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terça-feira, 26 de junho de 2012

Alerta na Bolívia: risco de golpe



 


Altamiro Borges

Jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, militante do PCdoB


A ministra das Comunicações da Bolívia, Amanda Dávila, alertou hoje (24) que está em curso uma nova tentativa de golpe no país. Setores da direita estariam tentando se aproveitar de uma paralisação na polícia para criar um clima de pânico na sociedade e para exigir a deposição do presidente Evo Morales. Armas foram retiradas de unidades policiais e usadas em manifestações de rua numa nítida provocação.
Estímulo à radicalização
"Sabemos com absoluta certeza que uma atitude deste tipo pode provocar enfrentamentos”, denuncia a ministra. Lideranças de direita e setores da mídia têm estimulado a radicalização da greve para desestabilizar o país. O governo tem evitado confrontos, para não dar pretexto para a direita, e procurado negociar. Ele já anunciou um reajuste salarial e a modificação de uma lei disciplinar considerada excessivamente repressiva.
O sindicato da categoria aceitou o acordo, mas foi atropelado pela assembleia deste domingo. Logo após, cerca de 300 pessoas se dirigiram ao palácio presidencial aos gritos de "motim policial, motim policial”, mas não houve confrontos. A mídia golpista, que sempre se opôs às lutas dos trabalhadores, tem dado apoio aos grevistas contra o "presidente esquerdista” Evo Morales - como ele é tratado pelos principais veículos.
Movimento conspirativo e desestabilizador
Ainda hoje, o ministro Carlos Romero divulgou o conteúdo de gravações entre policiais amotinados que pregam "limpiar” (matar) autoridades governamentais. Numa das gravações, uma liderança do motim ordena "preparar bombas molotovs para atacar” integrantes das Forças Armadas alojados no palácio presidencial. Para ele, a greve dos policiais é legítima, mas está sendo usada por setores de direita "para intentar se converter num movimento político, conspirativo, desestabilizador”.
Diante do risco de um golpe, a exemplo do que ocorreu na sexta-feira passada no Paraguai, o movimento camponês convocou uma vigília em defesa da democracia. Roberto Coraite, dirigente da Confederação Sindical Única dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia (Csutcb), garantiu que a sociedade não vai se deixar enganar pelas manobras da direita oligárquica.
"Não vamos baixar a guarda. Estamos em vigília porque sabemos da ação golpista de alguns grupos políticos, inclusive da Polícia Nacional. Não vamos permitir golpes de Estado. Se eles continuam com esta conspiração, instigados por partidos infiltrados na greve, como o Movimento Sem Medo e Unidade Nacional, nós vamos nos mobilizar para garantir a democracia”, garantiu Roberto Coraite.

Adital

Paraguaios/as residentes no exterior repudiam deposição de Fernando Lugo

 
Natasha Pitts

Jornalista da Adital
Organizações de paraguaios e paraguaias que vivem no exterior se manifestaram sobre a situação política vivida em seu país. O consenso é pela não aceitação à deposição de Fernando Lugo, a quem consideram o único presidente do Paraguai. Como os meios de comunicação em favor do julgamento político, entidades, organizações e sociedade civil se reuniram e construíram o site Paraguai Resiste (http://paraguayresiste.com/)
Em comunicado à opinião pública, os integrantes do Collectif Paraguay (França), Asociación Les dentelles du nanduti (França), Asociación de Residentes Paraguayos en Austria (Arpa), Asociación Virgen de Caacupe (Belgica), Comité de Deportes Belgica, Periodico Rohayhu Paraguay (España), Associação Japayke (Brasil) e Asociación de Paraguayos Residentes en Nerja (Espanha) se dizem indignados e preocupados com a atitude dos deputados e senadores paraguaios e com o que ela pode acarretar.
"Comunicamos nossa preocupação sobre as consequências internas e externas deste ato incompreensível impulsionado pelos atores de uma política retrógrada e carente de toda autoridade moral por seu negro passado de corrupção”, disparam.
As organizações também repudiam a falta de argumento e de provas concretas que justificassem o julgamento político de Fernando Lugo e apontam que esta foi a maneira encontrada para barrar mudanças estruturais impulsionadas pelo governo de Lugo, como a implementação do Imposto de Renda, a reforma no Judiciário, o direito ao voto dos paraguaios e paraguaias residentes no exterior e o desbloqueio das listassábanas.
Humberto Salazar Jara, presidente da Associação Japayke, com sede na cidade de São Paulo, no Brasil, complementa o conteúdo do comunicado à opinião pública e assegura todo apoio ao presidente deposto, quem considera o único mandatário do país por ter sido escolhido em eleições, conforme previsto na Constituição.
"Para nós o que aconteceu foi um golpe de Estado dado pelos donos do Paraguai, pois houve pouco tempo para Fernando Lugo se defender. Nós só aceitamos Lugo no poder e para nós ele continua sendo o presidente, o único presidente do Paraguai”, assegura.
Os paraguaios e paraguaias residentes no exterior apoiam a decisão de Lugo de não aceitar sua deposição de um cargo para o qual foi escolhido em eleições livres e democráticas. Diante disso, asseguram que não vão esquecer o que aconteceu e pretendem, de seus países de residência, organizar manifestações pacíficas para mostrar o descontentamento com a violação da democracia no Paraguai.
De acordo com Humberto, as manifestações já começaram. Ontem (25), entidades ligadas ao movimento sindical, popular e estudantil promoveram um ato em frente ao Consulado do Paraguai, em São Paulo, onde foi entregue um documento com o posicionamento das organizações presentes, mostrando descontentamento com a atual situação vivida no país vizinho.
Daqui para frente, novas manifestações pacíficas devem acontecer. As organizações de paraguaios e paraguaias residentes no exterior chamam a população de seu país a não esquecer e a agir. "Encorajamos e apoiamos a todos os cidadãos paraguaios a se manifestar de forma pacífica e a fazer frente a esta nova tentativa de desestabilização para que se respeite a vontade popular”, encerram.

Adital

Grupos pró-Lugo organizam megaprotesto para reverter impeachment no Paraguai

 



Movimentos sociais e simpatizantes de ex-presidente querem fazer uma passeata até Assunção
Quatro dias após o impeachment do presidente paraguaio Fernando Lugo, movimentos sociais e simpatizantes do líder estão se articulando para realizar um megaprotesto para reverter sua destituição ou, ao menos, antecipar a realização das próximas eleições no Paraguai.
Até a última segunda-feira, as manifestações contra a queda de Lugo vinham se concentrando em frente à TV pública paraguaia, na capital, Assunção. Agora, líderes de movimentos sociais afirmam que nos próximos dias reunirão seus integrantes nas capitais dos Departamentos (Estados), para protestar ou iniciar uma marcha até Assunção.
Também está previsto o bloqueio de várias estradas importantes, incluindo a que une o Paraguai ao Brasil na fronteira entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu (PR).
"Vamos unir sem-teto, indígenas, sem-terra, estudantes, sindicalistas, todos os movimentos sociais. Marcharemos até Assunção e lá ficaremos até que Lugo volte ao poder", diz à BBC Brasil José Rodríguez, líder da Liga Nacional de Carperos (LNC), um dos maiores movimentos sem-terra paraguaios.
Rodríguez diz que qualquer outra saída que não a volta de Lugo ao poder implicaria legitimar a quebra de regras democráticas. "Este é um governo ilegítimo, que utilizou modos amorais para se constituir".
A LNC estava ocupando as terras em Curuguaty (a 250 quilômetros de Assunção) onde, em 15 de junho, seis policiais e 11 sem-terra morreram em confronto durante uma reintegração de posse. A matança foi apontada por congressistas como uma das principais razões para a destituição de Lugo, na última sexta-feira.
Segundo Rodríguez, o confronto em Curuguaty foi desencadeado por "mercenários contratados", que haviam se escondido entre as árvores a mando de poderosos. Segundo ele, a intenção era criar um pretexto para destituir Lugo.
"Pelo ângulo e pela precisão dos tiros, é evidente que houve um complô. Nem a polícia nem os camponeses sabiam da presença dos atiradores". Para ele, os principais suspeitos pelo ato são "os que dele se beneficiaram, em vez de estimular investigações".
Ativistas sem-terra no Paraguai | Foto: João Fellet/BBC Brasil
Ativistas sem-terra estão entre os grupos pró-Lugo que organizam megaprotesto no Paraguai
"Nem os colorados nem os liberais (principais partidos no Congresso paraguaio) querem esclarecer o que houve, porque a teoria deles é que Lugo foi o responsável."
Após o conflito, o então presidente paraguaio ordenou a criação de uma comissão especial de investigação, na qual participaria a Organização dos Estados Americanos (OEA), para esclarecer o ocorrido.

Eleições antecipadas

Enquanto Rodríguez exige o retorno de Lugo, outros grupos adotam posição mais flexível. Dirigente do Movimento Camponês Paraguaio, Belarmino Balbuena disse à Agência Venezuelana de Notícias que, caso Lugo não possa voltar ao poder, que ao menos se antecipem as próximas eleições presidenciais, previstas para abril de 2013.
No entanto, também nesta segunda-feira, o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral do Paraguai anunciou que o novo presidente, Federico Franco, deverá completar o mandato até agosto de 2013 e descartou antecipar as eleições de abril.
O órgão eleitoral citou a resolução da Corte Suprema do país, que nesta segunda-feira arquivou a ação movida por Lugo na tentativa de invalidar o impeachment. O ex-presidente argumentou que não teve tempo para articular uma defesa para seu julgamento no Congresso.
Apesar da derrota na Justiça, Lugo pretende continuar atuando contra sua destituição. Nesta segunda, a Frente Nacional de Defesa da Democracia, movimento criado por ele após o impeachment, lançou um site (paraguayresiste.com) para organizar as manifestações em sua defesa.
Os principais protestos têm ocorrido em frente à TV pública paraguaia, em Assunção, onde manifestantes se revezam num microfone aberto – cada discurso é transmitido ao vivo pela emissora. A frente pró-Lugo diz que a manifestação tem reunido diariamente cerca de 10 mil pessoas, incluindo alguns que estão acampados no local, mas órgãos de imprensa calculam que o número é bem menor.
Além de se dedicar ao protesto na TV pública, a frente tem pregado espalhar as manifestações pelo país. Após uma reunião do grupo nesta segunda, decidiu-se que nesta terça e quarta-feira haverá bloqueios de estradas em diversas regiões do país.
Em Ciudad del Este, na fronteira do Paraguai com o Brasil, organizadores da manifestação prevista disseram à BBC Brasil que poderão fechar a ponte da Amizade, que une os dois países.
"Levaremos 15 mil camponeses às ruas", diz Federico Ayala, líder de um grupo de 5 mil famílias sem-terra que ocupa uma área a 70 quilômetros de Ciudad del Este. "Lamentavelmente somos do interior e não pudemos estar todos a Assunção quando houve o golpe, mas há tempo para reagir".

BBC Brasil

Político do PSOL envolvido com bicheiro Cachoeira desiste de disputar Prefeitura

Em uma das ligações, Vaz inicia a conversa chamando Cachoeira de “companheiro”, e ele responde: “O, Elias, tudo bom?”. Na sequência, o contraventor pede um favor ao vereador.

elias vaz psol
Vereador Elias Vaz (PSOL-GO). Imagem: Arquivo
O vereador Elias Vaz (PSOL), que aparece em gravações falando com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, declarou que não é mais pré-candidato à Prefeitura de Goiânia.
No anúncio, feito na semana passada, o parlamentar alegou que, além de divergências internas no partido, outro fator que influenciou na decisão foi o risco de a sigla ficar sem vereador na capital caso não dispute a reeleição. Vaz é o único vereador do PSOL na capital.
Segundo ele, as gravações que mostram intimidade com o bicheiro não tiveram relação com a desistência. “Eu até denunciei a Delta e o interesse do esquema do Cachoeira na construção do Parque Mutirama. No processo eleitoral nós íamos explorar isso, e meu mandato incomodava”.
Em uma das ligações, Vaz inicia a conversa chamando Cachoeira de “companheiro”, e ele responde: “O, Elias, tudo bom?”. Na sequência, o contraventor pede um favor ao vereador. “Vou pedir uma ajuda pra você aí. Aquele negócio do Kajuru, fala pra ele lá que não dá mais não. Eu estou cheio de conta aí”. O parlamentar promete avisar e o bicheiro pede ainda para dizer que vai voltar a ajudar o jornalista Jorge Kajuru no futuro.
Segundo relatório da polícia federal, Kajuru teria recebido, pelo menos, R$ 10 mil, que Cachoeira mandou Geovani Pereria da Silva depositar na conta de uma colega de trabalho do apresentador.
Na eleição de 2010, o jornalista chegou a subir em um carro de som e pedir votos para um candidato do PSOL a deputado estadual, que não foi eleito. Daí teria surgido a relação com o vereador Vaz, do mesmo partido.

Outras escutas

Em trechos do inquérito da Polícia Federal, o nome do vereador é citado como um dos integrantes de um grupo da Câmara Municipal que servia a Cachoeira. O próprio Vaz afirma que o bicheiro se reuniu com ele, o vereador Santana Gomes (PSD), o ex-chefe de gabinete da prefeitura Cairo de Freitas e o ex-presidente da Câmara de Vereadores Wladimir Garcêz.
O objetivo do encontro, segundo ele, foi tentar um acordo sobre a obra de reforma do Parque Mutirama (inaugurado no último domingo (24), mas que sofre várias ações na justiça por suspeitas de superfaturamento). “Levantamos duas questões nessa reunião. Primeiro, que teriam que ser corrigidas as irregularidades. A segunda é que deveria ter a participação do Ministério Público porque eu já tinha feito, no início do mês de agosto, uma representação”.
Desta mesma reunião, teria surgido o pedido de Cachoeira ao senador Demóstenes Torres (x-DEM) para que ligasse para o irmão, o procurador-geral de Justiça Benedito Torres, para receber o vereador Vaz, que falaria sobre o caso do Parque Mutirama.
O procurador afirma que recebeu o parlamentar, e encaminhou os pedidos à promotoria responsável. As obras chegaram a ser suspensas, mas continuam em execução. O parlamentar afirma que sempre agiu em interesse de mostrar a realidade da administração municipal.

Disputa eleitoral

Vaz apareceu, em abril deste ano, em segundo lugar na intenção de votos dos goianienses com 13%, segundo o instituto Fortiori, em pesquisa encomendada pelo jornal “Diário da Manhã”.
Mas a candidatura começou a ser esvaziada quanto um grupo de aproximadamente 20% de integrantes da sigla tentou tumultuar a escolha dos candidatos. A chapa minoritária tentou realizar prévias, o que seria ilegal no momento.
“Depois da confusão, entendemos que seria melhor priorizar a chapa proporcional, e tentar a minha eleição e a de outro vereador”.
“Fui caluniado. Tive prejuízo. Mas tenho convicção de que nada será provado contra mim”, declarou Vaz.

Uol
Pragmatismo Político