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segunda-feira, 14 de julho de 2014

A história por trás de Gaza, que os israelenses não contam


Robert Fisk, The Independent http://goo.gl/A6IIp0



OK, só nessa tarde, o escore de dois dias de mortes é 40 mortos palestinos e nenhum morto israelense. Passemos agora à história de Gaza de que ninguém falará nas próximas horas.


É terra. A questão é terra. Os israelenses de Sderot estão recebendo tiros de rojões dos palestinos de Gaza, e agora os palestinos estão sendo bombardeados com bombas de fósforo e bombas de fragmentação pelos israelenses. É. Mas e como e por que, para início de conversa, há hoje 1 milhão e meio de palestinos apertados naquela estreita Faixa de Gaza?

As famílias deles, sim, viveram ali, não eles, no que hoje há quem chame de Israel. E foram expulsas – e tiveram de fugir para não serem todos mortos –quando foi inventado o estado de Israel.

E – aqui, talvez, melhor respirar fundo antes de ler – o povo que vivia em Sederot no início de 1948 não eram israelenses, mas árabes palestinos. A vila palestina chamava-se Huj. Nunca foram inimigos de Israel. Dois anos antes de 1948, os árabes de Huj até deram abrigo e esconderam ali terroristas judeus do Haganah, perseguidos pelo exército britânico. Mas quando o exército israelense voltou a Huj, dia 31/5/1948, expulsaram todos os árabes das vilas... para a Faixa de Gaza! Tornaram-se refugiados. David Ben Gurion (primeiro primeiro-ministro de Israel) chamou a expulsão de “ação injusta e injustificada”). Pior, impossível. Os palestinos de Huj, hoje Sderot, nunca mais puderam voltar à terra deles.

E hoje, bem mais de 6 mil descendentes dos palestinos de Huj – atual Sderot –vivem na miséria de Gaza, entre os “terroristas” que Israel mente que estaria caçando, e os quais continuam a atirar contra o que foi Huj.

A história do direito de autodefesa de Israel, é a história de sempre. Hoje, foi repetida e a ouvimos mais uma vez. E se a população de Londres estivesse sendo atacada como o povo de Israel? Não responderia? Ora bolas, sim. Mas não há mais de um milhão de ex-moradores de Londres expulsos de suas casas e metidos em campos de refugiados, logo ali, numas poucas milhas quadradas cercadas, perto de Hastings!

A última vez em que se usou esse falso argumento foi em 2008, quando Israel invadiu Gaza e assassinou pelo menos 1.100 palestinos (escore: 1.100 mortos palestinos, a 13 mortos israelenses). E se Dublin fosse atacada por foguetes –perguntou então o embaixador israelense? Mas nos anos 1970s, a cidade britânica de Crossmaglen no norte da Irlanda estava sendo atacada por foguetes da República da Irlanda – nem por isso a Real Força Aérea britânica pôs-se a bombardear Dublin, em retaliação, matando mulheres e crianças irlandesas.

No Canadá em 2008, apoiadores de Israel repetiram esse argumento fraudulento: e se o povo de Vancouver ou Toronto ou Montreal fosse atacado com foguetes lançados dos subúrbios de suas próprias cidades? Como se sentiriam? Não. Os canadenses nunca expulsaram para campos de refugiados os habitantes originais dos bairros onde hoje vivem.

...

Passemos então para a Cisjordânia. Primeiro, Benjamin Netanyahu disse que não negociaria com o ‘presidente’ palestino Mahmoud Abbas, porque Abbas não representava também o Hamás. Depois, quando Abbas formou um governo de unidade, Netanyahu disse que não negociaria com Abbas, porque ‘unificara’ seu governo com o “terrorista” Hamas. Agora, está dizendo que só falará com Abbas se romper com o Hamas – quando, então, rompido, Abbas não representará o Hamas...

Enquanto isto, o grande filósofo da esquerda israelense, Uri Avnery – 90 anos e, felizmente, cheio de energia – ataca a mais recente obsessão de seu país: a ameaça de que o ISIS mova-se para oeste, lá do seu ‘califato’ iraquiano-sírio, e aporte à margem leste do rio Jordão.

“E Netanyahu disse”, segundo Avnery, que “se não forem detidos por uma guarnição permanente de Israel no local (no rio Jordão), logo mostrarão a cara nos portões de Telavive”. A verdade, claro, é que a força aérea de Israel esmagaria qualquer ‘ISIS’, no momento em que começasse a cruzar a fronteira da Jordânia, vindo do Iraque ou da Síria.

A importância da “guarnição permanente”, contudo, é que se Israel mantém seu exército na Jordânia (para proteger Israel contra o ISIS), um futuro estado “palestino” não terá fronteiras e ficará como enclave dentro de Israel, cercado por território israelense por todos os lados. “Em tudo semelhante aos bantustões sul-africanos” – diz Avnery.

Em outras palavras: nenhum estado “viável” da Palestina jamais existirá. Afinal, o ISIS não é a mesma coisa que o Hamás? É claro que não é.

Mas Mark Regev, porta-voz de Netanyahu, diz que é! Regev disse à Al Jazeera que o Hamás seria“organização terrorista extremista não muito diferente do ISIS no Iraque, do Hezbollah no Líbano, do Boko Haram…” Sandices. O Hezbollah é exército xiita que está lutando dentro da Síria contra os terroristas do ISIS. E Boko Haram – a milhares de quilômetros de Israel – não ameaça Telavive.

Vocês entenderam o ‘espírito’ da fala de Regev. Os palestinos de Gaza – e esqueçam as 6 mil famílias palestinas cujas famílias foram expulsas pelos sionistas das terras onde hoje está Sederot – são aliados das dezenas de milhares de islamistas que ameaçam Maliki de Bagdá, Assad de Damasco ou o presidente Goodluck Jonathan em Abuja.

Sim, mas... Se o ISIS está a caminho para tomar a Cisjordânia, por que o governo sionista de Israel continua a construir colônias ali?! Colônias ilegais, em terra árabe, para civis israelenses... na trilha do ISIS?! Como assim?!

Nada do que se vê hoje na Palestina tem a ver com o assassinato de três israelenses na Cisjordânia ocupada, nem com o assassinato de um palestino na Jerusalém Leste ocupada. Tampouco tem algo a ver com a prisão de militantes e políticos do Hamas na Cisjordânia. E nem o que se vê hoje na Palestina tem algo a ver com foguetes. Tudo, ali, sempre, é disputa por terra dos árabes. *****

Israel usa bomba de fósforo branco nos ataques a Gaza




Médicos palestinos confirmaram que o regime israelense usou armas proibidas na mais recente onda de ataques aéreos sobre a Faixa de Gaza, informou nesta quinta-feira a agência de notícias iraniana Irna.
Segundo Ashraf al-Qedra, porta-voz de emergência de Gaza, a maioria dos mortos palestinos estão queimados e mutilados, revelando o uso de fósforo branco nos recentes ataques israelenses contra o enclave costeiro.
Testemunhas também confirmaram que os corpos dos mortos nos bombardeios israelenses desmembram rapidamente.
A aviação israelense bombardearam nesta quinta-feira (10) várias áreas na Faixa de Gaza e custou a vida de pelo menos 22 palestinos, elevando para 78 o número total de palestinos mortos pela ofensiva israelense. Também mais de 500 palestinos foram feridos.
Fontes palestinas anunciaram que o regime israelense desde o início de seus ataques, na segunda-feira (07 de julho), até agora tem atacado mais de 600 alvos em Gaza.
Dada à intensificação dos ataques israelenses contra Gaza, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reúne nesta quinta-feira, para discutir a situação em Gaza.
A nova escalada de agressão do regime israelense foi condenada pelo Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, que "alarmado" pediu a máxima contenção a todas as partes envolvidas no conflito para evitar uma espiral de violência.

Valter Xéu, da redação do portal Irã News com informações da Hispan TV

quinta-feira, 10 de julho de 2014

SP: há noventa anos, a esquecida Rebelião de 1924



Revolta Paulista de 1924, também chamada de ‘Revolução Esquecida’, “Revolução do Isidoro”, “Revolução de 1924″ e de “Segundo 5 de julho”, foi a segunda revolta tenentista; foi o maior conflito bélico já ocorrido na cidade de São Paulo.
Chamado por alguns de “Revolução Esquecida”, movimento foi a segunda revolta tenentista e o maior conflito bélico já ocorrido na cidade de São Paulo.
Liderado por jovens oficiais, movimento tomou a cidade, teve algum apoio popular, exigiu reformas políticas. Foi esmagado e esquecido pelas elites

Por Gilberto Maringoni, na Carta Capital
O nevoeiro se dissipara. O céu estava claro, mas o frio seguia intenso no início da tarde da terça-feira, 22 de julho de 1924, em São Paulo. Uma profusão de casas e fábricas estava no chão, algumas ainda envoltas em fumaça espessa. Pessoas corriam pelas ruas carregando o que podiam para fugir de cenas que algumas viveram na Europa alguns anos antes. Após 17 dias de “bombardeios terrificantes” desfechados por baterias de canhões situadas na colina do bairro da Penha, na zona leste, uma combinação de roncos agudos vindos do céu agitava ainda mais uma população aterrorizada.
Quem olhasse para cima contaria dez aviões em formação a 500 metros do chão.
De repente, dois deles, um pouco maiores que os demais, reduzem a altitude e soltam alguns objetos. O efeito seria devastador. Seis explosivos de 60 quilos abrem crateras pelo centro e arrasam casas e fábricas em bairros operários. Por sorte ninguém morreu. Uma testemunha contaria, mais de cinquenta anos depois, que “os aviadores tiveram ordem de jogar bombas no Brás; diziam que a italianada era a favor da revolução”.
Jornal do Commercio do dia seguinte contaria que “de diversos pontos partiu cerrada fuzilaria contra os aviões”. Inútil. Os aparelhos ganham altura, fazem uma curva sobre a estação da Luz e voltam para a zona leste. Em quinze minutos pousariam numa pista improvisada próxima à estação de trens de Guaiaúna, na Penha, então uma região quase rural.
Aquele era o décimo sétimo dia de um levante que entraria para a história como a Revolução de 1924, ou a Revolução Esquecida. Esse último qualificativo talvez venha do fato de as elites cafeeiras terem ficado assustadas com a sublevação da média oficialidade, que chegou a receber apoio de setores populares.
A rebelião que envolvia São Paulo desde 5 de julho era resultado de uma intrincada teia de tensões históricas. Suas raízes estão no agravamento de problemas sociais, no autoritarismo dos governos da chamada República Velha e em descontentamentos nos meios castrenses que já haviam desembocado no movimento tenentista, dois anos antes.
Naquele duro inverno, em meio a uma crise econômica, eclodiu uma nova sublevação. Tropas do Exército e da Força Pública tomaram quartéis, estações de trem e edifícios públicos e expulsaram da cidade o governador Carlos de Campos. No comando, em sua maioria, camadas da média oficialidade. Quatro dias depois, era instalado um governo provisório, que se manteria até 27 de julho. O país vivia sob o estado de sítio do governo Arthur Bernardes (1922-1926).
Entre as reivindicações dos revoltosos estavam: “1º Voto secreto; 2º Justiça gratuita e reforma radical no sistema de nomeação e recrutamento dos magistrados (…) e 3º Reforma não nos programas, mas nos métodos de instrução pública”. No plano político, destaca-se ainda “a proibição de reeleição do Presidente da República (…) e dos governadores dos estados”.
Várias guarnições de cidades próximas aderiram ao movimento. Apesar da falta de um programa claro, setores do operariado organizado apoiaram os revolucionários e exortaram a população a auxiliá-los no que fosse possível.
As ruas da capital foram palco de intensos combates, com direito a fuzilaria, granadas e tiros de morteiros. Cerca de trezentas trincheiras e barricadas foram abertas em diversos bairros.
A partir do dia 11, o governador deposto, instalado nas colinas da Penha, seguindo determinações do presidente da República, decidiu lançar uma carga de canhões em direção ao centro. O objetivo era aterrorizar a população e forçá-la a se insurgir contra os rebelados.

De forma intermitente, os bairros operários da Mooca, Ipiranga, Belenzinho, Brás e Centro sofreram bombardeio por vários dias. Casas modestas e fábricas foram reduzidas a escombros e cadáveres multiplicavam-se pelas ruas. Sem conseguir dobrar a resistência, o governo federal decidiu bombardear a cidade com aviões de combate.
Três semanas depois de iniciada, a rebelião foi acuada. Dos 700 mil habitantes da cidade, cerca de 200 mil fugiram para o interior, acotovelando-se nos trens que saíam da estação da Luz. O saldo dos 23 dias de revolta foi 503 mortos e 4.846 feridos. O número de desabrigados passou de 20 mil. No final da noite do dia 28, cerca de 3,5 mil insurgentes retiraram-se da cidade com pesado armamento em três composições ferroviárias. O destino imediato era Bauru, no centro do estado.
Deixaram um manifesto, agradecendo o apoio da população: “No desejo de poupar São Paulo de uma destruição desoladora, grosseira e infame, vamos mudar a nossa frente de trabalho e a sede governamental. (…) Deus vos pague o conforto e o ânimo que nos transmitistes”.
As tensões não cessariam. No ano seguinte, parte dos revolucionários engrossaria a Coluna Prestes (1925-1927). Mais tarde, outros tantos protagonizariam – e venceriam – a Revolução de 30.
A revolução que não foi
A segunda data, 9 de julho, é marcada pelo estopim de uma revolução que não faz jus ao nome. Exaltada e cultuada como uma manifestação de defesa intransigente da democracia, ela faz parte da criação de certa mitologia gloriosa para São Paulo.
O evento, em realidade, representa a sublevação da oligarquia cafeeira contra a Revolução de 30, que a retirou do governo e se constituiu no marco definidor do Brasil moderno.
Aquele processo não pode ser visto apenas como uma tomada de poder por um punhado de descontentes. Suas causas envolvem as contrariedades nos meios militares e contradições do próprio desenvolvimento do país. A crise de 1929 acabara de chegar, colocando em xeque o liberalismo reinante.
A Revolução consolidou a expansão das relações capitalistas, que trouxe em seu bojo a integração ao mercado – via Estado – de largos contingentes da população. O mecanismo utilizado foi a formalização do trabalho. As novas relações sociais e a intervenção do Estado na economia – decisiva para a superação da crise e para o avanço da industrialização – implicaram uma reconfiguração e uma modernização institucional do País.
A consequência imediata foi a perda da hegemonia da economia cafeeira, centrada principalmente em São Paulo e parte de Minas Gerais. Percebendo as mudanças no horizonte, as classes dominantes locais foram à luta em 1932.
Explodiu então a rebelião armada das forças insepultas da República Velha, querendo recuperar seu domínio sobre o País.Tendo na linha de frente a Associação Comercial e a Federação das Indústrias (Fiesp), o levante tinha entre seus líderes sobrenomes importantes do Estado, como Simonsen, Mesquita, Silva Prado, Pacheco e Chaves, Alves de Lima e outros. O movimento contou com expressivo apoio popular, uma vez que os meios de comunicação (rádio, jornais e revistas) reverberaram as demandas das classes altas.
A campanha que precedeu a sublevação exacerbou uma espécie de nacionalismo paulista, incentivado por grupos separatistas. Entre esses, notabilizava-se o escritor Monteiro Lobato. A síntese da aversão local ao restante do país expressava-se na difundida frase, que classificava o estado como “a locomotiva que puxa 21 vagões vazios”, em referência às demais unidades da federação.
O objetivo do movimento, derrotado militarmente em 4 de outubro, era derrubar o governo provisório de Getulio Vargas e aprovar uma nova Constituição. Daí a criação do nome “revolução constitucionalista”, uma contradição em termos. Revolução é uma ação decidida a destruir uma ordem estabelecida. A expressão “constitucionalista” expressava uma tentativa recuperação do status quo, regido pela Carta de 1891. Se era “constitucionalista”, não poderia ser “revolução”.
Os sempre proclamados “ideais de 1932” são vagas referências à legalidade e à democracia. Mas não existia, por parte do topo da pirâmide social paulista, nenhuma formulação que fosse muito além da recuperação da hegemonia regional (leia-se, dos cafeicultores).
Oitenta e dois anos depois, o 9 de julho segue comemorado como a data magna do estado, uma espécie de 7 de setembro local. E os acontecimentos de 5 de julho de 1924 continuam como páginas obscuras de um passado distante.

Fonte: Carta Maior

segunda-feira, 7 de julho de 2014

CARACAS, FALÊNCIA TOTAL



La Tiradera - [Enrique Bethencourt, tradução do Diário Liberdade]
É difícil encontrar no mundo um meio urbano que tenha retrocedido tanto na última década. Passando de ser um local de prosperidade e esperança a uma cidade de desemprego e pobreza, na qual as pessoas fogem em massa à procura de uma vida melhor que aqui veem negada. Neste caso não adianta dissimular ou tentar ocultar a realidade por maiores ou menores simpatias políticas.
Trata-se de dados objetivos, de fria realidade impossível de mascarar.
O desemprego é uma das chaves. Os dados oficiais assinalam um desemprego de 18,1%. Mas as autoridades reconhecem que a percentagem está completamente maquilhada e que alcança na realidade os 50%. Metade da população não tem emprego. Muitos carecem por completo de rendimentos. Um enorme drama social comparável ao dos países mais empobrecidos do planeta.
A situação da administração pública é simplesmente caótica. Tanto que pode ser dito, sem medo a se enganar, que a urbe se encontra em situação de verdadeira falência, incapaz de assumir as dívidas nem de desenvolver suas obrigações em infraestruturas ou em funcionamento dos serviços públicos essenciais, deixando desabrigados os seus habitantes.
Êxodo
O êxodo populacional foi uma constante nos últimos anos, o que tem significado que dezenas de milhares de casas, centenas de edifícios tenham ficado devolutos, mortos. Uma cidade fantasma começa a se configurar sobre as ruínas da que já foi urbe dinâmica, viva, orgulho de seus habitantes e do conjunto do país, que atraia pessoas do resto de cidades e estados.
Os especialistas discordam a respeito de qual seja a dívida real da cidade. 20.000 milhões de euros para alguns. Outros levam-na até os 30.000. Uma dívida que arrasou com o público mas também com numerosas empresas privadas que nem cobraram nem cobrarão e que despediram milhares de pessoas.
O problemas multiplicam-se. A atmosfera fica a cada vez mais irrespirável. A conflitualidade social é inclusive baixa, para a gravidade das circunstâncias que atravessa a maioria da população, que em poucos anos viu cair a pique os seus parâmetros de qualidade de vida.
O desastre vai in crescendo de mês a mês. Dia-a-dia. Agora, destacam as numerosas vítimas dos cortes de água. Milhares de pessoas que por não poder fazer frente aos pagamentos, ficam sem esse elemento substancial para a vida -para fazer de comer, para lavar-se, para limpar sua roupa e seus próprios lares- que é contar com água corrente em suas casas.
Pessoas, famílias, colégios ou instituições, com atraso há mais de dois meses no pagamento do recibo da água, veem como se lhes corta o serviço em uma mostra de absoluta falta de humanidade.
Calcula-se que 30.000 lares ficarão sem água este verão. Tanto que ativistas sociais, completamente desesperados pelo que está ocorrendo, decidiram pedir a ajuda de Nações Unidas.
Todo o que lhes conto é verdade. Salvo um detalhe. Não é Caracas a cidade afetada. É Detroit, nos Estados Unidos. Se fosse Caracas, a notícia abriria telejornais e seria eixo dos debates radiofónicos e as tertúlias televisivas. O jornalismo, a informação, também, se encontram em estado ruinoso, em falência total, há muito tempo. E não só em Detroit.