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quinta-feira, 14 de março de 2019

Jornalista estadunidense denuncia mentiras criadas pela imprensa para atacar a Venezuela






A manifestação pró-Maduro sugeriu que Guaidó falhou em ganhar apoio popular fora das classes ricas e de classe média alta

Diálogos do Sul
Eu estava sentado no meu apartamento em Caracas, na Venezuela, lendo a versão online da revista Time (19/05/2016), na qual havia uma reportagem sobre como mesmo algo tão básico quanto uma aspirina não poderia ser encontrado em lugar algum na Venezuela: “Medicamentos básicos como a aspirina não podem ser encontrados em lugar algum.”
Eu caminhei de meu apartamento à farmácia mais próxima, a quatro quadras de distância, onde eu encontrei um monte de aspirina, assim como acetaminofeno (Tylenol genérico) e ibuprofeno (Advil genérico), em uma farmácia bem abastecida e com funcionários bem instruídos que fariam inveja a qualquer drogaria dos EUA.
Alguns dias depois da história da Time, a CNBC (22/06/2016) publicou que não havia acetaminofeno em lugar algum, que “coisas básicas como Tylenol não estão sequer disponíveis.”. Isso deve ter pego a Pfizer Corporation de surpresa, já que era a sua subsidiária, Pfizer Venezuela SA, que produzia o acetaminofeno que eu comprei. (Nem o escritor da Time Ian Bremer nem o comentarista da CNBC Richard Washington estavam na Venezuela, e nenhuma evidência foi apresentada de que qualquer um deles já estivera lá.)
Eu comprei o três produtos, xarope para tosse e mais outros medicamentos, porque duvidava de que qualquer pessoa nos Estados Unidos acreditaria em mim se eu não pudesse apresentar os medicamentos em suas embalagens.

Opera
Foto: Alexcocopro

Inquebrantável soar de mentiras

De fato, eu pessoalmente não seria capaz de acreditar em ninguém que fizesse tais declarações sem que pudesse mostrar a prova delas, de tão intensa que tem sido a disseminação de mentiras. Quando a Orquestra da Juventude Venezuelana deu um concerto em Nova York no começo de 2016, antes de eu me mudar para Caracas, eu fui lá pensando, “nossa, eu espero que os membros da orquestra estejam todos bem vestidos e bem alimentados.”. Sim, é claro que eles estavam todos bem vestidos e bem alimentados!
Quando eu mencionei isso em uma palestra na Universidade de Vermont, um estudante me disse que ele teve a mesma sensação quando estava acompanhando o campeonato Pan Americano de futebol. Ele se perguntou se os jogadores venezuelanos teriam condições de jogar, por estarem tão enfraquecidos pela falta de comida. Na verdade, ele disse, o time venezuelano jogou muito bem, e foi muito mais longe na competição do que o esperado, já que a Venezuela é historicamente um país do baseball, ao contrário dos vizinhos obcecados por futebol Brasil e Colômbia.
Por mais difícil que seja para os leitores da mídia estadunidense acreditarem, a Venezuela é um país onde as pessoas fazem esportes, vão ao trabalho, vão a aulas, vão à praia, vão a restaurantes e assistem a concertos. Eles publicam e leem jornais de todas os espectros políticos, de direita, de centro-direita, de centro, de centro-esquerda e de esquerda. Eles produzem e assistem programas de televisão, em canais de TV que também são de todos os espectros políticos.
Apoiadores do presidente venezuelano Nicolás Maduro (Foto: Telesur)
CNN foi recentemente ridicularizada (Redacted Tonight, 01/02/2019) quando fez uma reportagem da Venezuela, “na utopia socialista que agora deixa praticamente todo estômago vazio”, seguida imediatamente de um corte para um protesto da oposição direitista em que todo mundo parecia muito bem alimentado.
Mas isso é certamente porque a maior parte dos oposicionistas protestando são da classe média alta, um telespectador pode pensar. Os proletários nas manifestações devem estar sofrendo de fome severa.
Não se consultarmos as fotos do massivo protesto governista em 2 de Fevereiro, em que as pessoas aparentavam estar muito bem. Isso apesar da extrema pressão econômica da administração Trump, reminescente da estratégia “faça a economia gritar” usada pelo governo Nixon contra o governo democraticamente eleito do presidente Salvador Allende no Chile, assim como contra muitos outros governos eleitos democraticamente.

Manifestações Rivais

Aquela manifestação mostrou apoio considerável ao governo do presidente Nicolás Maduro e rejeição generalizada à escolha de Donald Trump para presidente da Venezuela, Juan Guaidó. Guaidó, que se autoproclamou presidente do país e foi reconhecido minutos depois por Trump, ainda que uma enquete de opinião pública mostrasse que 81 por cento dos venezuelanos nunca havia ouvido falar dele, vem da facção de extrema direita da política venezuelana.
Últimas Notícias no Twitter (01/02/2019): “Capriles: Os Partidos Não Estavam Apoiando a Autoproclamação de Guaidó”
A manifestação pró-Maduro sugeriu, não surpreendentemente, que Guaidó falhou em ganhar apoio popular fora das classes ricas e de classe média alta. Mas Guaidó nem sequer ganhou apoio de muitos deles. No dia anterior às marchas rivais de 2 de fevereiro, Henrique Caprilles, o líder de uma ala menos extrema da direita, deu uma entrevista à AFP que apareceu em  Últimas Noticias (01/02/2019), o jornal mais amplamente lido. Nela, Caprilles disse que a maior parte da oposição não apoiou a autoproclamação de Guaidó a presidente. Isso pode explicar a participação extremamente fraca na manifestação de Guaidó, ocorrida num dos distritos mais ricos de Caracas, e obviamente ofuscada pela manifestação pró-governo, que ocorreu numa das principais avenidas.
New York Times não mostrou nenhuma foto da manifestação pró-governo, se limitando a alegar por “especialistas” não nomeados (02/02/2019) que a manifestação governista fora menor do que a oposicionista.
Os leitores podem olhar para as fotos das demonstrações rivais e julgar por si mesmos. Os dois grupos fizeram o seu melhor para atrair o seu público fiel, sabendo o quanto depende de uma demonstração de apoio popular. O jornal estridentemente direitista da oposição El Nacional (03/02/2019) continha uma foto do protesto de direita

Se essa foi a melhor foto que eles puderam encontrar, foi marcadamente inexpressiva comparada às fotos dos jornais de esquerda CCS (02/02/2019)….

…e Correo del Orinoco (03/02/2019), que estava um pouco feliz demais por publicar do evento pró-governo:

Improvavelmente humanitários

Uma gigantesca manifestação anti-governo deveria tornar possível um golpe de Estado, uma manobra que a CIA usou repetidamente – no Irã em 1953, na Guatemala em 1954, no Brasil em 1964 e muitos mais, direto a Honduras em 2009 e à Ucrânia em 2015. A participação na manifestação de Trump foi decepcionante, e o golpe de Estado nunca ocorreu. O resultado é que Trump expressou um interesse súbito em levar comida e remédio aos venezuelanos (FAIR.org 09/02/2019).
Trump, que deixou milhares morrerem em Porto Rico e pôs crianças pequenas em jaulas na fronteira mexicana, parece ser um campeão improvável da ajuda humanitária aos latino-americanos, mas a mídia corporativa fingiu acreditar de cara limpa nisso.
A maior parte suprimiu relatos de que a Cruz Vermelha e a ONU estão fornecendo ajuda à Venezuela em cooperação com o governo venezuelano, e protestaram contra o “auxílio” que é obviamente um estratagema militar e político.
A mídia corporativa continua a vender a linha Trump-campeão-humanitário, mesmo depois de ter sido revelado que um avião dos Estados Unidos foi pego contrabandeando armas para a Venezuela, e mesmo depois de Trump ter nomeado o criminoso do escândalo Irã/Contra, Elliott Abrams, para dirigir as operações venezuelanas. Abrams esteve à frente da Secretaria de Direitos Humanos do Departamento de Estado durante os anos 80, quando armas para os terroristas apoiados pelos Estados Unidos foram embarcadas em aviões estadunidenses sob o disfarce de auxílio “humanitário”.
CBC (15/02/2019) ao menos teve a honestidade de reconhecer que engolira uma mentira do secretário Mike Pompeo de que o governo havia bloqueado uma ponte entre a Colômbia e a Venezuela para interromper carregamentos de auxílio. A ponte recentemente construída ainda não havia sido ainda aberta: nunca havia sido liberada, aparentemente por conta das relações hostis entre os dois países, mas a não-abertura precede longamente os supostos envios de comida e remédio do governo estadunidense.
A absurdidade do auxílio de 20 milhões de dólares em comida e remédios para um país de 30 milhões de pessoas, quando as autoridades dos EUA roubaram U$30 bilhões em rendimentos do petróleo, e pegam 30 milhões de dólares diariamente, não precisa ser comentada.

Estado falido”

A campanha de desinformação e mentiras abertas sobre a Venezuela começou em 2016, pelo Financial Times. Ironicamente, ela escolheu o aniversário de 14 anos do golpe de Estado fracassado contra o presidente Hugo Chávez – 11 de abril de 2016 – para afirmar que a Venezuela estava em “caos” e “guerra civil”, e que a Venezuela era um “Estado falido”. Como foi com as reportagens da Time e da CNBC, o repórter do Financial Times não estava na Venezuela, e não há evidência de que ele jamais tenha estado.
Eu perguntei a amigos de direita na Venezuela se eles concordavam com as alegações da Financial Times. “Bem, não, é claro que não,” disse um, afirmando o óbvio. “Não há caos e não há guerra civil. Mas a Venezuela é um Estado falido, já que não é capaz de suprir todas as demandas médicas da população.” Por esse padrão, todos os países da América Latina são Estados falidos, e obviamente os Estados Unidos também.
Financial Times (11/4/2016) reportou que em 2016 a Venezuela era um “Estado falido”, “caos puro” e “algo semelhante a uma guerra civil acontecendo.” 
New York Times veiculou histórias (15/05/201601/10/2016) afirmando que condições em hospitais venezuelanos são horrendas. As reportagens enfureceram colombianos em Nova York que observaram que um paciente pode morrer na entrada de um hospital público colombiano se ele não tiver seguro. Na Venezuela, no entanto, os pacientes são tratados de graça.
Um colombiano residente em Nova York disse que a sua mãe havia retornado recentemente a Bogotá depois de muitos anos nos Estados Unidos, e não tivera tempo de obter seguro médico. Ela ficou doente, e foi a um hospital público. O hospital a deixou na sala de espera por horas, depois a mandou a um segundo hospital. O segundo hospital fez o mesmo, deixando-a esperando por quatro horas e depois mandando-lhe a um terceiro hospital. O terceiro hospital estava se preparando para mandar-lhe a um quarto hospital quando ela protestou dizendo que estava sangrando internamente e se sentindo muito fraca.
“Eu sinto muito, señora, se você não tem seguro médico, nenhum hospital público nesse país vai olhar para você”, disse a mulher à mesa. “Sua única esperança é ir a um hospital privado, mas esteja preparada para pagar uma grande quantia de dinheiro adiantada.” Por sorte, ela tinha um amigo rico. que a levou para um hospital privado, e pagou uma grande quantia de dinheiro adiantada.
Tais condições na Colômbia e em outros Estados neoliberais não são mencionadas na mídia corporativa dos Estados Unidos, que tem tratado o governo colombiano, um regime direitista com esquadrões da morte, como um aliado dos EUA (Extra!09/02).
Bom, ok, mas são os relatos das condições dos hospitais venezuelanos verdadeiros ou grosseiramente exagerados? “Eles são muitos melhores do que eram 10 anos atrás”, disse um amigo que trabalha num hospital de Caracas. De fato, ele disse que há 10 anos o hospital onde ele trabalha não existia, e novos hospitais estão sendo abertos agora. Um foi inaugurado recentemente na cidade de El Furrial, outro foi aberto em El Vigia, como reportado pelo jornal centrista Últimas Notícias (03/03/201727/04/2018). O governo também expandiu outros, como um centro para tratamento de queimaduras em Caracas e três blocos cirúrgicos no hospital em Villa Cura.
Enquanto isso, o governo está inaugurando uma nova ferrovia de alta velocidade, O Sonho de Hugo Chávez, em março (Correo del Orinoco, 06/02/19). Desde que a mídia dos EUA nunca permitiu reportar nenhuma das conquistas desde que Chávez tomou posse em 1999, mas somente alegações, exageros, ou como observado, falhas completamente inventadas, os leitores têm de consultar uma história alternativa. Aqui há uma oferecida por um venezuelano no Youtube (31/03/2011): “Por Culpa de Chávez”. Exibindo novos hospitais, linhas de trânsito, moradias, fábricas e muito mais construído pelo chavismo, o vídeo pode ajudar a entender porque o governo de Maduro continua a ter o apoio de tanta gente.

Guerra econômica

Isso não é para minimizar os problemas da Venezuela. O país foi atingido, como outros países produtores de petróleo e como nos anos 80 e 90, pelo colapsos dos preços do petróleo. Isso não foi o suficiente para derrubar o governo, então agora a administração Trump criou uma crise artificial ao usar guerra comercial extremapara privar o país de câmbio internacional necessário para importar os bens de primeira necessidade. As medidas de Trump parecem desenhadas para impedir qualquer recuperação econômica.
Como em qualquer país em guerra (e o governo Trump pôs a Venezuela debaixo de condições de tempo de guerra, e está ameaçando com uma invasão imediata), houve desabastecimentos, e produtos que podem ser encontrados principalmente no mercado negro. Isso não deve surpreender ninguém: Durante a Segunda Guerra Mundial nos EUA, uma cornucópia de país não seriamente ameaçado por invasão, houve um racionamento rigoroso de produtos como açúcar, café e borracha.
O governo venezuelano fez com que comida, remédio e fármacos estivessem disponíveis a preços extremamente baixos, mas a maior parte da mercadoria foi levada ao mercado negro, ou cruzou a fronteira em direção à Colômbia, privando venezuelanos de suprimentos e arruinando produtores colombianos. O governo recentemente abandonou alguns dos preços fortemente subsidiados, o que resultou em preços mais altos. Ao longo das últimas semanas, os preços têm descido na medida em que os suprimentos ficaram na Venezuela, especialmente porque o governo obteve maior controle sobre a fronteira com a Colômbia para prevenir o contrabando.
Nunca houve uma discussão séria a respeito de nada disso na mídia corporativa dos EUA, muito menos qualquer discussão acerca da campanha de mentiras ou acerca da guerra da administração de Trump. Não tem havido comparação com as condições das décadas de 80 e 90, nas quais o governo neoliberal venezuelano impôs as receitas econômicas do FMI, resultando em uma revolta popular; o sangrento Caracazo de 1989, quando a repressão indiscriminada do Estado tirou as vidas de centenas (de acordo com o governo da época) ou milhares (de acordo com críticos do então governo), e a lei marcial tirou a vida de muitos outros.
Esforços pela oposição direitista para provocar um levante semelhante, um outro Caracazo que poderia justificar uma “intervenção humanitária” estrangeira falharam repetidamente. Então a administração dos EUA e a mídia corporativa simplesmente recorreram às mentiras mais extremas sobre a América Latina desde as guerras da administração Reagan nos anos de 1980.

Fonte; Site Pátria Latina

domingo, 3 de fevereiro de 2019

RPDC chama a acelerar a construção da civilização socialista

"A construção da civilização socialista é um tarefa importante para formar todos os habitantes como protagonistas da construção socialista dotados de ricos conhecimentos e alto nível cultural e assegurar-lhes as condições e ambiente de vida acomodada e culta."

Adianta o diário Rodong Sinmun no editorial publicado este sábado e continua:
"Atualmente, quando a República Popular Democrática da Coreia ocupa a posição de potência política e militar, a civilização socialista se apresenta como uma tarefa apremiante ao igual que a construção econômica.
O atalho da construção da potência socialista está em abrir a era dourada em todos os aspectos da construção cultural como a educação, saúde pública, literatura e arte e esportes.
Hoje em dia, a RPDC ostenta sua dignidade de único país que resolveu o problema fundamental para a construção de um Estado próspero e independente.
A civilização socialista significa o desenvolvimento da RPDC e a vitalidade do socialismo.
Quando todas as  esferas de cultura desde os traços espirituais e morais das pessoas até suas vestimentas e culinária alcancem o nível desejado pelo partido, se centuplicarão o orgulho e dignidade do povo coreano de viver em sua grande pátria e será manifestada plenamente a superioridade e o poderio do socialismo ao estilo coreano.
Temos a nobre tradição e grandes potencialidades para acelerar a toda velocidade a construção da civilização socialista.
Devemos a por em pleno jogo para converter a pátria em um paraíso socialista invejado por todo o mundo."
Da KCNA Tradução de A Voz do Povo de 45

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Os comunistas e a pornografia

Publicado no Jornal A PÁTRIA


A pornografia é uma das indústrias mais prósperas da atualidade, com lucro anual que chega a cerca de R$ 100 bilhões. Dominando 30% de todo o tráfego na internet, a pornografia é bastante popular entre os jovens, sendo o Brasil um dos maiores consumidores desse ramo no mundo.
A maior empresa de pornografia do mundo se chama Mindgeek, com sede em Luxemburgo. Essa empresa, que possui o monopólio da pornografia, é dona de praticamente todos sites dessa área e já recebeu inclusive investimento de grandes instituições do ramo financeiro para a compra desses sites. O capital financeiro não investe em algo que não vai dar retorno. O sistema capitalista transforma tudo em mercadoria, tudo pode ser comprado e vendido, até a nossa sexualidade e nossas emoções. Ter poder econômico implica em poder ideológico e social. E a classe parasita da nossa sociedade, os ricos, não pensam duas vezes na hora de criar mecanismos para prejudicar os trabalhadores.
A pornografia causa dependência e, de acordo com alguns estudos, seu vício é parecido com o proporcionado por algumas substâncias químicas. A excitação no momento em que se assiste os vídeos ativa no cérebro uma área que “recompensa” o prazer, fazendo com que o usuário procure mais e mais vídeos, chegando num momento em que essas imagens não causam mais efeito, o que leva a procura de “novidades”, vídeos mais extremos, como cenas reais de estupro e até pedofilia. Além disso, a pornografia também está relacionada a disfunção erétil, depressão, ansiedade e outros problemas psicológicos. A lista de problemas causados pela pornografia é extensa.
Como toda grande indústria, ela está difundida em nossa sociedade, em nossa cultura, nossos hábitos e pensamentos. Podemos afirmar que a nossa cultura está completamente pornificada. Cenas de sexo explícito em novelas e filmes, músicas com conteúdo pornográfico, coreografias que simulam atos sexuais, propagandas com teor sexualizado, entre outros exemplos nos mostram como a indústria pornográfica se naturalizou em nossa vida. O que antes era considerado como pornô, hoje faz parte da cultura pop, enquanto que a pornografia atual se consolida explorando os limites da degradação e da violência.
Efeitos da pornografia para juventude
Tendo seu principal público os adolescentes do sexo masculino, eles crescem consumindo esse tipo de conteúdo e sua sexualidade acaba sendo formada por esses vídeos, criando uma geração de jovens sem noção de consentimento, de respeito aos limites de cada corpo, de sexo saudável e de empatia pelas mulheres.
A pornografia cria na cabeça desses jovens uma noção de sexo totalmente doentia, atrapalhando as relações entre os gêneros como um todo, afinal, para eles as mulheres não passam de objeto sexual. As meninas, apesar de consumirem menos, também são afetadas por isso. Elas crescem acreditando que o sexo serve para o prazer masculino e que o seu valor nessa sociedade se baseia no quão atraente sexualmente elas estão aos olhos dos homens.
Para Gail Dines, “A realidade é que as mulheres não precisam assistir pornografia para serem profundamente afetadas por ela, porque imagens, representações e mensagens de pornografia agora são entregues às mulheres via cultura pop. As mulheres de hoje ainda não são grandes consumidoras de pornografia hardcore; elas estão, no entanto, quer saibam quer não, internalizando a ideologia pornográfica, uma ideologia que muitas vezes se disfarça de conselho sobre como ser gostosa, rebelde e legal para atrair e segurar um homem. (…) Mas o que é diferente hoje não é apenas a hipersexualização da imagem, mas também o grau em que essas imagens se sobrepuseram e excluíram quaisquer imagens alternativas de ser mulher”.
Cresce nelas a frustração de não corresponder aos padrões de beleza impostos pela sociedade, a sensação de nunca serem suficientes para seus companheiros e as torna vítimas de diversas formas de assédio e agressões sexuais, situação comprovada por estudos que mostram uma relação entre consumo de pornografia e o aumento de casos de estupro.
A posição dos comunistas
A pornografia é indefensável. Ela está inserida dentro da crise sexual que vive a sociedade capitalista. Segundo Alexandra Kollontai, “Não é a primeira vez que a humanidade atravessa um período de aguda crise sexual. Não é a primeira vez que as aparentemente firmes e claras prescrições da moral cotidiana, no domínio da união sexual, são destruídas pelo afluxo de novos ideais sociais. A humanidade passou por uma época de crise sexual verdadeiramente aguda durante os períodos do Renascimento e da Reforma, no momento em que uma formidável modificação social relegava a segundo plano a aristocracia feudal, orgulhosa de sua nobreza, acostumada a dominar sem limitações, e em seu lugar emergia uma nova força social, a burguesia ascendente, que crescia e se desenvolvia cada vez mais, com maior impulso e poder”.
Ainda no mesmo texto, ela afirma que “a burguesia, com sua ideologia individualista, será substituída por outra classe, por um novo grupo social… essa classe ascendente vanguardista não pode deixar de conter no seu âmago embriões das novas relações entre os sexos estreitamente ligadas às suas tarefas sociais e de classe”.
A crise sexual que vivemos faz parte da crise do capitalismo como um todo. De um lado, a burguesia tenta salvar o seu modelo de família e de relações entre homens e mulheres (como, por exemplo, garantindo alguns direitos de propriedade aos casais homossexuais ao mesmo tempo que inflama a LGBTfobia no seio da classe trabalhadora) e do outro temos os trabalhadores, que enquanto classe revolucionária desenvolve em seu íntimo as novas formas de relações sociais que irão predominar na sociedade futura.
Utilizando ainda o exemplo do casamento, enquanto que para a burguesia é interessante que seja indissolúvel para garantir a segurança da propriedade privada, para a classe trabalhadora o ideal é que as uniões sejam livres e baseadas no amor e no companheirismo. De fato, entre a classe trabalhadora, os casamentos são informais e por mais que exista uma dependência financeira da mulher trabalhadora ao seu marido, dificilmente o relacionamento vai começar por motivação exclusivamente econômica.
A construção da sociedade socialista passa pela consolidação dessas novas formas de se relacionar, como disse Kollontai, “Entre as múltiplas ideias fundamentais que a classe trabalhadora deve levar em conta em sua luta para a conquista da sociedade futura, deve estar, necessariamente, o estabelecimento de relações sexuais mais sadias e que, portanto, tornem a humanidade mais feliz”.
A pornografia aparece como o instrumento ideal para mercantilizar nossa sexualidade, gerar lucro para os capitalistas e para embrutecer a classe trabalhadora. A visão de mundo dos ricos, que não tem empatia, compaixão ou qualquer sentimento humano pelo outro, coloca nessa indústria tudo aquilo que pensa sobre as mulheres, os negros, os LGBTs, enfim, o povo como um todo.
O machismo, enquanto estruturante da nossa sociedade, é uma das principais armas do capitalismo para desunir os trabalhadores e é por isso que são eles, os homens trabalhadores, os destinatários do bombardeio da pornografia em suas diversas formas de manifestação. A burguesia precisa educar os homens trabalhadores para serem agressores, para que controlem suas esposas, mantendo ambos distante de sua tarefa revolucionária. As músicas populares, por exemplo, nas últimas décadas foram reformuladas pelo gênero “ostentação” em que o seu conteúdo faz referências a atividades sexuais e ao consumismo exacerbado, e não é por acaso. Não há espaço vazio para a doutrinação ideológica da burguesia.
Há quem diga que a pornografia envolve apenas a imaginação e que é inofensiva ou que a pornificação da cultura seja exagero moralista, numa tentativa de dar uma desculpa a si mesmo pelo consumo, mas estamos tratando de um problema real que envolve tanto a saúde física e mental do nosso povo como também de uma ofensiva ideológica da burguesia contra a nossa classe.
A desumanização da mulher, a sua opressão existe porque a mulher tem uma exploração específica dentro da sociedade capitalista, que é o trabalho reprodutivo. Dentro desse trabalho reprodutivo está incluído também as relações sexuais, pois dar prazer ao homem é um dos comportamentos esperados das mulheres. Silvia Federici diz que “a principal razão pela qual não podemos desfrutar do sexo é que, para as mulheres, o sexo é trabalho; dar prazer faz parte do que se espera de toda mulher. Liberdade sexual não ajuda. Certamente é importante não ser apedrejada até a morte se formos ‘infiéis’ ou se descobrirem que não somos virgens. Mas liberdade sexual significa mais trabalho. No passado, esperavam que criássemos filhos. Agora esperam que façamos um trabalho assalariado, ainda limpemos a casa e tenhamos filhos e, no final de um dia de trabalho duplo, estaremos prontas para pular na cama e ser sexualmente atraentes”.
O capitalista vê as pessoas como coisas, vazias de sentimento, de humanidade. Ele, na posição de explorador, dá início a várias ofensivas ideológicas na tentativa de manter esse sistema de exploração e opressão em pé. E é por isso que a pornografia deve ser combatida dentro das fileiras comunistas.
Forjar a mulher e o homem novo
Para Che Guevara, ser comunista “Quer dizer: apresenta-se a todo jovem comunista a tarefa de ser essencialmente humano, ser tão humano que se aproxime ao melhor do humano, purificar o melhor do homem por meio do trabalho, do estudo, do exercício de solidariedade continuada com o povo e com todos os povos do mundo, desenvolver ao máximo a sensibilidade até se sentir angustiado quando um homem é assassinado em qualquer canto do mundo e para se sentir entusiasmado quando em algum canto do mundo se alça uma nova bandeira de liberdade”.
O consumo da pornografia afasta e insensibiliza o comunista de seus companheiros, especialmente de suas companheiras e atrapalha a formação da mulher e do homem novo numa moral proletária e revolucionária. Precisamos colocar a construção do comunismo em todas as esferas da nossa vida, como disse Krupskaya, “Devemos tentar ligar nossas vidas pessoais com a causa pela qual lutamos, com a causa da construção do comunismo”.
Para isto, temos que nos manter atentos e vigilantes as nossas ações, manter constante a luta política dentro de nós. A sexualidade, numa sociedade machista e patriarcal como a nossa, é uma ferramenta de opressão e nesse campo também devemos estar atentos. O camarada Lenin já falou que “Na vida sexual se manifesta não só aquilo que deriva da natureza, mas também o que nos dá a cultura, quer se trate de coisas elevadas ou inferiores”. Ele fala ainda que “O comunismo deve trazer não o ascetismo, mas a alegria de viver e o bem-estar físico, devidos também, à plenitude do amor. Penso que o excesso que se observa hoje, na vida sexual não produz nem a alegria de viver nem o bem-estar físico, mas, pelo contrário, os diminuem. Ora, em épocas revolucionárias isto, é mau, muito mau”.
Transformar uma sociedade não é uma tarefa fácil, mas a história nos mostra que não é impossível. Não temos nada a perder, mas a certeza da vitória só vem com dedicação. Construir uma nova vida para o nosso povo envolve observar no seio dessa nova sociedade os padrões de relacionamento que são típicos dos trabalhadores e os que são impostos pela burguesia para nos prejudicar. Os excessos na vida sexual, como o consumo de pornografia, se apresentam como uma das armas do capitalismo para embrutecer, neutralizar e adoecer a nossa juventude.
Ser contra a pornografia não é ser contra a liberdade sexual (que é assunto pra outro texto) ou de uma visão socialista “ultrapassada”, como bradam alguns revisionistas. Não se trata de conservadorismo, mas sim de agir com amor. É um sentimento de profundo respeito e amor ao próximo, ao povo e à humanidade que move um comunista e esse sentimento deve estar presente em todos os aspectos da nossa vida, inclusive o mais íntimo, o sexual. “Dominar-se, disciplinar os próprios atos não é escravidão, e é igualmente necessário no amor”.
Ana Carolina, militante da UJR
Fontes:
https://www.marxists.org/portugues/kollontai/1907/mes/fundamentos.htm
https://medium.com/feminismo-com-classe/sexualidade-como-trabalho-de-silvia-federici-c22d412252fe
https://medium.com/alexandra-kollontai/as-rela%C3%A7%C3%B5es-entre-os-sexos-e-a-luta-de-classes-eae03fddcfea
https://www.marxists.org/archive/krupskaya/works/ethics.htm
https://www.marxists.org/portugues/guevara/1962/10/jovem.htm
https://medium.com/anti-pornografia/o-pre%C3%A7o-da-pornografia-652bf7d0939b
https://www.marxists.org/portugues/zetkin/1920/mes/lenin.htm
https://medium.com/anti-pornografia/como-a-pornografia-cria-o-cliente-fe304a3610a8

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Xi e sua esposa reúnem-se com funcionário sênior da RPDC e assistem a performance de arte


2019-01-28 10:47:34丨portuguese.xinhuanet.com
CHINA-BEIJING-XI JINPING-DPRK-ART TROUPE (CN)

(Xinhua/Xie Huanchi)
Beijing, 28 jan (Xinhua) -- Xi Jinping, secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC) e presidente chinês, e sua esposa Peng Liyuan se reuniram neste domingo com Ri Su Yong, funcionário de alto escalão da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), e assistiram a uma performance de artistas da RPDC.
Ri, membro do Birô Político do Comitê Central do Partido de Trabalhadores da Coreia (PTC), vice-presidente do Comitê Central do PTC e diretor do departamento internacional do partido, está liderando uma trupe de arte para visitar a China.
Como uma importante atividade de intercâmbio cultural para implementar o consenso alcançado pelos dois lados e um evento significativo na celebração do 70º aniversário do estabelecimento do relacionamento diplomático China-RPDC, a visita será um grande sucesso para consolidar a amizade entre os dois povos, disse Xi.
Ri estendeu a Xi e sua esposa Peng Liyuan sinceras saudações e melhores votos de Kim Jong Un, presidente do PTC e presidente da Comissão dos Assuntos de Estado da RPDC, e sua esposa Ri Sol Ju.
Xi pediu que Ri transmita cordiais saudações e felicitações a Kim e sua esposa.
O presidente chinês lembrou que ele e Kim chegaram a um importante consenso sobre o desenvolvimento das relações China-RPDC em termos de partido e estado na nova era durante suas quatro reuniões desde 2018.
A China está pronta para trabalhar com a RPDC para implementar o importante consenso alcançado pelos dois lados, de modo a beneficiar melhor os dois povos e contribuir para a paz, a estabilidade, o desenvolvimento e a prosperidade do mundo, afirmou Xi.
Xi disse que o intercâmbio artístico e cultural é um componente importante, único e tradicional nos laços bilaterais. O líder chinês pediu esforços conjuntos na implementação do consenso sobre o fortalecimento de intercâmbios e cooperação em arte e cultura, a fim de consolidar a fundação de boa vontade do povo, transportar a amizade tradicional e promover o desenvolvimento das culturas socialistas respectivas.
Ri expressou sua gratidão a Xi e sua esposa por assistirem à performance.
A visita e a performance de arte representaram os sentimentos profundos de Kim em relação a Xi e a amizade profunda do povo da RPDC com os chineses, disse Ri.
O lado da RPDC implementará seriamente o importante consenso alcançado por Kim e Xi, intensificará a cooperação amistosa e contribuirá para escrever um novo capítulo na amizade RPDC-China, acrescentou ele.
A performance contou com músicas famosas e populares tanto da RPDC quanto da China.
A visita da trupe de arte da RPDC é a convite do Departamento Internacional do Comitê Central do PCC.