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domingo, 23 de julho de 2017

Nassif: Os problemas de Danellon, a Dallagnol paulista

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Luiz Nassif
Não começou bem a história da Lava Jato paulista.
Resume-se à transferência, para São Paulo, do desmembramento de algumas denúncias analisadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), contra réus que não disponham de foro privilegiado. De imediato, ganhou a cara da procuradora Thameia Danellon, lotada em São Paulo, apresentada como a chefe da Lava Jato paulista.
Pelos primeiros movimentos, Thameia representa a face mais comprometedora da Lava Jato.
É ativista política, conforme demonstrou participando ativamente das convocações do MBL (Movimento Brasil Livre) a favor do impeachment. Aliás, é sintomático o fato de terem sido abertas representações contra procuradores que participaram de atos contra o impeachment, e nada ter sido feito contra os que participaram ostensivamente dos atos a favor. Mas, enfim, esta é a cara do MPF.
Em São Paulo, Thameia transformou-se em figura fácil de programas nitidamente partidários.
Em participação recente no Roda Viva, a procuradora expôs todo o Ministério Público, ao receber lições de direito de um jornalista. Sua reação foi ir ao programa da notória Joyce Hasselman, para poder distribuir afirmações taxativas sem risco de ser questionada,  ocasião em que atacou o STF (Supremo Tribunal Federal), apontando-o como risco à Lava Jato.
No programa Pânico, da Jovem Pan, ela se permite criticar o hermetismo dos Ministros do Supremo, ou, como diz o apresentador do programa, “dos veinhos que ficam votando”.
Nesses tempos de Lava Jato, o Ministério Público Federal foi afetado de várias maneiras.
Primeiro, o jogo político, no qual os principais lances eram casados com eventos políticos. Depois, o protagonismo indesculpável de procuradores, se colocando como heróis nacionais e se apropriando (inclusive monetariamente, através de palestras)  dos benefícios de uma investigação que era mérito das prerrogativas constitucionais do MPF. Some-se a atuação política indevida, com pregações em redes sociais, rádios e TVs. Finalmente, o vazamento escandaloso de informações visando conquistar espaço junto aos veículos de comunicação.
Com exceção dos vazamentos – porque, a rigor, não há ainda o que ser vazado – a procuradora Thameia simboliza todos os vícios desse MPF, o salvacionismo, o ativismo político, a figura fácil em programas de rádio e TV.
É cautelosa apenas nos elogios aos seus chefes presentes e futuros. É significativa a maneira como elogia o chefe que sai, Rodrigo Janot, e, mais ainda, a chefe que entra, Raquel Dodge.
Nos elogios ou nas críticas denota um tipo de personagem público que se pretendia superado depois dos intocáveis de Curitiba, com suas conduções coercitivas espetaculosas, divulgação de conversas íntimas, imposição de humilhações públicas a pessoas e um facciosismo desmoralizante para o MPF. Mais uma vez se verá os episódios canhestros de um MPF a reboque dos MBLs da vida.
Fonte: Pátria Latina

Princípios Elementares de Filosofia - CAPÍTULO IV


QUEM TEM RAZÃO, O IDEALISMO OU O MATERIALISMO?

I. — Como devemos pôr o problema.
II. — É verdade que o mundo existe apenas no nosso pensamento?
III. — É verdade que são as nossas ideias que criam as coisas?
IV. — É verdade que o espírito cria a matéria?
V. — Os materialistas têm razão, e a ciência prova as suas afirmações.

I. — Como devemos pôr o problema.
Agora, que conhecemos as teses dos idealistas e dos materialistas, vamos tentar saber quem tem razão.
Recordemos que nos é preciso, primeiramente, constatar, por um lado, que elas são absolutamente opostas e contraditórias; por outro, que, logo que se defende uma ou outra teoria, esta nos leva a conclusões que, pelas suas consequências, são muito importantes.
Para saber quem tem razão, devemos reportar-nos aos três pontos pelos quais resumimos cada argumentação.
Os idealistas afirmam:
1. Que é o espírito que cria a matéria;
2. Que a matéria não existe fora do nosso pensamento, que é, portanto, para nós, apenas uma ilusão;
3. Que são as nossas ideias que criam as coisas. Os materialistas, esses afirmam exatamente o contrário.
Para facilitar o nosso trabalho, é preciso, em primeiro lugar, estudar o que é sobremaneira evidente e o que mais nos surpreende.
1. É verdade que o mundo não existe senão nO nosso pensamento?
2. É verdade que são as nossas ideias que criam as coisas?
Eis dois argumentos defendidos pelo idealismo «imaterialista» de Berkeley, cujas conclusões terminam, como em todas as teologias, na nossa terceira pergunta:
3. É verdade que o espírito cria a matéria? São perguntas muito importantes, uma vez que se relacionam com o problema fundamental da filosofia. É, por consequência, discutindo-as que vamos saber quem tem razão; são particularmente interessantes para os materialistas, no sentido em que as suas respostas a tais perguntas são comuns a todas as filosofias materialistas - e, por consequência, ao materialismo dialético
.
II. — É verdade que o mundo existe apertas no nosso pensamento?
Antes de estudar esta questão, é-nos necessário situar dois termos filosóficos de que somos chamados a servir-nos e encontraremos freqüentemente nas nossas leituras.
Realidade subjetiva (que quer dizer: realidade que existe somente no nosso pensamento).
Realidade objetiva (realidade que existe fora do nosso pensamento).
Os idealistas dizem que o mundo não é uma realidade objetiva, mas subjetiva.
Os materialistas dizem que o mundo é uma realidade objetiva.
Para nos demonstrar que o mundo e as coisas não existem a não ser no nosso pensamento, o bispo Berkeley decompõe nas suas propriedades (cor, tamanho, densidade, etc). Demonstra-nos que estas, propriedades, que variam consoante os indivíduos, não estão nas próprias coisas, mas no espírito de cada um de nós.
Deduziu, pois, que a matéria é um conjunto de propriedades não objetivas, mas subjetivas, e que, por consequência, não existe.
Se retomarmos o exemplo do sol, Berkeley pergunta-nos se acreditamos na realidade objetiva do disco vermelho, e demonstra-nos, com o seu método de discussão das propriedades, que não é vermelho nem um disco. Não é, portanto, uma realidade objetiva, porque não existe por si próprio, mas uma simples realidade subjetiva, uma vez que existe apenas no nosso pensamento.
Mesmo assim, os materialistas afirmam que o sol existe, não porque o vemos como um disco achatado e vermelho, porque isso é realismo ingênuo, o das crianças e dos primeiros homens, que não tinham senão os seus sentidos para controlar a realidade, mas afirmam que existe invocando a ciência. Esta permite-nos, com efeito, retificar os erros que os sentidos nos fazem cometer.
Mas devemos, neste exemplo do sol, pôr claramente o problema.
Com Berkeley, diremos que não é um disco e que não é vermelho, mas não aceitamos as suas conclusões: a sua negação como realidade objetiva.
Não pomos em causa as propriedades das coisas, mas a sua existência.
Não discutimos para saber se os sentidos nos enganam e deformam a realidade material, mas se esta existe fora deles.
Pois bem! os materialistas afirmam a sua existência fora de nós, e fornecem argumentos que são a própria ciência.
Que fazem os idealistas para nos demonstrar que têm razão? Discutem as palavras, fazem grandes discursos, escrevem numerosas páginas.
(Suponhamos, por um instante, que têm razão. Se o mundo existe apenas no nosso pensamento, não existiu antes dos homens. Sabemos que isso é falso, uma vez que a ciência nos demonstra que o homem apareceu muito mais tarde sobre a terra. Certos idealistas dir-nos-ão, então, que, antes dele, havia os animais, e que o pensamento podia habitá-los. Mas sabemos que, antes dos animais, existia uma terra inabitável, na qual nenhuma vida orgânica era possível. Outros, ainda, dir-nos-ão que, mesmo que apenas existisse o sistema solar, e o homem ainda não, o pensamento, o espírito já existiam em Deus. É assim que chegamos à forma suprema do idealismo. É-nos preciso escolher entre Deus e a ciência. O idealismo não pode manter-se sem Deus, e Deus não pode existir sem o idealismo.
Eis, pois, exatamente como deve ser posto o problema do idealismo e do materialismo. Quem tem razão?
Deus ou a ciência?
Deus é um puro espírito criador da matéria, uma afirmação sem prova.
A ciência vai demonstrar-nos, pela prática e pela experiência, que o mundo é uma realidade objetiva, e vai permitir-nos responder à pergunta:

III. — É verdade que são as nossas ideias que criam as coisas?
Tomemos, como exemplo, um automóvel que passa no momento em que atravessamos a rua em companhia de um idealista, com quem discutimos para saber se as coisas têm uma realidade objetiva ou subjetiva, e se é verdade que são as nossas ideias que as criam. É bem certo que, se não quisermos ser esmagados,
prestaremos muita atenção. Portanto, na prática, o idealista é obrigado a reconhecer a existência do automóvel. Para ele, praticamente, não há diferença entre um automóvel objetivo e um outro subjetivo sendo isto de tal modo exato, que a prática fornece a prova de que os idealistas, na vida, são materialistas.
Poderíamos, sobre este assunto, citar numerosos exemplos, pelos quais veríamos que os filósofos idealistas e os que sustentam tal filosofia não desdenham certas baixezas «objetivas», para obter o que, para eles, não é mais que realidade subjetiva.
É por isso, aliás, que não se vê mais ninguém afirmar, como Berkeley, que o mundo não existe. Os argumentos são muito mais subtis e ocultos. (Consultai, como exemplo do modo de argumentar dos idealistas, o capítulo intitulado A descoberta dos elementos do mundo, no livro de Lenine: «Materialismo e empirocriticismo»15).
É, pois, segundo a palavra de Lenine, «o critério da prática» que nos permitirá confundir os idealistas.
Estes, por outro lado, não deixarão de dizer que a teoria e a prática não se identificam, e que são duas coisas completamente diferentes. Não é verdade. Se uma concepção é exata ou falsa, é só a prática que, pela experiência, no-lo demonstrará.
O exemplo do automóvel mostra que o mundo tem, pois, uma realidade objetiva e não é uma ilusão criada pelo nosso espírito.
Resta-nos ver agora, sendo dado que a teoria do imaterialismo de Berkeley não pode manter-se face às ciências, nem resistir ao critério da prática, se, como o afirmam todas as conclusões das filosofias idealistas, das religiões e das teologias, o espírito cria a matéria.

IV. — É verdade que o espírito cria a matéria?
Como já foi visto, o espírito, para os idealistas, tem a sua forma suprema em Deus. Ele é a resposta final, a conclusão da sua teoria, e é por isso que o problema espírito-matéria se põe em última análise, saber quem, do idealista ou do materialista tem razão, sob a forma do problema: «Deus ou a ciência».
Os idealistas afirmam que Deus existiu desde sempre, e que, não tendo sofrido qualquer mudança, é sempre o mesmo. É o espírito puro, para quem o tempo e o espaço não existem. É o criador da matéria.
Nem mesmo para sustentar a sua afirmação de Deus, os idealistas apresentam qualquer argumento.
Para defender o criador da matéria, recorreram a uma profusão de mistérios, que um espírito científico não pode aceitar.
Quando se remonta às origens da ciência, e se vê que é pelo coração e proporcionalmente à sua grande ignorância que os homens primitivos forjaram no seu espírito a ideia de Deus, constata-se que os idealistas do século XXI continuam, como os primeiros homens, a ignorar tudo o que um trabalho paciente e perseverante permitiu conhecer. (Porque, no fim de contas, Deus, para os idealistas, não pode explicar-se, e continua a ser para eles uma crença sem qualquer prova. Quando os idealistas nos querem «provar» a necessidade de uma criação do mundo, dizendo que a matéria não pôde existir sempre, que foi, na verdade, necessário que tenha tido um começo, recorrem a um Deus que, ele, nunca teve princípio. Em que é mais
clara esta explicação?
Para sustentar os seus argumentos, os materialistas, pelo contrário, servir-se-ão da ciência, que os homens desenvolveram à medida que faziam recuar as «fronteiras da sua ignorância».
Ora, a ciência permite-nos pensar que o espírito tenha criado a matéria? Não.
15 Cap. I, § 2, p. 40 e seguintes.
A ideia de uma criação por um espírito puro é incompreensível, porque não conhecemos nada de semelhante na experiência. Para que tal fosse possível, seria preciso, como dizem os idealistas, que o espírito existisse só, antes da matéria, enquanto que a ciência nos demonstra que isso não é possível e que nunca há aquele
sem esta. Pelo contrário, o espírito está sempre ligado à matéria, e constatamos, mais particularmente, que o espírito do homem está ligado ao cérebro, que é a fonte das nossas ideias e do nosso pensamento. A ciência não nos permite conceber que as ideias existem no vazio...
Seria necessário, portanto, que o espírito Deus, para que possa existir, tenha um cérebro. É por isso que podemos dizer que não foi Deus que criou a matéria, o homem, portanto, mas que foi a matéria, sob a forma do cérebro humano, que criou o espírito Deus.
Veremos, mais adiante, se a ciência nos dá a possibilidade de acreditar num Deus, ou em qualquer coisa sobre a. qual o tempo não teria efeito, e para quem o espaço, o movimento e a mudança não existiriam.
Para já, podemos concluir. Na sua resposta ao problema fundamental da filosofia:

V. — Os materialistas têm razão, e a ciência prova as suas afirmações.
Os materialistas têm razão, ao afirmar:
1. Contra o idealismo de Berkeley e os filósofos que se escondem atrás do seu imaterialismo: que o mundo e as coisas, por um lado, existem, na verdade, fora do nosso pensamento, e não precisam dele para existir; por outro, que não são as nossas ideias que criam as coisas, mas, ao contrário, são estas que nos dão aquelas.
2. Contra todas as filosofias idealistas, porque as suas conclusões levam a afirmar a criação da matéria pelo espírito, isto é, em última instância, a afirmar a existência de Deus, e a sustentar as teologias; os materialistas, apoiando-se nas ciências, afirmam e provam que é a matéria que cria o espírito, e que não necessitam da «hipótese Deus» para explicar a criação da matéria.
Nota - Devemos prestar atenção à maneira como os idealistas põem os problemas. Afirmam que Deus criou o homem, quando vemos que foi este que criou Deus. Afirmam também, por outro lado, que foi o espírito que criou a matéria, quando vemos que foi, na verdade, exatamente ao contrário. Há nisso uma maneira de inverter as perspectivas, que devíamos assinalar.


LEITURAS
LENINE: «Materialismo e empirocritirismo», p. 52: A natutureza existia antes do homem?; pp. 62 a 65: O homem pensa com o cérebro?
ENGELS: «Ludwig Feuerbach», Idealismo e materialismo, p. 14.15 Cap. I, § 2, p. 40 e seguintes


sábado, 22 de julho de 2017

Princípios Elementares de Filosofia - CAPÍTULO III


O MATERIALISMO
I. — Por que devemos estudar o materialismo?
II. — De onde vem o materialismo?
III. — Como e por que evoluiu o materialismo.
IV. — Quais são os princípios e os argumentos materialistas?
1. É a matéria que produz o espírito.
2. A matéria existe fora de todo o espírito.
3. A ciência, pela experiência, permite-nos conhecer as coisas.

I. — Por que devemos estudar o materialismo?
Vimos que, para este problema: «Quais são as relações entre o ser e o pensamento?», não pode haver mais que duas respostas, opostas e contraditórias.
Estudamos, no capítulo precedente, a resposta idealista e os argumentos apresentados para defender a filosofia idealista.
Torna-se necessário examinar, agora, a segunda resposta a este problema fundamental (problema, repetimo-lo, que se encontra na base de toda a filosofia), e ver quais são os argumentos que o materialismo emprega em sua defesa. Tanto mais que o materialismo é, para nós, uma filosofia muito importante, visto que é a do marxismo.
É, pois, por consequência, indispensável conhecer bem o materialismo. Indispensável, sobretudo porque as concepções desta filosofia são muito mal conhecidas e foram falsificadas. Indispensável, também, porque, pela nossa educação, pela instrução que recebemos - seja primária ou mais desenvolvida -, pelos nossos hábitos de viver e de raciocinar, estamos todos, mais ou menos, sem darmos conta disso, impregnados de
concepções idealistas. (Veremos, aliás, noutros capítulos, vários exemplos desta afirmação, e porque é assim.)
É, portanto, uma necessidade absoluta para os que querem estudar o marxismo conhecer a sua tese: o materialismo.

II. — De onde vem o materialismo?
Definimos, de uma maneira geral, a filosofia como um esforço para explicar o mundo, o universo. Mas sabemos que, segundo o estado dos conhecimentos humanos, as suas explicações mudaram, e que duas atitudes, no decurso da história da  humanidade, foram adotadas para explicar o mundo: uma, anticientífica, fazendo apelo a um ou a espíritos superiores, a forças sobrenaturais; a outra, científica, fundamentando-se em fatos e experiências.
Uma destas concepções é defendida pelos filósofos idealistas; a outra, pelos materialistas.
É por isso que, desde o início destas aulas, dissemos que a primeira ideia que se devia fazer do materialismo é que esta filosofia representa a «explicação científica do universo».
Se o idealismo nasceu da ignorância dos homens - e veremos como a ignorância foi mantida, sustentada na história das sociedades por forças culturais e políticas que partilhavam as concepções idealistas -, o materialismo nasceu da luta das ciências contra a ignorância ou obscurantismo.
É por isso que esta filosofia foi tão combatida, e é também por isso que, sob a forma moderna (o materialismo dialético), é pouco conhecida, senão ignorada ou desconhecida do mundo universitário oficial.

III. — Como e por que evoluiu o materialismo.
Contrariamente ao que pretendem os que combatem esta filosofia e dizem que tal doutrina não evoluiu desde há vinte séculos, a história do materialismo mostra-nos neste qualquer coisa de vivo e sempre em movimento.
No decorrer dos séculos, os conhecimentos científicos dos homens progrediram. No princípio da história do pensamento, na antiguidade grega, os conhecimentos científicos eram quase nulos, e os primeiros sábios, ao mesmo tempo, filósofos, porque, em tal época, a filosofia e as ciências nascentes formavam um todo, sendo
uma o prolongamento das outras.
Em seguida, precisando as ciências a explicação dos fenômenos do mundo, precisões que incomodavam e estavam mesmo em contradição com os dogmas das filosofias idealistas, nasceu um conflito entre a filosofia e as ciências.
Estando estas em contradição com a filosofia oficial dessa época, tornara-se necessário que se separassem.
Por isso, o melhor que têm a fazer é libertar-se, urgentemente, da balbúrdia filosófica, e deixar aos filósofos as vastas hipóteses de tomar contacto com problemas restritos, os que estão maduros para uma solução próxima.
Então, faz-se esta distinção entre as ciências... e a filosofia11.
Mas o materialismo, nascido com as ciências, ligado a elas e delas dependendo, progrediu, evoluiu com elas, para chegar, com o materialismo moderno, o de Marx e Engels, a reunir, de novo, a ciência e a filosofia no materialismo dialético.
Estudaremos, mais adiante, esta história e tal evolução, que estão ligadas ao progresso da civilização, mas constatamos já, e é o que é muito importante fixar, que o materialismo e as ciências não estão separados, e que aquele está absolutamente dependente da ciência.
Resta-nos estabelecer e definir as bases do materialismo, comuns a todas as filosofias que, sob aspectos diferentes, se valem dele.

IV. — Quais são os princípios e os argumentos materialistas?
Para responder, torna-se necessário voltar ao problema fundamental da filosofia, o das relações entre o ser e o pensamento: qual deles é o principal?
Os materialistas afirmam, em primeiro lugar, que há uma determinada relação entre o ser e o pensamento, entre a matéria e o espírito. Para eles, é o ser, a matéria que é a realidade primeira, e o espírito a realidade segunda, posterior, dependente da matéria.
Portanto, para os materialistas, não foi o espírito ou Deus que criaram o mundo e a matéria, mas foi o mundo, a matéria, a natureza que criaram o espírito:
O espírito não é mais que o produto superior da matéria12.
É por isso que, se retomarmos a pergunta que pusemos no segundo capítulo: «Por que pensa o homem?», os materialistas respondem que o homem pensa porque tem um cérebro e porque o pensamento é o seu produto.
Para eles, não pode haver pensamento sem matéria, sem corpo.
A nossa consciência e o nosso pensamento, tão transcendentes que nos parecem, são apenas produtos de um órgão material, corporal, o cérebro13.
Por consequência, para os materialistas, a matéria, o ser, são qualquer coisa de real, existindo fora do nosso pensamento, e não precisam dele, nem do espírito para existir. De igual modo, este, não podendo existir sem matéria, não tem alma imortal e independente do corpo.
Contrariamente ao que dizem os idealistas, as coisas que nos cercam existem independentemente de nós: são elas que nos dão os nossos pensamentos, e as nossas ideias são apenas o reflexo das coisas no cérebro.
Por esse motivo, perante o segundo aspecto do problema das relações do ser e do pensamento: - Que relação há entre as nossas ideias sobre o mundo que nos rodeia e o próprio mundo? O nosso pensamento está em condições de conhecer o mundo real? Podemos, nas nossas concepções deste, reproduzir uma imagem fiel da realidade? Tal problema é chamado, em linguagem filosófica, a questão da
identidade do pensamento e do ser14.- os materialistas afirmam: sim! podemos conhecer o mundo, e as ideias que fazemos dele são cada vez mais exatas, uma vez que podemos estudá-lo com o (auxílio das ciências, que estas nos
provam continuamente, pela experiência, que as coisas que nos rodeiam têm, na verdade, uma realidade que lhes é própria, independente de nós, e que os homens podem já, em parte, reproduzir, criar artificialmente tais coisas.
Resumindo, diremos, pois, que os materialistas, face ao problema fundamental da filosofia, afirmam:
1. Que é a matéria que produz o espírito , e que, cientificamente, nunca se viu este sem aquela.
2. Que a matéria existe fora de todo o espírito e não precisa deste para existir, tendo uma existência que lhe é particular, e que, por consequência, contrariamente ao que dizem os idealistas, não são as nossas ideias que criam as coisas, mas, pelo contrário, são estas que nos dão aquelas.
3. Que somos capazes de conhecer o mundo , que as ideias que fazemos da matéria e do mundo são cada vez mais exatas, uma vez que, com o auxílio das ciências, 'podemos precisar o que já conhecemos e descobrir o que ignoramos.

LEITURAS

11 René MAUHLANC: a Vida operária, 25 de Novembro de 1935.
12 Friedrich ENGELS: «Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã», Obras Escolhidas de Marx e Engels em Três Tomos, Ed. Avante 1985, Tomo III, pp 375-421
13 Friedrich ENGELS: «Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã», Obras Escolhidas de Marx e Engels em TrêsTomos, Ed. Avante 1985, Tomo III, pp 375-421
14 Friedrich ENGELS: «Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã», Obras Escolhidas de Marx e Engels em Três Tomos, Ed. Avante 1985, Tomo III, pp 375-421


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Princípios Elementares de Filosofia - CAPITULO II



Princípios Elementares de Filosofia

O IDEALISMO
I. — Idealismo moral e idealismo filosófico.
II. — Por que devemos estudar o idealismo de Berkeley?
III. — O idealismo de Berkeley.
IV. — Conseqüências dos raciocínios «idealistas».
V. — Os argumentos idealistas:
1. O espírito cria a matéria.
2. O mundo não existe fora do nosso pensamento.
3. São as nossas ideias que criam as coisas.

I. — Idealismo moral e idealismo filosófico.
Denunciamos a confusão criada pela linguagem corrente, no que se refere ao materialismo. A mesma confusão encontra-se a propósito do idealismo.
Não é necessário confundir, com efeito, o idealismo moral e o idealismo filosófico.
O idealismo moral consiste em devotar-se a uma causa, a um ideal. A história do movimento operário internacional ensina-nos que um número incalculável de revolucionários, de marxistas, se devotaram até ao sacrifício da sua vida por um ideal moral, e, portanto, eram os adversários deste outro idealismo que se chama idealismo filosófico.
O idealismo filosófico é uma doutrina que tem por base a explicação do mundo pelo espírito.
É a doutrina que responde à pergunta fundamental da filosofia, dizendo: «é o pensamento o elemento principal, o mais importante, o primeiro». E o idealismo afirmando a importância primeira do pensamento, afirma que é ele que produz o ser, ou, por outras palavras, que: «é o espírito que produz a matéria».
Tal é a primeira forma do idealismo; encontrou o seu pleno desenvolvimento nas religiões, afirmando que Deus, «espírito puro», era o criador da matéria.
A religião, que pretendeu, e pretende ainda estar fora das discussões filosóficas, é, na realidade, pelo contrário, a representação direta e lógica da filosofia idealista.
Ora, a ciência, intervindo no decurso dos séculos, em breve se tornou necessária para explicar a matéria, o mundo, as coisas, de outro modo que apenas por Deus. Porque, desde o século XVI, a ciência começou a explicar os fenômenos da natureza sem ter em conta Deus e abstendo-se da hipótese da criação.
Para melhor combater estas explicações científicas, materialistas e ateias, foi preciso, pois, levar mais longe o idealismo e negar a existência mesmo da matéria.
Foi ao que se dedicou, no princípio do século XVIII, um bispo inglês, Berkeley, considerado o pai do idealismo.

II. — Por que devemos estudar o idealismo de Berkeley?
O propósito do seu sistema filosófico será, pois destruir o materialismo, tentar demonstrar-nos que a substância material não existe. Escreveu, no prefácio do seu livro «Diálogos de Hylas e de Philonoüs»: Se estes princípios são aceites e olhados como verdadeiros, resulta que o ateísmo e o cepticismo são, com o mesmo golpe, completamente abatidos, as perguntas obscuras esclarecidas, dificuldades quase insolúveis resolvidas, e os homens que se compraziam com os paradoxos reduzidos ao senso comum4.
Deste modo, para Berkeley, o que é verdadeiro é que a matéria não existe, e é paradoxal pretender o contrário.
Vamos ver como se agarra a isso, para tal nos demonstrar. Mas, penso que não é inútil insistir com os que querem estudar filosofia, para que tomem a teoria de Berkeley em muito grande consideração.
Bem sei que as teses de Berkeley farão sorrir alguns, mas é preciso não esquecer que vivemos no século XXI e beneficiamos de todos os estudos do passado. E veremos, aliás, quando estudarmos o materialismo e a sua história, que os filósofos materialistas de outrora fazem também, por vezes, sorrir.
É preciso, portanto, saber que Diderot, que foi, antes de Marx e Engels, o maior dos pensadores materialistas, ligava ao sistema de Berkeley alguma importância, uma vez que o descreve como um sistema que, para vergonha do espírito humano e da filosofia, é o mais difícil de combater, embora o mais absurdo de todos5!
O próprio Lenine consagrou numerosas páginas à filosofia de Berkeley, e escreveu:
[Os filósofos idealistas mais modernos] não produziram contra os materialistas qualquer...argumento que não possamos encontrar no bispo Berkeley6.
Enfim, eis a apreciação sobre o imaterialismo de Berkeley, dada por um manual de história da filosofia utilizado nos liceus:
Teoria ainda imperfeita, sem dúvida, mas admirável, e que deve destruir para sempre, nos espíritos filosóficos, a crença na existência de uma substância material7.
Eis a importância para toda a gente - embora por razões diferentes, como vos foi mostrado por estas citações - de tal raciocínio filosófico.

III. — O idealismo de Berkeley.
O propósito deste sistema consiste, pois, em demonstrar que a matéria não existe. Berkeley dizia:
A matéria não é o que acreditamos, pensando que existe fora do nosso espírito. Pensamos que as coisas existem, porque as vemos, porque lhes tocamos; é porque nos dão essas sensações que acreditamos na sua existência.
Mas as nossas sensações não são mais do que ideias que temos no nosso espírito. Pelo que os objetos que percebemos através dos nossos sentidos mais não são do que ideias, e as ideias não podem existir fora do nosso espírito.
Para Berkeley, as coisas existem; não nega as suas natureza e existência, mas afirma que não existem a não ser sob a forma de sensações que no-las fazem conhecer, e conclui que as nossas sensações e os objetos são  apenas uma e a mesma coisa.
As coisas existem, é certo, mas em nós, diz ele, no nosso espírito, e não têm qualquer realidade fora do espírito.
Concebemos as coisas com o auxílio da vista; percebemos, com a ajuda do tacto; o olfato esclarece-nos sobre o cheiro; o paladar, sobre o gosto; o ouvido, sobre os sons. Estas diversas sensações dão-nos ideias, que, combinadas umas com as outras, nos levam a dar-lhes um nome comum e a considerá-las como objetos.
Observamos, por exemplo, uma cor, um gosto, um cheiro, uma forma, uma consistência determinadas... Reconhecemos esse conjunto como um objeto que designamos com a palavra maçã.
Outras combinações de sensações dão-nos outras coleções de ideias [que] constituem aquilo a que chamamos a pedra, a árvore, o livro e os outros objetos sensíveis8,
Somos, pois, vítimas de ilusões quando pensamos conhecer, como exteriores, o mundo e as coisas, uma vez que tudo isso não existe a não ser no nosso espírito.
No seu livro «Diálogos de Hylas e Philonoüs», Berkeley demonstra-nos esta tese da seguinte maneira:
Não é um absurdo pensar que uma mesma coisa, num dado momento, possa ser diferente? Por exemplo, quente e fria, no mesmo instante? Imaginai, então, que uma das vossas mãos esteja quente, a outra fria, e que ambas sejam mergulhadas, ao mesmo tempo, num recipiente cheio de água, a uma temperatura
intermédia: não parecerá a água quente, a uma das mãos, e fria, à outra9?
Visto que é absurdo acreditar que uma coisa, ao mesmo tempo, possa ser, em si mesma, diferente, devemos concluir que tal coisa não existe a não ser no nosso espírito.
Que faz, pois, Berkeley, no seu método de raciocínio e de discussão? Despoja os objetos, as coisas de todas as suas propriedades.
«Dizeis que os objetos existem, porque têm uma cor, um cheiro, um sabor, porque são grandes ou pequenos, leves ou pesados? Vou demonstrar-vos que tudo isso não existe nos objetos, mas, sim, no nosso espírito.
«Eis um retalho de tecido: dizeis-me que é vermelho. Será isso exato? Pensais que o vermelho faz mesmo parte do tecido. Será isso certo? Sabeis que há animais que têm olhos diferentes dos nossos e não verão vermelho esse tecido; de igual modo, um homem tendo icterícia vê-lo-á amarelo! Então, de que cor é? Isso depende, dizeis? O vermelho não está, portanto, no tecido, mas no olhar, em nós.
«Dizeis que este tecido é leve? Deixai-o cair sobre uma formiga, e ela encontrá-lo-á, certamente, pesado.
Quem tem, portanto, razão? Pensais que é quente? Se estiverdes com febre, encontrá-lo-eis frio! Então, é quente ou frio?
«Numa palavra, se as mesmas coisas podem ser, a um tempo, para uns, vermelhas, pesadas, quentes, e, para outros, exatamente o contrário, é porque somos vítimas de ilusões, e porque as coisas não existem para além do nosso espírito».
Retirando todas as suas propriedades aos objetos, chegamos, por conseguinte, a dizer que estes não existem a não ser no nosso pensamento, isto é, que a matéria é uma ideia.
Já, antes de Berkeley, os filósofos gregos diziam, e isso era exato, que certas qualidades, como o sabor, o som, não estavam mesmo nas coisas, mas em nós.
Porém, o que há de novo na teoria de Berkeley é, justamente, que ele alarga esta advertência a toda a espécie de objetos.
Os filósofos gregos tinham, com efeito, estabelecido entre as qualidades das coisas a seguinte distinção: Por um lado, as qualidades primeiras, isto é, as que estão nos objetos, como o peso, o tamanho, a resistência, etc..
Por outro, as qualidades segundas, isto é, as que estão em nós, como o cheiro, o sabor, o calor, etc.
Ora, Berkeley aplica às qualidades primeiras a mesma tese que às segundas: todas as qualidades, todas as propriedades não estão nos objetos, mas em nós.
Se olhamos o sol, vêmo-lo redondo, achatado, vermelho. A ciência ensina-nos que nos enganamos, que não é achatado, não é vermelho. Faremos, portanto, a abstração, com o auxílio da ciência, de certas falsas propriedades que atribuímos ao sol, mas sem, com isso, concluir que não existe! É, pois, a uma tal conclusão que Berkeley conduz.
Berkeley não teve certamente culpa, mostrando que a distinção dos antigos não resistia à análise científica, mas comete uma falta de raciocínio, um sofisma, tirando de tais observações consequências que não comportam. Mostra, com efeito, que as qualidades das coisas não são exatamente como no-las mostram os
nossos sentidos, isto é, que estes nos enganam e deformam a realidade material, e, daí, conclui, imediatamente, que a realidade material não existe.

IV. — Conseqüências dos raciocínios idealistas.
Sendo a tese: «Nada existe senão no nosso espírito», devemos concluir que o mundo exterior não existe.
Levando este raciocínio até ao fim, chegaríamos a dizer: «Sou o único a existir, uma vez que não conheço os outros homens a não ser pelas minhas ideias, que eles não são para mim, como objetos materiais, mais do que coleções de ideias». É o que em filosofia se chama o solipsismo (que quer dizer apenas eu).
Berkeley, diz-nos Lenine no seu livro já citado, defende-se instintivamente contra a acusação de sustentar
uma tal teoria. Constata-se mesmo que o solipsismo, forma extrema do idealismo, não foi defendido por nenhum filósofo.
É por isso que devemos interessar-nos, discutindo com os idealistas, em tomar bem patente que os raciocínios que negam efetivamente a matéria, para serem lógicos e conseqüentes, devem chegar a esse extremo absurdo que é o solipsismo.

V. — Os argumentos idealistas.
Dedicamos a resumir, o mais simplesmente possível, a teoria de Berkeley, porque foi quem mais abertamente expôs o que é o idealismo filosófico.
Mas é certo que, para melhor compreender estes raciocínios, que são novos para nós, é agora indispensável tomá-los muito a serio e fazer um esforço intelectual. Porquê?
Porque veremos em seguida que, se o idealismo se apresenta de uma maneira mais oculta e a coberto de palavras e expressões novas, todas as filosofias idealistas mais não fazem do que retomar os argumentos do «velho Berkeley» (Lenine).
Porque veremos também quanto a filosofia idealista, que dominou, e domina ainda a história oficial da filosofia, trazendo consigo um método de pensamento de que estamos impregnados, soube penetrar-nos, apesar de uma educação inteiramente laica.
Sendo os raciocínios do bispo Berkeley a base dos argumentos de todas as filosofias idealistas, vamos, pois, para resumir este capítulo, procurar esclarecer quais são, e o que tentam demonstrar-nos.
1. O espírito cria a matéria .
Esta, sabemo-lo, a resposta idealista à pergunta fundamental da filosofia; é a primeira forma do idealismo, que se reflete nas diferentes religiões, onde se afirma que o espírito criou o mundo.
Tal afirmação pode ter dois sentidos:
Ou Deus criou o mundo, e este existe, realmente à nossa volta. É o idealismo comum às teologias10.
Ou Deus criou a ilusão do mundo, dando-nos ideias que não correspondem a qualquer realidade material. É o «idealismo imaterialista» de Berkeley, que nos quer provar que o espírito é a única realidade, sendo a matéria um produto fabricado por este.
É por isso que os idealistas afirmam que:
2. O mundo não existe fora do nosso pensamento.
É o que Berkeley quer demonstrar-nos, afirmando que cometemos um erro, atribuindo às coisas propriedades e qualidades que lhes seriam próprias, quando estas existem apenas no nosso espírito.
Para os idealistas, os bancos e as mesas existem, na verdade, mas somente no nosso pensamento, e não em redor de nós, por que
3. São as nossas ideias que criam as coisas .
Por outras palavras, as coisas são o reflexo do nosso pensamento. Com efeito, uma vez que é o espírito que cria a ilusão da matéria, uma vez que é aquele que dá ao nosso pensamento a ideia desta, uma vez que as sensações que experimentamos perante as coisas não provêm destas em si, mas, unicamente, do nosso pensamento, a origem da realidade do mundo e das coisas é o nosso pensamento, e, por consequência, tudo o que nos rodeia não existe fora do nosso espírito, e não pode ser senão o reflexo do nosso pensamento. Mas, como, para Berkeley, o nosso espírito seria incapaz de criar, só por si, estas ideias, e, por outro lado, não faz o que quer (como aconteceria se ele próprio as criasse), é preciso admitir que é um outro espírito mais poderoso o criador. É, pois, Deus que cria o nosso espírito e nos impõe todas as ideias do mundo que aí encontramos.
Eis as principais teses sobre as quais repousam as doutrinas idealistas e as repostas que dão à pergunta fundamental da filosofia. É altura de ver agora qual a resposta da filosofia materialista à mesma pergunta e aos problemas suscitados por estas teses.

(8 LÉNINE: «Materialismo e empirocriticismo», p. 18 Ed. Avante 1982)
(9 LÉNINE: «Materialismo e empirocriticismo» Ed. Avante 1982)

BERKELEY: “Diálogos de Hylas e Philonoüs”
LÉNINE: “Materialismo e empirocriticismo”, pp. 17 a 29
10 A teologia é a «ciência» (!) que se ocupa de Deus e das coisas divinas.
Próximo capitulo: O MATERIALISMO