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sexta-feira, 23 de março de 2018

Cuba lança novas plataformas de alta tecnologia como parte da modernização tecnológica de TI


2018-03-23 15:23:48丨portuguese.xinhuanet.com
por Raimundo Urrechaga
Havana, 22 mar (Xinhua) -- Desde 2015, Cuba avançou na modernização de sua sociedade com novas tecnologias e maior acesso à internet para facilitar a interação entre instituições governamentais e entidades produtivas e de serviços com a população.
Embora ainda em fase inicial, especialistas em ciência da computação, telecomunicações e engenheiros têm trabalhado para desenvolver novas alternativas tecnológicas que permitam aos cubanos acessar aplicativos e sites para diferentes propósitos.
"É um grupo de plataformas úteis que temos desenvolvido para ajudar a vida dos cidadãos. Eles já foram programados e esperamos que este ano governos locais, instituições e cubanos comuns os usem", disse Medardo Morales, diretor da empresa cubana de tecnologia da informação para defesa (Xetid).
Morales detalhou que essas plataformas desenvolvidas pela Xetid incluem comércio eletrônico, pagamentos, produção e serviços, procedimentos legais, governos locais, entretenimento e informações e gerenciamento de empresas.
Em um recente intercâmbio com cerca de 1.700 participantes de 32 nações que participaram esta semana da 17ª Convenção de TI e Feira de Cuba de 2018, Morales enfatizou que todos esses aplicativos e sites foram projetados na ilha.
"Nós os criamos com um forte conceito de soberania tecnológica e levando em conta todas as questões de segurança cibernética, garantindo que todas essas aplicações e plataformas tenham alta interoperabilidade técnica", disse ele.
O funcionário cubano enfatizou que eles trabalharam para desenvolver aplicativos tecnológicos úteis voltados para o benefício da população e o trabalho de instituições locais e governamentais.
No entanto, para Morales, as tecnologias sozinhas não resolvem nenhum problema porque o sucesso na aplicação de qualquer inovação tem um alto componente sociológico.
Neste sentido, Alberto Quinones, diretor de TI do Banco Central de Cuba, disse que a instituição tem o desafio de se aproximar da sociedade e implementar novas tecnologias no setor bancário.
Em 2017, 90% das operações com cartões de débito em Cuba eram para extrair dinheiro em caixas eletrônicos ou agências bancárias.
"É um desafio derrubar essa cena e promover o uso de canais virtuais ou eletrônicos disponíveis hoje para clientes cubanos. Eles são muito mais eficientes e mais rápidos do que o uso do dinheiro", disse ele.
O Quinones também considerou que constitui mais um passo na inclusão financeira para que mais pessoas tenham acesso mais fácil e seguro a novas soluções tecnológicas que já estão em prática há vários anos e outras que acabaram de ser implementadas.
O sistema financeiro cubano desenvolveu várias estratégias, desde serviços bancários simples, particularmente destinados ao envelhecimento da população, até a compra de milhares de terminais de ponto de venda (PDV) para lojas, novos caixas eletrônicos com inúmeras funções e desenvolvimento de aplicativos móveis para bancos.
Atualmente existem 936 máquinas ATM operando na ilha por uma taxa de cerca de oito por 100.000 cubanos, embora este ano elas aumentem consideravelmente após um acordo assinado em 2017 com um provedor chinês.
Também duas novas tecnologias neste tipo de equipamento foram introduzidas no ano passado, um caixa de reutilização de dinheiro e o ATM multifuncional, ambos fornecidos pela empresa chinesa GRG Banking Equipment.
O primeiro permite saques em dinheiro e depósitos e é uma máquina de autoatendimento que quase não requer intervenção humana. Enquanto isso, os caixas eletrônicos multifuncionais podem realizar várias tarefas, mas na ilha, agora ele é usado para troca de moeda estrangeira.
"Hoje, no Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, há 4 caixas eletrônicos desse tipo, onde moradores e visitantes podem trocar dólares americanos ou canadenses, assim como o euro pelo peso conversível cubano (CUC)", disse ele.
Quinones também apontou novos canais eletrônicos que foram introduzidos recentemente, para e-commerce e aplicativos para bancos, embora eles ainda estejam em um período inicial de teste.
Por meio de um aplicativo bancário móvel, os cubanos já podem pagar suas contas (gás, eletricidade, água e telefone), além de transferir dinheiro entre contas bancárias e pagar seus impostos.
Além disso, novos sites para diferentes serviços de celulares e telefone e um dos supermercados de Havana também estão disponíveis para os moradores fazerem suas compras on-line.
Como suporte para todos esses canais eletrônicos estão os cartões de débito, que de acordo com Quinones, até o final de fevereiro os bancos locais já haviam emitido mais de 4 milhões, representando cerca de 45% da população da ilha elegível para abrir qualquer tipo de conta bancária.
"O Banco Central de Cuba, em conjunto com instituições financeiras, tem trabalhado para conseguir uma maior utilização de recursos bancários e nosso objetivo é continuar aumentando o número de pessoas que podem acessar esses serviços financeiros", disse a autoridade.
Iniciativas que estão ligadas a outras instituições governamentais implicam na realização da modernização tecnológica da sociedade cubana.
Os investimentos neste setor são totalmente financiados pelo governo cubano, representando um verdadeiro desafio para inserir rápida e maciçamente novas tecnologias devido às limitações financeiras da ilha.
No entanto, altos funcionários e até mesmo o primeiro vice-presidente do país, Miguel Díaz-Canel, reiteraram que Havana tem a vontade política de continuar desenvolvendo o uso de tecnologias de informação e comunicação, mesmo com restrições econômicas.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Por que o Socialismo?





Em homenagem ao aniversário de seu nascimento , publico o Artigo escrito por Albert Einstein especialmente para o primeiro número da revista norte-americana Monthly Review, Nova Iorque, Maio de 1949.

Albert Einstein

Será aconselhável para quem não é especialista em assuntos econômicos e sociais exprimir opiniões a propósito do socialismo
? Eu creio que sim, por várias razões.
Consideremos primeiro a questão do ponto de vista do conhecimento científico. Pode parecer que não há diferenças metodológicas fundamentais entre a astronomia e a economia: em ambos os campos os cientistas procuram descobrir
leis com aceitação geral para um grupo circunscrito de fenômenos de modo a tornar a interligação destes fenômenos tão claramente compreensível quanto possível.
Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia é complicada pela circunstância de que os fenômenos econômicos observados são com freqüência influenciados por muitos outros fatores, que são muito difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência acumulada desde o início do chamado período civilizado da história da humanidade – como é bem conhecido – tem sido largamente influenciada e limitada por causas que não são, de modo nenhum, exclusivamente econômicas por natureza. Por
exemplo, a maior parte dos principais Estados ficou a dever a sua existência à conquista. Os povos conquistadores estabeleceram-se, legal e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Ficaram com o monopólio da propriedade da terra e nomearam um clero entre as suas próprias fileiras. Os sacerdotes, que controlavam a educação, tornaram a divisão de classes da sociedade numa instituição permanente e criaram um sistema de valores pelos quais, desde então, o povo se tem guiado, em grande medida inconscientemente, no seu
comportamento social.
Mas a tradição histórica, digamos, faz parte do passado; em parte alguma se superou verdadeiramente a fase do desenvolvimento humano, que Thorstein Veblen2 chamou de «predatória». Os fatos econômicos observáveis pertencem a essa fase e mesmo as leis que podemos determinar a partir deles não são aplicáveis1 a outras fases. Uma vez que o verdadeiro objetivo do socialismo é precisamente superar e ir além da fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência econômica no seu estado atual pouca luz pode lançar sobre a sociedade socialista do futuro.
Em segundo lugar, o socialismo orienta-se por um objetivo ético-social. A ciência, contudo, não pode criar objetivo e, muito menos, incuti-los nos seres humanos; quando muito, a ciência pode fornecer os meios para atingir determinados objetivos. Mas os próprios objetivos são concebidos por personalidades com ideais éticos elevados e – se estes ideais não forem nados-mortos, mas vitais e vigorosos – são adotados e levados avante por aqueles muitos
seres humanos que, semi-inconscientemente, determinam a evolução lenta da sociedade.
Por estas razões devemos precaver-nos para não sobreestimarmos a ciência e os métodos científicos quando se trata de problemas humanos; e não devemos presumir que os peritos são os únicos que têm o direito a expressarem-se sobre questões que afetam a organização da sociedade.
Inúmeras vozes têm afirmado desde há algum tempo que a sociedade humana atravessa uma crise, que a sua estabilidade foi gravemente abalada. É característico deste tipo de situação que os indivíduos se sintam indiferentes ou mesmo hostis em relação ao grupo, pequeno ou grande, a que pertencem. Para ilustrar o meu pensamento, permitam-me que refira aqui uma experiência pessoal. Falei recentemente com um homem inteligente e cordial sobre a ameaça de outra guerra, que, na minha opinião, colocaria em sério risco a existência da humanidade, e observei que só uma organização supra-nacional ofereceria proteção contra esse perigo. Imediatamente o meu visitante, muito calma e friamente, disse-me: «Porque se opõe tão profundamente ao desaparecimento da raça humana?»
Estou certo de que há um século ninguém teria feito tão ligeiramente uma afirmação deste tipo. É uma afirmação de um homem que se esforçou em vão para atingir um equilíbrio interior e que perdeu mais ou menos a esperança de o
conseguir. É a expressão de uma solidão e um isolamento penosos de que tanta
gente sofre hoje em dia. Qual é a causa? Haverá uma saída?
É fácil levantar estas questões, mas é difícil responder-lhes com algum grau de segurança. No entanto, devo tentar o melhor que posso, embora esteja consciente do fato de que os nossos sentimentos e esforços são muitas vezes contraditórios e obscuros e que não podem ser expressos em fórmulas fáceis e simples.
O homem é simultaneamente um ser solitário e um ser social. Enquanto ser solitário, tenta proteger a sua própria existência e dos que lhe são próximos, satisfazer os seus desejos pessoais, e desenvolver as suas capacidades inatas.
Enquanto ser social procura ganhar o reconhecimento e afeição dos seus semelhantes, partilhar os seus prazeres, confortá-los nas suas tristezas e melhorar as suas condições de vida. É apenas a existência destes esforços diversos e
freqüentemente conflituosos que explica o carácter especial do ser humano, e a sua combinação específica determina em que medida um indivíduo pode alcançar um equilíbrio interior e contribuir para o bem-estar da sociedade.
É perfeitamente possível que a força relativa destes dois impulsos seja, em grande parte, determinada por hereditariedade. Mas a personalidade que finalmente emerge é largamente formada pelo ambiente em que o indivíduo
se encontra por acaso durante o seu desenvolvimento, pela estrutura da sociedade em que cresce, pela tradição dessa sociedade, e pela apreciação que faz de determinados tipos de comportamento. O conceito abstrato de «sociedade» significa para o ser humano individual as soma total das suas relações diretas e indiretas com os seus contemporâneos e com todas as pessoas de gerações a interiores. O indivíduo é capaz de pensar, sentir, lutar e trabalhar sozinho, mas
depende tanto da sociedade – na sua existência física, intelectual e emocional – que é impossível pensar nele, ou
compreendê-lo, fora do quadro da sociedade. É a «sociedade» que lhe fornece comida, roupa, casa, instrumentos de trabalho, a linguagem, formas de pensamento e a maior parte do conteúdo do pensamento; a sua vida foi tornada possível pelo labor e realizações de muitos milhões de indivíduos no passado e no presente, que se escondem sob a pequena palavra «sociedade».
É evidente, por conseguinte, que a dependência do indivíduo em relação à sociedade é um fato natural que não pode ser abolido – tal como no caso das formigas e das abelhas. No entanto, enquanto todo o processo de vida das formigas
e abelhas é estabelecido, nos mais ínfimos pormenores, por instintos hereditários rígidos, o padrão social e o relacionamento dos seres humanos são muito variáveis e susceptíveis de mudança. A memória, a capacidade de fazer novas combinações, o dom da comunicação oral tornaram possíveis desenvolvimentos entre os seres
humanos que não são ditados por necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos manifestam-se nas tradições, instituições e organizações; na literatura; nas obras científicas e de engenharia; nas obras de arte. Isto explica, num certo sentido, como pode o homem influenciar a sua vida através da sua própria conduta e como, neste processo, o pensamento e a vontade conscientes podem desempenhar um papel.
Através da hereditariedade, o homem adquire à nascença uma constituição biológica que devemos considerar fixa ou inalterável, incluindo os desejos naturais que são característicos da espécie humana. Além disso, durante a sua vida, adquire uma constituição cultural que adota da sociedade através da comunicação e através de muitos outros tipos de influências. É esta constituição cultural que, no decurso do tempo, está sujeita à mudança e que determina, em larga medida, a relação entre o indivíduo e a sociedade. A antropologia moderna ensina-nos, através da investigação comparativa das chamadas culturas primitivas, que o comportamento social dos seres humanos pode apresentar grandes diferenças, em função dos padrões culturais dominantes e dos tipos de organização que predominam na sociedade. É nisto que podem assentar as suas esperanças aqueles que se esforçam para melhorar a sorte do homem: os seres humanos não estão condenados, por causa da sua constituição biológica, a aniquilarem-se uns aos
outros ou à mercê de um destino cruel auto-infligido.
Se nos interrogarmos sobre como deveria mudar a estrutura da sociedade e a atitude cultural do homem para tornar a vida humana tão satisfatória quanto possível, devemos estar permanentemente conscientes do fato de que há
determinadas condições que não podemos alterar. Como atrás mencionamos, a natureza biológica do homem, para todos os fins práticos, não está sujeita à mudança. Além disso, os desenvolvimentos tecnológicos e demográficos dos
últimos séculos criaram condições que se manterão.
Em populações com uma densidade relativamente elevada, que dispõem de bens indispensáveis à sua existência, é absolutamente necessário haver uma divisão extrema do trabalho e um aparelho produtivo altamente centralizado. O tempo em que os indivíduos ou grupos relativamente pequenos podiam ser completamente auto-suficientes – que
visto à distância parece tão idílico – pertence definitivamente ao passado. Não é grande exagero dizer-se que a humanidade constitui já hoje uma comunidade planetária de produção e consumo.
Chego agora ao ponto em que posso indicar sucintamente o que para mim constitui a essência da crise do nosso tempo. Trata-se da relação do indivíduo com a sociedade. O indivíduo tornou-se mais consciente que nunca da sua dependência relativamente à sociedade. Mas não sente esta dependência como um bem positivo, como um laço orgânico, como uma força protetora, mas antes como uma ameaça aos seus direitos naturais, ou ainda à sua existência econômica. Além disso, a sua posição na sociedade é tal que os impulsos egoístas do seu ser estão constantemente a ser acentuados, enquanto os seus impulsos sociais , que são por natureza mais fracos, se deterioram progressivamente. Todos os seres humanos, seja qual for a sua posição na sociedade, sofrem este processo de deterioração. Inconscientemente prisioneiros do seu próprio egoísmo, sentem-se inseguros, sós, e privados do gozo
cândido, simples e não sofisticado da vida. O homem só pode encontrar sentido na vida, curta e perigosa como é, através da sua devoção à sociedade.
A anarquia econômica da sociedade capitalista, tal como existe atualmente, é, na minha opinião, a verdadeira origem do mal. Vemos diante de nós uma enorme comunidade de produtores cujos membros procuraram incessantemente despojar cada qual dos frutos do seu trabalho coletivo – não pela força, mas, em geral, em
total conformidade com as regras legalmente estabelecidas. A este respeito, é importante compreender que os meios de produção – ou seja, toda a capacidade produtiva necessária para produzir bens de consumo, bem como novos bens de capital – podem ser legalmente, e na sua maior parte são, propriedade privada de indivíduos.
Para simplificar, no debate que se segue, chamarei «operários» a todos aqueles que não partilham a posse dos meios de produção – embora isto não corresponda exatamente à utilização habitual do termo. O detentor dos meios de produção está em posição de comprar a força de trabalho do operário. Ao utilizar os meios de produção, o operário produz novos bens que se tornam propriedade do capitalista.
O ponto essencial deste processo é a relação entre o que o trabalhador produz e o que lhe é pago, ambos medidos em termos de valor real. Na medida em que o contrato de trabalho é «livre», o que o trabalhador
recebe é determinado não pelo valor real dos bens que produz, mas pelas suas necessidades mínimas e pela
quantidade de força de trabalho de que o capitalista necessita em relação ao número de operários que procuram emprego. É importante compreender que, mesmo em teoria, o salário do operário não é determinado pelo valor do seu
produto.
O capital privado tende a concentrar-se em poucas mãos, em parte por causa da concorrência entre os capitalistas e em parte porque o desenvolvimento tecnológico e a crescente divisão do trabalho encorajam a formação de unidades de produção maiores à custa de outras mais pequenas. O resultado destes desenvolvimentos é uma oligarquia de capital privado cujo enorme poder não pode ser eficazmente controlado mesmo por uma sociedade que tem uma organização política democrática. Isto é verdade, uma vez que os membros dos órgãos legislativos são escolhidos pelos partidos políticos, largamente financiados ou influenciados por outras vias pelos capitalistas privados que, para todos os efeitos práticos, separam o eleitorado da legislatura. A conseqüência é que os representantes do povo não
protegem suficientemente os interesses das camadas desfavorecidas da população.
Além disso, nas condições existentes, os capitalistas privados controlam inevitavelmente, direta ou indiretamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É assim extremamente difícil para o cidadão, e na maior parte dos casos completamente impossível, chegar a conclusões objetivas e fazer uso inteligente dos seus direitos políticos.
A situação que prevalece numa economia baseada na propriedade privada do capital caracteriza-se por dois princípios centrais: primeiro, os meios de produção (capital) são privados e os detentores utilizam-nos da forma que lhes convém; segundo, o contrato de trabalho é livre. É claro que neste sentido não existe uma sociedade capitalista pura. Deve-se notar, em particular, que, através de longas e duras lutas políticas, os trabalhadores conseguiram obter para certas categorias deles formas melhoradas de «contrato de trabalho livre». Mas, vista no seu conjunto, a economia atual não difere muito do capitalismo «puro».
A produção realiza-se tendo em vista o lucro e não o uso. Não há nenhuma garantia de que todos aqueles que tenham capacidade e queiram trabalhar possam encontrar emprego; existe quase sempre um «exército de desempregados». O
operário receia constantemente perder o seu emprego. E dado que os desempregados e os operários mal pagos consomem pouco, a produção de bens de consumo é restringida, e a conseqüência são grandes privações. O progresso
tecnológico resulta freqüentemente em mais desemprego em vez de um aligeiramento da carga de trabalho para todos. O objetivo do lucro, em conjunto com a concorrência entre capitalistas, é responsável por uma instabilidade na acumulação e utilização do capital que conduz a depressões cada vez mais graves. A concorrência sem limites conduz a um enorme desperdício do trabalho e ao estropiamento da consciência social dos indivíduos que mencionei atrás.
Considero este estropiamento dos indivíduos como o pior mal do capitalismo.
Todo o nosso sistema educativo sofre deste mal. Uma atitude exageradamente competitiva é incutida no aluno, que é educado para venerar o poder aquisitivo como preparação para a sua futura carreira.
Estou convencido que só há uma forma de eliminar estes sérios males, nomeadamente através do estabelecimento de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educativo orientado para objetivos sociais. Nesta economia, os meios de produção são detidos pela própria sociedade e são utilizados de forma planificada. Uma economia planificada, que ajuste a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre aqueles que
podem trabalhar e garantiria o sustento a todos os homens, mulheres e crianças. A educação do indivíduo, além de promover as suas próprias capacidades inatas, procuraria desenvolver nele um sentido de responsabilidade pelo seu semelhante em vez da glorificação do poder e do sucesso na nossa atual sociedade.
No entanto, é necessário lembrar que uma economia planificada não é ainda o socialismo. Uma economia planificada pode ser acompanhada por uma completa sujeição do indivíduo. A realização do socialismo exige a resolução de alguns problemas políticos e sociais extremamente difíceis: como é possível, com uma centralização em grande escala do poder econômico e político, evitar que a burocracia se torne onipotente e arrogante? Como se pode proteger os direitos do indivíduo e assegurar um contrapeso democrático ao poder da burocracia?
A clareza sobre os objetivos e problemas do socialismo é da maior importância na nossa época de transição. Visto que, nas atuais circunstâncias, a discussão livre e sem entraves destes problemas constitui um tabu poderoso, considero a fundação desta revista como um serviço público importante.


Artigo escrito por Albert Einstein especialmente para o primeiro número da revista norte-americana Monthly Review, Nova Iorque, Maio de 1949. (Texto traduzido e publicado pelo site resistir.info, em 4.07.2002: resistir. info/mreview/ porque_o_socialismo.html. (N. Ed.)2 Veblen, Thorstein Bunde (1857-1929), economista e sociólogo norte-americano, segundo o qual as instituições da economia são influenciadas por dois instintos de base, o instinto artesão e o instinto predador. Pelo primeiro, o homem enriquece-se pelo seu trabalho, enquanto pelo segundo procura desapossar os outros dos seus bens e dos resultados do seu trabalho. (N. Ed.). 2

segunda-feira, 12 de março de 2018

Xi enfatiza a defesa e o desenvolvimento do socialismo com características chinesas

  2018-01-08 丨portuguese.xinhuanet.com
CHINA-BEIJING-XI JINPING-WORKSHOP (CN)

(Xinhua/Ju Peng)
Beijing, 8 jan (Xinhua) -- O presidente chinês Xi Jinping pediu na sexta-feira que os funcionários de alto escalão preservem e desenvolvam persistentemente o socialismo com características chinesas e promovam o "grande novo projeto da construção do Partido".
Xi, também secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC) e presidente da Comissão Militar Central, fez o comentário na inauguração de um seminário que reuniu membros e membros suplentes recém-eleitos do Comitê Central do PCC e funcionários de nível provincial e ministerial.
O seminário focou no estudo e implementação do "Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas na Nova Época" e o espírito do 19º Congresso Nacional do PCC.
"O Socialismo com Características Chinesas na Nova Época deve ser defendido solidamente já que ele é tanto avanço como continuação das grandes revoluções sociais do povo lideradas pelo PCC", disse Xi. "A história e a realidade provaram que um longo processo histórico é necessário caso uma revolução social queira declarar uma vitória final."
"Podemos identificar a essência de muitos problemas somente por recordar o caminho percorrido, compará-lo com outros, olhar o caminho na frente e também entender de onde viemos e para onde queremos ir."
O Socialismo com Características Chinesas não cai do céu, mas sim emerge das práticas de 40 anos da reforma e abertura e a prática de exploração desde a fundação da República Popular da China há quase 70 anos, disse ele.
Ele também é resultado da prática dos 97 anos das grandes revoluções sociais do povo sob a liderança do PCC, do processo histórico de mais de 170 anos durante o qual a nação chinesa tornou-se próspera e da herança e desenvolvimento da civilização chinesa nos últimos 5 mil anos, acrescentou Xi.
"É extremamente difícil ober o resultado", disse o presidente.
O sucesso do socialismo científico na China tem grande importância para o marxismo, o socialismo científico e o socialismo no mundo. É mais fundamental para o PCC erguer ao alto a grande bandeira do socialismo com características chinesas a fim de realizar a sua missão histórica na nova época, disse Xi.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Kim Il Sung: “Sobre a abolição do sistema de impostos”


 NOVACULTURA.info
Libertar as pessoas para sempre de todos os tipos de exploração e opressão e oferecer-lhes uma vida material e cultural feliz é o nobre dever revolucionário dos comunistas e o princípio fundamental que o partido e o estado da classe trabalhadora devem manter firmemente na revolução e construção do Socialismo. A luta revolucionária e o trabalho de construção constituem uma batalha que os homens travam para desfrutar de uma vida independente e criativa, como proprietários da natureza e sociedade, liberando-se de todo tipo de sujeição.

Nosso Partido, cuja única orientação é a grande ideia do Juche, emancipou nosso povo para sempre de todos os tipos de exploração e opressão, liderando a revolução democrática anti-imperialista e antifeudal e a revolução socialista para a vitória, após a libertação.

Graças à política correta e à sábia direção de nossa Partido e o Governo da República, hoje em nosso país estão se aprofundando e desenvolvendo as três revoluções: a ideológica, a técnica e a cultural, destinada a libertar definitivamente aos trabalhadores de todos os obstáculos da natureza e sociedade, e o histórico a tarefa de eliminar os resíduos e os flagelos da velha sociedade. A abolição total do sistema fiscal constitui uma revolução destinada a libertar os trabalhadores dos flagelos da sociedade antiga e realizar uma grande mudança.

O sistema fiscal, que surgiu com a aparência do Estado, tem servido durante milhares de anos de existência da sociedade de classes, para as classes dominantes como um meio para manter seus aparelhos governamentais no poder e esmagar os Trabalhadores com seus impostos.

No passado, o sistema fiscal era um instrumento para chupar o sangue e suor da nossa classe. 

O sistema fiscal colonial imposto pelo imperialismo japonês era o mais cruel e assassino, não tinha precedentes na história dos impostos, e foi objeto de ódio e contra o nosso povo.

No longo curso da história da existência da sociedade exploradora, nosso povo se opôs ao roubo selvagem através de impostos e, em particular, durante a dominação do colonialismo do imperialismo japonês, a população lutou incessantemente contra o sistema tributário leonino. No entanto, essa luta não foi bem-sucedida por não terem se unido à nossa luta política visando levar ao poder. Uma vez que nossa revolução foi colocada sob a direção da ideia Juche, essa luta, se uniu à luta revolucionária contra o imperialismo e o regime explorador, a qual assumiu o caminho que levou à solução radical do problema tributário

No período da gloriosa Luta Revolucionária Antijaponesa, os comunistas coreanos tentaram colocar em prática, o programa de impostos revolucionário e popular, criada por guerrilhas de libertação, e deram um exemplo as bases guerrilheiras japonesas. Nosso Partido e o Poder Popular revogaram o explorador sistema tributário do imperialismo japonês e estabeleceram outro popular e democrático, materializando o programa de impostos Juche criado na era da luta revolucionária Antijaponesa.

O novo sistema fiscal popular desempenhou um excelente papel no assentamento das bases da economia nacional independente da restauração e do desenvolvimento da economia destruída, na aceleração da transformação relações de produção socialistas nas cidades e no campo, promoveram o bem-estar social.

O Governo da República, enquanto usa efetivamente as receitas fiscais do Estado como fonte adicional de Fundos para a construção econômica e cultural do país, procedeu à redução sistemática de impostos em benefício do povo.

Em nosso país, a supressão total do sistema fiscal veio a ser um assunto muito falado, graças à conclusão da transformação socialista das relações de produção e consolidou a base da industrialização socialista.

Para pôr fim ao sistema tributário, o Governo da República fez a primeira medida para eliminar completamente, aboliu, entre 1964 e 1966, o imposto agrícola para os camponeses.

A abolição deste imposto foi uma medida histórica que libertou completamente nossos camponeses da carga tributária. Essa atitude permitiu fortalecer a aliança trabalhador-camponesa, consolidar a base de desenvolvimento econômico das fazendas cooperativas e aumento rápido da renda real dos camponeses.

Em virtude do cancelamento, em nosso país permaneceu apenas o imposto sobre o rendimento e o imposto local, que ocupava uma proporção insignificante na receita orçamentária do estado. Hoje, com o sistema socialista desenvolvido em nosso país, cresceu incomparavelmente o poder de sua economia nacional independente, o problema da eliminação final de todos os outros impostos.

O VIII Plenário do V Período do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia discutiu e decidiu abolir totalmente o sistema tributário, um flagelo da velha sociedade.

Então, finalmente, o sonho das pessoas de viver em um mundo sem os tributos tornou-se realidade, e nosso país chegou a ser o primeiro país sem impostos no mundo.

No regime socialista, a eliminação é um processo legítimo pois sistema fiscal representa um vestígio da velha sociedade. Nela, a economia estatal e cooperativa de caráter socialistas constituem a base econômica do Estado, e fundamental das relações sociais é a unidade e colaboração entre os trabalhadores. As relações dos aspectos sócio-econômicos da sociedade socialista servem de base para aliviar sistematicamente a carga tributária dos habitantes e eliminá-lo em suma.

Neste regime, o sistema fiscal é usado apenas como uma fonte adicional de fundos para cobrir a demanda estatal e social, e como meio auxiliar para nivelar a diferenças que existem no padrão de vida das pessoas.

A abolição dos impostos no nosso país baseia-se na superioridade do seu regime socialista e responde plenamente as demandas legítimas de seu desenvolvimento. Um dos aspectos importantes que caracterizam a superioridade do regime socialista do nosso país, onde se materializa em todos os seus aspectos, a grande ideia Juche, aonde o Estado é responsável pela vida material e cultural dos operários, camponeses e outros setor es dos trabalhadores.

No regime socialista de nosso país, a distribuição a todos os trabalhadores é feita de acordo com a quantidade e a qualidade do trabalho realizado e, acima de tudo, o Estado, dispersando enormes benefícios, assegura-lhes as condições de vida fundamentais, desde a alimentos, roupas e habitação até a instrução de seus filhos, assistência médica, condições de trabalho dignas e descanso.

Como a distribuição comunista que se estende e desenvolve mais todos os dias no nosso país, a concessão desses benefícios do estado para os trabalhadores, garante-lhes todos as condições vitais para levar uma vida feliz sem se preocupar com as questões financeiras.

No regime socialista do nosso país, onde a economia socialista assegura com seus rendimentos os fundos necessários para a revolução e construção, o Estado lida com a responsabilidade da vida das pessoas, atribuindo uma colossal quantidade de seus fundos, não é mais necessário cobrar impostos aos cidadãos como um meio adicional para cobrir as demandas de fundos estatais e sociais.

No regime socialista de nosso país, os exploradores foram removidos há muito tempo e todos os Trabalhadores vivem em boas condições, sem uma diferença marcada, você não precisa manter o sistema de impostos como um meio para regular a renda da população.

Nossos trabalhadores socialistas, armados com a ótima ideia Juche e se tornam donos da revolução e construção sob o regime socialista de nosso país, considerando o trabalho estado como de todos e participando com a atitude dos proprietários, e conscientemente, em todas as atividades do estado. Quando cumprem o dever sagrado perante a pátria socialista, com alta disposição entusiasmo revolucionário e consciente, como donos do Estado e sociedade, não há motivo para continuar considerando o pagamento de impostos, vestígios da velha sociedade, como um dever que eles, como cidadãos, perante o Estado.

A poderosa economia socialista independente e nacional de nosso país representa uma garantia material firme para a abolição total do sistema tributário.

Sob a liderança sábia do Partido, e mantendo a bandeira revolucionária de confiar nas próprias forças, nosso povo construído em um curto período histórico um poderosa economia nacional independente fez com que Nossa indústria Juche torna-se hoje uma indústria moderna e independente, desenvolvida em todos aspectos, equipados com as últimas conquistas de tecnologia e apoiado por sua própria base firme de matérias-primas, e nossa agricultura com economia rural socialista desenvolvida, que completou irrigação e eletrificação e executa sua tarefas com a ajuda de máquinas.

Nossa economia nacional independente aumenta, com seus próprios pés e em um ritmo ininterruptamente rápido, sem ser afetados pelas flutuações e crises econômicas globais, e as finanças socialistas do nosso Estado, com base nisso, estão consolidando-se cada vez mais.

A poderosa economia nacional independente e a base sólida instituições financeiras estabelecidas em nosso país permitem a medidas transcendentais, para o bem-estar das pessoas, como reduzir significativamente o preço dos artigos industriais e eliminar totalmente os impostos, até mesmo realizar uma luta gigantesca pela grande construção socialista, atribuindo sem cessar uma grande força para os projetos de caráter social, cultural e reforçador, como uma parede de aço, o poder defensivo do país.

A eliminação completa do sistema tributário em nosso país é um brilhante triunfo da grande ideia Juche e mostra a incomparável superioridade do regime socialista e o poder da economia nacional independente, estabelecida em nosso país, de acordo com as exigências da nossa filosofia.

Graças à imortal ideia Juche e à sua brilhante vitória, nosso povo passou a ter uma vida ainda mais rica, sendo assim, mais independente e criativo, num paraíso socialista, livre de exploração, opressão e impostos.

A medida popular transcendental da abolição de todos impostos, adotados pelo nosso Partido e pelo Governo da República, exortaremos nossa classe trabalhadora e todos os trabalhadores para a gigantesca batalha da magna construção socialista destinada a executar antecipadamente a ótimo programa do Plano Sexenal e conquista uma cúpula maior nível de socialismo e estimulará e incentivará feitos heroicos.

A abolição total do sistema fiscal irá inspirar você que não vê esperança e fé na vitória para o povo da Coreia do Sul que, já perdeu as esperanças, vivendo em uma repressão fascista sem precedentes, é preciso lutar resolutamente para as liberdades democráticas e o direito à vida, bem como para a reunificação independente e pacífica da pátria.

Nos termos do artigo 33 da Constituição Socialista da República Popular Democrática da Coreia, a
Assembleia do Supremo Popular decide:

Revogar completamente o sistema fiscal, o vestígio do sociedade antiga;
Que o Conselho Administrativo da República Popular Democrática adote medidas de implementação desta Lei;
Que a presente lei entre em vigor a partir de 1 de abril de 1974.


por Kim Il Sung, sobre a lei adotada na terceira sessão
da V Assembleia Suprema do Povo da RPDC, em 21 de março de 1974