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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Comentário: Quatro lições que Washington precisa aprender com a guerra comercial com a China


portuguese.xinhuanet.com

Beijing, 1º set (Xinhua) - Estudantes de muitas partes do mundo estão voltando para a escola nessa época do ano para um novo semestre. Assim como eles, também é hora dos falcões do comércio em Washington começarem a aprender pelo menos quatro lições de sua guerra comercial fútil com a China.
A primeira lição é que a China é uma unha não dobrada diante da tática americana de pressão máxima.
No domingo, parte das novas tarifas adicionais impostas pelo governo dos EUA sobre 300 bilhões de dólares americanos em importações chinesas entrou em vigor, enquanto o restante entrará em vigor no dia 15 de dezembro.
No entanto, a crescente ofensiva comercial de Washington que busca extrair concessões irracionais de Beijing caiu. Além disso, a determinação da China de lutar contra o aquecimento econômico dos EUA só se fortaleceu e suas contramedidas mais resolutas, medidas e direcionadas. Um porta-voz do Ministério do Comércio da China disse na quinta-feira que Beijing ainda tem medidas suficientes à sua disposição.

A segunda coisa que os homens tarifários da Casa Branca devem aprender é que a economia chinesa é forte e resistente o suficiente para resistir à pressão provocada pela guerra comercial em andamento.

Alguns nos Estados Unidos tentaram recentemente levar as empresas americanas a encontrar "alternativas à China". No entanto, o fato é que o investimento dos EUA na China ainda está aumentando. No primeiro semestre deste ano, as empresas dos EUA investiram 6,8 bilhões de dólares na China, um aumento de 1,5 por cento em relação ao mesmo período dos dois anos anteriores, de acordo com os dados mais recentes da empresa de pesquisa econômica de Nova York, Rongding Consulting. Entre eles, a Tesla lançou sua "super fábrica" ​​global em Shanghai.

Uma das principais razões para isso é que a China possui o mercado consumidor mais populoso do mundo, com mais de 400 milhões de intermediários.

Como o único país do mundo com todas as categorias industriais da classificação industrial da ONU, a China é capaz de fornecer uma cadeia industrial completa e uma cadeia de suprimentos para empresas multinacionais e reduzir o custo das empresas. Esta é uma vantagem que nenhum outro país pode oferecer no futuro próximo.

No momento, o governo chinês está buscando aumentar a proteção dos direitos de propriedade intelectual, nivelar o campo de atuação dos investidores estrangeiros e expandir o acesso dos investidores aos mercados chineses. Acredita-se que essas novas medidas de reforma e abertura trarão mais oportunidades de negócios para empresas de todo o mundo.

O terceiro fato que os radicais comerciais de Washington precisam parar de negar é que sua guerra comercial está prejudicando o povo e as empresas americanas.

As tarifas mais recentes sobre as importações chinesas atingirão pela primeira vez produtos que antes não eram diretamente direcionados, e a disputa comercial e tarifária iniciada pelos EUA provavelmente aumentará diretamente os preços de muitos itens do orçamento doméstico, como têxteis e roupas, calçados, brinquedos e assim por diante.

Pesquisadores do JPMorgan estimaram recentemente que as famílias americanas enfrentarão cerca de 1.000 dólares em custos adicionais de todas as tarifas de produtos chineses anualmente após a entrada em vigor das novas taxas, acrescentando que esses custos podem chegar a 1.500 dólares por ano se Washington prosseguir com sua ameaça de continuar subindo as tarifas.

A guerra comercial em andamento com a China também está prejudicando os investimentos e a fabricação das empresas. O Departamento de Comércio dos EUA disse na quinta-feira que revisou o crescimento da economia dos EUA no segundo trimestre para 2 por cento, abaixo dos 2,1 por cento estimados no mês passado.

Por último, mas não menos importante, os Estados Unidos devem aprender a se comportar como uma potência global responsável e parar de agir como um "valentão da escola". Como a única superpotência do mundo, ela precisa assumir sua devida responsabilidade e se juntar a outros países para tornar este mundo um lugar melhor e mais próspero.

Somente então, os Estados Unidos poderão se tornar grandes novamente.

Bolsonaro ameaça demitir braço direito de Paulo Guedes



Carlos da Costa, braço direito de Paulo Guedes, é acusado pelo presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Luiz Augusto de Souza Ferreira (na foto) de ter feito alguns pedidos 'não republicanos'. 'Um dos dois perderá a cabeça', ameaçou Bolsonaro
Afirmou nesta segunda-feira que pediu para o ministro da Economia, Paulo Guedes , apurar o relato do presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI ), Luiz Augusto de Souza Ferreira (na foto), que disse em entrevista à revista "Veja" ter recebido pedidos "não republicanos" do secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa.
 De acordo com Bolsonaro, os dois podem ser demitidos. A informação é do jornal O Globo.

— Eu tomei conhecimento. Estou louco para saber. Entrei em contato com o Paulo Guedes, para saber que pedido é esse. Um dos dois, no mínimo, vai perder a cabeça. Porque não pode ter uma acusação dessas. Daí vão dizer que ele ficou lá porque tem uma bomba embaixo do braço. Não é esse o meu governo. Já pedi para apurar.

Um dos dois, ou os dois perderão a cabeça — disse Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada em entrevista à "Veja", Ferreira afirma que Carlos da Costa quer demiti-lo porque ele não atendeu aos "aos pedidos não republicanos" feitos pelo secretário.

A reportagem também informa que o presidente da ABDI, que é vinculada ao Ministério da Economia, diz que tem provas para apresentar. Ele ainda disse que está seguindo a "determinação do presidente Bolsonaro de não atender vagabundo na administração pública".

Brasil247.com

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Onyx diz que governo vai rejeitar ajuda financeira do G7 para combater queimadas

"Agradecemos, mas talvez esses recursos sejam mais relevantes para reflorestar a Europa", disse o ministro Onyx Lorenzoni, que seguiu o roteiro de ataque camuflado de suposta 'defesa da soberania', enquanto a floresta brasileira arde em chamas, com mais de 26 mil focos de incêndios


PSL desautoriza Onyx e expõe racha na articulação política do governo (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - Em meio a uma das maiores queimadas já enfrentadas pelo país, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que o governo rejeitará a ajuda do G7 para combater as queimadas na Amazônia, anunciada nesta segunda-feira (26) pelo presidente da França, Emmanuel Macron.
"Agradecemos, mas talvez esses recursos sejam mais relevantes para reflorestar a Europa", disse o ministro, que seguiu o roteiro de ataque camuflado de suposta 'defesa da soberania', enquanto a floresta brasileira arde em chamas, com mais de 26 mil focos de incêndios.
"O Macron não consegue sequer evitar um previsível incêndio em uma igreja que é um patrimônio da humanidade e quer ensinar o quê para nosso país? Ele tem muito o que cuidar em casa e nas colônias francesas", disse Onyx, ao blog do colunista Gerson Camarotti, do G1.
Apesar dos fatos apontarem negligência do governo Bolsonaro em conter a ação criminosa de fazendeiros e grileiros, inclusive apontada por documentos que mostram que os pedidos de ajuda de órgão como Ibama e Ministério Público Federal foram ignorados pelas Forças de Segurança Nacional, o ministro  Onyx disse que o Brasil pode ensinar "a qualquer nação" como proteger matas nativas.
"Aliás, não existe nenhum país que tenha uma cobertura nativa maior que o nosso", bravateou. "O Brasil é uma nação democrática, livre e nunca teve práticas colonialistas e imperialistas como talvez seja o objetivo do francês Macron. Aliás, coincidentemente com altas taxas internas de rejeição", acrescentou.

Fonte: Brasil247

terça-feira, 13 de agosto de 2019

ANARQUISMO


Doutrina e movimento que rejeitam o princípio da autoridade política e sustentam que a ordem social é possível e desejável sem essa autoridade. O principal vetor negativo do anarquismo dirige-se contra os elementos essenciais que constituem o ESTADO moderno: sua territorialidade e a consequente noção de fronteiras; sua soberania, que implica jurisdição exclusiva sobre todas as pessoas e propriedades dentro de suas fronteiras; seu monopólio dos principais meios de coerção física, com o qual busca manter essa soberania tanto interna como externamente; seu sistema de direito positivo que pretende sobrepor-se a todas as outras leis e costumes, e a ideia de que a nação é a comunidade política mais importante. O vetar positivo do anarquismo volta-se para a defesa da “sociedade natural”, isto é, de uma sociedade autorregulada de indivíduos e de grupos livremente formados. Embora o anarquismo se baseie em fundamentos intelectuais liberais, entre os quais, notadamente, a distinção entre Estado e sociedade, o caráter multiforme da doutrina torna difícil distinguir com clareza diferentes escolas de pensamento anarquista. Mas uma distinção importante é a que se estabelece entre o anarquismo individualista e o anarquismo socialista. O primeiro enfatiza a liberdade individual, a soberania do indivíduo, a importância da propriedade ou da posse privada e a iniquidade de todos os monopólios: pode ser considerado um liberalismo levado às suas consequências extremas. O “anarcocapitalismo” é uma variação contemporânea dessa escola (ver Pennock e Chapman, 1978, caps.12-14). O anarquismo socialista, ao contrário, rejeita a propriedade privada juntamente com o Estado, como a principal fonte da desigualdade social. Insistindo na igualdade social como a condição necessária para a máxima liberdade individual de todos, o ideal do anarquismo socialista pode ser caracterizado como a “individualidade na comunidade”. Ele representa uma fusão do liberalismo com o socialismo: socialismo libertário. A primeira exposição sistemática de ideias anarquistas foi feita por William Godwin (1756- 1836), e algumas de suas concepções podem ter influenciado os socialistas cooperativistas inspirados por Owen. Mas o anarquismo clássico, como parte integrante, embora contenciosa, do movimento socialista mais amplo, foi inspirado originalmente pelas ideias mutualistas e federalistas de PROUDHON. Proudhon formulou uma abordagem essencialmente cooperativista do socialismo, mas insistia em que o poder do capital e o poder do Estado eram sinônimos e portanto o proletariado não poderia vir a emancipar-se por meio do uso do poder de Estado. Estas últimas ideias foram vigorosamente divulgadas por BAKUNIN, sob cuja liderança o anarquismo se desenvolveu em fins da década de 1860 como sério rival do socialismo marxista no plano internacional. Ao contrário de Proudhon, Bakunin defendia a expropriação violenta e revolucionária da propriedade capitalista e da propriedade fundiária, o que levaria a alguma modalidade de coletivismo. O sucessor de Bakunin, o príncipe russo Piotr Alekseievitch Kropotkin (1842-1921), ressaltou a importância da ajuda mútua como fator da evolução social e foi um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da teoria do comunismo anarquista, de acordo com a qual “tudo pertence a todos” e a distribuição baseia-se exclusivamente nas necessidades. Em seu ensaio L’État, son rôle historique, publicado em francês em 1906, Kropotkin realizou uma análise penetrante da bête-noire dos anarquistas. A estratégia de Bakunin previa levantes espontâneos das classes oprimidas, tanto de camponeses como de trabalhadores industriais, em insurreições generalizadas no curso das quais o Estado seria abolido e substituído por comunas autônomas, ligadas federalmente em níveis regional, nacional e internacional. A COMUNA DE PARIS de 1871 – saudada por Bakunin como “uma negação ousada e franca do Estado” – aproximou-se desse modelo anarquista de revolução. No período subsequente ao seu esmagamento – que, segundo Engels, seria devido à falta de centralização e de autoridade e à sua dificuldade em valer-se com o desembaraço necessário de sua autoridade coercitiva –, cresceu a tendência para o socialismo com Estado, tanto do tipo marxista como do tipo reformista. Alguns anarquistas adotaram então a tática da “propaganda pelo ato” – atos de assassinato de grandes figuras políticas e de terrorismo contra a burguesia – com o objetivo de estimular insurreições populares. A consequente repressão ao movimento levou outros anarquistas a desenvolverem uma estratégia alternativa, ligada ao SINDICALISMO. O objetivo era transformar os sindicatos em instrumentos revolucionários do proletariado em sua luta contra a burguesia, e fazer deles, e não das comunas, as unidades de base de uma ordem socialista. Pretendia-se que a revolução viesse a tomar a forma de uma Greve Geral, durante a qual os trabalhadores assumiriam o controle dos meios de produção, da distribuição e da troca e aboliriam o Estado. Foi através do sindicalismo que o anarquismo exerceu, no período entre 1895 e 1920, a sua maior influência sobre os movimentos, trabalhista e socialista. Essa influência durou mais tempo na Espanha onde, durante a Guerra Civil (1936-1939), os anarcossindicalistas tentaram colocar em prática sua concepção da revolução. Desde o declínio do sindicalismo, o anarquismo teve uma influência apenas limitada sobre os movimentos socialistas, mas houve um renascimento notável das ideias e tendências anarquistas (nem sempre reconhecidas como tal) nos movimentos da Nova Esquerda na década de 1960. Atualmente, o anarcopacifismo, influenciado por uma tradição de anarquismo cristão, embora inspirado sobretudo pelas técnicas de ação direta não violenta popularizadas por M.K. Gandhi (1869-1948), é uma tendência significativa dos movimentos pela paz do Ocidente. Tanto o anarquismo individualista como o anarquismo socialista, expressos por Max Stirner (1805-1856), Proudhon e Bakunin, foram considerados suficientemente importantes para merecerem críticas detalhadas de Marx e Engels (ver Thomas, 1980), que, de um modo geral, concebiam o anarquismo como um fenômeno pequeno-burguês, ao qual aliava-se, no caso de Bakunin, o aventureirismo demagógico característico dos intelectuais déclassés e do LUMPEMPROLETARIADO. Enquanto tendência “sectária” obsoleta no interior do movimento socialista, o anarquismo refletia o protesto e o inconformismo da pequena burguesia contra o desenvolvimento do capitalismo em grande escala e o Estado centralizador que salvaguarda os interesses da burguesia. Esse protesto tomava a forma de negação, não de um qualquer Estado real, verdadeiramente existente, mas de “um Estado abstrato, o Estado enquanto tal, um estado que não existe em parte alguma” como escreveu Marx em A Aliança da Democracia Social e a Associação Internacional dos Trabalhadores (1873, seção II). E, o que é mais importante, o anarquismo negava o que havia de mais essencial, segundo a concepção de Marx e Engels, na luta pela emancipação da classe operária: a ação política de um partido independente da classe operária voltado para a conquista, e não para a destruição imediata, do poder de Estado. “Para os comunistas, escreveu Engels, a abolição do Estado só faz sentido enquanto resultado necessário da abolição das classes, pois, com o desaparecimento dessas, a necessidade do poder organizado de uma classe para subjugar as outras automaticamente desaparece também” (Marx, Engels, Lênin, 1972, p.27). O anarquismo sobreviveu a tais críticas e continua sendo uma importante fonte para a crítica da teoria e da prática marxistas. A opinião bastante generalizada de que os comunistas marxistas e os anarquistas concordam quanto ao fim (uma sociedade sem classes e sem Estado), mas divergem sobre os meios para alcançar esse fim, parece infundada. De nível mais profundo, a discordância versa sobre a natureza do Estado, sobre sua relação com a sociedade e com o capital, e sobre como a política, enquanto uma forma de alienação, pode ser transcendida.

GO Bibliografia: Ansart, Pierre, Marx et l’anorchisme, 1969 • Apter, David & James Joll (orgs.), Anarchism Today , 1971 • Guérin, Daniel, L’anarchisme, 1965; Anarchism, 1970 [O anarquismo: da doutrina à ação, 1968] • Kropotkin, P.A., Selected Writings an Anachism and Revolution, 1970 • Marx, Engels & Lenin, Anarchism and Anarcho-Syndicalism, 1972 • Nattaf, A., La révolution anarchiste, 1968 • Pennock, J.R. & J.W. Chapman (orgs.), Anarchism, 1978 • Tarizzo, D., L’anarchie, 1979 • Ternon, Y., Makhno, La révolte anarchiste, 1981 • Thomas, Paul, Karl Marx and the Anarchists, 1980 • Woodcock, George, Anarchism, 1963.