“Cooperaremos com prazer com as autoridades norte-americanas nessa tarefa, e não na busca pela paz entre os dois Estados que durante tanto anos têm sido adversários, mas sim, em qualquer caso, pela paz para o mundo, um objetivo que pode e deve ser tentado”, escreveu Fidel Castro, em artigo publicado neste sábado
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sábado, 18 de outubro de 2014
Contra o ebola, Fidel oferece ajuda a Obama
“Cooperaremos com prazer com as autoridades norte-americanas nessa tarefa, e não na busca pela paz entre os dois Estados que durante tanto anos têm sido adversários, mas sim, em qualquer caso, pela paz para o mundo, um objetivo que pode e deve ser tentado”, escreveu Fidel Castro, em artigo publicado neste sábado
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Fidel Castro: O que não poderá ser esquecido nunca
Domingo, dia 12 de outubro, pela manhã, a edição dominical na internet
do New York Times – órgão de imprensa que em determinadas circunstâncias
traça pautas sobre a linha política mais conveniente aos interesses de
seu país, publicou um artigo que intitulou "Tempo de acabar o embargo a Cuba"; com opiniões do que a seu julgamento, deve seguir o país.
Há momentos em que tais artigos são assinados por algum prestigiado
jornalista, como alguém a quem tive o privilégio de conhecer
pessoalmente nos primeiros dias de nossa luta em Sierra Maestra com os
restos de uma força que tinha sido quase totalmente eliminada pela
aviação e pelo exército de Batista. Éramos então bastante inexperientes;
nem sequer concebíamos que dar essa impressão de fortaleza à imprensa
constituía algo que pudesse merecer uma crítica.
Não era bem como pensava aquele valente correspondente de guerra com uma
história que lhe deu nome nos tempos difíceis da luta contra o
fascismo: Herbert Matthews.
Nossa suposta capacidade de luta em fevereiro de 1957 era um pouco
menor, porém mais que suficiente para desgastar e derrotar o regime.
Carlos Rafael Rodríguez, dirigente do Partido Socialista Popular, foi
testemunha do que, após a Batalha de Jigüe, em que uma unidade completa
de tropas seletas foi obrigada a capitular depois de 10 dias de combate,
expressei sobre meu temor de que as forças do regime fossem se render
em julho de 1958, quando suas tropas de elite se retiravam
precipitadamente de Sierra Maestra, apesar de treinadas e assessoradas
pelos vizinhos do norte. Tínhamos encontrado a forma adequada para
derrotá-las.
Era inevitável estender-me um pouco neste ponto se desejasse explicar o
ânimo com que li o mencionado artigo do jornal norte-americano no
domingo passado. Citarei suas partes essenciais que irão entre aspas:
"... o Presidente Obama deve sentir angústia ao contemplar o
lamentável estado das relações bilaterais que sua administração tem
tentado consertar. Seria sensato que o líder estadunidense reflita
seriamente sobre Cuba, onde uma virada política poderia representar uma
grande vitória para seu governo."
"Pela primeira vez, em mais de meio século, mudanças na opinião
pública estadunidense e uma série de reformas em Cuba, têm feito que
seja politicamente viável retomar relações diplomáticas e acabar com um
embargo insensato. O regime dos Castro tem utilizado o referido embargo
para justificar suas falhas e tem mantido o seu povo bastante isolado do
resto do mundo. Obama deve aproveitar a oportunidade para dar fim a uma
longa era de inimizade, e ajudar um povo que tem sofrido enormemente
desde que Washington cortou relações diplomáticas em 1961, dois anos
após Fidel Castro chegar ao poder."
"...o deplorável estado de sua economia tem obrigado Cuba a
implementar reformas. O processo tornou-se mais urgente a raiz da crise
financeira na Venezuela, dado que Caracas proporciona-lhe petróleo
subsidiado. Com o temor de que a Venezuela tenha que cortar sua ajuda,
líderes na ilha dão passos importantes para liberar e diversificar uma
economia que historicamente tem controles rígidos."
"...o governo cubano começou a permitir que seus cidadãos se
empreguem no setor privado e que vendam propriedades como automóveis e
casas. Em março, a Assembleia Nacional de Cuba aprovou uma lei com o fim
de atrair investimento estrangeiro. (...) Em abril, diplomatas cubanos
começaram a negociar os termos de um tratado de cooperação que esperam
assinar com a União Europeia. Participam das primeiras reuniões
preparados, ansiosos e conscientes de que os europeus vão pedir maiores
reformas e liberdades civis.
"O governo autoritário segue perseguindo dissidentes, que
frequentemente são detidos por períodos curtos. Havana não explicou a
suspeita morte do ativista político Oswaldo Payá”.
Como pode ser apreciada uma acusação caluniosa e gratuita.
"No ano passado flexibilizaram as restrições de viagem para os
cubanos, o que permitiu que dissidentes proeminentes viajassem ao
exterior. Na atualidade, existe um ambiente de maior tolerância para
aqueles que criticam seus líderes na ilha, mas muitos ainda temem as
repercussões de falar abertamente e exigir maiores direitos".
"O processo das reformas tem sido lento e tido reveses. Mas em
conjunto, estas mudanças demonstram que Cuba está se preparando para uma
era pós-embargo. O governo afirma que retomaria com gosto as relações
diplomáticas com os Estados Unidos sem condições prévias".
"Como primeiro passo, a Casa Branca deve retirar Cuba da lista que
mantém o Departamento de Estado para penalizar países que respaldam
grupos terroristas. Atualmente, as únicas outras nações na lista são
Sudão, Irã e Síria. Cuba foi incluída em 1982 por seu apoio a movimentos
rebeldes na América Latina, ainda que esse tipo de vínculo já não
exista. Atualmente, o governo estadunidense reconhece que Havana está
jogando um papel construtivo no processo de paz na Colômbia, servindo de
anfitrião para os diálogos entre o governo colombiano e líderes da
guerrilha”.
"As sanções por parte dos Estados Unidos à ilha começaram em 1961 com
o objetivo de expulsar Fidel Castro do poder. Através dos anos, vários
líderes estadunidenses têm concluído que o embargo tem sido um erro.
Apesar disso, qualquer iniciativa para eliminá-lo traz consigo o risco
de enfurecer membros do exílio cubano, um grupo eleitoral que tem sido
decisivo nas eleições nacionais. (...) a geração de cubanos que defendem
o bloqueio está desaparecendo. Membros das novas gerações têm
diferentes pontos de vista, e muitos sentem que o embargo tem sido
contraproducente para fomentar uma mudança política. Segundo uma recente
pesquisa, 52% de norte-americanos de origem cubana em Miami pensam que
deve terminar o bloqueio. Uma ampla maioria quer que os países voltem a
ter relações diplomáticas, uma posição que compartilha o eleitorado
norte-americano em geral".
"Cuba e Estados Unidos têm sedes diplomáticas em suas capitais,
conhecidas como seções de interesse, que desempenham as funções de uma
embaixada. No entanto, os diplomatas estadunidenses têm poucas
oportunidades de sair da capital para interagir com o povo cubano e seu
acesso aos dirigentes da ilha é muito limitado".
"Em 2009, a administração Obama tomou uma série de passos importantes
para flexibilizar o embargo, facilitando o envio de remessas à ilha e
autorizando um maior número de cubanos radicados nos Estados Unidos a
viajar à ilha. Também criou planos que permitiriam ampliar o acesso à
telefonia celular e internet na ilha. Mesmo assim, seria possível fazer
mais. Por exemplo, se poderia eliminar as restrições às remessas,
autorizar mecanismos de investimento nas novas microempresas cubanas e
expandir as oportunidades para norte-americanos que desejem viajar à
ilha."
"Washington poderia fazer mais para respaldar as empresas
norte-americanas que têm interesse em desenvolver o setor de
telecomunicações em Cuba. Poucas se atreveram por temor às possíveis
repercussões legais e políticas."
"Por não fazer, os Estados Unidos estaria cedendo o mercado cubano a
seus rivais. Os presidentes da China e da Rússia viajaram a Cuba em
julho tendo em vista ampliar os vínculos".
"O nível e envergadura da relação poderia crescer significativamente,
dando a Washington mais ferramentas para respaldar reformas
democráticas. É factível que ajude a frear uma nova onda migratória de
cubanos sem esperança que estão viajando para os Estados Unidos em
balsas".
"Uma relação mais saudável poderia ajudar a resolver o caso de Alan
Gross, um especialista em desenvolvimento que está há quase cinco anos
detido na ilha. E mais ainda, criaria novas oportunidades para
fortalecer a sociedade civil, com as quais gradualmente se diminuiria o
controle que exerce o Estado sobre a vida dos cubanos. Se bem que a Casa
Branca pode tomar certos passos unilateralmente, desmantelar o embargo
requereria uma ação legislativa em Washington".
"... vários líderes do hemisfério se reunirão na Cidade do Panamá por
ocasião da sétima Cimeira das Américas. Vários governos da América
Latina fizeram questão de convidar Cuba, rompendo assim com a tradição
de excluir a ilha por exigência de Washington."
"Dada a quantidade de crises a nível mundial, é possível que a Casa
Branca considere que dar uma virada substancial em sua política em
relação a Cuba não é uma prioridade. Todavia, uma aproximação com a ilha
mais povoada do Caribe que incentive o desbloqueio do potencial dos
cidadãos de uma das sociedades mais educadas do hemisfério, poderia
representar um importante legado para a administração. Também ajudaria a
melhorar as relações dos Estados Unidos com vários países da América
Latina e a impulsionar iniciativas regionais que sofrem como
consequência do antagonismo entre Washington e Havana."
"... Após o convite a Cuba para a cúpula, a Casa Branca não confirmou se Obama participará."
"Tem que fazê-lo. Seria importante que se fizesse presente e
considerasse como uma oportunidade para desencadear uma conquista
histórica".
Uma das sociedades mais educadas do hemisfério!!!! Isso sim que é um
reconhecimento. Mas, por que não diz de uma vez, que em nada se parece
ao que nos legou Harry S. Truman quando seu aliado e grande saqueador do
tesouro público Fulgêncio Batista assaltou o poder em 10 de março de
1952, a somente 50 dias das eleições gerais. Aquilo não poderá ser
esquecido nunca.
O artigo está escrito, como pode ser apreciado, com grande habilidade,
buscando o maior benefício para a política norte-americana na complexa
situação, quando se acrescentam os problemas políticos, econômicos,
financeiros e comerciais. A isso se somam os derivados da mudança
climática acelerada; a concorrência comercial; a velocidade, precisão e
poder destrutivo de armas que ameaçam a sobrevivência da humanidade. O
que hoje se escreve tem uma conotação muito diferente do que divulgavam
há apenas 40 anos, quando nosso planeta se via já obrigado a albergar e
abastecer de água e alimentos ao equivalente da metade da população
mundial atual. Isto sem mencionar a luta contra o Ebola que ameaça a
saúde de milhões de pessoas.
Acrescente-se que dentro de alguns dias a comunidade mundial irá expor
ante as Nações Unidas se está de acordo ou não com o bloqueio a Cuba.
13 de outubro de 2004
Fidel Castro.
13 de outubro de 2004
Fidel Castro.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Unger escolhe Dilma e vê grandeza contra pequenez
Intelectual Roberto Mangabeira Unger, autor do manifesto de fundação do PMDB e ministro de Assuntos Estratégicos do governo Lula, traça quadro de comparações entre Aécio Neves e Dilma Rousseff para justificar seu voto pela reeleição do PT; ele afirma que o tucano propõe seguir o figurino que os países ricos do Atlântico Norte nos recomendam, porém nunca seguiram; já sobre a presidente, diz que a candidata tem espírito de luta, para poder aceitar pouco e enfrentar muito: “Que o povo escolha o rumo audacioso da rebeldia nacional e afirme a grandeza do Brasil”
13 de Outubro de 2014
Por que votar em Dilma
O povo brasileiro escolherá em 26 de outubro entre dois caminhos. Que escolha o rumo audacioso da rebeldia nacional e afirme a grandeza do Brasil
As duas candidaturas compartilham três compromissos fundamentais, além do compromisso maior com a democracia: estabilidade macroeconômica, inclusão social e combate à corrupção. Diferem na maneira de entender os fins e os meios. Diz-se que a candidatura Aécio privilegia estabilidade macroeconômica sobre inclusão social e que a candidatura Dilma faz o inverso. Esta leitura trivializa a diferença.
Duas circunstâncias definem o quadro em que se dá o embate. A primeira circunstância é o esgotamento do modelo de crescimento econômico no país. Este modelo está baseado em dois pilares: a ampliação de acesso aos bens de consumo em massa e a produção e exportação de bens agropecuários e minerais, pouco transformados. Os dois pilares estão ligados: a popularização do consumo foi facilitada pela apreciação cambial, por sua vez possibilitada pela alta no preço daqueles bens. Tomo por dado que o Brasil não pode mais avançar deste jeito.
A segunda circunstância é a exigência, por milhões que alcançaram padrões mais altos de consumo, de serviços públicos necessários a uma vida decente e fecunda. Quantidade não basta; exige-se qualidade.
As duas circunstâncias estão ligadas reciprocamente. Sem crescimento econômico, fica difícil prover serviços públicos de qualidade. Sem capacitar as pessoas, por meio do acesso a bens públicos, fica difícil organizar novo padrão de crescimento.
O país tem de escolher entre duas maneiras de reagir. Descrevo-as sumariamente interpretando as mensagens abafadas pelos ruídos da campanha. Ficará claro onde está o interesse das maiorias. O contraste que traço é complicado demais para servir de arma eleitoral. Não importa: a democracia ensina o cidadão a perceber quem está do lado de quem.
1. Crescimento econômico. Realismo fiscal e manutenção do sacrifício consequente são pontos compartilhados pelas duas propostas. Aécio: Ganhar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros. Restringir subsídios. Encolher o Estado. Só trará o crescimento de volta quando houver nova onda de dinheiro fácil no mundo. Dilma: Induzir queda dos juros e do câmbio, contra os interesses dos financistas e rentistas, sem, contudo, render-se ao populismo cambial. Usar o investimento público para abrir caminho ao investimento privado em época de desconfiança e endividamento. Apostar mais no efeito do investimento sobre a demanda do que no efeito da demanda sobre o investimento.
Construir canais para levar a poupança de longo prazo ao investimento de longo prazo. Fortalecer o poder estratégico do Estado para ampliar o acesso das pequenas e médias empresas às práticas, às tecnologias e aos conhecimentos avançados. Dar primazia aos interesses da produção e do trabalho. Se há parte do Brasil onde este compromisso deve calar fundo, é São Paulo.
2. Capital e trabalho. Aécio: Flexibilizar as relações de trabalho para tornar mais fácil demitir e contratar. Dilma: Criar regime jurídico para proteger a maioria precarizada, cada vez mais em situações de trabalho temporário ou terceirizado. Imprensado entre economias de trabalho barato e economias de produtividade alta, o Brasil precisa sair por escalada de produtividade. Não prosperará como uma China com menos gente.
3. Serviços públicos. Aécio: Focar o investimento em serviços públicos nos mais pobres e obrigar a classe média, em nome da justiça e da eficiência, a arcar com parte do que ela custa ao Estado. Dilma: Insistir na universalidade dos serviços, sobretudo de educação e saúde, e fazer com que os trabalhadores e a classe média se juntem na defesa deles. Na saúde, fazer do SUS uma rede de especialistas e de especialidades, não apenas de serviço básico. E impedir que a minoria que está nos planos seja subsidiada pela maioria que está no SUS. Na segurança, unir as polícias entre si e com as comunidades. Crime desaba com presença policial e organização comunitária. A partir daí, encontrar maneiras para engajar a população, junto do Estado, na qualificação dos serviços de saúde, educação e segurança.
4. Educação. Aécio: Adotar práticas empresariais para melhorar, pouco a pouco, o desempenho das escolas, medido pelas provas internacionais, com o objetivo de formar força de trabalho mais capaz.
Dilma: A onda da universalização do ensino terá de ser seguida pela onda da qualificação. Acesso e qualidade só valem juntos. Prática empresarial, porém, tem horizonte curto e não resolve. Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia indicam o caminho: substituir decoreba por ensino analítico. E juntar o ensino geral ao ensino profissionalizante em vez de separá-los. Construir, do fundamental ao superior, escolas de referência. A partir delas, trabalhar com Estados e municípios para mudar a maneira de aprender e ensinar.
5. Política regional. Aécio: Política para região atrasada é resquício do nacional-desenvolvimentismo. Tudo o que se pode fazer é conceder incentivos às regiões atrasadas. Dilma: Política regional é onde a nova estratégia nacional de desenvolvimento toca o chão. Não é para compensar o atraso; é para construir vanguardas. Projeto de empreendedorismo emergente para o Nordeste e de desenvolvimento sustentável para a Amazônia representam experimentos com o futuro nacional.
6. Política exterior. Aécio: Conduzir política exterior de resultados, quer dizer, de vantagem comerciais. E evitar brigar com quem manda.
Dilma: Unir a América do Sul. Lutar para tornar a ordem mundial de segurança e de comércio mais hospitaleira às alternativas de desenvolvimento nacional. E, num movimento em sentido contrário, entender-nos com os EUA, inclusive porque temos interesse comum em nos resguardar contra o poderio crescente da China. Política exterior é ramo da política, não do comércio. Poder conta mais do que dinheiro.
7. Forças Armadas. Aécio: O Brasil não precisa armar-se porque não tem inimigos. Só precisa deixar os militares contentes e calmos. Dilma: O Brasil tem de armar-se para abrir seu caminho e poder dizer não. Não queremos viver em um mundo onde os beligerantes estão armados e os meigos, indefesos.
8. O público e o privado. Aécio: Independência do Banco Central e das agências reguladoras assegura previsibilidade aos investidores e despolitiza a política econômica. Dilma: A maneira de desprivatizar o Estado não é colocar o poder em mãos de tecnocratas que frequentam os grandes negócios. É construir carreiras de Estado para substituir a maior parte dos cargos de indicação política. E recusar-se a alienar aos comissários do capital o poder democrático para decidir.
Aécio propõe seguir o figurino que os países ricos do Atlântico Norte nos recomendam, porém nunca seguiram. Nenhum grande país se construiu seguindo cartilha semelhante. Certamente não os EUA, o país com que mais nos parecemos. Ainda bem que o candidato tem estilo conciliador para abrandar a aspereza da operação.
Dilma terá, para honrar sua mensagem e cumprir sua tarefa, de renovar sua equipe e sua prática, rompendo a camisa de força do presidencialismo de coalizão. E o Brasil terá de aprender a reorganizar instituições em vez de apenas redirecionar dinheiro. Ainda bem que a candidata tem espírito de luta, para poder aceitar pouco e enfrentar muito.
Estão em jogo nossa magia, nosso sonho e nossa tragédia. Nossa magia é a vitalidade assombrosa e anárquica do país. Nosso sonho é ver a vitalidade casada com a doçura. Nossa tragédia é a negação de instrumentos e oportunidades a milhões de compatriotas, condenados a viver vidas pequenas e humilhantes. Que em 26 de outubro o povo brasileiro, inconformado com nossa tragédia e fiel a nosso sonho, escolha o rumo audacioso da rebeldia nacional e afirme a grandeza do Brasil.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Aécio não assina erradicação do trabalho escravo
Na carta, o candidato assume 12 compromissos, entre os quais o de não permitir influências de qualquer tipo em decisões que levem a aprovação de leis ou à implementação de ações necessárias para erradicar o trabalho escravo, a de efetivar ações presentes no 2º Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo e nos Planos Estaduais para a Erradicação do Trabalho Escravo (onde eles existirem) e o de não promover empreendimentos e empresas, dentro ou fora do país, que tenham utilizado mão de obra escrava ou infantil.
Em 1995, no primeiro ano do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a escravidão moderna foi reconhecida no país e, desde então, tem se buscado aprimorar os instrumentos de repressão ao trabalho escravo. Para planejar as ações nesse sentido, o então presidente instituiu o Grupo Especial de Fiscalização Móvel e o Grupo Executivo de Repressão ao Trabalho Forçado (Gertraf). Este último acabou substituído pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) em 2003, o primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também estabeleceu o Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo.
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