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terça-feira, 27 de agosto de 2013

A irresponsabilidade criminosa da política externa ocidental



Mal um dia tinha passado desde um aparente ataque com armas químicas na zona rural de Damasco e lá está o Ministro de Relações Externas britânico, William Hague, fazendo insinuações praticamente culpando o governo sírio, chegando a conclusões antecipadas como ele e seus parceiros fizeram na Líbia. Isso poderia ser rotulado de irresponsabilidade criminosa.

Já um indiciamento foi feito acusando William Hague e a liderança política dos países da OTAN de crimes de guerra na Líbia (*, em inglês); acrescentado a isso é a violação do direito internacional na Síria, financiamento, auxilio e apoio a grupos terroristas para desestabilizar o governo legítimo do país. Assim, após o histórico recente da OTAN, liderada pelo Eixo FUKUS (France-UK-US, ou França, Reino Unido e os EUA), depois das suas campanhas de mentiras, enganos, arrogância, intimidação, chantagem e chauvinismo, que são as palavras-chave da política externa da OTAN, e sempre foram, quem pode acreditar em uma palavra que eles dizem?

Lembram-se das armas de destruição maciça de Saddam Hussein? Lembram-se das "provas", produzidas pelos serviços de inteligência britânicos, que acabaram por ser uma tese de doutorado escrita uma década antes, copiada e colada da Internet, "melhorada" pelo regime de Blair e utilizado pelo regime de Bush na sua campanha de mentiras na ONU?

Lembram-se do urânio yellowcake que o governo iraquiano estava a procurar na "Nigéria" (excepto que o país que o vende é Níger, e Iraque não procurava coisa alguma)? Lembram-se da "ameaça imediata" representada pelo Iraque e as suas Armas de Destruição Maciça (que não tinha) justificando a cruzada ocidental contra esse país rico em petróleo e estrategicamente importante do Médio Oriente?

Então, agora, quando William Hague se dedica mais uma vez a uma campanha de demonologia que poderia ser considerado irresponsabilidade criminosa, insinuando que o governo do presidente Assad foi responsável por um ataque com armas químicas na zona rural de Damasco, quando ainda não há um pingo de provas, e quando por outro lado o dedo se aponta à "oposição" – terroristas que ele e sua Foreign and Commonwealth Office apoia, quem vai prestar atenção a aquilo que Hague e ou seus homólogos franceses dizem?
Afinal, eles estão apenas fazendo o trabalho de seu mestre no outro lado do Atlântico, esperando pacientemente com as suas tropas já na Jordânia enquanto o bichon da França e o caniche-chefe Grã-Bretanha preparam a opinião pública com mentiras.

Isso não é uma política externa responsável, é a pior forma de manipulação, sinistra, da verdade, tentando criar uma causus belli onde não existe. As declarações de William Hague devem ser examinadas por aqueles que têm o poder de fazer cumprir o direito internacional e, no mínimo, a sua incompetência absoluta para manter o seu cargo deve ser revelado. Suas observações quando não existem provas sobre quem lançou o ataque com armas químicas, afirmando que atacar isso deve abrir os olhos de algumas pessoas que não entendem a crueldade do governo de Assad, é uma tentativa muito pueril de repartir a culpa antes do curso do devido processo legal.
Ao fazer tal afirmação, William Hague está colocando-se contra qualquer forma de investigação legal ou qualquer processo de exame das provas, avaliação e julgamento antes de disparar, ou disparatar.

Na verdade, William Hague representa a caça à bruxa do passado Medieval, em que as mulheres foram sumariamente acusadas em público "Ela é uma bruxa!". Em seguida, foram colocadas em uma cadeira de bruxa e mergulhadas em um rio por cinco minutos. Se ela morreu, ela era uma bruxa, se ela sobrevivesse, ela era inocente. William Hague não é, portanto, competente para representar a política externa britânica, que é suposta ser baseada na ética e do Estado de Direito.
Qualquer ser humano inteligente, e Hague, não é, aparentemente, nem uma coisa nem outra, colocaria a questão que possível vantagem o Governo do Presidente Assad teria em dispor de armas químicas em uma área onde suas forças estão ganhando, na véspera da equipe de inspeção da ONU começar seu trabalho. Qualquer análise inteligente da situação iria questionar que vantagem seria adquirida para o Governo em gaseamento de crianças e civis.

Qualquer avaliação inteligente iria questionar por que os chamados vídeos contundentes apareceram no You Tube datada de 20 de agosto, quando os ataques teriam ocorrido em 21 de agosto. Qualquer exame equilibrado de todo o assunto teria levado em conta as declarações da própria ONU em maio que a "oposição" era de fato responsável por anteriores ataques de armas químicas, inclusive com gás sarin. Nenhuma vantagem para o Governo, de todas as vantagens para a "oposição".

Quem sabe o que passa se lembraria dos laboratórios da oposição descobertos no ano passado, nos quais os terroristas estavam a torturar coelhos vivos com agentes nervosos e quem sabe o que está a acontecer no terreno está bem ciente de que os grupos terroristas e seu mercenários albaneses/al-Qaeda/afegãos/líbios estão perdendo em todas as áreas de batalha e que já usaram armas químicas tentando colocar a culpa no governo.

E lá está William Hague dizendo que aqueles que apoiam do governo da Síria devem ver a sua "natureza assassina". Por isso, vamos pedir a William Hague para fazer uma declaração, agora, sobre o uso anterior de armas químicas pelas suas forças da "oposição", confirmados pela ONU em maio.

Mas não, ele vai permanecer em silêncio e vai continuar a comportar-se como um lacaio dos EUA, semeando interferência, ingerência, arrogância, representando uma política desactualizada, manipuladora, insolente e totalmente errada. Pode não haver ningu~em neste mundo agora que os julgue mas a posteridade escreverá seu epitáfio.

(*) Http://english.pravda.ru/opinion/columnists/06-11-2011/119534-indictment_nato-0/

Timothy Bancroft-Hinchey
Pravda.Ru

SÍRIA: A RÚSSIA TEM PROVAS DE QUE OS 'REBELDES' FIZERAM 'AQUILO'

De PÁTRIA LATINA


Khalil Harb, do jornal As-Safir, acaba de confirmar há alguns minutos, para o jornalista Claudio Gallo, meu grande amigo, o que foi publicado há dois dias, em árabe, citando uma fonte russa.

Segundo a fonte, o embaixador da Rússia no Conselho de Segurança da ONU, Vitaly Churkin, já apresentou provas conclusivas (documentos e imagens de satélites russos) de dois foguetes carregados com produtos químicos, disparados de Douma, área ocupada pelos ‘rebeldes’ sírios, que explodiram em East Ghouta. Morreram ‘rebeldes’, além de civis – inclusive aquelas crianças que aparecem nas capas dos jornais e revistas da imprensa-empresa ocidental. A prova é conclusiva, diz a fonte russa. O próprio Lavrov, ontem, já dera indicações de que havia algo importante. Por isso, precisamente, não há resolução do Conselho de Segurança da ONU contra a Síria. E por isso, precisamente, Washington não quer que os inspetores descubram coisa alguma.

E isso, precisamente, foi o que
Paul Craig Robertsescreveu em sua coluna, nesta segunda. Acertou, na mosca.

Paul Craig Roberts parece doido, mas não é doido.
Afinal, nunca passou de liberal. Mas é liberal do tipo que despreza a imprensa-empresa (chama-a de 'presstitute', onde "press" é "imprensa" em ing., e o resto traduz-se facilmente) e que se sente sinceramente indignado com o que vê acontecer no mundo -- sem tomar conhecimento do que a imprensa-empresa tente inventar.

E se há coisa que não existe no Brasil é a indignação REAL de liberais REAIS: no Brasil, os liberais são "de segunda mão" (grande Roberto Schwarz!) e a respectiva ‘indignação ética’, idem. No Brasil, o que mais tem é ‘ético’ fascista metido a liberal, como D. Eliane ‘Navio Negreiro’ Cantanhede, e só esses têm voz nos veículos da imprensa-empresa local.

Então, PCR assusta os habituados à escrita 'jornalística' que se faz de 'isenta'. Mas ele é, sim, é muuuuuuuuuuuuuuuito bem informado (por isso o acompanhamos e traduzimos seguidamente).


Ontem, (segunda 26) PCR escreveu -- e traduzimos -- que os EUA temem que os inspetores da ONU descubram as pegadas dos EUA e seus aliados no ataque com armas químicas, na Síria. Parece coisa de doido (ou de esquerdista-doente-infantil). Afinal, os EUA & aliados nuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuunca fariam tal coisa -- como reza a ‘ciência’ de panacas como William Waack e Demétrio Magnoli.

Hoje, pelo Facebook, Pepe Escobar distribuiu a seguinte msg (https://www.facebook.com/pepe.escobar.77377?hc_location=stream).
Traduzido por Vila Vudu

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Álvaro Cunhal, os intelectuais, a cultura e o Partido*

Enviado por Miguel Goçalves Trujillo Filho
Filipe Diniz

“A adesão de intelectuais, de estudantes, de pessoas de origem social não proletária às ideias do socialismo e do comunismo tem antes de tudo de significar o reconhecimento do papel da classe operária e das massas trabalhadoras na revolução. Esse é o primeiro indício seguro da perda de preconceitos e ideias de superioridade de classe e da sua identificação com a causa dos trabalhadores”


Em 1938 Álvaro Cunhal escreve duas cartas a Abel Salazar. A primeira, escreve-a sob a impressão que lhe suscitara a visita a uma exposição da sua pintura, e ao contraste que identifica entre a forma como nela são representadas mulheres trabalhadoras e mulheres burguesas. A segunda, argumentando sobretudo em relação à afirmação de Abel Salazar (na resposta à primeira carta) de que “não tem classe”.
Abel Salazar tem então 49 anos. Médico, cientista e intelectual consagrado, é também um pintor de grande talento. Álvaro Cunhal é um jovem revolucionário de 25 anos, que conheceu já a experiência da vida clandestina, da prisão e da tortura. Que viveu pessoalmente o início da Guerra Civil em Espanha. Que assumia já elevadas responsabilidades de direcção na FJCP e no Partido, então atravessando uma grave crise.
É uma troca de correspondência cordial. Abel Salazar responde ao tratamento de “sr. Dr.” que Álvaro Cunhal utiliza na primeira carta sugerindo o de “camarada” e, correspondendo ao pedido deste de que lhe ofereça uma obra (Álvaro Cunhal lamenta “não poder comprar” uma) propõe-lhe que escolha a que quiser.
Que pretende Álvaro Cunhal com essas cartas? Pretende afirmar a necessidade de um compromisso de classe: “quem não tenha classe não pode compreender a luta de classes”(1), nem está em condições de definir “com exactidão” (seja através da pintura ou por qualquer outro meio) “os símbolos das classes antagónicas”. Abel Salazar “ama uma classe” (a classe trabalhadora), falta-lhe integrar-se nela.
Atrair os intelectuais à luta democrática e revolucionária
Nessa curta troca de correspondência está em germe uma linha de pensamento e de acção no que diz respeito aos intelectuais que Álvaro Cunhal manterá ao longo de toda a vida. Por um lado, no esforço para atrair intelectuais à luta democrática e antifascista, no combate à posição dos que se colocam “acima” ou à margem, imparcialmente, perante “a dor dos homens”. Ou que – e em relação a esses a crítica é duríssima – contrapõem à tragédia do ascenso do fascismo e do nazismo, à tragédia da exploração, da repressão, da pobreza e da guerra as suas “cogitações e problemas íntimos”. Por outro lado, a progressiva incorporação na avaliação do Partido e na sua orientação geral das questões da cultura artística e científica, da liberdade de criação e de investigação, da liberdade de ensinar e de aprender, do combate contra o obscurantismo como componente destacada do combate antifascista e, após o VI Congresso, como importante elemento integrante da Revolução Democrática e Nacional.
No final da década de 30, Álvaro Cunhal atribui aos escritores uma responsabilidade particular entre os intelectuais, antecipando o que em documentos mais recentes do Partido é formulado como “um papel particular na formulação e na intermediação da opinião”: “os escritores são, de todos os artistas, os que têm uma mais activa intervenção na formação dos pareceres alheios. Os escritores influenciam assim o caminho do mundo”(2). E, nesses termos, critica vigorosamente os que “fazem a pregação de uma arte alheia à vida”, e sublinha que os que assumem tal atitude a realizam mais na sua vida do que na sua arte porque, admita-o ou não o autor, “toda a arte exprime uma posição política e social”. Saúda os que tomam como objecto da criatividade não o seu eu, mas antes “a vida, os problemas, o sentir, as aspirações das classes trabalhadoras e do povo em geral” (3). Desenvolve ao longo da vida, de forma particularmente densa (e com uma profunda e invulgar compreensão da relação dialéctica entre o compromisso do artista, os meios estéticos e artísticos a que recorre, o quadro histórico em que se insere (4)) esta linha de pensamento, essa viva atenção em relação aos intelectuais e artistas, esse lúcido entendimento de quanto é estrategicamente fundamental para o proletariado a construção de uma aliança com essa complexa camada social.
A integração de intelectuais no Partido, reflexo e condição da aliança dos intelectuais com o proletariado
É interessante acompanhar através dos textos especificamente políticos de Álvaro Cunhal a evolução desse processo, nomeadamente segundo um aspecto central - que constitui ao mesmo tempo reflexo e condição para a construção de tal aliança -: o da integração de intelectuais no Partido. E é tanto mais interessante quanto a trajectória pessoal de Álvaro Cunhal (que é, em si mesma, o mais notável exemplo dessa integração) apenas numa circunstância – a da sua defesa perante o tribunal fascista em 2 de Maio de 1950 – é marginalmente invocada. Na carta para a organização comunista prisional do Tarrafal (Novembro de 1944) diz, dos quadros de direcção saídos da reorganização: “a maioria esmagadora são quadros operários […]. Há também camaradas vindos do campo intelectual (a alguns têm sido sobretudo atribuídas, até agora com pleno sucesso, tarefas de carácter técnico)”(5). “Filho adoptivo do proletariado”, não é como intelectual que se situa no Partido, mas como revolucionário profissional, como quadro leninista que, fazendo seus “a vida, os problemas, o sentir, as aspirações das classes trabalhadoras e do povo em geral”, organiza e dirige a acção e a luta em sua defesa(6). E, de algum modo, quaisquer que sejam as tarefas que assumam, é segundo esses termos que a integração de intelectuais no Partido se formula. “A adesão de intelectuais, de estudantes, de pessoas de origem social não proletária às ideias do socialismo e do comunismo tem antes de tudo de significar o reconhecimento do papel da classe operária e das massas trabalhadoras na revolução. Esse é o primeiro indício seguro da perda de preconceitos e ideias de superioridade de classe e da sua identificação com a causa dos trabalhadores”(7).
A partir dos anos 40, mas acentuando-se em finais da década de 50 e ao longo da de 60, ampliam-se as referências à acção progressista dos intelectuais, à perseguição que o regime fascista exerce sobre “alguns dos melhores valores da ciência e da arte”. O combate contra atitudes de alheamento e isolamento de intelectuais dá lugar a uma afirmação positiva da crescente integração de intelectuais na oposição democrática, no combate antifascista, na defesa da paz, na resistência clandestina. “Tudo quanto há de melhor na ciência, na literatura, na arte, nas profissões liberais, está pela democracia, a paz, o progresso social”(8). “Os intelectuais […] participando activamente nas batalhas políticas, lutando pela melhoria da sua situação económica […] alinham com o povo e constituem uma força revolucionária de primeiro plano”(9), afirmação que merece o sublinhado de o PCP incluir já então a dimensão económica na luta dos intelectuais, identificando precoce e justamente a tendência para a perda da condição de elite de importantes sectores desta camada.
Álvaro Cunhal aponta com precisão um aspecto essencial da acção dos intelectuais que permanece inteiramente válido: “as realizações culturais, o trabalho literário, artístico e científico são formas fundamentais da [sua] luta”(10). Se se verifica entre os intelectuais “um movimento tão amplo que, por muito surpreendente que pareça sob uma ditadura fascista, as ideias da democracia e do progresso dominam o panorama intelectual português”(11), tal situação resulta, em boa parte, da contraposição da actividade dos intelectuais nas suas esferas próprias à mediocridade e ao obscurantismo fascista. Então contra o fascismo, hoje contra a política de direita, a acção de cada intelectual na sua esfera própria de especialidade, a reivindicação dos intelectuais do direito ao livre exercício das suas competências, capacidade e criatividade próprias constituem eixos fundamentais de combate. A luta no plano da cultura, entendida na sua concepção mais ampla, foi, é, e continuará a ser uma frente de combate de primeiro plano. E se nela cabe uma especial responsabilidade aos artistas, aos cientistas, aos intelectuais em geral, é o Partido, no seu conjunto, quem deve assumir a sua organização, dinamização e desenvolvimento.
O processo da Revolução de Abril constituiu, no seu ímpeto criador e depois no longo período de defesa, resistência e refluxo, a clara confirmação da forte interdependência dos 8 pontos ou objectivos para a revolução democrática e nacional que o Programa aprovado no VI Congresso formulara, entre os quais se incluía a democratização de instrução e da cultura (5º ponto). Interdependência a que o actual Programa dá seguimento, afirmando o carácter indissociável das quatro componentes da democracia: política, económica, social e cultural. Na intervenção proferida na I Assembleia de Artes e Letras da ORL, em 1978, Álvaro Cunhal formula a luta em defesa da cultura segundo uma ampla perspectiva política. Já num quadro de forte ofensiva de recuperação capitalista, agrária e imperialista conduzida pelo governo PS/CDS, sublinha: “Quem restringe os bens materiais ao povo, restringe-lhe também os bens espirituais”(12) e, assim, “a frente de uma luta cultural integra-se na frente contínua de luta pela consolidação da democracia consagrada na Constituição”, é inseparável da luta pela consolidação das liberdades e das outras conquistas da Revolução, da luta em defesa de uma verdadeira independência nacional, da luta pela paz e pelo socialismo.
O Portugal de hoje, o Portugal das troikas (nacional e estrangeira), possui um panorama cultural em aspectos importantes diferente do de 1978. Mas em nenhum traço essencial perdeu validade a afirmação de Álvaro Cunhal então feita: “Os comunistas defendem a cultura e a arte com a mesma firmeza, a mesma convicção, a mesma paixão com que defendem as liberdades […] e as outras grandes realizações e conquistas da Revolução portuguesa.
Assim dão a sua contribuição […] para a construção da sociedade democrática e para que, conforme com a Constituição da República, a democracia portuguesa siga o rumo ao socialismo(13).
*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2071, 8.08.2013
1 ACOE, Ed. Avante!, 2007, TI, p. 36
2 Id, ibid, p. 58
3 AC, “A arte, o artista e a sociedade”. Ed. Avante!, 1996, p. 95
4 E não apenas no que diz respeito à criação artística: vejam-se por exemplo os comentários acerca de Darwin e das “formas de selecção na sociedade dividida em classes” (Carta ao Director da Cadeia penitenciária de Lisboa de 6.10.1951, ACOE, Ed. Avante!, 2008, TII, p. 139)
5 ACOE, Ed. Avante!, 2007, TI, p. 336
6 Em retrospectiva, entretanto, AC destaca justamente no Prefácio aos documentos do IV Congresso, “o valor da luta revolucionária e o valor científico e artístico dos intelectuais comunistas nos anos da reorganização”. ACOE, Ed. Avante!, 2007, TI, p. 400
7 “Radicalismo pequeno-burguês”, ACOE, Ed. Avante!, 2013, TIV, p. 552
8 “Rumo à vitória”, ACOE, Ed. Avante!, 2010, TIII, p. 171
9 “Relatório da Actividade do CC ao VI Congresso”, ACOE, Ed. Avante!, 2010, TIII, p. 286
10 Id, ibid, p. 385
11 Id, ibid, p. 418
12 “Com a arte para transformar a vida”, Ed. Avante!, 1978, p. 206
13 Id, ibid, p. 214

Fonte: http://www.odiario.info/?p=2984

Cubanos: "Viemos para ser parceiros dos médicos brasileiros, respeitar e ser respeitados"




Oscar Martinez considera que a resistência de segmentos vai desaparecer com o bom trabalho
Cinco dos 176 médicos cubanos que desembarcaram em Brasília disseram não temer opiniões contrárias e demonstraram acreditar que, no final, trabalho será reconhecido

Por Hylda Cavalcanti, da RBA

As principais expectativas dos médicos cubanos recém-chegados ao Brasil consistem em trocar experiências com os demais profissionais e contribuir para melhorar a saúde pública no país. Mas eles demonstraram, desde que apareceram no saguão do aeroporto Juscelino Kubitschek, ontem (24) à noite, cuidado ao falar dos médicos brasileiros ao ressaltar que têm, como missão principal, zelar pelo trabalho em conjunto com os colegas da terra. Os cubanos também fizeram questão de citar detalhes sobre seus currículos, diante das críticas feitas por entidades médicas brasileiras a eles, nos últimos dias.

Muitos deixaram clara, ainda, a preferência em atuar no estado do Amazonas – pela grandiosidade e diversidade daquela unidade da federação e suas populações ribeirinhas – bastante mencionada durante a entrevista (com certo ar reservado, para não causar transtornos no caso de serem escolhidos para outros locais). Assim como por áreas do semiárido nordestino, como o interior do Ceará. Mas, repetindo o tom de cautela e diplomacia, frisaram várias vezes que não farão pedidos específicos e estão prontos para atuar em qualquer local do território brasileiro.

Nesta entrevista, cinco deles – a médica Yasiel Perez e os médicos Rodolfo Garcia,Oscar Martinez, Juan Rodriguez e Angel Perez – falam sobre o que os move na empreitada:

Qual a principal expectativa do trabalho a ser realizado por vocês no Brasil?

Yasiel Perez:
Sou médica, especialista em medicina geral integral. Como todos os médicos que agora estão chegando a este país, para nós é um prazer, algo muito grande para expressarmos. Sou a mais jovem da brigada, mas tenho 32 anos e muita experiência. Em meu país se estuda medicina durante seis anos consecutivos e se trabalha quatro anos com as famílias mais necessitadas, além de passar outros dois anos atuando no serviço social. Além dessa formação, trabalhei na Bolívia durante dois anos e quatro meses, com uma população muito difícil, bastante carente. Mediquei em lugares distantes, mas não é por isso que essa mulher que vocês veem hoje aqui voltou correndo para Cuba quando deparou com problemas.

Não temem protestos e manifestações de pessoas que se posicionem contrárias à vinda dos senhores ao país?

Yasiel Perez:
Vi e enfrentei muitas dificuldades na Bolívia e fiquei lá até o final da missão. Retornei ao meu país com uma qualificação satisfatória e é isso que quero repetir no Brasil, ao lado de todos os colegas. Queremos vencer, estamos contentes e esperamos cumprir nossa missão aqui. Esperamos que o povo brasileiro nos respeite como respeitamos a toda a população. Somente queremos ajudar, apoiar e contribuir para melhorar a saúde, para que a população tenha mais acesso aos serviços médicos. Somente queremos dar e receber amor.

Os senhores imaginam encontrar algo diferente do que já viram em outros países no trabalho a ser realizado agora, no interior do Brasil?

Rodolfo Garcia:
Tenho 36 anos como médico, já estive no Brasil e conheço bem o país. Uma turma de médicos que chega já conhece a região Norte do Brasil profundamente. Além disso, muitos dos colegas que compõem o grupo possuem mais de 20 anos formados como médicos, possuem mestrado e cursos de especialização e participaram de trabalhos diversos de cooperação em outros países da África e América Central, com participações no tratamento de vítimas de desastres naturais. Não acho que teremos qualquer dificuldade nesta missão.

Como os senhores avaliam os comentários de que médicos cubanos não estariam preparados para atender aos problemas de alta complexidade que possam vir a ser observados ao longo da missão?
Rodolfo Garcia: Viemos empolgados para a realização de um trabalho em regiões diferentes. Sabemos que no Brasil não há médicos em muitos lugares distantes. Sabemos também que há no Brasil muitos municípios carentes de médicos. Posso te assegurar que somos preparados e viemos com muita vontade de trabalhar e fazer a coisa andar. Cuba é um país pobre que não tem muitos recursos naturais, mas tem muitos médicos e especialistas que estão com disposição de ajudar o Brasil e fazer parcerias para aumentar a saúde do povo brasileiro. Estamos preparados, tenha a certeza.
E sobre a questão da remuneração que os senhores receberão, alvo de tantas polêmicas nas últimas semanas? O que têm a dizer sobre isso?

Rodolfo Garcia:
A primeira coisa que queremos que vocês compreendam é que o dinheiro, para nós, neste caso em questão, fica em segundo lugar. Vamos receber uma remuneração suficiente para ficar no Brasil. O restante do dinheiro vai voltar para Cuba, para ajudar hospitais, os doentes que estão precisando porque no nosso país a saúde é de graça. O nosso dinheiro está lá, nosso salário está sendo pago lá.

Na opinião dos senhores, o programa ‘Mais Médicos’, do governo federal, foi uma escolha acertada?
Rodolfo Garcia: Não estamos a par do projeto em sua totalidade, mas reconhecemos que o governo precisa de muita coisa e deu um bom passo na vinda dos médicos estrangeiros. Por tudo o que temos lido, a percepção que temos é de que estão sendo criadas condições para melhoria da saúde pública no país. Queremos fazer todo o esforço para caminhar juntos na resolução dos problemas e pela melhoria da qualidade de vida do povo mais carente do Brasil, aquele que não tem dinheiro para pagar médicos particulares, populações como as dos interiores mais distantes do Pará, Tocantins ou Amapá, onde muitos de nós já estivemos. Sinceramente, viemos com muita vontade de ajudar as pessoas.
Esperavam encontrar tamanha receptividade por parte das pessoas que vieram ao aeroporto recebê-los?

Rodolfo Garcia:
Não. É um prazer estar aqui. Estamos muito nervosos porque não esperávamos que vocês todos estivessem aqui, desse jeito. Mas estamos muito felizes também.
Como avaliam o estreitamento da cooperação entre Brasil e Cuba a partir deste trabalho?

Oscar Martinez:
Sem dúvida, como bastante positivo. Sou especialista em saúde da família, sou médico há 23 anos e há 19 concluí minha especialização. Não sei para onde vou, mas vim para fazer este trabalho. Queremos agradecer ao povo brasileiro. Os povos de Cuba e Brasil são irmãos há muito tempo, mas este trabalho de agora estreita muito mais os laços de cooperação e de irmandade entre nós. Temos várias expectativas boas. A mais importante é colaborar para haja acessibilidade para todos os que carecem de um serviço de saúde neste país.
Como imaginam que será a receptividade à chegada dos senhores pelo conjunto dos médicos brasileiros com quem vão trabalhar?

Oscar Martinez:
Viemos para trabalhar juntos. Nosso sentimento é de consideração para com os problemas dos médicos brasileiros. Vamos ter a oportunidade de trabalhar com eles, em lugares de acesso complicado, sabemos disso tudo, mas vamos acompanhá-los e trabalhar juntos pela nação brasileira. O principal objetivo nosso, a parte de trabalho como médicos, nesta missão, é estreitar a solidariedade do povo de Cuba com o povo brasileiro. Somos irmãos e a irmandade entre nós tem, agora, que ser mais forte.
E em relação aos protestos feitos por entidades medicas que são contrárias à chegada de médicos cubanos ao país? 
Oscar Martinez: Ainda estamos chegando no Brasil, não temos todos os elementos para responder completamente à sua pergunta. Só vou falar o seguinte: todas as questões ou programas, quando iniciados, estão sujeitos a críticas e compreendemos isso. Agora, vamos ficar aqui e esperar as últimas palavras sobre o nosso trabalho depois de algum tempo, quando nos conhecerem melhor. Certamente serão bem diferentes.
Alguns dos senhores têm preferência por algum estado específico para trabalhar?

Juan Rodrigues:
Conheço o Brasil, preferiria o estado do Amazonas, no Norte, ou estados nordestinos, mas tudo no Brasil nos interessa.
O que mais os incentiva na realização deste trabalho?

Angel Perez:
o exercício da profissão em regiões remotas e a cooperação médica. Estive recentemente em Honduras e em lugares também distantes e repletos de dificuldades, mas sempre trabalhando duro para que as pessoas possam desfrutar de boa qualidade de vida e a mesma coisa acontecerá no Brasil. Estamos vindo com o sentimento e o coração aberto para trabalhar junto com os médicos e todo o pessoal da área de saúde brasileira. Queremos ajudar a população e contribuir para melhoria da saúde pública no país.

Fonte: Solidários