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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Presos de Guantánamo eram torturados com músicas da Vila Sésamo, diz TV

Além serem forçados a ouvir rock pesado, detentos da base americana tinham que escutar canções de Elmo e Garibaldo

 

 

Reprodução

Personagens de Vila Sésamo estão no ar há mais de 40 anos; músicas do programa infantil são usadas para torturar presos


Já não é novidade o uso de heavy metal e outros ritmos musicais pesados como método de tortura e intimidação de prisioneiros. Em 2008, a imprensa norte-americana divulgou a informação de que músicas de bandas como Metallica e AC/DC eram recorrentes no “playlist” imposto pelo exército aos presos no Iraque e no Afeganistão.

Na base militar dos Estados Unidos em Guantánamo (Cuba), no entanto, as sessões de tortura psicológica têm uma trilha sonora diferente. Durante os interrogatórios aos detentos – em sua maioria suspeitos de envolvimento com terrorismo –, são mesclados sons pesados com canções mais leves, como as do programa infantil Vila Sésamo.


A revelação foi feita por um documentário da rede de TV Al Jazeera, que ouviu perplexo compositor das canções do programa. “Minha primeira reação foi: ‘isso simplesmente não pode ser verdade’”, disse Christopher Cerf, ao saber como seu trabalho estava sendo usado. Essa é a segunda vez que surgem denúncias do uso de músicas da série contra prisioneiros. Em 2003, em meio à chamada “guerra ao terror”, isso também teria ocorrido na prisão de Abu Ghraib, no Iraque

No ar nos Estados Unidos desde 1969, a Vila Sésamo (Sesame Street, no original), é um programa educativo destinado a crianças em fase de alfabetização. A série teve duas versões na TV brasileira, uma na década de 1970 e outra em 2007.

Fonte: Opera Mundi

"Solidariedade Brasil-Cuba é avenida larga de mão dupla"


Por Antonio Barreto

A atitude solidária no Brasil encheu-se de júbilo e de alegria com a vitória da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959. A partir daí, a solidariedade a Cuba no Brasil foi persistente e sempre alerta e muito ativa.

A partir do golpe de 1964 no Brasil, o povo cubano e seu governo, retribuindo a solidariedade brasileira, apoiaram e acolheram os perseguidos pela ditadura militar. Nessa ocasião, os brasileiros lutavam por algo que os irmãos cubanos já haviam conquistado há alguns anos: a liberdade e o poder popular, a democracia em sua forma mais autêntica.

A amizade, a solidariedade e a cooperação entre os povos do Brasil e de Cuba foram, são e serão uma avenida cada vez mais larga e de mão dupla, a solidariedade que vai e a solidariedade que vem.

Com o fim das ditaduras militares na América Latina e no Caribe, começa a fase da luta contra os governos neoliberais e contra a proposta anexacionista da Área de Livre Comércio das Américas, a Alca.

A luta contra a Alca, na qual Cuba teve um papel de vanguarda, unifica os povos de Nossa América, assim como a partir da vitória de Hugo Chávez em 1998, na Venezuela, tem início um novo ciclo político em nosso continente que atinge um ponto alto na recente criação da Celac, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos.

A Celac faz atual os desígnios de Simon Bolívar e José Martí, entre tantos outros Libertadores, que almejavam a união e a integração solidária da América Latina e do Caribe, bandeira que Cuba sempre carregou, mesmo nos momentos mais difíceis.

Após a vitória da Revolução, e desde aí até hoje, a bandeira da unidade e da integração latino-americana e caribenha esteve presente nos discursos de Fidel e de todo revolucionário cubano. Cuba carregou esta bandeira anti-imperialista e nos ajudou a trazê-la para tremular hoje em nossos céus, anunciando a real possibilidade de um futuro melhor para nossos povos, com liberdade, independência nacional, democracia popular, e desenvolvimento econômico e social.

Nos dias de hoje, os brasileiros solidários a Cuba têm como desafios a luta pela libertação dos 5 heróis cubanos presos injustamente nos Estados Unidos; a luta pelo fim do criminosos bloqueio econômico; e o combate às mentiras midiáticas que tentam difamar as conquistas do Socialismo em Cuba.

A solidariedade do povo brasileiro tem hoje um potencial inédito que precisa ser realizado e florescer. Nossa solidariedade a Cuba e a seu povo precisa transbordar e atingir milhares e depois milhões e milhões de compatriotas.

A partir de um amplo movimento, sem restrição por opção política, ideológica ou confessional, com amplitude política e social, e com a pluralidade necessária, com unidade e convergências pelo método do consenso, é possível fazermos ações cada vez mais populares e massivas. Ações diversas, de variadas formas e com distintos atores, todos juntos irmanados pelo objetivo de atuar para fazer avançar a solidariedade a Cuba.

Nós, entidades de solidariedade a Cuba, movimentos sociais, partidos políticos, intelectuais, artistas, religiosos, enfim todos nós brasileiros e brasileiras solidários a Cuba, temos a possibilidade e a necessidade de avançar ainda mais o nosso trabalho solidário.

Com unidade, respeito e confiança mútua, sem protagonismos ou discriminações, e valorizando e enaltecendo o que já fizemos desde os anos 50 e depois em um processo de 20 convenções nacionais de solidariedade a Cuba, precisamos e podemos avançar ainda mais e fazer ainda mais e melhor uma atividade que é paixão e razão de todos nós: a solidariedade a Cuba!

Viva Cuba!

Viva o socialismo!

Fim do Bloqueio e a imediata libertação dos 5 Heróis!

Fonte: Solidários

A força da imagem do PT


Marcos Coimbra
 
Ao contrário do que se costuma pensar, o sistema partidário brasileiro tem um enraizamento social expressivo. Ao considerar nossas instituições políticas, pode-se até dizer que ele é muito significativo.
Em um país com democracia intermitente, baixo acesso à educação e onde a participação eleitoral é obrigatória, a proporção de cidadãos que se identificam com algum partido chega a ser surpreendente.
Se há, portanto, uma coisa que chama a atenção no Brasil não é a ausência, mas a presença de vínculos partidários no eleitorado. Conforme mostram as pesquisas, metade dos eleitores tem algum vínculo.

Seria possível imaginar que essa taxa é consequência de termos um amplo e variado multipartidarismo, com 29 legendas registradas. Com um cardápio tão vasto, qualquer um poderia encontrar ao menos um partido com o qual concordar. Mas não é o que acontece. Pois, se o sistema partidário é disperso, as identificações são concentradas. Na verdade, fortemente concentradas.
O Vox Populi fez recentemente uma pesquisa de âmbito nacional sobre o tema. Deu o esperado: 48% dos entrevistados disseram simpatizar com algum partido. Mas 80% desses se restringiram a apenas três: PT (com 28% das respostas), PMDB (com 6%) e PSDB (com 5%). Olhado desse modo, o sistema é, portanto, bem menos heterogêneo, pois os restantes 26 partidos dividem os 20% que sobram. Temos a rigor apenas três partidos de expressão.
Entre os três, um padrão semelhante. Sozinho, o PT representa quase 60% das identidades partidárias, o que faz que todos os demais, incluindo os grandes, se apequenem perante ele. Em resumo, 50% dos eleitores brasileiros não têm partido, 30% são petistas e 20% simpatizam com algum outro – e a metade desses é peemedebista ou tucana. Do primeiro para o segundo, a relação é de quase cinco vezes.
A proeminência do PT é ainda mais acentuada quando se pede ao entrevistado que diga se “simpatiza”, “antipatiza” ou se não tem um ou outro sentimento em relação ao partido. Entre “muita” e “alguma simpatia”, temos 51%. Outros 37% se dizem indiferentes. Ficam 11%, que antipatizam “alguma” coisa ou “muito” com ele.
Essa simpatia está presente mesmo entre os que se identificam com os demais partidos. É simpática ao PT a metade dos que se sentem próximos do PMDB, um terço dos que gostam do PSDB e metade dos que simpatizam com os outros.
Se o partido é visto com bons olhos por proporções tão amplas, não espanta que seja avaliado positivamente pela maioria em diversos quesitos: 74% do total de entrevistados o consideram um partido “moderno” (ante 14% que o acham “ultrapassado”); 70% entendem que “tem compromisso com os pobres” (ante 14% que dizem que não); 66% afirmam que “busca atender ao interesse da maioria da população” (ante 15% que não acreditam nisso).
Até em uma dimensão particularmente complicada seu desempenho é positivo: 56% dos entrevistados acham que “cumpre o que promete” (enquanto 23% dizem que não). Níveis de confiança como esses não são comuns em nosso sistema político.
Ao comparar os resultados dessa pesquisa com outras, percebe-se que a imagem do PT apresenta uma leve tendência de melhora nos últimos anos. No mínimo, de estabilidade. Entre 2008 e 2012, por exemplo, a proporção dos que dizem que o partido tem atuação “positiva na política brasileira” foi de 57% a 66%.
A avaliação de sua contribuição para o crescimento do País também se mantém elevada: em 2008, 63% dos entrevistados estavam de acordo com a frase “O PT ajuda o Brasil a crescer”, proporção que foi a 72% neste ano.
O sucesso de Lula e o bom começo de Dilma Rousseff são uma parte importante da explicação para esses números. Mas não seria correto interpretá-los como fruto exclusivo da atuação de ambos.
Nas suas três décadas de existência, o PT desenvolveu algo que inexistia em nossa cultura política e se diferenciou dos demais partidos da atualidade: formou laços sólidos com uma ampla parcela do eleitorado. O petismo tornou-se um fenômeno de massa.
Há, é certo, quem não goste dele – os 11% que antipatizam, entre os quais os 5% que desgostam muito. Mas não mudam o quadro.
Ao se considerar tudo que aconteceu ao partido e ao se levar em conta o tratamento sistematicamente negativo que recebe da chamada “grande imprensa” – demonstrado em pesquisas acadêmicas realizadas por instituições respeitadas – é um saldo muito bom.
É com essa imagem e a forte aprovação de suas principais lideranças que o PT se prepara para enfrentar os difíceis dias em que o coro da indústria de comunicação usará o julgamento do mensalão para desgastá-lo.
Conseguirá?

CartaCapital

Não vou permitir que um tucano volte a ser presidente’

 

Teve Corinthians, teve histórias sobre rabadas, depoimento de Ronaldo Fenômeno, música de Geraldo Vandré e até brinde com cerveja oferecido por Zeca Pagodinho. Mas a entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao apresentador Ratinho, do SBT, serviu basicamente para dois objetivos: tentar alavancar a candidatura de Fernando Haddad junto ao grande público e mandar recados (muitos) para a oposição.
O ex-presidente Lula durante entrevista ao Ratinho. Foto: Reprodução/SBT

Descontraído na maior parte do tempo, Lula subiu o tom, apesar da voz ainda debilitada, para dizer que não permitirá que “um tucano volte a ser presidente do Brasil”. Disse que, para isso, aceitaria até  voltar a ser candidato a presidente. “Nisso eu vou batalhar”.
“Xi, o Serra então está ferrado”, brincou Ratinho, que se apresentou como “grande amigo” do ex-presidente, com quem lembrou já ter comido uma rabada na Granja do Torto.
E foi no último minuto da entrevista que o apresentador e amigo perguntou ao ex-presidente sobre a polêmica envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que acusa Lula de oferecer apoio à CPI do Cachoeira em troca do adiamento do mensalão (Mendes é suspeito de ter viajado a Berlim com dinheiro pago pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, o que ele nega).
“Vou perguntar apesar de saber que a população não está entendendo isso”, frisou Ratinho.
“Não tenho interesse em falar nesse assunto, porque já respondi em nota. Quem inventou que prove. Quem acreditou, que prove. O dado concreto é que o Brasil hoje é muito melhor, vai melhorar ainda mais. Quero que o Brasil que teve ascensão nunca mais  retroceda.”
Fernando Haddad, que estava na primeira fileira da plateia, foi apresentado ao público logo na primeira pergunta feita por Ratinho. Sobre o Corinthians. “Esse seu defeito de ser corintiano continua, né, presidente?”
Na resposta, Lula lembrou que no Brasil existem os corintianos e os anti-corintianos, mas que se dava bem com torcedores de outros times, “como o Fernando Haddad, que é são-paulino”.
Não demorou e o ex-ministro da Educação, que patina nas pesquisas de intenção de voto, já estava do lado do ex-presidente numa cadeira ao lado da mesa do entrevistador.
Por que ele foi escolhido?, perguntou Ratinho, que chamou Haddad de “galã”.
Fernando Haddad, que fez "participação especial" na entrevista. Foto: Reprodução

“Achava que era o momento de a gente apresentar uma coisa nova”, explicou o ex-presidente, para apresentar as credenciais do afilhado: “São Paulo precisa de um prefeito como o ministro da Educação que criou o Prouni e colocou um milhão de jovem da periferia na universidade.”
Lula afirmou que Haddad foi o ministro que mais criou escolas técnicas (214) e mais construiu universidades federais (14).
No mesmo instante, o apresentador chamou um VT sobre o Prouni, no qual uma beneficiária do programa dizia que, antes, a universidade não era lugar para pobre.
De terno cinza e camisa branca, sem gravata, Haddad ouviu o ex-presidente que as mudanças na educação provocara “a maior revolução que já foi feita no País”.
O entrevistado, então, passou a ser Haddad. “O que um prefeito de SP pode fazer para melhorar?”, levantou o apresentador.
“A saúde é problema número 1”, cortou o ex-ministro. Ele criticou a gestão municipal, falou do “drama das filas” e citou a desarticulação do SUS. “Você injetou recurso novo, mas gestão de recursos não está tão boa.”
Por fim, citou os investimentos federais em educação (o orçamento, segundo ele, subiu de 20 bilhões para 80 bilhões de reais) e disse que os governos Lula e Dilma Rousseff melhoraram a vida econômica dos brasileiros da porta de casa para dentro, mas fora faltavam segurança e professores. “Isso é papel do prefeito”.
Foi uma jogada arriscada: Haddad e o PT podem ser punidos caso o Tribunal Regional Eleitoral entenda que a entrevista serviu como propaganda antecipada, embora o candidato não tenha pedido voto de forma direta. A campanha só começa oficialmente em julho.
De volta à cena, Lula fez elogios à presidenta Dilma e criticou os que o criticam por manterem a amizade. “Não há possibilidade de divergência entre Dilma e eu. No dia que eu tiver, eu retiro o que pensei e ela fica.”
Lula disse também que será cabo eleitoral para reelegê-la, e que só voltaria a se candidatar se ela não quisesse – ainda assim, apenas para evitar a volta dos tucanos ao poder.
O ex-presidente aproveitou a entrevista para criticar o papel da oposição para derrubar a CPMF. “Me tiraram 40 bilhões pra aplicar na saúde, com a intenção de me prejudicar. Foram mais de 120 bilhões no último mandato. Tínhamos um programa de saúde, queríamos colocar oftalmologista, dentista e otorrino dentro da escola. A CPMF era imposto para rico e foi derrubada porque evitava a sonegação”, disse.
Recém-curado de um câncer na laringe, Lula disse que o ideal era que todos os brasileiros tivessem, como ele, a possibilidade de se tratar em hospitais como o Sirio-Libanês. “Universalizar a saúde não é brincadeira. Precisa ter dinheiro”.
Ele citou avanços como a queda da mortalidade e desnutrição e o aumento de atendimentos a pacientes de câncer pelo SUS. Ainda assim, garantiu que os avanços são menores que qualquer presidente gostaria de alcançar.
Houve tempo ainda pra falar sobre o tratamento, os dias seguintes após deixar a Presidência e de pedir para o apresentador intermediar um encontro com o pastor Valdemiro Santiago, uma das mais importantes lideranças evangélicas em São Paulo – que mandou um abraço ao ex-presidente. “Quero conversar com ele”, disse Lula.

CartaCapital