20 livros publicados, mais de 5 mil artigos em grandes jornais, e, mais recentemente, na internet: jamais vi, em minha vida profissional, maior tentativa de manipulação do povo do que essa publicidade de déficit previdenciário como matéria paga pela televisão.
*J. Carlos de Assis é Jornalista, economista, do Conselho Editorial do Monitor Mercantil, coordenador do Movimento Brasil Agora.
- See more at: http://port.pravda.ru/news/cplp/14-01-2017/42510-deficit-0/#sthash.KIec9Ucd.dpuf