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terça-feira, 19 de março de 2013

Chávez ajudava os pobres nos Estados Unidos

   


 
Chávez ao lado dos pobres nos Estados Unidos. 17996.jpeg

Havana (Prensa Latina) Os Estados Unidos perderam um amigo que nunca souberam que tinham e os pobres do mundo um defensor, lamentou o ator Sean Penn quando recebeu a notícia da morte do presidente venezuelano, Hugo Chávez.


E de suas palavras podem dar fé hoje os quase dois milhões de estadunidenses de baixos rendimentos que receberam calefação gratuita para se proteger do rigoroso inverno graças à solidariedade do mandatário.

Tudo começou há cerca de oito anos e desde então até a atualidade o plano beneficiou a 1,7 milhão de pessoas. Em 2005 iniciou-se como doação do país sul-americano para ajudar os atingidos pelos furacões Katrina e Rita, e neste ano favorece ademais a muitas das vítimas de Sandy, o furacão que fez estragos na costa leste no final de outubro

Só nesta temporada invernal o programa apoiará 100 mil famílias em 25 estados -incluindo mais de 240 comunidades indígenas-, segundo informaram em fevereiro a empresa petroleira estadunidense Citgo, subsidiária de Petróleos de Venezuela, e sua sócia Citizens Energy Corporation, cujo presidente é Joseph P. Kennedy II, filho do senador assassinado Robert F. Kennedy (1925-1968). Recordou o diretor da Citizens Energy que quando se contemplou esta ideia se reuniu com representantes das principais empresas petroleiras de seu país e de outros produtores de petróleo a nível internacional para solicitar sua ajuda. "Todos disseram que não, exceto Citgo, o presidente Chávez e o povo de Venezuela".

Numa declaração escrita de Kennedy, depois do falecimento do líder bolivariano, assegurou que ele se preocupou "profundamente pela abjeta falta das mais básicas necessidades dos pobres na Venezuela e em outros países em todo mundo".

Por isso "nossas rezas vão ao povo da Venezuela, a sua família e a todos os que receberam o calor de sua generosidade", afirmou.

Segundo dados oferecidos pela Citgo ao apresentar a oitava edição anual do projeto solidário de combustível de calefação, a percentagem de recursos que a empresa gastou em programas sociais dentro do território do norte foi até cinco vezes maior ao de outros das principais petroleiras norte-americanas.

O congressista democrata José Serrano qualificou Chávez como um verdadeiro revolucionário latino-americano e disse sentir-se orgulhoso de poder expressar que seu bairro, o Bronx em Nova York, se tenha beneficiado do programa venezuelano com "milhões investidos em nossa comunidade".

Tanto nos Estados Unidos como em todo o hemisfério -advertiu Serrano- seu rastro ficará entre a gente que lhe inspirou a lutar por uma vida melhor para os pobres e oprimidos.

Por sua vez, Fernando Garay, porta-voz da Citgo, indicou que Chávez deixa depois de si uma marca de ajuda "aos menos privilegiados e promoção da justiça social que ultrapassa as fronteiras dos países".

Em oito anos residentes estadunidenses receberam mais de 200 milhões de galões de combustível a um valor superior aos 400 milhões de dólares.

A religiosa Kathy Boylan, do centro Dorothy Day Catholic Worker House, em Washington, assinalou que será eterno seu agradecimento para o presidente Chávez. "É uma honra ter recebido sua ajuda, celebramos e damos graças a Deus por sua vida e pedimo-lhe desculpas em nome de nosso país".

Boylan considerou que ele foi o único que respondeu quando alguns se negaram, "por que não o fazem outras petroleiras se tão boa imagem dão?".
Milhões de pessoas no mundo continuam manifestando sua dor pela perda do governante sul-americano, que morreu a 5 de março depois de lutar durante dois anos contra o câncer.

Organizações de direitos civis dentro dos Estados Unidos interpuseram uma solicitação por meio da Ata de Liberdade de Informação (FOIA, por sua sigla em inglês) às agências federais para que revelem documentos que se relacionem, refiram ou discutam possíveis planos de envenenar ou de assassinar de qualquer outra forma ao presidente venezuelano.

As demandas realizaram-se à Agência Central de Inteligência, ao Departamento de Estado e à Agência de Inteligência de Defesa e foram apresentadas pelo Fundo da Associação pela Justiça Civil, a Coalizão ANSWER e o jornal Libertação.
O governo de Venezuela também anunciou que abriria uma investigação sobre as circunstâncias da doença de Chávez, especialmente para determinar se foi envenenado ou deliberadamente exposto a elementos cancerígenos, segundo difundiram a rede NBC e outros meios de imprensa.

Poucas coisas foram convencionais na trajetória de Hugo Chávez. A impressão que deixa nos Estados Unidos com programas de ajuda aos mais pobres o demonstra. Dispôs só de 58 anos de vida e mudou esta parte do mundo, sentenciou um jovem intérprete cubano. E como o Libertador Simón Bolívar, há muito ainda por fazer.
*Jornalista da redação América do Norte da Prensa Latina.
http://www.patrialatina.com.br/index.php

Venezuela parte agora para eleger Nicolás Maduro

 

Publicado em Carta Maior

Bonachão, orador cativante, verborrágico, brincalhão e energético, Nicolás Maduro, o sucessor designado, não poderia ser um melhor alterego de Chávez. Ele dá a impressão de que não dorme há 20 dias, porque está em todas as reuniões de cúpula e manifestações populares, que varam pela madrugada, desde que se agravou o estado de saúde do presidente.




           
 Caracas - Assim como na política, Hugo Chávez conseguiu unir a família. A carta de despedida da filha Maria Gabriela - "...Tiveste que voar e ser livre... Voa, voa livre Gigante, voa alto e sopra forte como os ventos dos furacões"... - ilustra o espírito de coesão de uma família de origem humilde, que poderia estar às turras para repartir o butim. O mesmo pode-se dizer dos militares, entre os quais não se viu uma só voz dicordante com relação aos destinos a tomar para preencher o imenso vazio deixado pela morte do comandante. Outra curiosidade é que, passados onze dias do desenlace presidencial, não se registrou uma rusga sequer no comando civil, que ele escolheu a dedo, a começar pelo agora presidente encarregado.

Bonachão, orador cativante, verborrágico, brincalhão e energético, Nicolás Maduro, o sucessor designado, não poderia ser um melhor alterego de Chávez. Ele dá a impressão de que não dorme há 20 dias, porque está em todas as reuniões de cúpula e manifestações populares, que varam pela madrugada, desde que se agravou o estado de saúde do presidente. Aos 50 anos, 1,99 de altura e parecendo um pouco mais delgado do que lhe mostram as fotografias, o candidato governista não deixa dúvida quanto à continuidade da obra bolivariana, como demonstrou em várias oportunidades em que teve de agir diante de provocações e assédios do poder econômico.

Fui vê-lo, pessoalmente, na quarta-feira, 13 de março, durante a inauguração da IX Feira Internacional do Livro (Filven), um dos grandes acontecimentos culturais da América Latina, no complexo do Teatro Teresa Carreño, em Caracas. Chegou com mais de três horas de atraso, não por negligência de horário, mas porque os serviços de inteligência haviam descoberto um plano para assassinar o candidato opositor Henrique Capriles Radonski, por parte da opositores extremistas, aparentemente obedecendo a ordens emanadas de Miami. Maduro disse que havia destacado, de comum acordo com a Direção Político-Militar do país, novo órgão surgido com o desenlace presidencial, um esquema de segurança à disposição de Capriles e da equipe deste.

Quem é Maduro
Com aparência descansada, o rosto redondo escanhoado e envergando uma túnica verde musgo , Maduro ouviu pacientemente os discursos de cunho literário da presidente da feira, do ministro da Cultura, do escritor homenageado Gustavo Pereira, e uma breve dissertação sobre dois livros. Quando chegou sua vez, falou quase uma hora, em que se defendeu das acusações de homofóbico, que lhe lançara Capriles na véspera. Disse que só tinha apresentado sua mulher, Cília Flores, a Advogada Geral do Governo, fato que o candidato tinha interpretado como uma insinuação às alegações de que o respresentante oposicioista, solteiro e bonitão de 40 anos, seria gay.

Na verdade, Maduro, em alocução anterior, havia dito, na apresentação de Cília, os filhos e os netos, no lançamento de sua candidatura, que "gostava de mulheres", uma alfinetada, quw logicamente não poderia passar despercebida. O candidato governista faz questão de lembrar sua infância pobre, numa casa de taipa e chão de barro, a mesma de Cília, que, antes de licenciar-se em Direito, teve a casa invadida várias vezes pela polícia, na busca de marginais do morro em que residia. Por fim, Capriles, que estava acompanhado da mulher, disse que Cília não será primeira dama, quando for eleito, mas a primeira combatente entre as mulheres para defender o legao de Hugo Chávez. No discurso da Filven, Nicolas Maduro ainda dialogou com vários dos presentes, que faziam questão de manifestar-se, e à saída cumprimentou e tirou fotografias.

Quanto a Henrique Capriles, este começou mal a campanha, lançando acusações aparentemente sem nexo contra a família do presidente, que teria escondido a gravidade de sua doença e mesmo sua morte, que teria ocorrido antes do regresso definitivo de Cuba à Venezuela. Ato de provocação deliberada para gerar o pânico ou desespero diante de uma situação eleitoral francamente desfavorável? O fato é que as declarações provocaram forte indignação, mesmo entre os correligionários oposicionistas e Capriles sentiu-se obrigado a retratar-se pedir desculpas.

Entre as reações à postura do oposicionista, destaca-se a de Maria Gabriela Chávez, que rápida como uma leoa, saiu de sua discrição e recolhimento para dizer: "Não joguem mais com a dor de um povo e uma família, que está devastada diante desta dura realidade. Aos senhores desta oposição doente e especialmente ao Sr. Capriles, digo o seguinte: Sempre se disse que a política é suja. Senhores, pelo bem da pátria, os exorto a fazer política e a não ser tão sujos".

Militarismo
O brasileiro que visita Caracas, a princípio, estranha a devoção que os venezuelanos tem pelos militares. Eles são aplaudidos na rua, exaltados nos dicursos e muito queridos, sobretudo por sua relativa juventude, particularmente entre os soldados, quase imberbes. Mas há uma explicação: os militares forjados por Hugo Chávez, ao longo de sua peregrinação militar, desde que entrou no Exército há 40 anos, tornaram-se homens próximos do povo, porque se distanciavam dos políticos que, na época, envolviam-se na mais desbragada corrupção, que fazia da rica Venezuela em petróleo, um país com 70% de miséria.

Junto com o tenente paraquedista, os militares venezuelanos, que antes haviam recebido, como os brasileiros, as noções castrenses de segurança nacional e guerra psicológica contra o comunismo passadas pelos Estados Unidos, construíram estradas, escolas e casas populares, tornaram-se professores e ajudaram decididamente nas calamidades, muito frequentes nessas zonas castigadas por furacões e tempestades, como as tormentas no estado de Vargas, no início do governo Chávez, quando morreram cerca de 10 mil pessoas.

Por isso eles são tão queridos e objeto de muitas homenagens. Hugo Chávez, que se confessava um "humilde soldado, filho de Bolívar", fez questão que seu corpo fosse velado, não no Miraflores, o palácio do governo, como seria normal a qualquer chefe de estado, mas na Academia Militar, onde ele diz ter feito sua opção pela vida, e enterrado no Quartel da Montanha, hoje Museu da Revolução, guarnição militar que ele quis tomar com seu frustrado levante de 4 de Fevereiro de 1992.

O 4F, hoje, é simbolo de resistência e unidade paraeste país que continua sonhando alto e fazendo muito por seus cidadãos, os latino-americanos e todos os povos na luta pela libertação e soberania, como afiançou Evo Morales, o presidente da Bolívia que estava presente na última homenagem prestada ontem, 15 de fevereiro, ao comandante da Revolução Bolivariana.

Inglaterra aprova novo marco regulatório da imprensa

 

Enquanto a polícia britânica investiga centenas de novos casos de escuta telefônicas ilegais envolvendo o grupo Murdoch, os três principais partidos políticos fecharam um acordo, domingo à noite, sobre a regulação da imprensa escrita. O novo marco regulatório estabelece multas de até um milhão de libras e obriga os periódicos a pedir desculpas publicamente em caso de prática de abusos. Publicado em Carta Maior


         
Londres – A polícia está investigando centenas de novos casos de escutas telefônicas da extinta publicação dominical do grupo Murdoch, “News of the World”. As revelações de um informante do periódico colocam outra vez contra as cordas o império midiático que, mediante indenizações e acordos extrajudiciais, estava tentando sepultar a investigação. Enquanto isso, os três principais partidos políticos fecharam um acordo, domingo à noite, sobre a regulação da imprensa escrita. “Minha mensagem à imprensa é claro. Debatemos o tema. É hora de olhar para a frente e fazer funcionar este novo sistema”, disse o primeiro ministro David Cameron em uma sessão emergencial do parlamento.

O novo marco regulatório, que estabelece multas de até um milhão de libras e obriga os periódicos a pedir desculpas publicamente em caso de prática de abusos, contará com a sanção da rainha Elizabeth II por meio de um Ato Real e só poderá ser modificado com uma maioria parlamentar de dois terços. O acordo interpartidário esconde uma surda batalha em torno do tema. Em novembro passado, a Comissão Leveson propôs a continuidade do sistema de auto-regulação da imprensa com um código de conduta mais rígido e a criação por lei de um novo organismo supervisor que vigiasse o cumprimento das normas. A proposta era moderada, mas a maioria dos grandes meios de comunicação colocou a boca no trombone e o primeiro ministro conservador David Cameron convocou uma negociação com os outros partidos deixando claro que se opunha a que o parlamento sancionasse uma lei porque era “uma ameaça à liberdade de imprensa”.

Nos meses de negociação interpartidária que se seguiram os conservadores propuseram um Ato Real para resolver a falta de base legal que o novo marco apresentaria. A proposta foi rechaçada por seus aliados no governo, os liberal-democratas, e pela oposição trabalhista e as vítimas de abusos da imprensa, reunidos em torno do grupo Hacked off. Na quinta-feira passada, o primeiro ministro David Cameron deu por finalizadas as negociações e convocou uma votação parlamentar para esta segunda-feira. Na última hora da noite de domingo, chegou-se a um acordo mediante um subterfúgio. As três partes apoiavam a promulgação de uma lei que estipula que um Ato Real só poderá ser revogado por dois terços da Câmara dos Lordes e dos Comuns. Assim, ambas as partes puderam reivindicar uma vitória política. A interrogação que fica é se este novo marco evitará novos abusos.

A auto-regulação da imprensa foi consagrada em 1953 como uma espécie de princípio democrático sagrado, mas foi questionada e examinada por sete comissões nas últimas décadas. A última delas, formada durante os escândalos familiares que sacudiram a família real (Princesa Diana, divórcios, etc.) no início dos anos 90, concluiu que era a última oportunidade para a auto-regulação da imprensa. O experimento falhou como ficou claro no escândalo das escutas telefônicas. O próprio David Cameron se viu obrigado a criar, em julho de 2011, uma nova comissão investigadora da imprensa depois que se revelou que o “News of the World” havia invadido o celular de uma adolescente desaparecida e surgiram em série denúncias similares de vítimas de violações familiares de soldados mortos no Afeganistão e Iraque ou qualquer outro tema que tenha despertado a atenção do olho midiático.

Desde o surgimento do primeiro caso, em 2005, - a escuta telefônica do príncipe William – 16 pessoas foram levadas a julgamento, entre elas a outrora número dois de Ruppert Murdoch, Rebekah Brooks, e o ex-chefe de imprensa do primeiro-ministro Cameron e ex-editor do dominical, David Coulson. O grupo Murdoch aceitou pagar indenizações em 254 casos e há mais de 250 processos iniciados, que incluem a esposa de Tony Blair, Cherie, e Ted Beckham, pai do jogador de futebol. Em fevereiro deste ano, seis diretores do “News of the World” foram presos e na quinta passada o escândalo se estendeu a outro grupo, o Trinity Mirror, com a prisão de Tina Weaver, ex-editora do “Sunday Mirror”, e outros três colegas seus. Nesta segunda-feira, um advogado das vítimas, Hugh Tomilson, disse ao Alto Tribunal de Londres que a polícia havia descoberto centenas de novos casos de escutas telefônicas.

Até aqui, o golpe mais duro atingiu Rupert Murdoch e a News Corporation, segundo grupo midiático do mundo. Murdoch teve que abandonar sua tentativa de obter o controle absoluto da cadeia BSkyB e prestou dois depoimentos no parlamento. Em maior do ano passado, a Comissão de Cultura, Meios de Comunicação e Esportes declarou que ele não era “uma pessoa com as condições requisitos” para estar a frente de uma companhia internacional. Embora o controle acionário da News Corporation (cerca de 39%) permita-lhe manter as rédeas do grupo, sua influência diminuiu. Nos últimos meses, abriu mão de um milhão de ações da empresa e seu filho James, até antes do escândalo considerado o herdeiro do grupo, renunciou no ano passado como diretor executivo da News International, o braço britânico da empresa, e como presidente da BSkyB.

James Murdoch declarou repetidamente que todo o escândalo das escutas se devia a “uma maçã podre”. O golpe letal para sua carreira e a de seu pai será se a investigação policial em curso determinar que um dos dois ou ambos conheciam e concordavam com uma prática de espionagem jornalística que era “vox populi” em ambientes da imprensa e que havia chegado à cultura popular das séries televisivas sobre o jornalismo.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

A FESTA DOS SAQUEADORES: A PILHAGEM DA URSS

 
Em 1987, a dívida externa dos EUA subiu para US$ 246 bilhões. E no dia 19 de outubro de 1987, Wall Street caiu. Só um milagre poderia salvar os EUA. E o milagre aconteceu, e seu salvador foi Gorbachev.

Gorbachev salvou a economia dos EUA arruinando a URSS.


Sabe como isso aconteceu?

Em janeiro de 1987 as restrições sobre o comércio exterior foram revogadas. Essas restrições protegiam o mercado interno da União Soviética do colapso. Sem eles, o mercado doméstico da URSS - com seus preços ridiculamente baixos para alimentos e bens essenciais de consumo, em comparação com os mercados estrangeiros - não poderia manter-se por um único dia.

E, de repente, empresas e indivíduos foram autorizados a exportar alimentos para o exterior, matérias-primas, equipamentos eletrônicos, energia, produtos químicos, simplesmente... tudo!

Era como se um furacão poderoso tivesse passado sobre o vasto território da URSS. Em apenas um instante ele sugou para fora do país todos os produtos de valor. Mantimentos e objetos manufaturados desapareceram das prateleiras das lojas.

A pilhagem das reservas de ouro

Em 21 de julho de 1989 novos regulamentos alfandegários revogaram todas as restrições sobre a exportação de ouro e pedras preciosas.

O trabalho das alfândegas soviéticas dos últimos 70 anos foi imediatamente jogado no lixo.

Ouro, em quantidades até então inéditas, foi jogado para o mercado interno, a ser comprado a um preço interno, e então exportados.

Na época, o jornal "The Moscow Komsomol" descreveu assim o comércio de jóias: "Uma imagem brilhante de especulação desenfreada, a quota de vendas do Tesouro do Estado (Gokhran) para joias foi alocado mais e mais... Os contadores estavam sob ataque, o Tesouro do Estado era bombardeado com cartas solicitando novos suprimentos de ouro e pedras preciosas ... ".

O jornal "Izvestia" solicitou como medida de controle contra filas por ouro e diamantes "ser colocado no mercado uma quantidade formidável de ouro, tais como as reservas de ouro do Estado."

O jornal "Cultura Soviética" conclamou à remoção definitiva das barreiras alfandegárias para a exportação de ouro.

Depois de algum tempo G. Yavlinsky (responsável pela economia no governo na época) alarmou a imprensa com uma declaração sobre o desaparecimento das reservas de ouro. Mas tudo se acalmou rapidamente.

Ficou pior e pior

Naquele mesmo ano cidadãos exportaram individualmente 500.000 televisores a cores e 200 mil máquinas de lavar. Em 1988, apenas uma única família exportou: 392 geladeiras, 72 máquinas de lavar, 142 máquinas de ar-condicionado... Uma das milhares de organizações estrangeiras exportou: 1.400 ferros, 174 ventiladores, 3.500 peças de sabão e 242 kg de sabão em pó, produtos que foram especificamente comprados pelo Estado - por insistência do MPS - com moeda estrangeira, supostamente para o uso de cidadãos soviéticos.

Estes dados apareceram inadvertidamente na imprensa na época. Em 1989, sozinhos, em apenas um dos pontos de controles alfandegários, alguns indivíduos exportaram mais de 2 milhões de toneladas de produtos que estavam em falta na URSS.

Toda a produção da colhedora de algodão Krasnoyarsk foi exportada. Na época um bom lençol custava 5 rublos, uma folha dupla, 8 rublos. As exportações de pano triplicaram, as de algodão quase quadruplicaram, enquanto as de linho foram multiplicadas por 7.

Estes são números sobre exportações do Estado apenas. Exportações privadas superaram as do governo. Além disso, determinar os números exatos das exportações era impossível. O mesmo jornal "Izvestia" escreveu na época: "O nosso Estado é um dos poucos no mundo que não registra estatísticas aduaneiras."

Qual é o milagre “Balcerowicz” sobre o qual a mídia tanto fala?

Especialistas americanos sugeriram a Balcerowicz (o organizador e inspirador ideológico das reformas econômicas na Polônia) reduzir a produção e o comércio normais ao mesmo tempo que incentivava pequenos negócios.

Isso significava rebaixar a classe trabalhadora e transformá-la numa "nação de vendedores ambulantes." Todos esses indivíduos rebaixados, aos milhões, reuniram-se na URSS, como gafanhotos, e começaram a exportar tudo o que podiam colocar em suas mãos, desde mobiliário importado até pasta de dentes, e às toneladas.

No Congresso de Deputados havia um terrível escândalo e gritarias sobre a falta de pasta de dente para a população soviética. Nunca ocorreu aos representantes do povo questionarem-se sobre as causas que levaram à penúria flagrante de pasta de dente. Eles simplesmente decidiram comprar no exterior US$ 60 milhões de pasta de dente.

Quem ficou rico com esses 60 milhões de dólares?

Na França, de onde foi importado, o tubo de creme dental custava 15 francos, enquanto na URSS era vendido por um rublo. É claro que, em nenhum momento, a pasta de dentes saiu novamente para o exterior. Elas foram enviados para a Polônia em embalagens de 500 tubos (o pacote original da fábrica francesa) e, novamente, sem quaisquer restrições.

Os tubos foram transportados em carros-botas, compartimentos inteiros de trem, ou recipientes nos conveses dos barcos. Assim como as formigas que só deixam o esqueleto do corpo de um leão morto, as "piranhas de Balcerowicz" levaram tudo e deixaram o povo soviético com prateleiras vazias. Não havia um artigo de consumo, de produtos alimentares ou de aparelhos domésticos que não foi exportado.

Ficamos a pensar como é que estes bens haviam desaparecido, pois a indústria, ao longo dos anos, continuou a produzir em toda sua capacidade.

O "Pravda de Leningrado" de 1992

"Na URSS, até 1990-1991, produzimos 38 metros de pano per capita. Isso representava 75% da produção mundial de linho, 16% de lã e 13% de seda. De acordo com dados oficiais do Estado, apenas 50% dos produtos de linho e 42% dos produtos de lã foram exportados. "

Mas estes números não levam em conta as exportações por particulares. Porque, como gafanhotos, eles exportavam tudo o que podiam comprar.

A URSS produziu 21,4% da produção mundial de manteiga (a população soviética era 4,88% da população mundial). A produção de manteiga continuou a aumentar, mas por causa das exportações, os bilhetes de racionamento foram introduzidos. Na União Soviética, a produção de manteiga per capita foi de 26% a mais do que na Grã-Bretanha. Sendo assim, não havia manteiga nas lojas soviéticos, mas era possível comprá-la na Grã-Bretanha, sem qualquer problema. Estranho, não é?

As estatísticas oficiais consideravam como consumida na URSS toda a manteiga e a carne que foram enviados para armazéns que abasteciam as mercearias. Para a compra de manteiga e carne, os passaportes não eram obrigatórios, e conseqüentemente, produtos adquiridos na URSS, ainda que exportados para além de suas fronteiras, foram considerados como contribuindo para o bem-estar do povo soviético. De fato, toneladas de carne e manteiga nem passaram pelas lojas de varejo e foram diretamente para armazéns no exterior por mar (em contêineres), por via terrestre (rodoviário e ferroviário) e via aérea.

Todas as estatísticas demonstram que o insaciável povo soviético devorou tudo sozinho.

No final dos anos 80 e início dos 90, tudo tinha desaparecido. Meias e geladeiras, televisores e chapas, papel e máquinas de lavar! O gafanhoto voardor tinha devorado tudo, as salsichas e os peixes, a semolina e o açúcar. Panelas de alumínio, sopa de tigelas e colheres foram exportados a baixo preço mesmo sendo material muito valioso que tinha passado por fases de produção que exigem uma grande quantidade de energia e polimento. Os insetos e os exportadores de madeira corroeram o outrora poderoso navio que era a economia soviética e a reduziu a pó.

E em 1991, ela entrou em colapso.


Tatiana Yakovleva

Tradução de Glauber Ataide