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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Síria : A política do (des)armamento


syrie armes chimiques
Um carregamento de armas químicas da Síria será transportado amanhã para Gioia Tauro [1] (na Calábria), do navio dinamarquês Ark Futura, ao navio estadunidense Cape Ray. Esse será o último envio. Com isso então a Síria termina o desarmamento químico posto abaixo do controle da Organização para a Proibição de Armas Químicas. Damasco manteu dessa maneira a sua palavra no quadro do acordo estabelecido com a mediação de Moscou, que em troca obteu de Washington a
promessa de não atacar a Síria. A transferência e a destruição sucessiva das armas químicas sírias declarou Mogherini, ministra dos negócios estrangeiros da Itália, “poderá abrir mais cenários de desarmamento e de não proliferação na região”. Ela se calou aqui quanto ao fato que enquanto a Síria renunciava as armas químicas, Israel ia construindo um sofisticado arsenal químico que continua sendo secreto porque Israel assinou, mas não ratificou, a Convenção sobre armas químicas. Isso sendo da mesma maneira como fez com o seu arsenal nuclear, que também continua sendo secreto porque Israel não assinou o Tratado de não proliferação.
Mogherini calou-se principalmente quanto a maneira pela qual os Estados Unidos contribuem ao “desarmamento” na região : exatamente quando Damasco terminou o seu desarmamento químico, mostrando dessa maneira a sua prontidão para negociações, o presidente Obama requeria do Congresso 500 milhões de dólares para armar e treinar os “membros controláveis da oposição síria”. Entretanto, essa oposição é na sua maioria composta por não-sírios, os quais foram recrutados na Líbia, Afeganistão, Bósnia, Chechenia e outros países. Esse recrutamento foi feito pela CIA, a qual os vem armando e treinando na Turquia e na Jordânia, já a muitos anos, para infiltrá-los na Síria. Entre os recrutados encontram-se então numerosos militantes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, ou EIIL) os quais são treinados em bases secretas na Jordânia. Se bem que Damasco tenha realizado o desarmamento químico, e que novas provas tenham sido apresentadas quanto ao fato de terem sido os “rebeldes” que tinham usado armas químicas na Síria, Washington continua a armá-los e treiná-los para derrubar o governo sírio. Emblemático seria a declaração da reunião de cúpula da G7 em Bruxelas, a qual reflete a política de Washington a esse respeito.
Sem dizer uma palavra sobre o desarmamento químico da Síria, o G7 “condena a brutalidade do regime de Assad, que dirige um conflito que já matou mais de 160 mil pessoas deixando 9.3 milhões de pessoas em necessidade de assistência humanitária”. Depois eles qualificam também as eleições presidenciais de 3 de junho como falsificadas, declarando que “não haveria nenhum futuro para Assad na Síria. Isso ao mesmo tempo que elogiavam “o trabalho da Coalizão Nacional e do Exército Livre da Síria para manter o direito internacional”  “deplorando” o fato da Rússia e da China terem bloqueado, no Conselho de Segurança da ONU, uma resolução que exigia uma acusação contra o governo sírio no Tribunal Internacional de Hague.
Os objetivos de Washington mostram-se, entretanto, muito claramente : abater o governo de Damasco, o qual é apoiado principalmente por Moscou, e ao mesmo tempo (por intermédio da ofensiva do Estado Islâmico do Iraque e do Levante – ISIS ou EIIL – o qual é um instrumento da estratégia estadunidense) depor também o governo de Bagdá, que se distanciou dos Estados Unidos, e está se aproximando da China e da Rússia. A alternativa seria aqui « balcanizar » o Iraque, favorecendo então a sua divisão em partes. Com essa intenção Washington enviou ao Iraque, além dos drones que já operam lá vindos de Kuwait, 300 conselheiros militares com a missão de instalar dois “centros de operações conjuntas”, um en Bagdá e o outro no Curdistão. Para conduzir essas operações, assim como outras também, definidas oficialmente como de “contra terrorismo”, a Casa Branca pediu ao Congresso fundos adicionais : 4 bilhões de dólares para o Pentágono (sobretudo para as forças especiais), um bilhão para o Departamento do Estado, e 500 milhões para “situações imprevisíveis”. Na verdade essas “situações imprevisíveis” seriam facilmente previsíveis.
Manlio Dinucci

Edição de terça-feira, 1 de julho de 2014 de il manifestohttp://ilmanifesto.info/la-politica-del-disarmo/
Traduzido por Anna Malm, artigospoliticos.wordpress.com, para Mondialisation.ca

[1] Le port calabrais de Gioia Tauro (province de Reggio Calabria) est le plus grand port méditerranéen de transfert de chargement (transhipment). NdT.
 www.globalresearch.ca/siria-a-politica-do-desarmamento/5389546" data-title="Síria : A política do (des)armamento">

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A balcanização do Iraque A arte da guerra

 

Obama organise une visite surprise en Irak au milieu d’un regain du carnage
Se fosse verdade o que se está dizendo em Washington, quanto aos Estados Unidos terem sido pegos de surpresa pelo ataque de ofensiva feito pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL),  no Iraque, isso significaria que Obama deveria imediatamente destituir os dirigentes da comunidade de inteligência estadunidense, comunidade essa constituída pela CIA e por inúmeras outras agências federais, que são as responsáveis pela espionagem, assim como para as execuções das operações secretas dos Estados Unidos, feitas em escala mundial.
Sem nenhuma dúvida e isso muito pelo contrário, eles devem ter sido felicitados pelo presidente, atrás de portas fechadas. O EIIL é na verdade um factor instrumental para a estratégia estadunidense de demolição de países através de guerras secretas. Vários dos chefes vindos das formações islâmicas na Líbia, anteriormente classificados como terroristas, foram armados, treinados e financiados pelos serviços secretos estadunidenses para derrubar Kadhafi. Foi o próprio EIIL que confirmou isso de quando comemorando dois de seus comandantes líbios : Abu Abdullah al Libi, que combateu na Líbia antes de ter sido assassinado por um grupo rival, na Síria, em 22 de setembro de 2013; e Abu Dajana que depois de ter combatido, ele também na Líbia, foi assassinado em 8 de fevereiro na Síria, numa confrontação com um grupo da Al Qaida, anteriormente seu aliado. Quando do começo da guerra secreta para derrubar ou abater o presidente Assad, vários militantes foram da Líbia à Síria, unindo-se com outros combatentes, na sua maioria não-sírios, vindos do Afeganistão, Bósnia, Tchetchênia, e outros países. O EIIL construiu uma grande parte da sua força justamente na Síria, onde os “rebeldes”, infiltrados na Turquia e Jordânia, receberam provisões de armas, entre elas então as provenientes da Croácia, através de uma rede organizada pela CIA (a existência dessa rede foi documentada por uma investigação do New York Times, apresentada em 26 de março de 2013.
Seria possível que a CIA e as outras agências estadunidenses – dotadas de uma densa rede de espiões, de eficientes drones, e de satélites militares, pudessem estar ignorantes de que a EIIL estava a preparar uma massiva ofensiva contra Bagdá, ofensiva essa anunciada ela mesma por uma série de atentados? Evidentemente que não. Então, porque seria que Washington não teria dado o alarme, antes da entrada da própria ofensiva? Isso é porque o objetivo estratégico dos Estados Unidos não é a defesa, mas o controle do Iraque.
Depois de ter gasto só na segunda guerra no Iraque mais de 800 bilhões de dólares para as operações militares, que chegam já a 3 trilhões de dólares se todos os custos, inclusive os sanitários forem incluídos, os Estados Unidos agora estão a ver a China cada vez mais marcando presença no Iraque: ela compra cerca da metade da produção petrolífera do Iraque, o que está aumentando de muito, assim também como faz grandes investimentos na indústria de extração do mesmo. Isso entretanto não é tudo. Em fevereiro, durante a visita do ministro dos negócios estrangeiros Wang Yi à Bagdá, os governos do Iraque e da China assinaram acordos tendo em vista fornecimentos de carácter militar para a China. Em maio o primeiro ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, participou em Xangai na Conferência sobre Medidas de Interação e Confiança na Ásia, com Hassan Rouhani, presidente do Irã, país com o qual o governo al-Maliki assinou no último novembro um acordo, desafiando o embargo, desejado por Washington, para a compra de armas iranianas numa quantia de 195 milhões de dólares. É nesse cenário que se passa a ofensiva do EIIL no Iraque, o que põe fogo no país onde se encontra o inflamável proveniente da rivalidade sunita- chiita, rivalidade essa que foi acelerada pela política de al-Maliki. Isso teria permitido aos Estados Unidos o relançamento de sua estratégia de controle do Iraque. Nesse quadro não se deve perder de vista o plano que o atual vice-presidente Joe Biden fez passar no senado em 2007, o qual prevê “a decentralização do Iraque em três regiões semi autônomas: curda, sunita e chiita”, com um “governo central limitado a Bagdá”.
Em outras palavras, o desmembramento do Iraque.
Manlio Dinucci

http://ilmanifesto.info/la-balcanizzazione-delliraq/
Traduzido por Anna Malm,  artigospoliticos.wordpress.com, para Mondialisation.ca

Iraque : Táctica de espera dos EUA ou armadilha para Irã e Síria ?


1. Doutor Harba, o senhor disse que a invasão do Iraque pelos bandos “daechistas”, ou seja dos membros do EIIL, “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” seria uma consequência da resistência da Síria durante os últimos três anos e que Daech depois de ter fracassado na Síria, tinha se deslocado ao Iraque. Por sua parte Daech então teria dito claramente que os que eles estavam a ajudar representavam o ponto de partida para uma efetiva construção do “Estado Islâmico do Iraque e do Levante”. Agora, se eles nunca tivessem ido ao Iraque, até quando o Iraque conseguiria evitar a divisão do país e/ou uma guerra confissional? No caso de uma guerra confissional no Iraque, não se poderia recear que isso teria uma repercussão na Síria? Depois, o senhor aceita ou partilha a análise dos que pensam que se trata principalmente de um golpe contra o Irã?       
Os que apoiam o terrorismo na Síria são os mesmos que o apoiam no Iraque e isso eles o fazem utilizando os mesmos meios. Mas antes de responder a sua questão eu gostaria de dizer que nós somos a favor de todos os esforços internacionais para acabar com o terrorismo, não só na Síria e no Iraque mas por todo o mundo.
Tendo isso sido dito, tem-se que já há três anos que o terrorismo, seja qual for o nome que se lhe dê, está matando os sírios. Entretanto, ele não conseguiu realisar os objetivos de tudo o que possa ter sido planejado pelos serviços de inteligência e pelas câmaras operacionais americana-sionistas, ou outras. Foram três anos de resistência a esse terrorismo, mas três dias foram o suficiente para que esse tivesse sucesso no Iraque e eu acho que três horas lhes seriam suficientes para suceder na Jordânia!
Agora, acreditar que essa ofensiva de Daech teria sido feita no Iraque sem que os Estados Unidos o soubesse, de quando as suas redes de espionagem e satélites constantemente tem a mira sobre a nossa região, seria de uma extrema inocência. Ainda mais que esses grupos selvagens tiveram que atravessar regiões do deserto levando com eles suas armas, veículos, e materiais… Por outras fontes eu pude ler hoje que a Embaixada dos Estados Unidos estava informada [1].
Certo depois é que seria mais que provável que os daechistas tivessem se beneficiado de cumplicidades internas [2], a saber, aquela do governador da província de Ninavva, Assir al-Noujaïfï, o qual, e isso é um fato, visitou a administração de Erdogan e se encontrou com o chefe dos serviços secretos turcos, Hakan Fidan, uma semana antes do ataque. Nós sabemos também que os turcos tinham três contingentes a postos, dois contingentes de militares e um da polícia nacional. Em outras palavras, mais do que 30 000 tropas estavam presentes nessa província [3] quando o governador Assir al-Noujaïfï fez seu apelo ao povo iraquiano de não confrontar Daech. Por conseguinte, já havia no Iraque um clima político favorável sendo que Daech então não seria mais do que uma das frentes terroristas a lhe atacar.
2. Clima favorável significa aqui confissionalismo, não é verdade?
Isso de uma maneira geral, porque são os Estados Unidos que dirigem essa agressão, e isso de várias formas e dimensões.
  • A primeira dimensão é de ordem política. Ela mostra, especialmente depois dos resultados das eleições legislativas que confirmaram o bloco do Sr. Al-Maliki, o papél do Iraque na região, e principalmente as suas tomadas de posição em favor da Síria e da Palestina… Os Estados Unidos procuram provar que o Iraque tornou-se “um estado falido”, e que isso os obrigaria a tratar do problema através de intervenção militar direta ou indireta para poder extrair a “Frente de recusa” [Irã-Síria-Líbia] e levar o país ao círculo da Arábia Saudita e dos Países do Golfo.
Nesse caso eu classificaria o plano que está em curso de aplicação como o “Plano Balfour 2 ”, como sendo ainda mais perigoso que o Plano Balfour 1 [4]. Isso porque se o plano 1 [de 1917] foi umas das primeiras etapas da instalação de uma entidade sionista na Palestina, essa aqui seria a primeira etapa para a criação de uma “entidade sionista-wahhabista-takfirista” nessa região, a qual é de uma grande importância geoestratégica.
  • A segunda dimensão é de ordem econômica. Primeiro em questão de recursos petrolíferos e de gás do Iraque, especialmente na região que comprehende Ninawa, de Dyala e de Al-Anbar…O pretendido estado islâmico, o EIIL mencionado acima, deverá assim sua existência a essa imensa riqueza energética e, partimos disso, porque ele não se estenderá até a Jordânia, a Arábia Saudita e mesmo, como eles tem a pretensão, até Al-Raqqa e Deir ez-zor na Síria, depois… na Turquia !?
Isso sem que nos esqueçamos da possibilidade de concretizar o projeto de encaminhamento do gás e do petróleo da Arábia Saudita e do Catar através da Turquia [5], o que é feito para impedir o transporte do gás iraniano através do Mediterrâneo via Iraque e Síria [6]. Num só golpe então isso viria também a ameaçar os gasodutos que transitam pela Ucrânia, em direção a Europa… assunto de alta relevância atualmente [7].
  • A terceira dimensão é de ordem militar. Na realidade nós poderíamos dizer que a administração dos Estados Unidos está muito determinada procurando sempre sua cooperação com o terrorismo internacional, onde quer que seja que ele se apresente, o que explica o que alguns categorizam como um “`attentisme´ dos Estados Unidos” [8] frente a ofensiva de Daech no Iraque. Eles não interveniram “imediatamente” para salvar o governo central iraquiano como anunciaram [9] [10] assim como não o fizeram para salvar o exército que eles mesmos criaram, da mesma maneira como também não terão nenhuma pressa para intervenir agora.
Disso vem então o perigo, no senso de poderá se tratar de uma armadilha contra o Irã, porque se esse intervir no Iraque, isso poderá servir de pretexto para os Estados Unidos, e seus aliados, pretendendo que o Irã estaria intervindo para proteger os chiitas do Iraque, o que reforçaria a idéia de uma “guerra sunita-chiita” a qual querem que explique em princípio todos os males da região.
De quando as zonas de combate se deslocassem para as fronteiras iranianas, o país estaria como entre os dois lados de um alicate. De um lado, ao leste, estariam os Talibãs, do outro lado, ao oeste, os daechistas.
Como em outras ocasiões não deveremos ficar surpresos se dentro em pouco tempo eles começarem a nos explicar que uma fracção desses terroristas não são afiliados a Daech,  de outro modo conhecido como al-Qaïda, mas que fazem parte de uma “oposição armada moderada”, exatamente como eles não param de o fazer quanto a Síria.
Para ser conciso, eu acho que os Estados Unidos estão a caminho de perseguir vários objetivos de uma só vez. Eles pensam arrumar uma armadilha para o Irã de uma maneira ou de outra, abandonando o terreno sírio aos que eles fazem passar por “oposição moderada”, esses então em realidade não sendo mais que um outro sortimento da Al-Qaïda.
Depois tem-se que os Estados Unidos estão limpando o terreno para os interesses de Daech, e para si mesmos. Vou tentar explicar em lembrando um fato marcante que surgiu logo que Al-Zawari [sucessor de Bin Laden e chefe da Al-Qaïda] despachou seis de seus delegados para fazer com que Abou Bakr Al-Baghdadi [comandante de Daech] e Abou Mohammad Al-Joulani [comandante de Jabhat al-Nosra] saíssem da Síria para se ocupar dos desgostosos irmão iraquianos [11]. Nós todos sabemos que Al-Baghdadi se encantou com a idéia e respondeu ao apelo de Al-Zawari saindo da Síria para se retirar ao Iraque, mas não antes de garantir o transporte de armas e combatentes para a Síria, até o preciso momento em que os veículos blindados dos Estados Unidos, vindo do Iraque, já estivessem perfeitamente visíveis ao redor de Hassaka, de Deir ez-Zor, e de Al-Qamichli, enquanto al-Joulani se refusou a atender o pedido.
Nós podemos deduzir que teremos que esperar alguns dias para poder começar a falar de divisão na Al-Nosra, onde uma parte aceitou o ir juntar-se a Daech, e portanto a Al-Qaïda, enquanto uma outra parte se recusou para poder continuar ao lado de Al-Joulani que se aliou com a “Frente Islamista” [último nascimento de grupos terroristas a serem usados exclusivamente na Síria] [12]. Essa será então a ocasião para os Estados Unidos de nos apresentar Al-Joulani e Companhia, como a “nova oposição moderada da Síria”, pois poderão dizer que essa se compõe de elementos que se refusaram a prestar loialidade a Al-Qaïda !
Tem-se ainda que os daechistas já são os “maus”, porque eles muito depressa gritaram que eles tinham a intenção de destruir locais sagrados, quer esses fossem em Samarra, Najaf, ou Karbala…
No final das contas é sempre a administração americana que tem o controle e a responsabilidade final dessas organizações terroristas-takfiristas-wahabistas, e não se deve nunca ser esquecido que foi o próprio Estados Unidos que criou a Al-Qaïda para as necessidades de suas próprias “causas” no Afeganistão [13]. Eles retornam a ela persistentemente, apesar de que seu próprio povo ainda sofra da amargura de 11 de setembro de 2001. Mas tais são os costumes desses dirigentes, sempre prontos a se aliar com o próprio diabo desde que possam realizar seus próprios interesses.
Apesar disso temos que distinguir entre o sonho e a realidade. Eles não poderão realizar seus objetivos, nem na Síria, nem no Iraque, nem na região…
3. Mas como fazer para que isso termine ?
Não será os Estados Unidos que irá parar de fazer o que faz. A comunidade internacional tem que assumir sua responsabilidade e fazer com que esse apoio ao terrorismo, que mata na Síria e no Iraque, chegue a um fim. Quanto a nós, iremos lutar até que ele desapareça, e ele vai desaparecer porque tem que desaparecer!
4. O senhor fala de uma resolução internacional de luta contra o terrorismo?
Eu digo que o terrorismo tem que ser erradicado porque ele ameaça toda a humanidade ! Senão, e particularmente se os Estados Unidos continuar a sustentá-lo, não só mais sírios e iraquianos irão morrer, mas também mais europeus e americanos perderão suas vidas. Eu creio que a última palavra volta sempre aos Estados Unidos. Um chefe de Daech com o nome de Mazen Abou Mohammad foi hospitalizado num hospital público turco, e um jornal austríaco publicou, muito recentemente, um artigo detalhando as implicações da Arábia Saudita dando apoio a Daech no Iraque, etc. etc… Entretanto, sim, eu acredito que a palavra de ordem para parar o terrorismo, destruidor e sanguinário, teria que vir dos Estados Unidos.
Dr Salim Harba

Source : TV syrienne / Al-Ikhbariya [dernier quart d’heure d’une émission consacrée à la libération de Kassab et de ses environs], le Dr Harba est interrogé par Mme Alissar Moala
http://www.youtube.com/watch?v=YqYUuLACLXI
Traduzido do arabe por Mouna Alno-Nakhal para Mondialisation.ca
Syrie-Irak terrorismeIrak : Attentisme US ou piège tendu à l’Iran et à la Syrie ?
Traduzido do francês por Anna Malm, artigospoliticos.wordpress.com, para Mondialisation.ca 
 Notes :
[1] L’ambassadeur américain était au courant de l’avancée de Daech
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=FrsVadeLlI4
[2] Les daéchites à Mossoul / Vidéo Irak 10/06/3014
http://www.youtube.com/watch?v=3dx5u90vC9k
[3] The Engineered Destruction and Political Fragmentation of Iraq. Towards the Creation of a US Sponsored Islamist Caliphate
http://www.globalresearch.ca/the-destruction-and-political-fragmentation-of-iraq-towards-the-creation-of-a-us-sponsored-islamist-caliphate/5386998
[4] Déclaration Balfour de 1917
http://fr.wikipedia.org/wiki/D%C3%A9claration_Balfour_de_1917
[5] Syrie : Le trajet des gazoducs qataris décide des zones de combat !
http://www.mondialisation.ca/syrie-le-trajet-des-gazoducs-qataris-decident-des-zones-de-combat/5311934
[6] Syrie/Irak/Iran : un gazoduc très politique
http://www.infosyrie.fr/focus/syrieirakiran-un-gazoduc-tres-politique/
[7] Le gaz russe a bien été coupé aux ukrainiens
http://terredebrut.over-blog.org/article-1504530.html
[8] Alain Chouet : “En Irak, l’Iran a tout intérêt à laisser les Occidentaux s’enferrer !”
http://www.lepoint.fr/editos-du-point/jean-guisnel/alain-chouet-en-irak-l-iran-a-tout-interet-a-laisser-les-occidentaux-s-enferrer-14-06-2014-1836125_53.php#xtor=EPR-34
[9] Obama n’exclut rien… [12 Juin 2014]
https://fr.news.yahoo.com/video/irak-obama-affirme-%C3%A9tudier-toutes-201444710.html
[10] Irak : Obama n’enverra pas de GIs contre les islamistes [13 Juin 2014]
http://www.dailymotion.com/video/x1zd1oo_irak-obama-n-enverra-pas-de-gis-contre-les-islamistes_news
[11]Syrie : Zawahiri somme Al-Nosra de cesser de combattre les autres djihadistes
http://www.france24.com/fr/20140502-zawahiri-enregistrement-al-nosra-syrie-combat-eiil-djihadistes-al-qaida/
[11] Syrie : Lexique de la terreur en prévision de Genève II !
http://www.mondialisation.ca/syrie-lexique-de-la-terreur-en-prevision-de-geneve-ii/5364080
[12] Hillary Clinton : Nous avons crée Al-Qaïda, Nous avons financé les Moudjahidin
http://www.dailymotion.com/video/xsgyjs_hillary-clinton-nous-avons-cree-al-qaida-nous-avons-finance-les-moudjahidin_news

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A disputa pela versão oficial sobre a carreira de Barbosa no STF


O protagonista, com o apoio da imprensa monopolista, tenta vender a imagem do homem destemido que enfrentou forças poderosas e hoje é perseguido por isso.


Najla Passos


A versão oficial sobre os 11 anos de carreira de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF) está em disputa. De um lado, o protagonista, com o apoio da imprensa monopolista, tenta vender a imagem do homem destemido que enfrentou forças poderosas e hoje é perseguido por isso.

Do outro, juristas, intelectuais, acadêmicos, políticos e representantes dos movimentos sociais escancaram com cada vez mais intensidade que os arbítrios cometidos pelo presidente da mais alta corte de justiça do país podem ter efeitos devastadores para a democracia brasileira.

Na terça (17), quando o país se preparava para torcer pela seleção brasileira, Barbosa renunciou à relatoria da ação penal 470, o chamado “mensalão”. A alegação foi a de que estaria sofrendo ameaça por parte dos advogados dos condenados que, segundo ele, “passaram a atuar politicamente no caso”.


A afirmação foi uma alusão direta ao caso do advogado Luiz Pacheco que, no legítimo exercício da sua função, foi expulso do plenário da corte por Barbosa, e afirmou que ainda pegaria o magistrado “por abuso de autoridade”. O vídeo é absolutamente claro quanto a isso. Mas Barbosa preferiu traduzir o desabafo como uma ameaça à sua vida.

Ele, inclusive, já havia recorrido à tática da vitimização dias antes, quando anunciou que iria se aposentar precocemente. Na coletiva oficial à imprensa, não quis revelar os motivos que o levaram a decidir sair antes mesmo de encerrar seu mandato à frente da presidência, o que ocorrerá somente em novembro, e 11 anos antes de completar os 70 anos necessários à aposentadoria compulsória.

Mas teve o cuidado de deixar vazar para os jornalistas amigos que estaria sendo ameaçado de morte. O assunto conquistou amplo destaque, mas, de concreto, o melhor que a imprensa conseguiu encontrar para comprovar a tese foi o caso do petista Sérvolo de Oliveira, de Natal, que publicou um comentário raivoso no Facebook dizendo que Barbosa merecia “morrer de câncer ou de um tiro na cabeça”.

Um único homem, com nome, CPF e endereços conhecidos pela Polícia Federal. Procurado pela reportagem de Veja, se desculpou pelos excessos cometidos na rede social: “Quando eu vi como trataram o julgamento do caso no STF, realmente me irritei. Quando falei do tiro na cabeça, eu estava lembrando do PC Farias. A burguesia brasileira age assim. Mas eu sou do candomblé, não tenho coragem de matar ninguém”.

O problema é que, para a imprensa que tentou transformar Barbosa em herói para legitimar a sucessão de arbítrio que foi o julgamento do “mensalão”, a versão do justiceiro injustiçado é muito mais tentadora do que a do homem autoritário que vêm recebendo o repúdio da comunidade jurídica.

E, mesmo que ele tenha desistido de concorrer a um cargo nas eleições de outubro, as pesquisas apontam que ele é o segundo melhor cabo eleitoral do país, perdendo apenas para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas muitos pontos à frente da pré-candidata à vice-presidência pelo PSB, Marina Silva, e mais ainda do lanterninha da disputa, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.

Tanto Eduardo Campos, do PSB, quanto Aécio Neves, do PSDB, já confirmaram que estão de olho no seu apoio. Manter a admiração que ele ainda angaria dentre os mais desavisados e reverter a má fama entre os que o acompanham mais de perto é, portanto, uma obsessão das forças políticas conservadoras.


O outro lado, entretanto, não comprou a versão do herói em apuros e nem se calou frente a ela. Na quarta (18), juristas, intelectuais, acadêmicos e representantes dos movimentos sociais protocolaram nos gabinetes dos outros dez ministros do STF um abaixo-assinado em que pedem reação às arbitrariedades de Barbosa.

No documento, os signatários alegam que já não se trata de contestar o resultado do polêmico julgamento da ação penal 470, embora os juristas ainda discutam as inovações do processo, como a adoção da Teoria do Domínio do Fato que, segundo os eles, substituiu a presunção de inocência pela de culpabilidade.

A questão, agora, segundo o documento, é evitar o caos no já deficiente sistema prisional brasileiro e restaurar o estado democrático de direito. “O desrespeito ao direito de um único cidadão coloca em risco o direito de todos, e o Brasil já sofreu demais nas mãos de quem ditava leis e atos institucionais, atacando os mais elementares direitos democráticos”, diz o texto.

Os signatários lembram que a exigência imposta por Barbosa de que os réus do regime semiaberto tenham que cumprir um sexto da pena antes de serem autorizados ao trabalho externo, à revelia da jurisprudência praticada há mais de uma década no país, causa sofrimento e incerteza não só a José Dirceu, Delubio Soares, José Genoino e seus familiares, mas também às dezenas de milhares de famílias de réus que cumprem o regime semiaberto.

O novo relator da ação penal 470, ministro Luís Roberto Barroso, parece sensível a voz do bom senso e ao apelo das garantias constitucionais. Na mesma quarta, declarou que submeterá os recursos dos réus ao plenário já na próxima semana, antes do início do recesso judiciário e antes da aposentadoria definitiva de Barbosa. “Quem está preso tem pressa”, justificou.


Imediatamente após a declaração, se transformou em alvo da TV Globo. Hoje, é atacado pelo jornal O Globo. Provavelmente, também o será no final de semana, pela revista Veja. Nos próximos dias, as forças conservadoras tudo farão para acuar os ministros que querem atender ao apelo da sociedade organizada e restaurar o estado democrático de direito. É preciso, portanto, reforçar o coro dos que lutam pela democracia!

Fonte: Carta Maior