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domingo, 12 de março de 2017

Por que o Socialismo?




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Albert Einstein
Será aconselhável para quem não é especialista em assuntos econômicos e sociais exprimir opiniões a propósito do socialismo?
 Eu creio que sim, por várias razões.
Consideremos primeiro a questão do ponto de vista do conhecimento científico. Pode parecer que não há diferenças metodológicas fundamentais entre a astronomia e a economia: em ambos os campos os cientistas procuram descobrir leis com aceitação geral para um grupo circunscrito de fenômenos de modo a tornar a interligação destes fenômenos tão claramente compreensível quanto possível.
Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia é complicada pela circunstância de que os fenômenos econômicos observados são com freqüência influenciados por muitos outros fatores, que são muito difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência acumulada desde o início do chamado período civilizado da história da humanidade – como é bem conhecido – tem sido largamente influenciada e limitada por causas que não são, de modo nenhum, exclusivamente econômicas por natureza. Por exemplo, a maior parte dos principais Estados ficou a dever a sua existência à conquista. Os povos conquistadores estabeleceram-se, legal e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Ficaram com o monopólio da propriedade da terra e nomearam um clero entre as suas próprias fileiras. Os sacerdotes, que controlavam a educação, tornaram a divisão de classes da sociedade numa instituição permanente e criaram um sistema de valores pelos quais, desde então, o povo se tem guiado, em grande medida inconscientemente, no seu comportamento social.
Mas a tradição histórica, digamos, faz parte do passado; em parte alguma se superou verdadeiramente a fase do desenvolvimento humano, que Thorstein Veblen2 chamou de «predatória». Os fatos econômicos observáveis pertencem a essa fase e mesmo as leis que podemos determinar a partir deles não são aplicáveis1 a outras fases. Uma vez que o verdadeiro objetivo do socialismo é precisamente superar e ir além da fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência econômica no seu estado atual pouca luz pode lançar sobre a sociedade socialista do futuro.
Em segundo lugar, o socialismo orienta-se por um objetivo ético-social. A ciência, contudo, não pode criar objetivo e, muito menos, incuti-los nos seres humanos; quando muito, a ciência pode fornecer os meios para atingir determinados objetivos. Mas os próprios objetivos são concebidos por personalidades com ideais éticos elevados e – se estes ideais não forem nados-mortos, mas vitais e vigorosos – são adotados e levados avante por aqueles muitos seres humanos que, semi-inconscientemente, determinam a evolução lenta da sociedade.
Por estas razões devemos precaver-nos para não sobrestimarmos a ciência e os métodos científicos quando se trata de problemas humanos; e não devemos presumir que os peritos são os únicos que têm o direito a expressarem-se sobre questões que afetam a organização da sociedade.
Inúmeras vozes têm afirmado desde há algum tempo que a sociedade humana atravessa uma crise, que a sua estabilidade foi gravemente abalada. É característico deste tipo de situação que os indivíduos se sintam indiferentes ou mesmo hostis em relação ao grupo, pequeno ou grande, a que pertencem. Para ilustrar o meu pensamento, permitam-me que refira aqui uma experiência pessoal. Falei recentemente com um homem inteligente e cordial sobre a ameaça de outra guerra, que, na minha opinião, colocaria em sério risco a existência da humanidade, e observei que só uma organização supra-nacional ofereceria proteção contra esse perigo. Imediatamente o meu visitante, muito calma e friamente, disse-me: «Porque se opõe tão profundamente ao desaparecimento da raça humana?»
Estou certo de que há um século ninguém teria feito tão ligeiramente uma afirmação deste tipo. É uma afirmação de um homem que se esforçou em vão para atingir um equilíbrio interior e que perdeu mais ou menos a esperança de o conseguir. É a expressão de uma solidão e um isolamento penosos de que tanta gente sofre hoje em dia. Qual é a causa? Haverá uma saída?
É fácil levantar estas questões, mas é difícil responder-lhes com algum grau de segurança. No entanto, devo tentar o melhor que posso, embora esteja consciente do fato de que os nossos sentimentos e esforços são muitas vezes contraditórios e obscuros e que não podem ser expressos em fórmulas fáceis e simples.
O homem é simultaneamente um ser solitário e um ser social. Enquanto ser solitário, tenta proteger a sua própria existência e dos que lhe são próximos, satisfazer os seus desejos pessoais, e desenvolver as suas capacidades inatas.
Enquanto ser social procura ganhar o reconhecimento e afeição dos seus semelhantes, partilhar os seus prazeres, confortá-los nas suas tristezas e melhorar as suas condições de vida. É apenas a existência destes esforços diversos e freqüentemente conflituosos que explica o carácter especial do ser humano, e a sua combinação específica determina em que medida um indivíduo pode alcançar um equilíbrio interior e contribuir para o bem-estar da sociedade.
É perfeitamente possível que a força relativa destes dois impulsos seja, em grande parte, determinada por hereditariedade. Mas a personalidade que finalmente emerge é largamente formada pelo ambiente em que o indivíduo se encontra por acaso durante o seu desenvolvimento, pela estrutura da sociedade em que cresce, pela tradição dessa sociedade, e pela apreciação que faz de determinados tipos de comportamento. O conceito abstrato de «sociedade» significa para o ser humano individual as soma total das suas relações diretas e indiretas com os seus contemporâneos e com todas as pessoas de gerações a interiores. O indivíduo é capaz de pensar, sentir, lutar e trabalhar sozinho, mas depende tanto da sociedade – na sua existência física, intelectual e emocional – que é impossível pensar nele, ou compreendê-lo, fora do quadro da sociedade. É a «sociedade» que lhe fornece comida, roupa, casa, instrumentos de trabalho, a linguagem, formas de pensamento e a maior parte do conteúdo do pensamento; a sua vida foi tornada possível pelo labor e realizações de muitos milhões de indivíduos no passado e no presente, que se escondem sob a pequena palavra «sociedade».
É evidente, por conseguinte, que a dependência do indivíduo em relação à sociedade é um fato natural que não pode ser abolido – tal como no caso das formigas e das abelhas. No entanto, enquanto todo o processo de vida das formigas e abelhas é estabelecido, nos mais ínfimos pormenores, por instintos hereditários rígidos, o padrão social e o relacionamento dos seres humanos são muito variáveis e susceptíveis de mudança. A memória, a capacidade de fazer novas combinações, o dom da comunicação oral tornaram possíveis desenvolvimentos entre os seres
humanos que não são ditados por necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos manifestam-se nas tradições, instituições e organizações; na literatura; nas obras científicas e de engenharia; nas obras de arte. Isto explica, num certo sentido, como pode o homem influenciar a sua vida através da sua própria conduta e como, neste processo, o pensamento e a vontade conscientes podem desempenhar um papel.
Através da hereditariedade, o homem adquire à nascença uma constituição biológica que devemos considerar fixa ou inalterável, incluindo os desejos naturais que são característicos da espécie humana. Além disso, durante a sua vida, adquire uma constituição cultural que adota da sociedade através da comunicação e através de muitos outros tipos de influências. É esta constituição cultural que, no decurso do tempo, está sujeita à mudança e que determina, em larga medida, a relação entre o indivíduo e a sociedade. A antropologia moderna ensina-nos, através da investigação comparativa das chamadas culturas primitivas, que o comportamento social dos seres humanos pode apresentar grandes diferenças, em função dos padrões culturais dominantes e dos tipos de organização que predominam na sociedade. É nisto que podem assentar as suas esperanças aqueles que se esforçam para melhorar a sorte do homem: os seres humanos não estão condenados, por causa da sua constituição biológica, a aniquilarem-se uns aos outros ou à mercê de um destino cruel auto-infligido.
Se nos interrogarmos sobre como deveria mudar a estrutura da sociedade e a atitude cultural do homem para tornar a vida humana tão satisfatória quanto possível, devemos estar permanentemente conscientes do fato de que há determinadas condições que não podemos alterar. Como atrás mencionamos, a natureza biológica do homem, para todos os fins práticos, não está sujeita à mudança. Além disso, os desenvolvimentos tecnológicos e demográficos dos últimos séculos criaram condições que se manterão.
Em populações com uma densidade relativamente elevada, que dispõem de bens indispensáveis à sua existência, é absolutamente necessário haver uma divisão extrema do trabalho e um aparelho produtivo altamente centralizado. O tempo em que os indivíduos ou grupos relativamente pequenos podiam ser completamente auto-suficientes – que visto à distância parece tão idílico – pertence definitivamente ao passado. Não é grande exagero dizer-se que a humanidade constitui já hoje uma comunidade planetária de produção e consumo.
Chego agora ao ponto em que posso indicar sucintamente o que para mim constitui a essência da crise do nosso tempo. Trata-se da relação do indivíduo com a sociedade. O indivíduo tornou-se mais consciente que nunca da sua dependência relativamente à sociedade. Mas não sente esta dependência como um bem positivo, como um laço orgânico, como uma força protetora, mas antes como uma ameaça aos seus direitos naturais, ou ainda à sua existência econômica. Além disso, a sua posição na sociedade é tal que os impulsos egoístas do seu ser estão constantemente a ser acentuados, enquanto os seus impulsos sociais , que são por natureza mais fracos, se deterioram progressivamente. Todos os seres humanos, seja qual for a sua posição na sociedade, sofrem este processo de deterioração. Inconscientemente prisioneiros do seu próprio egoísmo, sentem-se inseguros, sós, e privados do gozo
cândido, simples e não sofisticado da vida. O homem só pode encontrar sentido na vida, curta e perigosa como é, através da sua devoção à sociedade.
A anarquia econômica da sociedade capitalista, tal como existe atualmente, é, na minha opinião, a verdadeira origem do mal. Vemos diante de nós uma enorme comunidade de produtores cujos membros procuraram incessantemente despojar cada qual dos frutos do seu trabalho coletivo – não pela força, mas, em geral, em total conformidade com as regras legalmente estabelecidas. A este respeito, é importante compreender que os meios de produção – ou seja, toda a capacidade produtiva necessária para produzir bens de consumo, bem como novos bens de capital – podem ser legalmente, e na sua maior parte são, propriedade privada de indivíduos.
Para simplificar, no debate que se segue, chamarei «operários» a todos aqueles que não partilham a posse dos meios de produção – embora isto não corresponda exatamente à utilização habitual do termo. O detentor dos meios de produção está em posição de comprar a força de trabalho do operário. Ao utilizar os meios de produção, o operário produz novos bens que se tornam propriedade do capitalista.
O ponto essencial deste processo é a relação entre o que o trabalhador produz e o que lhe é pago, ambos medidos em termos de valor real. Na medida em que o contrato de trabalho é «livre», o que o trabalhador recebe é determinado não pelo valor real dos bens que produz, mas pelas suas necessidades mínimas e pela quantidade de força de trabalho de que o capitalista necessita em relação ao número de operários que procuram emprego. É importante compreender que, mesmo em teoria, o salário do operário não é determinado pelo valor do seu produto.
O capital privado tende a concentrar-se em poucas mãos, em parte por causa da concorrência entre os capitalistas e em parte porque o desenvolvimento tecnológico e a crescente divisão do trabalho encorajam a formação de unidades de produção maiores à custa de outras mais pequenas. O resultado destes desenvolvimentos é uma oligarquia de capital privado cujo enorme poder não pode ser eficazmente controlado mesmo por uma sociedade que tem uma organização política democrática. Isto é verdade, uma vez que os membros dos órgãos legislativos são escolhidos pelos partidos políticos, largamente financiados ou influenciados por outras vias pelos capitalistas privados que, para todos os efeitos práticos, separam o eleitorado da legislatura. A conseqüência é que os representantes do povo não protegem suficientemente os interesses das camadas desfavorecidas da população.
Além disso, nas condições existentes, os capitalistas privados controlam inevitavelmente, direta ou indiretamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É assim extremamente difícil para o cidadão, e na maior parte dos casos completamente impossível, chegar a conclusões objetivas e fazer uso inteligente dos seus direitos políticos.
A situação que prevalece numa economia baseada na propriedade privada do capital caracteriza-se por dois princípios centrais: primeiro, os meios de produção (capital) são privados e os detentores utilizam-nos da forma que lhes convém; segundo, o contrato de trabalho é livre. É claro que neste sentido não existe uma sociedade capitalista pura. Deve-se notar, em particular, que, através de longas e duras lutas políticas, os trabalhadores conseguiram obter para certas categorias deles formas melhoradas de «contrato de trabalho livre». Mas, vista no seu conjunto, a economia atual não difere muito do capitalismo «puro».
A produção realiza-se tendo em vista o lucro e não o uso. Não há nenhuma garantia de que todos aqueles que tenham capacidade e queiram trabalhar possam encontrar emprego; existe quase sempre um «exército de desempregados». 
operário receia constantemente perder o seu emprego. E dado que os desempregados e os operários mal pagos consomem pouco, a produção de bens de consumo é restringida, e a conseqüência são grandes privações. O progresso tecnológico resulta freqüentemente em mais desemprego em vez de um aligeiramento da carga de trabalho para todos. O objetivo do lucro, em conjunto com a concorrência entre capitalistas, é responsável por uma instabilidade na acumulação e utilização do capital que conduz a depressões cada vez mais graves. A concorrência sem limites conduz a um enorme desperdício do trabalho e ao estropiamento da consciência social dos indivíduos que mencionei atrás.
Considero este estropiamento dos indivíduos como o pior mal do capitalismo.
Todo o nosso sistema educativo sofre deste mal. Uma atitude exageradamente competitiva é incutida no aluno, que é educado para venerar o poder aquisitivo como preparação para a sua futura carreira.
Estou convencido que só há uma forma de eliminar estes sérios males, nomeadamente através do estabelecimento de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educativo orientado para objetivos sociais. Nesta economia, os meios de produção são detidos pela própria sociedade e são utilizados de forma planificada. Uma economia planificada, que ajuste a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre aqueles que podem trabalhar e garantiria o sustento a todos os homens, mulheres e crianças. A educação do indivíduo, além de promover as suas próprias capacidades inatas, procuraria desenvolver nele um sentido de responsabilidade pelo seu semelhante em vez da glorificação do poder e do sucesso na nossa atual sociedade.
No entanto, é necessário lembrar que uma economia planificada não é ainda o socialismo. Uma economia planificada pode ser acompanhada por uma completa sujeição do indivíduo. A realização do socialismo exige a resolução de alguns problemas políticos e sociais extremamente difíceis: como é possível, com uma centralização em grande escala do poder econômico e político, evitar que a burocracia se torne onipotente e arrogante? Como se pode proteger os direitos do indivíduo e assegurar um contrapeso democrático ao poder da burocracia?
A clareza sobre os objetivos e problemas do socialismo é da maior importância na nossa época de transição. Visto que, nas atuais circunstâncias, a discussão livre e sem entraves destes problemas constitui um tabu poderoso, considero a fundação desta revista como um serviço público importante.


Para a História do Socialismo
Documentos
www.hist-socialismo.net
Tradução do inglês por Anabela Magalhães, revisão e
edição por CN, 08.03.2012
(original inglês em: http://www.monthlyreview.org/5
98einstein.php)

Artigo escrito por Albert Einstein especialmente para o primeiro número da revista norte-americana Monthly Review, Nova Iorque, Maio de 1949. (Texto traduzido e publicado pelo site resistir.info, em 4.07.2002: resistir. info/mreview/ porque_o_socialismo.html. (N. Ed.)2 Veblen, Thorstein Bunde (1857-1929), economista e sociólogo norte-americano, segundo o qual as instituições da economia são influenciadas por dois instintos de base, o instinto artesão e o instinto predador. Pelo primeiro, o homem enriquece-se pelo seu trabalho, enquanto pelo segundo procura desapossar os outros dos seus bens e dos resultados do seu trabalho. (N. Ed.). 2

sábado, 4 de março de 2017

Apego à liderança de Xi Jinping marca política anual chinesa

Beijing, 4 mar (Prensa Latina) China encontra-se hoje em sua temporada política mais importante de 2017 quando celebra as sessões anuais do máximo órgão legislativo e o máximo corpo de assessoria política, enfatizando na necessidade do apego ao líder Xi Jinping.

Em Jornal Israelense, Trump Condena Novas Ocupações na Cisjordânia

By Edu Montesanti
Donald Trump
Antecipando-se ao encontro com Netanyahu no próximo dia 15 de Fevereiro em Washington, pela primeira vez o presidente norte-americano comenta pessoalmente ocupações israelenses na Cisjordânia, e o faz de maneira moderadamente crítica: “Não cooperam com o processo [de paz]“
Donald Trump afirmou que as ocupações de Israel na Cisjordânia “não cooperam o processo” de paz em entrevista ao jornal Israel Hayom nesta sexta-feira, 10, primeira do presidente norte-americano a um meio de comunicação israelense desde que assumiu a Presidência no último dia 20 de janeiro.
Também foi a primeira vez que o presidente norte-americano comentou pessoalmente as ocupações, em uma entrevista bem ao seu estilo: ambíguo, superficial, com poucas palavras e esbanjando habilidade em ficar bem com todos os lados possíveis, enquanto for de seu interesse como magnata. “Toda vez que você toma a terra para ocupações, há menos terra disponível. Mas estamos prestando atenção a isso, e estamos atentos a outras opções, as quais veremos”, disse Trump, e acrescentou: “Mas não, eu não sou alguém que acredita que levar adiante essas ocupações seja boa para a paz”.
Apesar de criticas moderadas o suficiente para não colocarem em questão o que elas representam para a nação palestina e para o direito internacional, Trump afirmou que fortalecerá os laços com Israel. “Há boa química entre nós, e ele é um bom homem; quer o bem de Israel, e deseja a paz”, referindo-se ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Natanyahu.Trump prometeu que não assumirá uma postura hostil em relação a Tel Aviv. “Não condeno Israel”, entrando assim, em contradição na entrevista e aos ditos e feitos desde a campanha presidencial colocando-se como rigoroso defensor da aplicação da lei (para os inimigos, cinismo peculiar aos norte-americanos), e ignorando (em perfeita consonância com os grandes meios de comunicação internacionais, de propriedade exatamente de sionistas) que as ocupações israelenses vão muito além de construção de moradias em terras alheias: são baseadas no massacre armado com subsequente expulsão de seus proprietários, que ali habitam há séculos.O ponto em que Trump chegou mais próximo de uma crítica contundente às “políticas” (crimes de lesa-humanidade) israelenses, foi quando afirmou esperar que Israel haja de maneira racional em relação à paz, sugerindo que as ocupações não se tratam de meros “equívocos políticos”. Porém, não definiu o que significa ser mais razoável em relação aos palestinos além da ideia implícita de se deter as ocupações (o que, apenas isso, não resolverá em nada a questão).
Em outro momento da entrevista, fazendo as vezes de refém de Israel como seus antecessores na Casa Branca, o novo presidente dos Estados Unidos afirmou que o acordo nuclear com o Irã (no mínimo questionável se é justo e eficiente para a nação persa) “foi um desastre para Israel”.
Sem discutir o acordo em si e muito menos colocá-lo no contexto global, é fácil compreender por quê o mandatário republicano, também nisso, raciocina sob ponto de vista sionista: estes estão entre os três maiores lobistas da política norte-americana, junto da indústria bélica e petrolífera.
Inclusive por isso, já se pode esperar que mesmo as suaves e vazias críticas de Trump a um dos mais graves massacres pós-Segunda Guerra Mundial, seja suficiente para gerar mais uma onda de histeria entre sionistas em todo o mundo, com a mesma fúria de sempre que ataca agressivamente toda e qualquer crítica – desta vez, certamente o novo inquilino da Casa Branca será acusado de “anti-semita” por muitos, alarmados com a aparente reviravolta nos gestos de Trump a Israel em relação aos discursos que remontam a campanha presidencial.
Apesar da ambiguidade e da superficialidade, as palavras do ultra-direitista Donald Trump sobre as ocupações israelenses poderiam geram algum ânimo nos que desejam a paz no Oriente Médio.
Já o proprietário do Israel Hayom é Sheldon Adelson, homem de negócios judeu-norte-americano com fortes laços a Netanyahu e ao Partido Republicano dos Estados Unidos. Adelson doou milhões de dólares à campanha do republicano eleito, e um dos únicos doadores convidados ao juramento de posse de Trump. Há poucos dias, na terça-feira, 7, compareceu a um jantar com a esposa na Casa Branca com a família Trump.
De maneira realista, nada leva a crer que, desta vez, haverá paz e justiça entre a humanidade.
Edu Montesanti
11 de Fevereiro de 2017

Por que amo Donald Trump?

Por Mário Maestri
Ao contrário de todo mundo, amo apaixonadamente Donald Trump! Minhas razões são fundamentalmente três. Primeiro , era ele [que quer fazer bons negócios com o Putin] ou Hillary Clinton [que esperava babando sangue o resultado das eleições para liquidar a Síria, a Rússia, o Irã, a Venezuela e assim vai]. E não me venham com a baboseira do “não quero nenhum dos dois” ou “que se vayan todos.” Aqui, elas não servem, pois o Tigre de Papel tem dentes mortais, como lembrava o velho gordinho chinês.
A segunda razão de meu amor é que Trump é protecionista – ou seja, não quer nada conosco! Jurou que vai fazer estradas, portos, pontes, canais e o diabo a quatro nos Estados Unidos, para devolver a estima e o trabalho aos operários estadunidentes. E, é claro, encher o bolso do respectivo segmento do capital USA marginal, do qual participa com destaque. E, se não o fizer, logo, nem que seja um pouco, vai ser um desencanto geral dos seus eleitores. O que, para mim, é, também, muito bom.
E, mais ainda. Para fazer as obras prometidas, mesmo algumas, vai ter que tirar dinheiro de algum lugar. Ainda mais que prometeu baixar os impostos da classe média e, é claro, das grandes empresas. E onde tem dinheiro para ser tirado é na rede monumental de bases militares aéreas, terrestres, navais dos USA, através de mundo. Ele já disse que a função USA não é proteger as fronteiras dos outros. E disse que a OTAN é um anacronismo! Será que vai fazer isso, amplamente? Não sei. Vamos ver. Em todo caso, hoje, nesta segunda-feira, dia 23, a Hillary estaria radicalizando o confronto militar com a Síria, com a Rússia, com a China. E o mundo estaria mais próximo de uma “guerra quente”, muito quente.
A melhor parte do protecionismo de Donald Trump é que prometeu desandar , até onde puder, a tal de globalização, a menina dos olhos de Obama e Hillary e do capital internacional hegemônico, sobretudo financeiro. Ou seja, ele é contra enviar as fábricas dos USA – e da França, Itália, Alemanha, Brasil, etc. – para países onde subsista a escravidão assalariada, para explorá-la até o tutano. A tal de deslocalização industrial selvagem. Será que vai aplicar essa política totalmente contrária ao grande capital internacional?
Nesse ponto, o monstro já começou a mostrar as garras: acaba de assinar decreto pondo fim ao Tratado de Associação Transpacífico [de livre comércio], criatura do Obama, e declarou que vai abandonar o tratado de livre comércio com o México e o Canadá, se não houver renegociação. O NAFTA, já é velho de 23 anos! Portanto, já temos um super Donald Trump No Global! E aí está a principal razão para que o homem esteja sendo execrado em forma direta pela Rede Globo! Uma Globo que, tradicionalmente, afirmou e sugeriu que, “O bom para os USA é bom para o Brasil!”
A última grande razão de meu amor é que Trump é a cara do grande capital estadunidense. Nesse já mais de meio século dominado pela televisão, o establishement estadunidense esforçou-se para eleger como presidentes mocinhos de cara bonita, fotogênicos, afáveis, facilmente televendíveis. O primeiro foi John Kennedy e sua extensão feminina, Jacqueline, a viuvinha da América, que, logo, logo, se casou com o primeiro velho rico que encontrou – business is business ! Nessa corrida pela cara bonita, até artista canastrão do cinema prestou-se como testa de ferro do imperialismo.
A consagração desse movimento foi Barak Obama – alto, magro, belo, com um enorme sorriso, negro sem exageros, orador excepcional. Maravilhosamente midiatizável em seu posicionamento politicamente correto, quanto aos direitos civis internos – negros, hispanos, GLBT. Ele era contra as armas, contra o cigarro, pelo meio ambiente e sua Michele, fanática dos legumes e inimiga à morte dos meninos gordinhos. Um amor de casal, mesmo quando o chefe da família espalhava a morte, a dor, a violência, em doses de elefante, retomando o ciclo de intervenções indiretas e diretas, através do mundo.
Donald Trump não. É feio, bruto, gordo, deselegante, misógino, racista, machista, publicamente despreocupado com o meio ambiente. Sua mulher, é melhor nem falar!
Trump é menos midiatizável que o nosso presidente mesóclise ! Mesmo se entrar na linha, vai ser difícil transformá-lo em mais um maravilhoso “líder do mundo livre”. Esse, nem a Globo consegue vender!
Donald Trump constitui um hiato que desorganiza a política hegemônica do imperialismo, ao representar segmentos marginais do capital nacional e uma insatisfação profunda entre vastíssimos segmentos populares e trabalhadores estadunidense. É indiscutivelmente uma inesperada pedra no sapato do imperialismo, já que se esperava a Hillary, a “primeira mulher presidente” dos USA, para substituir o primeiro negro na Casa Branca! Em um verdadeiro conto de fadas [malvadas]. Trump é um problema para o capital hegemônico. Vai ter que ser corrigido. É também possível que termine objeto de uma intervenção mais radical e rápida, do tipo Richard Nixon ou, mesmo, John Kennedy.
O que para mim está também de boa medida!
Mais sobre o tema: Confira 10 promessas de Donald Trump: http://bit.ly/2kseew8
Do FB do Autor [http://bit.ly/2jOZPXV]:23/01/2016.
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Mário Maestri. Historiador.