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sábado, 21 de março de 2015

Chávez esquenta o inverno no Bronx

Publicado na Folha de São Paulo



Com população endividada por hipotecas, bairro mais pobre de Nova York recebe óleo para calefação da Venezuela

Programa mantido pela companhia estatal PDVSA dá 45 milhões de galões de combustível a população pobre de 23 Estados dos EUA

DANIEL BERGAMASCO
DE NOVA YORK 

O Terceiro Mundo é logo ali. Fica a três quadras de uma linha de metrô que leva a Wall Street, o coração financeiro dos EUA, e a cinco de uma casa de compra e venda de diamantes. É o apartamento quarto-e-sala de Hector Zejada, 54, Paola Sánchez, 20, e Samel Sánchez, cinco meses, no Bronx, o distrito da cidade de Nova York com maior índice de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. São mais de 383 mil, 29,1% do total de moradores.
Zejada, que trabalha como porteiro em um prédio residencial, se diz "feliz". Ele conseguiu escapar de um inverno que, em termos sociais, será mais frio no Bronx, já que boa parte da população comprometeu seu salário com o pagamento de prestações de hipotecas de juros altos e não tem dinheiro para comprar roupas apropriadas nem óleo para calefação.
Esse seria também o caso do porteiro, não fosse uma doação vinda daquele que já chamou o presidente americano George W. Bush de "diabo" e é tido como uma pedra no sapato do governo dos EUA: o presidente venezuelano, Hugo Chávez.
A estatal de petróleo da Venezuela, PDVSA, está distribuindo neste inverno, por meio de sua subsidiária nos EUA, a Citgo, 45 milhões de galões de óleo a famílias pobres de 23 Estados americanos, incluindo parte do Bronx. "Este é um programa que vem do coração da Venezuela para as casas das famílias americanas que simplesmente não podem pagar suas contas de energia", diz o texto de divulgação do projeto -na imprensa americana, uma provocação de Caracas.

Bem-vinda
Com a temperatrura média neste mês em 1 C, "a ajuda é do Terceiro Mundo, mas é bem-vinda", diz Zejada, nova-iorquino de ascendência latina. "O Bush põe bilhões de dólares no Iraque, mas aqui nos EUA há pobres. É claro que a Venezuela faz isso por política, mas pelo menos faz. O inverno chegou, e Bush não está fazendo nada", diz Angela Carrasquillo, duas filhas, moradora de outro prédio que teve ajuda.
A ONG Mount Hope Housing Corporation, que aluga 1.250 apartamentos a preços abaixo de mercado para famílias carentes, é uma das beneficiadas. Gasta 8.200 galões por inverno, e esse custo é diluído no aluguel ao longo do ano. Com a ajuda do óleo de calefação de Chávez no inverno passado, devolveu US$ 150 a cada morador. "Dê uma olhada nas cartas", diz a vice-presidente da ONG, Pamela Pabb, mostrando à Folha questionários preenchidos pelos moradores sobre o programa. "Nós conseguimos comprar mais comida para a nossa família", diz uma delas.
Zejada convida a reportagem a visitar sua casa e mostrar a falta que a calefação faz. Naquele dia, o sistema estava desligado, em reparos. Dentro do apartamento, as pessoas usavam blusas de frio.
Se de um lado a vida é difícil, de outro há o assistencialismo disseminado. Há uma distribuição de sopa por católicos em uma esquina e, no meio do mesmo quarteirão, há fila em frente a uma igreja protestante que distribuirá agasalhos usados. Peruana de Lima, Norma, 38 anos, está desempregada e diz que precisa de roupas de frio porque, em seu prédio, "a calefação só funciona às vezes" -nem a assistência de Bush nem a de Chávez chegou até lá.
Dentro de casa, conta Norma, ela e a filha usam cobertores, cachecol, gorro e ligam o forno. "Mas ligo só um pouco, antes de dormir, porque pode causar incêndio", diz ela.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Uma visão comunista





Por Valdir Pereira

Contrariando, os que defendem o sistema capitalista como imutável e perene. Levanto a tese que o comunismo não é uma questão de querer. É uma questão histórica.

É um processo histórico que vem desde o período primitivo, passa pelo escravagismo, entra no feudalismo e em função do progresso social e a revolução industrial de 1848, chegamos ao capitalismo. Os artesões, os operários e a burguesia, promoveram a mais importante revolução da história, derrubando o feudalismo. 

Nada surge por acaso. A história passa por fases, cada fase é um avanço em relação às contradições da fase anterior; essas contradições é que permitem sua caducidade e substituição por um novo tipo de sociedade.

Atualmente, passados dois séculos, vivemos nos sistema capitalista e sem que vejamos o processo que ocorre no capitalismo; cresce e desenvolve as forças produtivas e os meios de produção; ensejando um novo contexto social; acumulando as contradições do processo produtivo, até o momento do novo salto; a nova fase do sistema econômico: o socialismo. Infelizmente, as condições objetivas estão passando por uma maturação, e ainda não atingiram as condições propicias para a mudança.

 Apesar das tentativas, não há como saltar etapas, o socialismo se mantém ou se mantiveram, como na URSS, como uma promessa que não  concluíram os seus objetivos.

Metaforicamente, a fruta não estava madura.

Quando maior o desenvolvimento capitalistas, mais profundas as contradições; até o momento em que há ruptura; onde deixa de existir a lei fundamental do processo que mantém o regime: "a correspondência necessária entre o caráter das forças produtivas e as relações do modo de produção". Com o processo neste estágio, inevitavelmente haverá a mudança, que alguns chamam de socialismo, mas prefiro chamar sociedade de novo tipo.

A característica dessa nova sociedade é extinção da propriedade privada dos meios de produção com o controle das classes exploradas, em detrimento da classe exploradora: a burguesia. 

Nesta nova condição, a divisão dos bens produzidos se dará da seguinte forma: "a cada um de acordo com suas necessidades, de cada um de acordo com suas possibilidades". 

Quanto ao comunismo em si, entende-se como uma sociedade superior, com a eliminação do estado, redução ou extinção do trabalho, permanecendo o trabalho intelectual que terá missão aprimorar o processo produtivo, introduzindo sistemas tecnológicos cibernéticos ou robóticos, sem o manuseio da mão de obra humana; com extinção do estado passa a vigorar a autogestão, o lazer, atividades esportivas, altas pesquisas tecnológicas, atividades culturais, convívio social harmonioso, etc.; onde qualquer atividade criminosa deixa de existir; a cultura o maior bem precioso, implícito no coletivo social.

Este texto é uma síntese da previsão do funcionamento do socialismo e do comunismo. As previsões, neste pequeno texto são derivadas de minha visão futuristas, abstraídas do estimulo das noções marxistas, agregadas ao conhecimento histórico da luta de classes e o processo dialético que move a sociedade. 

É esta uma das etapas finais para a humanidade, acredito eu. Não é uma utopia, uma fantasia.


Governo da Venezuela envia carta ao povo norte-americano

  
VENEZUELA-CHAVEZ-REMAINS

O governo bolivariano da Venezuela publicou nesta terça-feira (17/03) uma carta ao povo dos Estados Unidos no jornal “New York Times” onde desmente a afirmação feita pelo presidente Obama de que o país seria “uma ameaça à segurança nacional dos EUA” e exige a revogação das sanções recentemente impostas pela Casa Branca numa clara tentativa de se meter nos assuntos internos da Venezuela. Confira a carta assinada pelo presidente Nicolás Maduro.
Carta ao povo dos Estados Unidos: A Venezuela não é uma ameaça
Somos o povo de Simón Bolívar, que acredita na paz e no respeito a todas as nações do mundo.
Liberdade e Independência
Há mais de dois séculos, nossos pais fundaram uma República sobre a base de que todas as pessoas são livres e iguais perante a lei.
Nossa nação sofreu os maiores sacrifícios para garantir aos americanos do sul o direito de hoje eleger seus governantes e aplicar suas próprias leis.
Por isso, sempre recordamos o legado histórico de nosso mestre Simón Bolívar, homem que dedicou sua vida para que nós herdássemos uma Pátria de justiça e igualdade.
Acreditamos na Paz, na Soberania Nacional e na Lei Internacional
Somos um povo pacífico. Em dois séculos de independência nunca atacamos outra nação. Somos um povo que vive numa região de paz, livres de armas de destruição em massa e com liberdade para praticar todas as religiões. Defendemos o respeito à lei internacional e à soberania de todos os povos do mundo.
Somos uma sociedade aberta
Somos um povo trabalhador, que cuida de sua família e professa a liberdade de culto. Entre nós vivem imigrantes de todo o mundo, que são respeitados em sua diversidade. Nossa imprensa é livre e somos entusiastas usuários das redes sociais da internet.
Somos amigos do povo dos Estados Unidos da América
A história de nossos povos tem estado conectada desde o início de nossas lutas para conquistar a liberdade. Francisco de Miranda, herói venezuelano, compartilhou com George Washington e Thomas Jefferson, durante os primeiros anos da nascente nação estadunidense, os ideais de justiça e liberdade, que foram conceitos fundamentais em nossas lutas independentistas. Nós compartilhamos a ideia de que a liberdade e a independência são elementos fundamentais para o desenvolvimento de nossas nações.
 As relações entre nossos povos sempre foram de paz e respeito. Historicamente temos compartilhado relações comerciais em áreas estratégicas. A Venezuela tem sido um fornecedor responsável e confiável de energia para o povo norte-americano. Desde 2005, a Venezuela proporciona “heating oil” (petróleo usado para aquecimento. NT) subsidiado para comunidades pobres nos Estados Unidos por meio de nossa empresa CITGO. Este aporte tem ajudado dezenas de milhares de cidadãos estadunidenses a sobreviver em condições difíceis, dando-lhes um alívio muito necessário e um apoio em tempos de necessidade, mostrando como a solidariedade pode construir alianças poderosas além das fronteiras.
Entretanto, incrivelmente, o governo dos EUA nos declara uma ameaça para a segurança nacional e a política exterior do país
Em um ato desproporcional, o governo de Obama se declarou em emergência porque considera a Venezuela uma ameaça para sua segurança nacional (Ordem Executiva, 15/09/2015). Essas ações unilaterais e agressivas realizadas pelo governo dos Estados Unidos contra nosso país não apenas são infundadas e violam os princípios básicos da soberania e a livre determinação dos povos sob a lei internacional, como também têm sido rechaçadas por unanimidade pelos 33 países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e pelos 12 Estados membros da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). Em uma declaração feita em 14 de março de 2015, a UNASUL reiterou seu firme rechaço a estas medidas coercitivas que não contribuem para a paz, a estabilidade e a democracia em nossa região, e exigiu que o presidente Obama revogue sua ordem executiva contra a Venezuela.  
Rechaçamos o unilateralismo e a extraterritorialidade
O presidente dos Estados Unidos, sem autoridades para intervir em nossos assuntos internos, de forma unilateral iniciou uma série de sanções contra funcionários venezuelanos e abriu as portas para continuar com este tipo de sanções, interferindo em nossa ordem constitucional e em nosso sistema de justiça.
Defendemos um mundo pluripolar
Acreditamos que o mundo deve reger-se pelas normas do Direito Internacional. Sem intervenções de outros países nos assuntos internos dos demais. Com a convicção de que relações de respeito entre as nações são o único caminho para consolidar a paz e a convivência, bem como consolidar um mundo mais justo.
Honramos nossas liberdades e manteremos nossos direitos    
Nunca antes na história de nossas nações um presidente estadunidense tentou governar os venezuelanos por decreto. É uma ordem tirana e imperial que nos arrasta aos dias mais obscuros das relações dos Estados Unidos com a América Latina e o Caribe.
Por nossa longa amizade, alertamos aos nossos irmãos estadunidenses, amantes da justiça e da liberdade, da agressão ilegal que está cometendo o governo em seu nome. Não permitiremos que nossa amizade com o povo dos Estados Unidos seja afetada por esta decisão absurda e sem fundamento do presidente Obama.
Por isso, demandamos:
  1. Que cessem as ações hostis do governo dos EUA contra o povo e a democracia na Venezuela.
  2. Que se revogue a ordem executiva que declara a Venezuela uma ameaça, como solicitou a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL).
  3. Que se suspendam as injuriantes sanções contra honrados funcionários venezuelanos que apenas obedeceram nossa Constituição e nossas leis.
Nossa soberania é sagrada
O lema dos fundadores dos Estados Unidos é repetido hoje com a mesma dignidade pelo povo de Simón Bolívar. Em nome de nosso amor em comum pela independência nacional, esperamos que o governo do presidente Obama reflita e retifique este passo em falso.
Estamos convencidos que a defesa de nossa liberdade é um direito ao qual não renunciaremos jamais, pois aqui também está o futuro da humanidade. Como bem dizia Simón Bolívar, “a liberdade do Novo Mundo é a esperança do universo”.
“A Venezuela não é uma ameaça, é uma esperança” – Simón Bolívar
“Independência ou nada”.
Nicolás Maduro Moros, presidente da República Bolivariana da Venezuela   

Fonte: AVERDADE

sábado, 14 de março de 2015

HSBC: apenas a ponta do iceberg

Publicado em OUTRASPALAVRAS

Punir banco que ajudou super-ricos a sonegar é primeiro passo. Mas essencial será compreender — e desmontar — políticas que permitiram à aristocracia financeira concentrar riquezas como nunca
Por Jerome Roos | Tradução: João Victor Moré Ramos

“O que é recompensado pelo alto é punido por baixo…
Os lucros são privatizados, os prejuízos são socializados”

Eduardo Galeano
Há semanas, divulgou-se o esquema em que o HSBC – maior banco da Europa – participou ativamente da execução e propagação de uma evasão fiscal em larga escala através de sua subsidiária suíça, permitindo que alguns de seus clientes internacionais mais ricos escondessem mais de 120 bilhões de dólares em ativos não declarados em 30 mil contas bancárias secretas. Principais reguladores britânicos, os deputados e funcionários do governo tinham conhecimento das irregularidades e conheciam os nomes dos sonegadores potenciais (incluindo estrelas de cinema, barões das drogas e chefes de estado), mas nunca propuseram acusações criminais.
Ao mesmo tempo, o Reino Unido – como o resto da Europa – vive uma era de “austeridade”. Se por um lado os bilhões dos ricos moveram-se na direção da Suíça e Ilhas Cayman, os benefícios dos pobres foram cortados “para equilibrar o orçamento.” No ano passado, David Cameron prometeu cortar “gastos públicos” por mais uma década, pois os recursos “sairiam do bolso dos mesmos contribuintes cujos padrões de vida queríamos ver melhorarem”. A ironia do primeiro-ministro ao falar do trono de ouro não passou em branco. Bem-vindo à realidade às avessas da política de “austeridade”.
Quanto ao HSBC, é obvio que o observador cauteloso não terá se surpreendido com a notícia do enésimo mega-escândalo do banco. Já em 2012, o jornalista financeiro Matt Taibbi deixou claro que o HSBC tinha se enquadrado “no pior tipo de comportamento que qualquer banco pode possivelmente adentrar: o banco dos réus.” Até agora, o banco conseguiu evitar processos apesar da lavagem de bilhões de dólares para alguns dos mais notórios cartéis mexicanos de drogas, bem como um dos bancos sauditas ligado à Al Qaeda, alem do aparelhamento sistemático de taxas de juro interbancárias colhendo lucros pródigos no escândalo da Libor.
A decisão das autoridades reguladoras dos Estados Unidos e do Reino Unido para chegar a acordos com o HSBC, e não para promover acusações criminais nesses escândalos, sinaliza a dupla moral no coração dos nossos sistemas de justiça contemporâneos. Nos EUA, onde mais da metade da população carcerária ocupa seu tempo por delitos de drogas leves, os criminosos de colarinho branco — que ajudam e estimulam os traficantes violentos dessas mesmas drogas — saem com um “tapinha nas costas”.
No entanto, é muito importante não deixar que o comportamento criminoso de um único banco possa distrair-nos de uma visão mais ampla. O HSBC é apenas uma das instituições que atuam de forma notoriamente escandalosa em um sistema financeiro que é dominado por algumas das maiores organizações criminosas de nossos tempos. Se focarmos nossa indignação nos atos individuais de mau comportamento corremos o risco de perder uma dimensão mais profunda. Embora sejam as práticas ilegais que mais atingem as manchetes e causam indignação, o roubo real ainda ocorre dentro dos limites da lei — pelas transações cotidianas e operações financeiras ordinárias dentro de modelos de negócios desses bancos.
Neste sentido, o maior escândalo de nossos tempos é de natureza sistêmica e repousa sobre a transformação da economia mundial ao longo das últimas quatro décadas. Com o início da financeirização na década de 1970, o sistema bancário internacional começou a agir segundo a lógica apontada por Galeano: de maneira geral ampliou desigualdades pré-existentes e inverteu a realidade no processo. Em primeira instância, o sistema suga bilhões em juros e dinheiro dos impostos a partir de baixo. Começando com a falência da cidade de Nova York em 1975 e da crise da dívida mexicana de 1982, a “austeridade” tornou-se o principal mecanismo pelo qual os bancos efetuaram uma concentração sem precedentes de recursos, da base para o topo.
Na outra ponta, a lógica de Galeano criava condições em que os empresários mais ricos do mundo, ditadores do Terceiro Mundo e criminosos de colarinho branco puderam aumentar ainda mais o seu capital acumulado — obtido por décadas através do saque e da pilhagem de recursos do Estado e da propriedade comum – aumentando suas contas bancárias offshore e ativos no exterior, onde a imensa riqueza roubada escapa da tributação, regulamentação e investigação criminal.
Os privilégios financeiros obtidos através deste processo, o que tem sido referido por David Harvey como “acumulação por espoliação”, estão em relação direta com a privação fiscal na parte inferior. Em última análise, escândalos como o esquema de evasão fiscal do HSBC na Suíça são apenas pontos de infecção — que oferecem uma visão mais clara da dinâmica oculta da economia mundial. Em uma palavra, não existe “austeridade”; há apenas uma redistribuição escandalosamente distorcida dos recursos. Neste mundo de cabeça para baixo do capitalismo financeiro, o dinheiro não pinga para baixo – é constantemente levado para cima.
O resultado que se tem é um sistema onde os lucros são privatizados e as perdas perenemente socializadas. Aqueles que questionam este estado de coisa dizem que “não há alternativa”, e aqueles que resistem ativamente — como os movimentos sociais e os governos progressistas da América Latina e Europa do Sul — são impiedosamente punidos por isso. Primeiro os policiais punem os cidadãos comuns quando se rebelam; em seguida, os investidores punem os governos populares quando eles fazem o mesmo. O capital estrangeiro é retirado, os rendimentos dos títulos sobem, os mercados acionários entram colapso. Onde os banqueiros são recompensados ​​por seu comportamento criminoso, aqueles que lutam pela justiça ficam aprisionados nos limites estreitos do que é permitido.
É claro que a esta injustiça sistêmica só pode ser resolvida com respostas sistêmicas. E que os reguladores devem prosseguir ativamente nas acusações criminais contra o HSBC pelo seu mais recente escândalo. Mas sem movimentos anti-sistêmicos poderosos para lutar por justiça social, mudanças significativas serão improváveis. Será preciso organização política em uma escala que não temos sido capazes de imaginar até agora. Agora mais do que nunca, precisamos voltar às ruas e começar a desenvolver um projeto global coerente para enfrentar a ditadura das finanças globais de cabeça erguida